Especialidade de Educação Inclusiva

Atividades Missionárias e Comunitárias

Requisitos

  1. Conhecer e explicar os seguintes conceitos de acordo com a Organição Mundial da Saúde (OMS):
    • Deficiência;
    • A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (PCD);
    • A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF).

    Resposta: 1) Deficiência: segundo a OMS (modelo da CIF), não é apenas um problema do indivíduo, mas o resultado da interação entre as limitações funcionais da pessoa (no corpo ou em uma função) e as barreiras do ambiente (físicas, sociais e atitudinais). Quando o ambiente é acessível e inclusivo, o impacto da deficiência diminui. 2) Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (PCD): tratado internacional aprovado pela ONU em 2006 e ratificado pelo Brasil em 2008 com status de emenda constitucional. Reconhece e garante os direitos das pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais, promovendo dignidade, autonomia, acessibilidade e inclusão plena na sociedade. 3) Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF): publicada pela OMS em 2001, classifica a funcionalidade e a incapacidade ligadas a uma condição de saúde, considerando funções e estruturas do corpo, atividades, participação e fatores ambientais. Em vez de focar na doença em si, descreve como a pessoa funciona em seu contexto. — A CIF substituiu o modelo médico (CID) por modelo biopsicossocial. No Brasil, a Convenção tem força de emenda constitucional (Decreto 6.949/2009). Lei 13.146/2015 (LBI) regulamenta. OMS estima 1,3 bilhão de pessoas com deficiência no mundo.

  2. Descrever os tipos de deficiência existentes.

    Resposta: Física (motora), visual (cegueira/baixa visão), auditiva (surdez/deficiência auditiva), intelectual (limitação cognitiva), psicossocial (transtornos mentais) e múltipla (combinação de duas ou mais). TEA é categoria à parte. — Lei 13.146/2015 (LBI) e Decreto 5.296/2004 listam categorias. Visual exige acuidade ≤20/200 ou campo ≤20°; auditiva ≥41dB bilateral; intelectual QI ≤70 com início antes dos 18 anos. TEA tem lei própria (12.764/2012, Berenice Piana).

  3. Descrever o conceito de discriminação e discutir as diferentes formas de discriminação que existem hoje.

    Resposta: Discriminação é o tratamento desigual e prejudicial a uma pessoa por característica como raça, gênero, deficiência ou idade. Formas atuais: capacitismo, racismo, sexismo, etarismo, xenofobia, LGBTfobia e intolerância religiosa. — Lei 7.716/1989 (Lei Caó) criminaliza discriminação racial; Lei 13.146/2015 (LBI) criminaliza capacitismo (até 5 anos de prisão). Discriminação direta é explícita; indireta é sistêmica (ex: prédio sem rampa exclui PCD sem precisar de regra anti-PCD).

  4. Definir a palavra bullying e descrever as diferentes formas de bullying observadas em seu cotidiano.

    Resposta: Bullying é agressão intencional, repetida e com desequilíbrio de poder. Formas: verbal (apelidos), físico (empurrões), psicológico (exclusão), sexual (assédio), virtual (cyberbullying) e moral (calúnia/difamação). — Lei 13.185/2015 (Programa de Combate ao Bullying) e Lei 14.811/2024 tipificou crime de bullying e cyberbullying. Caracteriza-se por três elementos: intencionalidade, repetição e assimetria de poder. Cyberbullying é o de maior crescimento (alcance 24/7).

  5. Ler, analisar e debater a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas com Deficiência, promovida pela OMS e assinada por 17 países, apresentando um resumo de pelo menos uma página sobre ela.

    Resposta: Adotada pela OEA na Guatemala em 1999, ratificada pelo Brasil em 2001 (Decreto 3.956). Define discriminação contra PCD, prevê eliminação de barreiras físicas/atitudinais e cria Comitê para monitorar implementação nos países signatários. — Foi o primeiro tratado internacional específico sobre PCDs, anterior à Convenção da ONU (2006). Assinada por 19 países da OEA atualmente (não apenas 17). Define discriminação como ato baseado em deficiência que limite gozo de direitos. Brasil pioneiro na ratificação.

  6. Ler e análisar joão 5:1-18, Aplicar os conceitos desenvolvidos ao descrever o cenário apresentado nestes versículos, identificando:
    • Tipo de deficiência apresentada;
    • Contexto de vida vivido por pessoas com deficiência;
    • Possíveis cenários de discriminação ou intimidação que enfrentaram;
    • Discutir e refletir sobre: reação e ação de Jesus quando se deparou com o homem que por 38 anos estivera paralisado e reação e ação dos judeus;
    • Faça uma lista dos ensinamentos que extraímos do exemplo de Jesus e dos versículos analisados.

