Especialidade de Cuidados e Manutenção de Violões

Atividades Profissionais

Requisitos

  1. Ter a especialidade de Violão (HM 087).

    Resposta: Para iniciar a especialidade de Cuidados e Manutenção de Violões (criada em 2012 pela Divisão Sul Americana), você precisa ter conquistado antes a especialidade de Violão (HM 087) como pré-requisito obrigatório, demonstrando domínio do instrumento — afinação, acordes básicos, dedilhado, postura — base imprescindível para os tópicos avançados desta especialidade sobre cuidado, troca de cordas, limpeza, estocagem e pequenos consertos do violão. — Faz sentido pedagógico que quem cuida de violão saiba primeiro tocá-lo, porque manutenção depende de reconhecer som correto (afinação adequada após troca de cordas), desgaste natural e posicionamento das peças — habilidades só desenvolvidas pela prática prévia do instrumento.

  2. O que é um luthier? Citar um grande profissional dessa área.

    Resposta: Luthier é o artesão especializado em construir, reparar e ajustar instrumentos musicais de cordas — violões, guitarras, baixos, violinos, violoncelos, alaúdes. O termo vem de 'luth' (alaúde em francês), instrumento medieval de cordas dedilhadas. Um grande profissional dessa área é Antonio Stradivari (Antônio Stradivarius), luthier italiano de Cremona (séc. XVII-XVIII), cujos violinos são considerados os melhores do mundo. Outros nomes de destaque: Andrea Amati e a família Amati (criadores do violino moderno) e Giuseppe Guarneri 'del Gesù'. No Brasil, destacam-se luthiers de violão como Sergio Abreu e a tradição da escola brasileira de luthieria. — Antonio de Torres é responsável pelo formato atual do violão clássico — antes dele, violões eram menores e com menos volume; sua estrutura interna em 'leques' (fan bracing) é usada até hoje. Stradivari é tão lendário que seus violinos custam milhões de dólares e ainda são pesquisados para entender o segredo da sonoridade.

  3. Criar um violão ou desmontar e montar um violão, guitarra ou baixo, identificando, separando e informando as funções das seguintes peças:
    • Tarraxas
    • Pestana
    • Rastilho
    • Cordas
    • Trastes
    • Cavalete
    • Cabeça
    • Braço
    • Tróculo
    • Corpo
    • Fundo
    • Tampo dianteiro
    • Lateral
    • Abertura
    • Escala
    • Capacitor
    • Elementos decorativos
    • Os quesitos para serem separados são os de "a" a "e"; os outros são opcionais para separação.

    Resposta: Você deve desmontar e montar (ou construir) um instrumento, identificando as peças: tarraxas (ajustam tensão das cordas, na cabeça); pestana (peça superior do braço por onde passam as cordas); rastilho (peça do cavalete onde cordas apoiam); cordas (produzem som). — Tarraxas, pestana, rastilho, cordas e trastes são exigidos para separação por serem as peças mais frequentemente trocadas em manutenção; o tampo dianteiro é a peça mais responsável pela sonoridade (madeiras como cedro, abeto e mogno são tradicionais por sua acústica única).

  4. Saber distinguir tarraxas para cordas de náilon e aço e, em seguida, desmontá-las. limpá-las, lubrificá-las e montá-las.

    Resposta: Tarraxas para cordas de náilon (violão clássico) têm engrenagens visíveis (parafuso sem fim e roda dentada) presas com 2 parafusos por par no eixo, montadas geralmente em conjunto de 6 numa única placa lateral. Tarraxas para cordas de aço (folk, elétrico) são individuais, com pino central onde a corda enrola, geralmente cilíndricas e fechadas. — Cordas de náilon têm tensão muito menor (cerca de 35 kg total) que cordas de aço (60-80 kg total) — daí a necessidade de tarraxas mais robustas no aço, com pino fixo e proporção 14:1 ou 18:1. Lubrificar demais pode atrair sujeira; uma gota é suficiente.

  5. Identificar as cordas pela sua espessura e afiná-las.

    Resposta: O violão padrão tem 6 cordas, numeradas de baixo para cima na escala, da mais fina à mais grossa: 1ª (mi agudo, E, espessura ~0.011 a 0.013 polegadas); 2ª (si, B, ~0.016); 3ª (sol, G, ~0.024 em aço ou 0.040 em náilon); 4ª (ré, D, ~0.032); 5ª (lá, A, ~0.043); 6ª (mi grave, E, ~0.053 — mais grossa). — O método 'afinar pela 5ª casa' é tradicional: pisa-se na 5ª casa da 6ª corda (mi) e produz a nota lá da 5ª corda; pisa na 5ª casa da 5ª e produz ré da 4ª; e assim por diante — exceção é entre 3ª e 2ª, em que se usa a 4ª casa da 3ª corda para gerar o si.

