Especialidade de Primeiros Socorros - intermediário

Ciência e Saúde

Requisitos

  1. Ter a especialidade de Primeiros Socorros - básico

    Resposta: Você precisa concluir a especialidade Primeiros Socorros - básico antes de iniciar a intermediário. Isso garante o domínio de conceitos fundamentais como ABC da vida, controle de hemorragia, posição de recuperação e acionamento de socorro especializado. — Pré-requisitos em especialidades adventistas existem para assegurar conhecimento progressivo. Sem o básico, conceitos do intermediário (RCP avançada, EPIs, manobras complexas) ficam sem fundamento e podem ser aplicados de forma errada e perigosa.

  2. O que são EPIs (Equipamentos de proteção individual)? Qual a sua importância para os atendimentos de primeiros socorros?

    Resposta: EPIs são equipamentos que protegem o socorrista de riscos como sangue, fluidos corporais e doenças. Os principais são luvas descartáveis, máscara facial, óculos de proteção, máscara de RCP com válvula e avental. — A norma NR-6 do Ministério do Trabalho regulamenta os EPIs no Brasil. Em primeiros socorros, luvas reduzem em mais de 95% o risco de transmissão de patógenos sanguíneos como HIV e hepatite B durante o atendimento.

  3. O que significa ABC da vida (ou do socorrista)? Quando deve ser usado? Demonstrar como aplicar as manobras do ABC da vida.

    Resposta: 1) O QUE SIGNIFICA: ABC da vida (ou do socorrista) é a sequência básica de avaliação e manutenção das funções vitais — A (Airway/vias aéreas): liberar a boca e abrir as vias aéreas com a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo; B (Breathing/respiração): verificar se a vítima respira (ver, ouvir e sentir o ar); C (Circulation/circulação): checar sinais de circulação, como pulso e coloração/temperatura da pele, e controlar hemorragias. 2) QUANDO DEVE SER USADO: sempre que a vítima estiver inconsciente ou não responsiva, ou em qualquer emergência grave (afogamento, choque, trauma, parada), para avaliar rapidamente, na ordem A→B→C, se as funções vitais estão preservadas antes de qualquer outra conduta; se faltar respiração e circulação, inicia-se a RCP. 3) DEMONSTRAR COMO APLICAR: posicione a vítima em superfície firme; A — incline a cabeça e eleve o queixo para abrir as vias aéreas, removendo objetos visíveis da boca; B — aproxime o rosto e observe o tórax por até 10 segundos para confirmar a respiração; C — verifique pulso (carotídeo/radial) e contenha sangramentos com pressão direta; se não houver respiração nem pulso, acione o SAMU 192 e comece as compressões torácicas (RCP). — O protocolo ABC é base mundial de suporte básico de vida desde os anos 1960, quando os médicos Peter Safar e James Elam o sistematizaram. Em paradas cardíacas, cada minuto sem RCP reduz em 10% a chance de sobrevivência da vítima.

  4. Qual é a diferença entre um infarto agudo do miocárdio e um acidente vascular encefálico (AVE)? Qual o procedimento adequado para cada situação?

    Resposta: DIFERENÇA: o infarto agudo do miocárdio (IAM) é a obstrução de uma artéria do coração, que interrompe a chegada de sangue ao músculo cardíaco — dor ou aperto no peito que pode irradiar para braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas, falta de ar, suor frio, náusea. O AVE (acidente vascular encefálico/derrame) é a interrupção do fluxo de sangue ao cérebro (por entupimento ou rompimento de vaso) — sinais de queda/desvio facial, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, fala enrolada/confusa, perda de visão ou de equilíbrio. PROCEDIMENTO NO INFARTO: acione o SAMU 192 imediatamente; mantenha a vítima sentada ou em repouso, calma, afrouxe as roupas; não deixe que faça esforço; se ela já usa medicação prescrita pode ajudá-la a tomar; se parar de respirar e não tiver pulso, inicie RCP e use DEA se disponível. PROCEDIMENTO NO AVE: use o teste SAMU/FAST (Face-sorriso, Arms-braços, Speech-fala, Time-tempo), anote a hora em que os sintomas começaram (é decisivo para o tratamento), acione o SAMU 192 de imediato, mantenha a vítima deitada com a cabeça levemente elevada e de lado se vomitar, não ofereça comida nem bebida e não dê medicamentos por conta própria. — O teste rápido para AVE é o SAMU (Sorriso, Abraço, Mensagem, Urgência) ou FAST internacional (Face, Arm, Speech, Time). Cada minuto sem tratamento perde 1,9 milhão de neurônios, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

  5. Conhecer os principais pontos de pulso, e demonstrar habilidade para aferir o pulso em pelo menos dois deles.

    Resposta: Os principais pontos de pulso são: radial (punho), carotídeo (pescoço), braquial (parte interna do braço), femoral (virilha), poplíteo (atrás do joelho) e pedioso (peito do pé). — O polegar tem pulso próprio e pode confundir a contagem. O pulso normal de adulto em repouso é de 60 a 100 batimentos por minuto, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Crianças têm valores mais altos (até 140 bpm).

