Especialidade de Noções de Direito
Atividades Profissionais
Requisitos
- Definir o que é direito ou ciências jurídicas.
Resposta: Você define direito como o conjunto de normas que organizam a vida em sociedade, garantindo direitos e deveres aos cidadãos. Ciências jurídicas é o estudo sistemático dessas normas, suas origens, aplicação e interpretação. — Direito tem dois sentidos: objetivo (conjunto de normas) e subjetivo (prerrogativa do cidadão). As ciências jurídicas formam um campo acadêmico antigo, com raízes no direito romano e ensino formal desde a Universidade de Bolonha (1088).
- Definir os seguintes termos:
- Constituição;
- Lei;
- Decreto;
- Poder Judiciário;
- Poder Executivo;
- Poder Legislativo.
Resposta: 1) Constituição: é a lei suprema do país, que organiza o Estado, define os poderes e garante os direitos fundamentais; todas as outras leis devem obedecê-la. 2) Lei: norma jurídica geral aprovada pelo Poder Legislativo que estabelece regras de conduta obrigatórias para todos. 3) Decreto: ato do Poder Executivo (presidente, governador ou prefeito) usado para regulamentar uma lei e detalhar como ela será aplicada. 4) Poder Judiciário: poder responsável por julgar conflitos e aplicar a lei aos casos concretos, garantindo a justiça. 5) Poder Executivo: poder que administra o país e coloca as leis em prática, sendo exercido pelo presidente, governadores e prefeitos. 6) Poder Legislativo: poder que elabora, discute e aprova as leis e fiscaliza o Executivo, formado pelos parlamentares (Congresso, Assembleias e Câmaras). — Os três Poderes são independentes e harmônicos entre si — princípio formulado por Montesquieu em 'O Espírito das Leis' (1748). A Constituição brasileira de 1988 organiza essa separação no artigo 2º.
- Desenhar a Pirâmide de Kelsen e explicar por que ela é importante.
Resposta: Você desenha uma pirâmide com a Constituição no topo, leis ordinárias no meio e decretos com atos administrativos na base. Ela é importante porque mostra a hierarquia das normas: nenhuma lei pode contrariar a Constituição. — Hans Kelsen (1881-1973), jurista austríaco, criou a Teoria Pura do Direito propondo essa hierarquia em 1934. A pirâmide garante coerência ao ordenamento jurídico — leis inconstitucionais são anuláveis pelos tribunais superiores.
- Quais são as principais funções dos seguintes profissionais:
- Advogado;
- Juiz;
- Promotor.
Resposta: 1) Advogado: defende os interesses do cliente em juízo e o orienta juridicamente, elaborando peças e acompanhando o processo. 2) Juiz: analisa o processo, conduz a ação e decide o caso aplicando a lei de forma imparcial. 3) Promotor (Ministério Público): representa a sociedade, fiscaliza a aplicação da lei e atua como acusador nos processos penais, defendendo os interesses coletivos e indisponíveis. — Esses três profissionais formam o tripé do sistema processual brasileiro. O Ministério Público (promotores) ganhou autonomia constitucional em 1988 — antes era subordinado ao Poder Executivo.
- O que são direitos fundamentais? Citar, pelo menos, cinco direitos fundamentais dos cidadãos do seu país.
Resposta: Você define direitos fundamentais como garantias básicas que toda pessoa tem por ser humana, como vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. No Brasil, cinco exemplos são: vida, liberdade de expressão, igualdade, educação e saúde. — A Constituição Federal de 1988 lista direitos fundamentais no artigo 5º (78 incisos). Eles são cláusulas pétreas — não podem ser abolidos nem por emenda constitucional, conforme artigo 60, §4º.
- O que deve ser feito se um direito seu (ou de alguém próximo a você) estiver sendo desrespeitado?
Resposta: Você deve buscar ajuda jurídica: procure um advogado, a Defensoria Pública (gratuita para quem não pode pagar), o Ministério Público ou registre boletim de ocorrência se houver crime. Em casos urgentes, ligue 190 para a polícia. — A Defensoria Pública é instituição constitucional que oferece assistência jurídica gratuita aos hipossuficientes (artigo 134 da CF). Para conflitos menores, juizados especiais resolvem causas até 40 salários mínimos sem advogado obrigatório.
- Explicar, de forma resumida, como são criadas as leis no seu país. Como a população pode participar no processo legislativo?
Resposta: 1) Como são criadas as leis no Brasil: um projeto de lei é apresentado no Congresso, debatido em comissões, votado pela Câmara e pelo Senado, e sancionado pelo presidente. 2) Como a população participa do processo legislativo: por iniciativa popular (com cerca de 1% dos eleitores assinando) ou por audiências públicas. — A iniciativa popular está prevista no artigo 14 da Constituição. Uma lei famosa criada assim foi a Lei da Ficha Limpa (2010), que reuniu mais de 1,6 milhão de assinaturas antes de chegar ao Congresso.
- O que é uma sentença? É possível pedir para que uma sentença seja revisada por outros juízes?
Resposta: 1) O que é uma sentença: é a decisão do juiz que resolve o processo, dizendo quem tem razão e o que cada parte deve fazer. 2) É possível pedir revisão por outros juízes: sim, por meio de recurso (apelação) a um tribunal superior, julgado por vários juízes desembargadores. — O direito ao recurso (duplo grau de jurisdição) é princípio fundamental do processo. No Brasil, da decisão de juiz singular cabe apelação para o Tribunal de Justiça (estadual) ou Tribunal Regional Federal (federal).