  6. Saber as matérias-primas da pestana e rastilho. Fazer um rastilho ou pestana.

    Resposta: As matérias-primas tradicionais para pestana e rastilho são: osso (de boi ou camelo, mais comum, dá excelente sustain e brilho); marfim (proibido hoje pela CITES); plástico/Tusq (osso sintético da GraphTech, alternativa moderna); latão (raro, dá tom diferenciado); ébano (madeira muito densa). — Pestana e rastilho de osso são preferidos por luthiers por transmitirem melhor as vibrações e gerarem sustain superior; o ângulo das ranhuras (cerca de 3°) deve descer da pestana em direção à cabeça e do rastilho em direção ao cavalete para evitar 'sitar' (zumbido) na execução.

  7. Explicar porque podemos baixar as cordas e saber as precauções para fazer esse procedimento.

    Resposta: Baixar as cordas significa reduzir a 'action' — a altura entre as cordas e a escala do braço — facilitando tocar com menos esforço na pisada. Isso é possível principalmente pelo ajuste do rastilho (lixar a base ligeiramente reduz altura no cavalete) ou pelo ajuste do tensor (truss rod) interno do braço. — A altura ideal das cordas (action) para violão clássico é cerca de 4 mm na 12ª casa (corda 6); para folk acústico, 3 mm; para guitarra elétrica, 2 mm — variações pequenas mudam totalmente a sensação de tocar. O 'truss rod' é a haste de aço dentro do braço que regula curvatura, comum em violões com cordas de aço.

  8. Que cuidados devem ser tomados para evitar a ferrugem das cordas e de outras peças do violão, guitarra ou baixo?

    Resposta: Cuidados anti-ferrugem: (1) limpar as cordas com pano seco ou flanela após cada uso (suor humano contém sais que oxidam o metal); (2) lavar e secar bem as mãos antes de tocar; (3) guardar o instrumento em case fechado em ambiente seco (umidade ideal 45-55%, controlada por desumidificador ou silica gel). — Cordas com revestimento de polímero (Elixir Polyweb e Nanoweb, lançadas em 1997) duram 3-5 vezes mais que cordas comuns por bloquearem suor e óleos; a umidade alta (>65%) favorece ferrugem e empena madeira; a umidade muito baixa (<35%) racha tampos — daí o ideal de 45-55%.

  9. Demonstrar (se possível) e explicar como colar fissuras em um instrumento de cordas, especificando que tipo de cola usar.

    Resposta: Para colar fissuras em violão/guitarra/baixo: (1) limpe a área com pincel macio para remover poeira e cavacos; (2) abra ligeiramente a fissura com uma faca fina ou estilete (sem alargar) para que a cola penetre bem; (3) aplique cola apropriada — para luthieria use cola de hide (cola animal tradicional, reversível e ideal para reparos finos), cola PVA branca de qualidade (tipo Tite-bond) para reparos comuns, ou epóxi 5 minutos só em casos extremos. — Cola de hide (animal, derivada de couro) é preferida pelos luthiers por ser reversível com calor — facilita reparos futuros sem destruir o instrumento; tite-bond (PVA tipo Original) é o mais comum em luthieria americana moderna; epóxi nunca para reparos restauráveis (não sai depois) — só em casos sem retorno.

  10. Como se põe enxertos em um instrumento danificado?

    Resposta: Para colocar enxerto: (1) avalie a área danificada e retire toda a madeira solta ou apodrecida com formão pequeno e estilete; (2) prepare um pedaço de madeira com a mesma espécie e direção do grão da peça danificada; (3) corte o enxerto no tamanho exato do orifício (encaixe perfeito sem folga). — Enxertos são técnica fundamental de restauração — luthiers usam para corrigir buracos, partes apodrecidas e fissuras grandes; a chave é a combinação 'mesma madeira + mesmo grão' (ex.: enxertar abeto em tampo de abeto, mogno em mogno) — diferenças fazem o enxerto destacar visualmente e pioram a sonoridade.

  11. Pintar um violão, guitarra ou baixo demonstrando os cuidados com o lixamento, escolha da tinta e secagem.

    Resposta: Para pintar: (1) desmonte tudo (cordas, tarraxas, rastilho, pestana); (2) lixamento progressivo: comece com lixa grão 220, depois 400, 600, 800 e 1.200 — sempre na direção do grão da madeira, sem pular grãos; (3) limpe o pó com pano antiestático; (4) aplique selador (primer) acrílico ou de poliuretano. — Pintura nitrocelulose é tradicional em violões finos (Martin, Gibson) por sua sonoridade — fina, deixa madeira respirar; poliuretano é mais resistente mas dura mais e abafa um pouco o som; o tempo entre camadas (24h) e o lixamento progressivo (220→1200) garantem acabamento espelhado.