  6. Conhecer o método de aplicar um torniquete e quando usá-lo e não usá-lo.

    Resposta: Torniquete é uma faixa larga aplicada acima de hemorragia grave em braço ou perna, apertada até parar o sangramento. Use só em última opção, quando pressão direta falhou ou em amputação. — O Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões recomenda torniquete como ferramenta vital em sangramentos exsanguinantes. A faixa deve ter ao menos 4 cm de largura para evitar lesão nervosa, e o tempo máximo seguro é de 2 horas.

  7. Saber como aplicar adequadamente as seguintes ataduras:
    • Espiral
    • Cruzada ou em oito
    • Frontal, para a cabeça
    • Demonstrar habilidade aplicando as ataduras acima nas seguintes regiões do corpo: cabeça, antebraço, mão, pé, joelho.

    Resposta: 1) Atadura espiral: aplica-se dando voltas com a faixa em torno do membro, de baixo para cima, de modo que cada volta cubra cerca de um terço da largura da volta anterior. É usada em partes do corpo de espessura mais uniforme, como o antebraço, a perna e os dedos. 2) Atadura cruzada ou em oito: a faixa é passada formando a figura de um oito (cruzando uma volta sobre a outra), o que permite envolver bem as articulações que se dobram, como joelho, cotovelo, tornozelo, mão e pé, mantendo a atadura firme mesmo com o movimento. 3) Atadura frontal para a cabeça: começa-se prendendo a faixa na testa (parte da frente), passando por cima do alto da cabeça e cruzando atrás, na nuca, voltando à frente em voltas sucessivas até cobrir bem a cabeça; serve para fixar curativos no couro cabeludo ou na testa. 4) Demonstre, na prática, a aplicação correta dessas ataduras nas seguintes regiões do corpo: cabeça (atadura frontal), antebraço (atadura espiral), mão (atadura em oito), pé (atadura em oito) e joelho (atadura em oito ou cruzada), aplicando-as firmes mas sem apertar a ponto de cortar a circulação. — A regra básica é manter pulso/circulação distal palpável após enfaixar — se a extremidade ficar arroxeada ou fria, está apertado. Bandagens devem cobrir totalmente a gaze esterilizada e nunca tocar a ferida diretamente, segundo o Manual de Atendimento Pré-Hospitalar.

  8. Que tipo de materiais podem ser usados como talas em situações de emergência? Saber como aplicar talas às seguintes partes do corpo:
    • Braço
    • Antebraço
    • Tornozelo
    • Joelho

    Resposta: Talas improvisadas podem ser feitas com tábuas, papelão duro, jornal enrolado, revistas grossas, ramos retos ou guarda-chuvas. Aplique cobrindo as articulações acima e abaixo da fratura, fixe com bandagem ou tecido sem apertar e cheque o pulso distal depois. — A tala precisa imobilizar duas articulações para evitar movimento da fratura, princípio básico do APH (Atendimento Pré-Hospitalar). A circulação distal deve ser conferida antes e depois — pulso, cor e temperatura — segundo o manual PHTLS.

  9. Conhecer o tratamento adequado para o seguinte:
    • Ferimentos na cabeça
    • Hemorragias internas
    • Ferimentos à bala
    • Ferimentos no olho
    • Desmaio e convulsão
    • Efeitos do calor ou frio extremos

    Resposta: 1) Ferimentos na cabeça: suspeite sempre de lesão cervical; não mova a vítima, imobilize a cabeça e o pescoço na posição em que estão, controle sangramentos com curativo sem fazer pressão direta se houver afundamento do crânio, observe nível de consciência, pupilas e saída de líquido pelo nariz/ouvidos, e chame socorro especializado (SAMU 192). 2) Hemorragias internas: deite a vítima, mantenha-a aquecida e em repouso absoluto, não ofereça nada para comer ou beber, observe sinais de choque (palidez, suor frio, pulso rápido, queda de pressão) e acione o SAMU com urgência, pois só atendimento hospitalar resolve. 3) Ferimentos à bala: nunca retire o projétil nem objetos encravados, controle o sangramento com compressão ao redor do ferimento, cubra com curativo limpo, mantenha a vítima deitada e aquecida, monitore respiração e consciência e chame o SAMU imediatamente. 4) Ferimentos no olho: não esfregue nem tente remover objetos cravados; em caso de objeto encravado, estabilize-o e cubra os dois olhos (o movimento de um arrasta o outro), proteja sem pressionar e leve a vítima ao serviço médico; em respingo de produto químico, lave com água corrente abundante por vários minutos. 5) Desmaio e convulsão: no desmaio, deite a pessoa e eleve as pernas para o sangue retornar ao cérebro, afrouxe roupas e garanta ar fresco; na convulsão, proteja a cabeça com algo macio, afaste objetos perigosos, NÃO segure a pessoa nem coloque nada na boca, e após o episódio coloque-a em posição lateral de segurança e chame socorro se durar mais de 5 minutos ou se repetir. 6) Efeitos do calor ou frio extremos: na insolação/intermação, leve a vítima para lugar fresco e sombreado, resfrie o corpo com panos úmidos e ofereça água se estiver consciente; na hipotermia, leve-a para abrigo, troque roupas molhadas por secas, aqueça gradualmente com cobertores e bebidas mornas (nunca álcool) e busque atendimento médico nos casos graves. — Cobrir os dois olhos em ferimentos oculares evita movimento ocular reflexo. Em convulsão, jamais coloque objetos na boca — é mito antigo, e pode causar fraturas dentárias e asfixia, segundo a Sociedade Brasileira de Neurologia.

