Especialidade de Arte de Fazer Esteiras
Artes e Habilidades Manuais
Requisitos
- Mencionar, pelo menos, 2 materiais que são usados em seu país para fazer esteiras.
Resposta: No Brasil os dois materiais mais usados para fazer esteiras são a palha de buriti (Mauritia flexuosa, palmeira do Cerrado e Amazônia) e a fibra de taboa (Typha domingensis, planta de áreas alagadas). Também se usam carnaúba, junco, sisal e bambu trançado em diferentes regiões do país. — O buriti é símbolo do Cerrado e do Norte do Brasil — comunidades quilombolas e indígenas usam a palha para fazer esteiras, balaios e cestos. A taboa é abundante em brejos e foi tradicionalmente usada por pescadores e ribeirinhos do Pantanal e Sul para fazer esteiras chamadas localmente de "esteira de junco".
- Explicar e demonstrar como preparar estes materiais para a confecção de esteiras.
Resposta: Você corta a palha (buriti ou taboa) ainda fresca, retira a parte central rígida e separa as fibras longas. Depois lava em água corrente, deixa secar à sombra por 3-7 dias para não amarelar, e amassa levemente para amaciar antes do trançado. Material úmido é trançado mais facilmente. — A secagem à sombra preserva a cor e a flexibilidade — a fibra exposta ao sol direto fica quebradiça. Comunidades extrativistas do Cerrado batem a palha de buriti com pedra para amaciar, técnica chamada "amassação", documentada por etnobotânicos do Instituto Sociedade, População e Natureza brasileiro.
- Dar o nome de, pelo menos, 2 plantas de seu país que podem ser usadas para fazer tintas. Dizer onde são encontradas e como é feito o preparo da tinta a partir delas.
Resposta: No Brasil duas plantas comuns são o urucum (Bixa orellana, Amazônia e Cerrado) que fornece tinta vermelha das sementes, e o jenipapo (Genipa americana) que dá tinta preta-azulada do fruto verde. Ferve-se as sementes ou o suco do fruto em água, coa e usa direto na fibra da esteira. — Indígenas brasileiros usam urucum há séculos como pintura corporal e proteção solar (a bixina é um carotenoide); o jenipapo verde só revela a cor escura após oxidação na pele/fibra (24h). O preparo é etnobotânica documentada por Berta Ribeiro no livro "Arte indígena, linguagem visual".
- Demonstrar como usar tintas naturais e sintéticas para colorir esteiras.
Resposta: Você pode mergulhar a fibra na tinta natural fervida (urucum, jenipapo) por 30 minutos antes de trançar, secar à sombra e fixar com vinagre 10%. Para tintas sintéticas (anilina), dilua em água quente, mergulhe a fibra por 15 minutos, enxague em água fria e seque também à sombra antes de trançar. — O vinagre fixa o tanino natural na fibra (mordente caseiro), evitando desbotamento; anilinas sintéticas exigem temperatura e enxágue para liberar excesso. Comunidades artesanais do Cerrado documentam essas técnicas no projeto Central do Cerrado, com publicações da Embrapa Cerrados sobre as fibras de buriti.
- Fazer, pelo menos, 2 esteiras com, ao menos, 2 tipos de trançados diferentes. Uma delas deve ter um trançado bem fino.
Resposta: Você deve confeccionar duas esteiras usando trançados diferentes — por exemplo, uma com trançado simples (over-under 1x1) bem fino e outra com trançado diagonal (twill) mais grosso. Apresente ambas ao instrutor para demonstrar domínio das duas técnicas e do material trabalhado. — O trançado fino exige fibras estreitas (3-5 mm de largura) e mais tempo, sendo padrão em esteiras de uso pessoal; o twill diagonal forma desenhos geométricos e é tradicional em comunidades indígenas como os Wajãpi do Amapá, segundo registro etnográfico do Museu do Índio brasileiro de 2012.