Na noite de quinta-feira, 6 de agosto de 2026, o Estádio Nacional, em Kingston, recebeu a Grand Gala Jamaica 2026, a festa oficial dos 64 anos de independência do país. Segundo a Associação Leste da Jamaica, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, cerca de 200 voluntários adventistas das associações Leste, Oeste e Central estavam em campo, entre Guias Maiores, conselheiros, instrutores de ordem unida e desbravadores. A novidade, de acordo com o relato da associação, foi o tamanho da tarefa: os clubes ajudaram a planejar e liderar a apresentação de ordem unida e marcha e a de tambores.
O que os desbravadores fizeram na Grand Gala Jamaica 2026?
Quem relata a participação dos clubes é a Associação Leste da Jamaica (East Jamaica Conference, EJC), em texto publicado no site da associação em 7 de agosto de 2026. As reportagens do governo jamaicano e do jornal The Gleaner sobre a festa não citam os desbravadores.
Pela história que a EJC reconstitui, os desbravadores da igreja no país integram há anos o contingente dos grupos uniformizados nas cerimônias de Estado. Na Grand Gala, a função de costume era mais discreta: fiscais do gramado e guarda de honra do March Past, o desfile em que os grupos marcham e prestam continência diante das autoridades.
Em 2026, o encargo cresceu. Os clubes ficaram responsáveis por ajudar a conceber e conduzir duas atrações do programa, a de ordem unida e marcha (Drill and March Display) e a de percussão (Drum Display). A ideia vinha da edição de 2025, mas naquele ano o sinal verde chegou tarde demais para montar o número como se devia.
Como foi a apresentação de ordem unida e tambores?
Pela descrição da associação, o número tinha várias camadas: blocos de ordem unida marchando em sincronia, tambores e outros instrumentos, coreografia e efeitos de luz. As formações e as distâncias entre os participantes eram corrigidas o tempo todo. Dois mestres de banda comandaram a percussão, e a Associação Oeste da Jamaica levou coordenadores próprios para a sua ala de tambores e para a de marcha.
A noite da festa foi o teste final. Segundo a EJC, parte dos voluntários acumulava funções e trocava de figurino às pressas no túnel do estádio entre um compromisso e outro, num programa tão comprimido que quase não sobrava espaço para erro.
O Gleaner, sem mencionar os clubes adventistas, registrou que o início estava marcado para as 18h e que os grupos uniformizados já ocupavam o gramado quatro minutos antes.
Quanto tempo os desbravadores tiveram para ensaiar?
Pouco mais de um mês, pela conta que o relato da EJC permite fazer. O aval definitivo só saiu no fim de junho de 2026, e a equipe correu para fechar o desenho do número em reuniões com a Força de Defesa da Jamaica, com a Comissão Jamaicana de Desenvolvimento Cultural (JCDC), que produz a festa, e com os dirigentes da associação dos grupos uniformizados. Enquanto a proposta criativa ganhava forma, os líderes de jovens chamavam voluntários e os pais se encarregavam do transporte.
Eram três ensaios por semana, aos domingos, às terças e às quintas. O horário combinado ia das 17h30 às 20h, mas, segundo a associação, o treino com frequência passava bem disso, e algumas sessões varavam a madrugada, com cansaço acumulado, pausas forçadas pelo tempo e uma lista de presença que oscilava.
Leia tambémMaratona bíblica de 76 horas em Santo DomingoQuem participou, além da apresentação?
A EJC fala em cerca de 200 voluntários, somando Guias Maiores, conselheiros, instrutores de ordem unida e desbravadores das associações Leste, Oeste e Central da Jamaica, sem separar quantos eram adolescentes e quantos eram adultos. Fora das duas atrações, o grupo manteve as tarefas de sempre: fiscais do gramado e guarda de honra do March Past.
Houve também uma frente de saúde. Dezenove Guias Maiores, líderes de jovens e outros jovens adventistas trabalharam como socorristas voluntários, apoiando a equipe médica do Ministério da Saúde e Bem-Estar, os paramédicos e a Cruz Vermelha. Uma foto publicada pela associação mostra esse grupo em serviço no dia 6 de agosto.
