Especialidade de Mecânica de Pequenos Motores
Atividades Profissionais
Requisitos
- Descrever o projeto e operação do motor 2 tempos e do motor 4 tempos.
Resposta: Motor 2 tempos: completa 1 ciclo a cada 2 movimentos do pistão (1 volta do virabrequim) — num movimento ocorrem admissão e compressão, no outro combustão e escape. Usa janelas (lumbreiras) no cilindro em vez de válvulas e o óleo é misturado ao combustível. Motor 4 tempos: completa 1 ciclo a cada 4 movimentos do pistão (2 voltas do virabrequim), em fases separadas — admissão (entra mistura ar/combustível), compressão (pistão comprime a mistura), combustão/explosão (a vela acende e empurra o pistão) e escape (saem os gases queimados). Usa válvulas de admissão e escape e tem lubrificação separada por cárter. — O motor 4 tempos foi criado por Nikolaus Otto em 1876 (ciclo Otto) e o princípio do motor 2 tempos com compressão no cárter é creditado a Dugald Clerk (1878-1881). O 2 tempos é mais simples e leve, porém menos eficiente e mais poluente (queima óleo junto com o combustível), motivo pelo qual foi banido de motos urbanas novas no Brasil a partir dos anos 2000 por questões ambientais.
- Nomear as peças do motor de 2 tempos e dizer para que serve cada parte.
Resposta: Cilindro (câmara onde o pistão se move e a explosão ocorre); pistão (transforma pressão em movimento linear); biela (liga pistão à árvore de manivelas); virabrequim (transforma movimento linear em rotativo); vela de ignição (gera centelha para queimar a mistura); carburador (mistura ar e combustível). — No motor 2 tempos, o cárter funciona como uma 'segunda câmara de compressão' diferente do 4 tempos — quando o pistão sobe, cria vácuo no cárter e suga a mistura ar/combustível, processo essencial para o ciclo curto.
- Listar os tipos de combustível utilizados em motores pequenos e explicar seu funcionamento.
Resposta: Combustíveis comuns: gasolina pura (motores 4T), mistura gasolina+óleo 2T (proporção 25:1 a 50:1 para motores 2T), diesel (geradores e roçadeiras grandes), GLP (gás liquefeito de petróleo) e etanol. Funcionam por combustão interna: o combustível mistura-se ao ar no carburador, é comprimido no cilindro e queimado por centelha (gasolina/álcool) ou compressão (diesel). — A proporção 50:1 (50 partes de gasolina para 1 de óleo 2T) é o padrão moderno em motosserras Stihl e Husqvarna, enquanto motores antigos pediam 25:1 — diferença pelo refinamento dos óleos sintéticos modernos com aditivos detergentes.
- Mostrar os cuidados de segurança no manuseio e armazenamento do combustível.
Resposta: Cuidados: use jerricans homologados em local ventilado e longe de fontes de calor/faísca; nunca fume perto; abasteça com motor desligado e frio; use funil para evitar derramamento; mantenha extintor PQS classe B disponível; limpe vazamentos imediatamente; não armazene em garrafas PET (combustível solubiliza o plástico); mantenha crianças e animais longe. — A gasolina tem ponto de fulgor de -43°C e seus vapores são mais pesados que o ar, acumulando-se no chão — por isso garagens fechadas com motores ou derramamentos pequenos são tão perigosas, princípio cobrado pela NR-20 do Ministério do Trabalho.
- Descrever 2 tipos de sistema de ignição.
Resposta: Dois tipos de sistema de ignição: 1) Magneto (volante magnético) — gera a centelha por meio de uma bobina e ímãs giratórios fixados no volante do motor; o movimento dos ímãs induz corrente na bobina, que envia alta voltagem à vela. Dispensa bateria e é comum em motosserras 2T e cortadores de grama. 2) CDI (Ignição por Descarga Capacitiva) — sistema eletrônico que armazena energia em um capacitor e a libera de uma vez para a bobina, gerando uma centelha forte no momento certo. Não tem partes móveis nem contatos que se desgastam, é mais confiável e substituiu o antigo sistema de platinado mecânico. — O CDI substituiu o platinado mecânico (sistema antigo) na década de 1980 porque o platinado se desgastava com 5-10 mil km e exigia regulagem — o CDI digital não tem partes móveis e dura toda a vida útil do motor.
