Cerca de 400 jovens de 12 a 17 anos, vindos da França, Bélgica, Luxemburgo e da Suíça francófona, acamparam de 4 a 10 de agosto de 2025 no sítio escoteiro Moulin de l'Ayrolle, no departamento do Gard, no sul da França, para a terceira edição do camporê da União Franco-Belga da Juventude Adventista (UFBJA). O encontro, organizado em parceria com a federação da Suíça romanda e do Ticino (FSRT), teve como tema a história bíblica de Daniel e terminou com 24 batismos na cerimônia de encerramento, segundo o portal Actualités Adventistes, da própria União.

Para o público brasileiro, é o equivalente europeu do que, no Brasil, se chama de campori: um grande acampamento de várias unidades e clubes reunidos por alguns dias. A diferença está na escala e na geografia — aqui, em vez de milhares de desbravadores de um mesmo país, o evento juntou delegações de quatro nações que compartilham o idioma francês e pertencem à Divisão Intereuropeia (EUD) da Igreja Adventista.

O que aconteceu e onde

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De acordo com o portal Actualités Adventistes, o camporê ocorreu entre 4 e 10 de agosto de 2025 no Moulin de l'Ayrolle, um sítio de acampamento localizado em St Félix de Pallières, no Gard — região montanhosa e arborizada das Cévennes, no sul da França. Foi a terceira edição do encontro promovido pela UFBJA, a estrutura que organiza a juventude adventista na França, na Bélgica e em Luxemburgo.

Segundo a página oficial da Jeunesse Adventiste, a organização esperava a presença de cerca de 400 jovens com seus líderes, todos na faixa de 12 a 17 anos. As inscrições encerraram-se em 31 de maio, com exigências de proporção entre líderes e acampantes e a orientação de que cada grupo levasse suas próprias barracas — detalhes que dão a dimensão logística de um encontro internacional desse porte.

A parceria com a federação da Suíça romanda e do Ticino (JA FSRT) ampliou o alcance do evento para além dos três países da própria União. Delegações suíças, belgas e luxemburguesas participaram por meio de suas respectivas federações, enquanto o grosso das tropas veio da França, país-sede.

O tema Daniel e a proposta espiritual

O fio condutor da semana foi a história de Daniel, o jovem hebreu que, segundo o relato bíblico, manteve a fidelidade a Deus mesmo servindo na corte da Babilônia. A União apresentou a figura como um convite à autenticidade — a ideia de viver a fé de forma coerente, sem se moldar à pressão do ambiente ao redor.

É um recorte que dialoga diretamente com a faixa etária do evento. Entre os 12 e os 17 anos, adolescentes lidam justamente com a formação da identidade e com a pressão dos grupos; ao propor Daniel como referência, a programação buscou traduzir uma história de milênios atrás em uma decisão concreta para o presente. A abordagem se aproxima do que os clubes de desbravadores no Brasil chamam de classe bíblica e momentos devocionais, mas aqui costurada ao longo de toda a semana de acampamento.

Vale lembrar o que é um camporê para quem está começando no movimento: trata-se de um acampamento de grande porte em que várias unidades e clubes se reúnem por alguns dias, combinando vida ao ar livre, atividades de campo, competições, culto e cerimônias. É um dos pontos altos do calendário do jovem adventista em qualquer parte do mundo — e, na Europa, encontros como o da UFBJA cumprem também o papel de aproximar jovens de países e línguas diferentes.

Vinte e quatro batismos no encerramento

O momento mais marcante da semana, segundo o portal Actualités Adventistes, foi a cerimônia de encerramento, que reuniu batismos e investiduras. Ao todo, 24 jovens foram batizados — um número expressivo para um encontro desse formato e uma das razões pelas quais o evento ganhou destaque na comunicação oficial da União.

Para o leitor desbravador, vale explicar o peso do gesto. O batismo, na tradição adventista, é uma decisão pessoal e pública de seguir a fé cristã, geralmente tomada na adolescência ou depois, após um período de estudo. Quando acontece no encerramento de um camporê, costuma ser o desfecho de uma semana de vivência intensa em comunidade — e não um ato isolado. A investidura, celebrada na mesma cerimônia, é o reconhecimento formal de quem concluiu os requisitos de uma classe ou de uma etapa dentro do programa juvenil.

O relato oficial não detalha o país de origem de cada batizando, mas descreve a cerimônia como o ponto de convergência de toda a programação espiritual da semana, na qual o tema de Daniel foi conduzido até uma decisão concreta de compromisso.

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Uma troca de liderança na juventude

Além do saldo espiritual, o camporê marcou uma transição na liderança da juventude adventista franco-belga. De acordo com o portal Actualités Adventistes, o pastor François Todesco assumiu a frente da Juventude Adventista da Federação França-Norte no lugar do pastor Stéphane Eucharis, que deixou o cargo após oito anos de serviço.

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Trocas assim são comuns na estrutura da Igreja, em que líderes departamentais servem por períodos determinados. O que chama a atenção é o momento escolhido: fazer a passagem durante um evento que reúne centenas de jovens dá simbolismo à continuidade do trabalho e permite que a nova liderança já se apresente à base que vai coordenar. Para os clubes da região, é a garantia de que os projetos com adolescentes seguem sob nova direção sem interrupção.

Parte de um verão inteiro de acampamentos

O camporê não foi um evento isolado. Segundo a União, ele coroou um verão inteiro de atividades para crianças e adolescentes: mais de 700 jovens participaram de acampamentos e colônias de férias espalhados por diferentes regiões — da Córsega aos Alpes, das Cévennes ao litoral atlântico, passando pelo Limousin, pelas Ardenas belgas e até pelas Ilhas Seychelles.

Esse conjunto de acampamentos mostra como o trabalho com a juventude se distribui ao longo das férias europeias de verão, entre junho e agosto — período em que, no Brasil, é inverno. É uma diferença prática que muitos desbravadores desconhecem: enquanto os clubes brasileiros concentram grandes eventos no meio e no fim do ano, os europeus aproveitam justamente os meses quentes de julho e agosto, quando as escolas param e o clima favorece a vida ao ar livre.

A UFBJA, que organiza esse calendário, existe desde 1921, segundo suas próprias páginas oficiais — mais de um século dedicado à juventude adventista na França, na Bélgica e em Luxemburgo.

O que isso diz ao desbravador brasileiro

À primeira vista, um acampamento no sul da França parece distante da realidade de um clube em qualquer cidade do Brasil. Mas as semelhanças são maiores do que as diferenças. O mesmo movimento juvenil, a mesma estrutura de classes e investiduras, o mesmo objetivo de unir vida ao ar livre e formação espiritual aparecem tanto em um campori estadual brasileiro quanto no camporê da UFBJA — o que muda é a escala, a língua e a estação do ano.

Há também um contraste de números que ajuda a entender o tamanho do movimento em cada lugar. Enquanto um campori de união no Brasil pode reunir dezenas de milhares de desbravadores, um encontro internacional na Europa junta algumas centenas de jovens de vários países. Isso não diz respeito a mais ou menos dedicação, e sim à proporção da Igreja Adventista em cada território — no Brasil, o movimento de desbravadores é um dos maiores do mundo.

Por fim, fica o dado que atravessa qualquer fronteira: 24 jovens que decidiram, ao fim de uma semana de acampamento, dar um passo público de fé. É o tipo de resultado que qualquer diretor de clube reconhece de imediato, seja em Nîmes ou em Manaus — a prova de que, por trás da logística de barracas, inscrições e cronogramas, o que sustenta um camporê é sempre a mesma coisa.