Quem pesquisa “jovem aprendiz 14 anos” muitas vezes já tem uma vaga concreta na frente, vinda do grupo da escola ou da indicação de um vizinho. Para muitas famílias de Desbravadores das classes Excursionista e Guia, é a primeira chance de o filho ganhar o próprio dinheiro com carteira assinada. A lei permite isso desde os 14 anos, mas por uma porta só, a da aprendizagem, e com regras feitas para proteger quem ainda está crescendo.
Este guia reúne o que dizem a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e as normas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e separa o que a lei garante do que a família precisa combinar antes de assinar: escola, Clube de Desbravadores e sábado.
Com quantos anos pode ser jovem aprendiz?
A regra começa na Constituição Federal. O artigo 7º, inciso XXXIII, proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos, “salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos”. A CLT repete a ideia no artigo 403, com a redação dada pela Lei da Aprendizagem (Lei 10.097/2000). Entre os 14 e os 16 anos, a aprendizagem é a única forma legal de trabalhar.
Pelo artigo 428 da CLT, aprendiz é quem tem de 14 a 24 anos incompletos (sem idade máxima para pessoas com deficiência). O contrato é especial: escrito, com prazo de no máximo 2 anos e ligado a um curso. Ele só vale com anotação na Carteira de Trabalho, matrícula e frequência escolar para quem não concluiu o ensino médio e inscrição num programa de entidade qualificada. A empresa ensina o ofício na prática; a entidade formadora cuida das aulas teóricas.
O caminho é comum. Em abril de 2026, o Brasil somava 726.025 contratos de aprendizagem ativos, recorde da série histórica do Novo Caged, do MTE, segundo reportagem do Jornal de Brasília de 9 de junho de 2026; 65,67% dos aprendizes tinham até 17 anos. O Decreto 9.579/2018 (artigo 53) manda priorizar adolescentes de 14 a 18 anos.
Jovem aprendiz com 14 anos pode trabalhar quantas horas por dia?
O artigo 432 da CLT fixa o teto em 6 horas por dia, sem prorrogação nem compensação, e nessas horas entram a prática na empresa e as aulas teóricas (Decreto 9.579/2018, artigo 62). Só quem já concluiu o ensino fundamental pode chegar a 8 horas, com teoria incluída.
| Regra | O que a lei diz | Onde está |
|---|---|---|
| Jornada diária | Até 6 horas; até 8 horas para quem concluiu o ensino fundamental, com teoria incluída | CLT, art. 432 |
| Hora extra, banco de horas e feriado | Proibidos | Portaria MTE 3.872/2023, art. 78 |
| Descanso semanal | 24 horas seguidas, remunerado | Portaria MTE 3.872/2023, art. 76 |
| Intervalo entre dois dias de trabalho | No mínimo 11 horas para menores de 18 anos | CLT, art. 412 |
| Trabalho das 22h às 5h | Proibido para menores de 18 anos | CLT, art. 404 |
| Escola | Horário compatível com as aulas; matrícula e frequência até concluir o ensino médio | CLT, arts. 403 e 428, § 1º |
Fonte: CLT e Portaria MTE 3.872/2023, consultadas em outubro de 2026.
Quais trabalhos são proibidos para quem tem menos de 18 anos?
A CLT (artigo 405) e o ECA (artigo 67) vedam ao adolescente o trabalho perigoso, insalubre ou penoso e o realizado em locais prejudiciais ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social. A relação concreta está no Decreto 6.481/2008, a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, a Lista TIP, que descreve 89 atividades prejudiciais à saúde e à segurança, além de trabalhos prejudiciais à moralidade.
Estão na lista, por exemplo, a construção civil, o trabalho em alturas acima de 2 metros, as câmaras frigoríficas, o comércio ambulante nas ruas, o serviço doméstico e a venda de bebidas alcoólicas no varejo. O mesmo decreto permite ao aprendiz de 14 a 16 anos trabalhos técnicos ou administrativos fora das áreas de risco.
Os pais também têm papel previsto em lei. O artigo 424 da CLT manda os responsáveis afastarem o adolescente de empregos que diminuam muito o tempo de estudo ou de repouso, e o artigo 408 permite pedir o fim do contrato se o serviço trouxer prejuízo físico ou moral. Se algo parecer errado, procure a entidade formadora; a fiscalização cabe à Inspeção do Trabalho, do MTE.
Quanto ganha um jovem aprendiz em 2026?
O artigo 428 da CLT garante ao aprendiz, salvo condição mais favorável, o salário mínimo-hora. Pelo Decreto 12.797/2025, o salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621,00, o que dá R$ 7,37 por hora, e as horas de aula teórica também são pagas. Se o estado tiver piso regional maior, ou se a convenção da categoria estender o piso ao aprendiz de forma expressa, vale o valor maior (Portaria MTE 3.872/2023, artigo 81).
O ECA (artigo 65) assegura os direitos trabalhistas e previdenciários. O FGTS tem alíquota de 2% (Decreto 9.579/2018, artigo 67), o vale-transporte é garantido (artigo 70) e as férias vêm depois de cada 12 meses de contrato; o estudante menor de 18 anos tem direito a tirá-las junto com as escolares (CLT, artigo 136). No fim do contrato não há seguro-desemprego, porque o prazo é determinado, segundo o Manual do MTE.