- Listar 2 fluidos de limpeza aceitáveis para os motores pequenos. (Por que a gasolina é um fluido de limpeza impróprio?).
Resposta: Dois fluidos de limpeza aceitáveis: 1) Querosene — solvente derivado do petróleo que dissolve graxa e sujeira com boa eficiência e baixa volatilidade; 2) Diesel — solvente similar, mais barato e menos inflamável. Também servem limpadores específicos em spray para carburador. A GASOLINA é imprópria como fluido de limpeza porque é altamente volátil e inflamável, evaporando e formando vapores que pegam fogo com qualquer faísca (risco grave de incêndio/explosão na bancada); além disso é tóxica para a pele e vias respiratórias, agride borrachas e vedações do motor, e deixa resíduos. Por isso o uso dela para limpar peças é perigoso e desaconselhado. — O risco de gasolina como solvente é confirmado pela NR-20 e pela ISO 4406 — vapores acumulam-se em locais baixos e podem ser ignitados por uma simples descarga eletrostática, causando explosões com 1 mm³ de vapor concentrado.
- Listar e contar como 3 sistemas de lubrifcaçáo básicos operam.
Resposta: Três sistemas de lubrificação: (1) Mistura — em motores 2 tempos, o óleo é misturado ao combustível e queima junto, lubrificando as peças durante a passagem da mistura; é simples, mas poluente. (2) Cárter úmido — em motores 4 tempos, o óleo fica armazenado no cárter e uma bomba o circula pelas peças móveis; é o padrão em carros e motos. (3) Cárter seco — o óleo fica em um reservatório separado e bombas levam o óleo às peças e o retornam ao reservatório; garante lubrificação mesmo em posições inclinadas, sendo usado em motores de alta performance e em aplicações que trabalham em ângulos extremos. — O sistema cárter seco foi desenvolvido para aviões da Segunda Guerra (1940s) — em manobras de combate o óleo do cárter úmido vazaria pelo respiro, e o reservatório separado garantia lubrificação contínua mesmo em loopings.
- Listar, por ordem, os procedimentos adequados para a resolução de problemas em geral.
Resposta: Sequência: (1) identificar o sintoma (não liga, falha, perde força); (2) verificar combustível (qualidade, mistura correta para 2T); (3) testar a vela e o sistema de ignição; (4) inspecionar carburador (entupimentos, regulagem); (5) checar compressão do cilindro; (6) avaliar partes mecânicas (filtro de ar, escapamento); (7) corrigir o defeito e testar funcionamento. — A regra 'do mais simples para o mais complexo' é o princípio-chave de diagnóstico em motores — 80% dos problemas resolvem-se nos passos 1-3 (combustível, vela, carburador), evitando desmontagem desnecessária do motor inteiro.
- Demonstrar como rever, limpar, inspecionar, montar e ajustar adequadamente qualquer pequeno motor.
Resposta: Etapas: (1) Rever — desligar e esfriar o motor, drenar combustível e óleo. (2) Limpar — desmontar com chaves corretas, limpar peças com querosene, secar. (3) Inspecionar — verificar desgaste do pistão, anéis, biela, vela. (4) Montar — siga o manual com torque correto nos parafusos e juntas novas. (5) Ajustar — regule carburador, ignição (folga da vela 0,6mm) e teste em vazio antes de carga. — O torque correto dos parafusos é crítico em motores pequenos — apertar demais pode quebrar a rosca do alumínio do bloco, e apertar de menos causa vazamentos; sempre use chave de torque calibrada conforme manual do fabricante.
- Demonstrar como testar e limpar velas e velas de incandescência.
Resposta: Para testar: retire a vela com chave apropriada, conecte ao cabo de ignição, encoste o corpo metálico no bloco do motor e dê a partida — deve haver centelha azulada visível no eletrodo. Para limpar: use escova de aço fina nos eletrodos para remover fuligem; lixa fina (P400) se houver oxidação. — A folga padrão de 0,7mm da vela NGK BPR6ES é universal em motosserras e cortadores de grama 2T — folga maior dispersa a centelha (motor falha) e menor causa pré-ignição (motor pré-detona com risco de quebra).