    Resposta: 1) Tipo de deficiência apresentada: paralisia. O homem estava enfermo havia 38 anos, sem conseguir mover-se sozinho até o tanque. 2) Contexto de vida vivido por pessoas com deficiência: viviam à margem da sociedade, reunidos no alpendre de Betesda (cegos, mancos e paralíticos), dependendo de esmolas e da ajuda de terceiros, muitas vezes sem ninguém que se importasse com eles. 3) Possíveis cenários de discriminação ou intimidação que enfrentaram: eram ignorados e deixados para trás, pois quem chegava primeiro à água ocupava o lugar; o paralítico não tinha quem o ajudasse a entrar no tanque e era sempre passado para trás pelos mais ágeis, vivendo isolado e esquecido. 4) Reação e ação de Jesus x dos judeus: Jesus toma a iniciativa, aproxima-se, pergunta 'Queres ser curado?' e o cura imediatamente no sábado, restaurando-lhe a vida; já os judeus, em vez de se alegrarem, criticam o homem por carregar o leito no sábado e perseguem Jesus por curar nesse dia, valorizando a regra acima da pessoa. 5) Ensinamentos que extraímos: a pessoa vale mais que o ritual ou a tradição; Jesus enxerga e acolhe quem todos ignoram; a compaixão deve mover nossas ações; não devemos esperar que o outro peça ajuda para agir; o amor cumpre a verdadeira intenção da lei. — Betesda (casa de misericórdia) tinha 5 pórticos junto à porta das Ovelhas. O homem reflete o desamparo social do PCD na antiguidade. Jesus quebra dois tabus: cura em dia de sábado e ordena 'toma teu leito e anda', violando interpretação rabínica. Inclusão antes de norma.

  7. Ler e analisar 2 Samuel 9:1-13, aplicar os conceitos desenvolvidos descrevendo o cenário apresentado nestes versículos, identificando:
    • A atitude e determinação de Davi ao perguntar e aprender sobre Mefibosete;
    • Refletir sobre como Davi aplicou a inclusão em suas ações e como você, hoje poderia fazer o mesmo em sua realidade.
    • Primeira reação e resposta do Mefibosete. Como você acha que ele estava se sentindo? Por quê?
    • Fazer uma lista de ensinamentos que extraímos do exemplo de Jesus e dos versículos analisados.

    Resposta: 1) Atitude e determinação de Davi: Davi tomou a iniciativa de perguntar se ainda restava alguém da casa de Saul a quem pudesse mostrar bondade por amor a Jônatas; foi proativo, buscou informações com Ziba e fez questão de encontrar e honrar Mefibosete, neto de Saul, coxo dos dois pés desde os 5 anos. 2) Como Davi aplicou a inclusão e como eu poderia fazer o mesmo: Davi não tratou Mefibosete pela deficiência, mas o restaurou plenamente, devolveu as terras de Saul e o fez comer continuamente à mesa real, como um dos filhos do rei. Hoje eu posso fazer o mesmo buscando ativamente quem está esquecido, acolhendo pessoas com deficiência em casa, na igreja e no clube, garantindo que participem em igualdade e dignidade, e não apenas esperando que peçam. 3) Primeira reação e resposta de Mefibosete e como ele se sentia: ao ser chamado, prostrou-se diante de Davi e se chamou de 'cão morto', mostrando medo e baixa autoestima. Ele provavelmente se sentia indigno, inseguro e amedrontado, por ser descendente de Saul (inimigo de Davi) e por sua deficiência, achando que seria punido em vez de honrado. 4) Ensinamentos que extraímos: devemos honrar nossos compromissos e amizades; a verdadeira inclusão restaura a dignidade e trata a pessoa como igual; não devemos definir ninguém pela sua limitação; a bondade deve ser buscada de forma intencional; assim como Davi e como Jesus, somos chamados a acolher e levantar quem se sente um 'cão morto', dando-lhe lugar à mesa. — Mefibosete ficou aleijado quando a ama o derrubou ao fugir após Saul morrer (2Sm 4:4). A inclusão de Davi foi proativa (procurou ele, não esperou pedido), restaurativa (devolveu posses) e dignificante (mesa do rei = igualdade). Modelo de inclusão bíblica.

  8. Ler e analisar a história da escritora Helen Keller. A sua deficiência impediu o progresso na vida?

    Resposta: Não. Helen Keller (1880-1968) ficou surdocega aos 19 meses por meningite, mas com a professora Anne Sullivan aprendeu Braille, datilologia e fala. Foi a primeira surdocega a se formar bacharel (Radcliffe, 1904) e escreveu 12 livros. — Aprendeu a 'ouvir' tocando lábios e a falar. Ativista pelos direitos das mulheres, trabalhadores e PCDs, recebeu Medalha Presidencial da Liberdade em 1964 (EUA). Visitou 35 países pela American Foundation for the Blind, provando que deficiência ≠ incapacidade.

  9. Conhecer a Lei de Inclusão em vigor no país. Apresentar um resumo dos aspectos mais importantes a serem considerados.

    Resposta: Lei 13.146/2015 (Estatuto da PCD) garante autonomia, acessibilidade, educação inclusiva, trabalho com cota (Lei 8.213), saúde, BPC, auxílio inclusão. Capacitismo é crime (1-3 anos). Avaliação biopsicossocial substituiu a apenas médica. — Entrou em vigor em janeiro 2016. Pontos centrais: PCD tem capacidade civil plena (revoga curatela automática); cota de 2-5% em empresas com 100+ empregados; acessibilidade obrigatória em transporte, prédios públicos e digital (Lei 13.709 LGPD reforça).

  10. Analisar e propor como seu Clube de Desbravadores pode ser considerado inclusivo e enviar as propostas ao seu Diretor.

    Resposta: Acessibilidade física (rampas, banheiros adaptados), atividades com Libras e materiais táteis, capacitar líderes, sistema buddy/parceiro, linguagem respeitosa e avaliação flexível. — DSA tem orientação 'Pathfinders sem Barreiras'. Adaptação simples: rampas em entradas, mesa redonda em vez de roda fechada, sinais visuais para surdos, rotina previsível para TEA. Buddy system pareia desbravador PCD com não-PCD em atividades práticas.