A formação é gratuita: a Portaria MTE 3.872/2023 (artigo 80) proíbe cobrar do aprendiz matrícula, mensalidade, material, uniforme ou equipamento. Desconfie de anúncio que peça dinheiro para garantir a vaga. Quando o primeiro salário cair, a conversa sobre gastar, poupar e repartir tem roteiro no artigo sobre o jovem cristão e o dinheiro.
| Jornada no contrato | Horas por semana | Salário bruto estimado por mês (2026) |
|---|---|---|
| 4 horas, de segunda a sexta | 20 | R$ 761,55 |
| 4 horas, de segunda a sábado | 24 | R$ 913,87 |
| 6 horas, de segunda a sexta | 30 | R$ 1.142,33 |
Fórmula do Manual da Aprendizagem Profissional (MTE, 2024) para salário mensal fixo, com descanso semanal incluído, base de mês de 31 dias e R$ 7,37 por hora (Decreto 12.797/2025). Valores brutos, antes de descontos como INSS e vale-transporte.
Leia tambémOBMEP no sábadoComo conciliar aprendizagem, escola e Clube de Desbravadores?
A escola vem antes. O empregador de menores deve conceder o tempo necessário para as aulas (CLT, artigo 427), e faltar sem justificativa a ponto de perder o ano letivo é motivo para encerrar o contrato antes do prazo (artigo 433).
A semana de um aprendiz de 14 anos fica cheia, com aula num turno e empresa ou curso no outro. Antes de aceitar, desenhe com o adolescente a semana real, hora a hora, incluindo deslocamento, refeições, sono e a reunião do Clube, que costuma ser no fim de semana e muda de clube para clube. O artigo sobre clube e escola ajuda a montar essa rotina.
Quem está na classe Excursionista (a partir de 14 anos) ou na Guia (a partir de 15) tem requisitos que costumam ocupar fins de semana, como a caminhada com pernoite da Excursionista. Converse cedo com o Conselheiro e o Diretor: com a escala em mãos, a Unidade tem mais chance de ajustar a agenda até a Investidura.
Jovem aprendiz pode trabalhar no sábado?
Pode. A lei proíbe ao aprendiz hora extra, feriado e, abaixo dos 18 anos, trabalho noturno, mas não proíbe o sábado. Pela Portaria MTE 3.872/2023 (artigo 78), a jornada e os dias de descanso ficam especificados no contrato e no calendário.
Nenhuma lei obriga a empresa privada a dispensar o sábado de quem o guarda por motivo religioso. A Lei 13.796/2019 garante alternativas para provas e aulas em dia de guarda nas instituições de ensino, mas não trata de jornada de trabalho. O momento de tratar do assunto é antes da assinatura, quando ainda dá para escolher outra vaga.
Olhe para a sexta-feira também. A Igreja Adventista do Sétimo Dia guarda o sábado “do pôr do sol ao pôr do sol”, segundo a Crença Fundamental 20. Compare o fim do expediente de sexta com o horário do pôr do sol na sua cidade ao longo do ano: se o trabalho terminar depois dele, a escala já entra no sábado.
Explique com calma, sem tom de exigência, que a família guarda o sábado, e pergunte se a escala pode ser de segunda a sexta. Se a resposta for não, agradeça e siga procurando: a aprendizagem vai até os 24 anos. O quarto mandamento também fala do trabalho: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra” (Êxodo 20:9, ARA). A base bíblica está em por que guardamos o sábado, e conversas parecidas com professores, em viver a fé na escola.
Como se inscrever no jovem aprendiz com 14 anos?
A vaga sempre vem amarrada a um curso. Pela CLT (artigo 430) e pelo Decreto 9.579/2018 (artigo 50), formam aprendizes os Serviços Nacionais de Aprendizagem (Senai, Senac, Senar, Senat e Sescoop), as escolas técnicas, entidades sem fins lucrativos de assistência ao adolescente registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e entidades desportivas. Quem contrata é a empresa ou, em alguns casos, a entidade sem fins lucrativos ou desportiva (CLT, artigo 431).
Comece pela página de aprendizagem profissional do MTE, no gov.br, onde fica a consulta pública do Cadastro Nacional de Aprendizagem Profissional (CNAP), com as entidades habilitadas e os cursos autorizados por localidade. Depois procure os processos seletivos dessas entidades e das empresas parceiras, conferindo no cadastro o curso de qualquer vaga anunciada.
Separe o comprovante de matrícula escolar. Segundo o Manual do MTE, a Carteira de Trabalho digital é anotada quando a empresa registra a admissão no eSocial, e o contrato de quem tem menos de 18 anos é assinado com a assistência do responsável legal. Leiam juntos o contrato inteiro antes de assinar.
O que a família deve conferir antes de assinar?
O Manual do MTE lista o que o contrato precisa trazer por escrito: início e fim, curso com carga teórica e prática, função, jornada diária e semanal, horário, remuneração, local, tarefas e calendário de aulas.
Depois do papel, pergunte ao adolescente por que ele quer trabalhar agora. Há quem queira ajudar nas contas de casa e há quem queira aprender uma profissão; os dois motivos são legítimos e pedem combinados diferentes. O artigo sobre propósito e vocação ajuda a pensar além do salário, e Provérbios 22:29 (ARA) lembra o valor do ofício bem feito: “Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto”.
| Pergunta da família | Onde conferir |
|---|---|
| O curso e a entidade são reconhecidos? | Consulta do CNAP no site do MTE |
| Quais dias e horários? O sábado entra? | Contrato e calendário (Portaria MTE 3.872/2023, art. 78) |
| O horário respeita a escola? | Horário escolar e CLT, art. 427 |
| A função é permitida antes dos 18 anos? | Lista TIP (Decreto 6.481/2008) |
| Quanto paga e quais são os descontos? | Contrato; piso de R$ 7,37 por hora em 2026 |
| Cobram curso, material ou uniforme? | Não podem (Portaria MTE 3.872/2023, art. 80) |
Roteiro com base na CLT, na Portaria MTE 3.872/2023 e no Manual do MTE (2024).