- Explicar o que é uma decisão salomônica. Por que essas decisões têm esse nome?
Resposta: 1) O que é uma decisão salomônica: uma resolução sábia e equilibrada de um conflito difícil, que busca a justiça quando os fatos são confusos. 2) Por que tem esse nome: vem do rei Salomão, que na Bíblia (1 Reis 3) ameaçou cortar um bebê em duas partes para descobrir quem era a verdadeira mãe. — No relato bíblico, duas mulheres disputavam um bebê. Salomão ordenou que cortassem o bebê pela metade — a verdadeira mãe pediu que entregassem ao outro, revelando seu amor. A história ilustra discernimento divino e tornou-se sinônimo de sabedoria judicial.
- Por que ninguém pode ser condenado sem ser ouvido e passar pelo devido processo legal?
Resposta: Você explica que isso garante o direito à defesa: ninguém pode ser punido sem antes ter chance de explicar sua versão e produzir provas. O devido processo legal é princípio constitucional (artigo 5º, LIV) que protege contra arbitrariedades do Estado. — Esse princípio remonta à Magna Carta inglesa de 1215. Ele inclui contraditório (direito de responder), ampla defesa e juiz imparcial — pilares que distinguem o Estado de Direito de regimes autoritários.
- Ler sobre o julgamento de Jesus em João 18:19-24; 28-40; 19:1-16 (caso necessário, consultar também Mateus 26:57-68; 27:11-26; Marcos 14:53-65; 15:1-15; Lucas 22:66-71; 23:1-25). Jesus teve um julgamento justo? Justificar sua resposta.
Resposta: Não, Jesus não teve um julgamento justo. As irregularidades, à luz da própria lei judaica e romana, foram: 1) Julgamento noturno e às pressas (o Sinédrio era proibido de julgar casos capitais de noite ou na véspera de festa); 2) Realizado durante a Páscoa, período em que sentenças capitais eram vedadas; 3) Uso de testemunhas falsas e contraditórias (Mt 26:59-60); 4) O sumo sacerdote Caifás já havia decidido condená-lo antes do julgamento, sendo juiz parcial (Jo 11:49-50); 5) Jesus foi agredido durante o interrogatório (Jo 18:22), o que era ilegal; 6) Não houve advogados nem oportunidade real de defesa; 7) A condenação foi por 'blasfêmia' diante do Sinédrio, mas transformada em acusação política (sedição contra César) diante de Pilatos; 8) Pilatos declarou três vezes não achar culpa nenhuma (Lc 23:4,14,22) e mesmo assim o entregou para ser crucificado, cedendo à pressão da multidão. Portanto, foi um julgamento marcado por ilegalidades, parcialidade e injustiça. — O julgamento violou regras da Mishná judaica e do direito romano. Pôncio Pilatos declarou três vezes não encontrar culpa em Jesus (Lucas 23:4,14,22), mas o condenou por pressão da multidão — exemplo clássico de violação do devido processo legal.
- Imaginar uma situação dentro do seu clube em que você pode defender alguém que foi acusado de transgredir o regimento interno por mau comportamento. Como você procederia? Como essa atitude pode ser comparada à atuação de um advogado?
Resposta: Diante de um membro do clube acusado de transgredir o regimento por mau comportamento, você procederia assim: 1) Ouviria com calma a versão do acusado, sem prejulgar; 2) Buscaria testemunhas e provas (fatos, mensagens, relatos) que confirmem ou neguem a acusação; 3) Verificaria o que o regimento interno realmente diz sobre a conduta; 4) Apresentaria os fatos à diretoria com respeito, ordem e clareza, defendendo o acusado de acusações injustas ou exageradas; 5) Pediria uma decisão justa, proporcional e baseada em provas, garantindo o direito de defesa. Essa atitude se compara à atuação de um advogado porque, assim como o advogado, você defende os interesses de alguém acusado, garante que ele seja ouvido (devido processo e ampla defesa), reúne e apresenta provas, argumenta pela verdade e pela justiça, e zela para que a pessoa não seja punida sem ter chance de se explicar. O advogado é a voz de quem está sendo acusado — e foi exatamente esse papel que você exerceu. — O papel do advogado é assegurar que ninguém seja punido sem ter chance de se defender. No clube, exercer essa função protege a justiça interna e ensina o valor do contraditório — pilar do Estado de Direito moderno.
- O que é uma testemunha? Por que ela é obrigada a dizer a verdade?
Resposta: Você define testemunha como pessoa que viu ou ouviu fatos relevantes e é chamada a contá-los no processo. Ela é obrigada a dizer a verdade porque mentir em juízo é crime de falso testemunho (artigo 342 do Código Penal), com pena de 2 a 4 anos de prisão. — A testemunha presta compromisso formal antes do depoimento. O falso testemunho ameaça a justiça porque baseia decisões em fatos inventados — crime grave que pode reverter sentenças e gerar nova condenação penal.
- Escrever um texto de 10 linhas explicando por que Jesus é um advogado, segundo a Bíblia. Citar, pelo menos, dois textos bíblicos.
Resposta: Você explica que Jesus é nosso advogado porque intercede por nós junto a Deus, defendendo-nos das consequências do pecado. Em 1 João 2:1, Ele é chamado 'Advogado para com o Pai', e em Hebreus 7:25, intercede continuamente pelos que se aproximam de Deus por meio dEle. — A imagem do advogado celestial mostra Jesus como mediador entre humanidade e Deus. Romanos 8:34 reforça: 'Cristo... intercede por nós'. O termo grego 'parakletos' (1 João 2:1) significa literalmente aquele chamado para defender.