  10. Saber o que fazer num acidente com eletricidade.

    Resposta: Você deve desligar imediatamente a chave geral ou o disjuntor antes de tocar na vítima. Se não puder desligar, use um objeto isolante seco (cabo de vassoura de madeira) para afastá-la. — Tocar diretamente em vítima eletrizada faz o socorrista virar a próxima vítima — a corrente passa de um corpo para o outro. Madeira seca e borracha são isolantes naturais. A NR-10 do Ministério do Trabalho regulamenta a segurança em eletricidade.

  11. Saber como escapar de um incêndio.

    Resposta: Você deve sair rápido e abaixado, pois a fumaça é mais letal que o fogo e sobe. Cubra boca e nariz com pano úmido, sinta a porta antes de abrir (se quente, não abra), use escadas (nunca elevador) e fique perto do chão até alcançar a saída. — A fumaça contém monóxido de carbono e gases tóxicos que matam mais que o calor — cerca de 80% das vítimas de incêndio morrem por inalação, segundo o Corpo de Bombeiros. Por isso o ar mais limpo e respirável fica a 30 cm do chão.

  12. Saber como obter ajuda numa emergência.

    Resposta: Você deve ligar para o número de emergência adequado: SAMU 192 (saúde), Bombeiros 193, Polícia Militar 190 ou Defesa Civil 199. Diga seu nome, local exato com pontos de referência, número de vítimas, tipo de acidente e fique no telefone até o atendente desligar. — Esses números são gratuitos e funcionam de qualquer telefone, inclusive celular sem chip ou bloqueado, em todo o Brasil. O atendente do SAMU é treinado para guiar você por procedimentos básicos enquanto a equipe não chega.

  13. Conhecer o procedimento adequado para tratar uma vítima de radiação e quais são as medidas de segurança do socorrista.

    Resposta: Afaste a vítima da fonte de radiação, retire as roupas dela em saco plástico vedado e dê banho com água e sabão neutro por 15 minutos. Use luvas, máscara N95 e roupa descartável. — A descontaminação remove até 90% da radiação superficial, segundo a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). O acidente de Goiânia (1987) com Césio-137 mostrou que cuidados básicos de descontaminação salvam vidas e protegem a equipe de socorro.

  14. Conhecer as seguintes maneiras de carregar uma vítima num resgate:
    • Puxar pelo ombro
    • Usando um cobertor
    • Duas pessoas carregam
    • Carregar pelas extremidades
    • Maca improvisada
    • Três pessoas carregam numa rede
    • Usando maca

    Resposta: 1) Puxar pelo ombro: usado para arrastar rapidamente uma vítima inconsciente para fora de um local perigoso (incêndio, fumaça); o socorrista segura a vítima por baixo das axilas, apoiando a cabeça nos próprios braços, e a arrasta de costas mantendo a coluna o mais alinhada possível. 2) Usando um cobertor: deita-se a vítima sobre um cobertor e arrasta-se pelo cobertor por distâncias curtas, indicado quando não há suspeita de trauma na coluna; distribui o esforço e protege a vítima do chão. 3) Duas pessoas carregam: feito com a 'cadeirinha de mãos', em que os dois socorristas entrelaçam os braços formando um assento para a vítima consciente, que se apoia nos ombros deles; serve para transportar por trajetos médios. 4) Carregar pelas extremidades: um socorrista segura a vítima por baixo das axilas e o outro pelas pernas (atrás dos joelhos), levantando-a juntos; usado em trajetos curtos quando não há maca disponível. 5) Maca improvisada: monta-se uma maca com materiais à mão, como dois bastões/cabos de vassoura passados pelas mangas de casacos ou enrolados num cobertor firme, garantindo resistência antes de colocar a vítima; útil quando é preciso imobilizar e transportar por distâncias maiores. 6) Três pessoas carregam numa rede: a vítima é colocada deitada sobre uma rede e três socorristas a sustentam (um na cabeça, um no meio, um nos pés), mantendo o corpo nivelado; bom para terrenos irregulares onde a rede acomoda o peso. 7) Usando maca: forma mais segura de transporte, sobretudo com suspeita de trauma de coluna; coloca-se a vítima sobre a maca em bloco (movimento coordenado), fixa-se o corpo com cintas e os socorristas a erguem e caminham em passo firme e sincronizado, com a vítima sempre com os pés à frente. — A escolha depende do tipo de lesão e do número de socorristas. Em suspeita de trauma de coluna, qualquer movimentação imprópria pode causar lesão medular permanente — por isso maca rígida e estabilização cervical são padrão internacional do PHTLS.