Entre os coordenadores citados pela EJC estão o pastor Joel Jumpp, diretor de Jovens da Associação Leste, que dividiu com outros dois líderes o apoio administrativo, financeiro e logístico, e o pastor Dwayne Scott, diretor de Jovens da União Jamaicana, que cuidou do transporte dos desbravadores, do lanche e das camisetas do grupo.
Quando foi a independência da Jamaica e o que é a Grand Gala?
A Jamaica se tornou independente em 6 de agosto de 1962, data em que entrou em vigor a Constituição redigida no próprio país, depois de mais de três séculos sob domínio britânico, segundo a Biblioteca Nacional da Jamaica. A troca de bandeiras foi no Estádio Nacional, às 23h59 de 5 de agosto: a britânica desceu do mastro e a preta, verde e dourada da Jamaica tomou o seu lugar.
A Grand Gala da Independência é o grande espetáculo anual da data, produzido pela JCDC. Em 2026, segundo o Serviço de Informação da Jamaica (JIS), do governo, o tema foi 'United in Celebrating Resilience' ('Unidos na celebração da resiliência', em tradução livre).
Pelos relatos do JIS e do Gleaner, a noite teve mais de 1.800 artistas num estádio lotado, um bloco de música gospel e uma demonstração feita só por mulheres da Força de Defesa da Jamaica. No encerramento, um show de 1.000 drones celebrou a resiliência do país, com destaque para a recuperação depois do furacão Melissa, e a tradicional queima de fogos fechou a festa.
Como é a Igreja Adventista na Jamaica?
Segundo o Anuário Adventista 2025, publicado pela Associação Geral, a Igreja Adventista do Sétimo Dia no país forma a União Jamaicana, da Divisão Interamericana, com cinco associações que cobrem as 14 paróquias (as divisões administrativas da ilha). Em 30 de junho de 2024, a união registrava 707 igrejas e 343.907 membros, numa população de 2.748.000 habitantes, segundo o mesmo anuário, o que dá cerca de um membro para cada oito jamaicanos.
As três associações que mandaram voluntários à Grand Gala (Central, Oeste e Leste) são as maiores e reúnem 288.966 desses membros. A ilha também já recebeu o 5º Campori Interamericano, em 2023.
| Associação | Território (paróquias) | Igrejas | Membros |
|---|---|---|---|
| Central da Jamaica | Clarendon, Manchester e St. Catherine | 204 | 110.533 |
| Oeste da Jamaica | Hanover, St. Elizabeth, St. James e Westmoreland | 228 | 101.302 |
| Leste da Jamaica | Kingston, St. Andrew e St. Thomas | 98 | 77.131 |
| Nordeste da Jamaica | St. Mary e Portland | 103 | 32.792 |
| Norte da Jamaica | St. Ann e Trelawny | 74 | 22.149 |
| União Jamaicana (total) | 14 paróquias | 707 | 343.907 |
Fonte: Anuário Adventista 2025 (Seventh-day Adventist Yearbook), dados de 30/6/2024. A linha da União Jamaicana traz o total oficial publicado no anuário, que confere com a soma das cinco associações.
O que a Grand Gala ensina aos clubes do Brasil?
No Brasil, muitos clubes levam a ordem unida para a rua no desfile de 7 de Setembro. O caso jamaicano mostra um passo a mais, com o clube dentro da organização do evento.
O relato da EJC deixa pistas para quem lidera. Em evento oficial, a aprovação passa por vários órgãos e pode demorar, por isso a proposta precisa estar pronta cedo. A divisão de funções também conta: houve líder criativo, coordenação de marcha, mestres de banda, apoio administrativo, pais no transporte e uma equipe de socorristas. Para a parte musical, a fanfarra e a banda do clube são o ponto de partida natural.
Os desbravadores são treinados não apenas para se apresentar, mas para servir.Associação Leste da Jamaica, relato sobre a Grand Gala, 2026 (tradução livre)