Bateu aquele frio na barriga por causa de alguém do clube? Relaxa — isso é mais comum do que parece, e você não é a primeira nem a última pessoa a se perguntar isso. A dúvida “será que pode namorar no Clube de Desbravadores?” aparece direto, principalmente perto de um Campori. A resposta honesta tem camadas, e a gente vai separar cada uma delas sem enrolação e sem julgar ninguém.

Então, pode ou não pode?

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Vamos direto ao ponto, porque você merece uma resposta de verdade. Na vida normal do clube, gostar de alguém não é crime. Não encontramos, nos manuais oficiais da Igreja Adventista, nenhuma regra que proíba um desbravador de ter uma paixão ou de namorar fora dos eventos. O clube não é uma “zona proibida de sentimentos”.

Mas existe um porém importante, e ele é escrito. Em eventos oficiais — como um Campori (o acampamentão que reúne milhares de desbravadores) — o manual é claro e vale para todo mundo: nada de namoro com contato físico durante o evento.

Para não te confundir, a gente vai separar tudo em três camadas: (1) a regra escrita nos manuais; (2) o que varia de clube para clube; e (3) o porquê por trás de tudo, do lado da fé. Assim você entende — e decide com a cabeça no lugar.

O que os manuais oficiais realmente dizem?

Aqui está a camada mais concreta: o texto escrito. No Manual de Orientações do VI Campori DSA 2027, na parte sobre comportamento, está lá com todas as letras: “não é permitido namoro com contatos físicos”. Não é interpretação de ninguém — é o que o documento oficial determina.

Essa frase vem junto com outros combinados do evento: as unidades (os pequenos grupos em que o clube se divide) devem andar sempre juntas, ninguém circula sozinho, nada de movimentação depois do toque de silêncio, e a roupa deve ser adequada. Ou seja: namoro não é uma regra isolada — faz parte de um pacote de convivência.

E tem peso de verdade. Cada clube chega ao Campori com um “saldo” de pontos de disciplina e pode perdê-los se alguém furar as regras. Olha como funciona:

📌 A mesma ideia aparece em camporis regionais. Em manuais de eventos menores, a regra reaparece com outras palavras — por exemplo, “não será permitido o namoro, muito menos com contatos físicos” — e cada infração também custa pontos. Os números mudam de evento para evento, mas o combinado é o mesmo.
SituaçãoO que o manual oficial determina
Chegada ao CamporiCada clube começa com 200 pontos de disciplina
Indisciplina do clube ou de um membroO clube pode perder pontos (a equipe de disciplina avisa a liderança)
Falta grave ou desrespeito reincidentePerda de até 1.000 pontos, tirados de outros requisitos
Casos extremosO participante ou o clube pode ter que deixar o Campori

Sistema de disciplina do VI Campori DSA 2027 (Etapa VII do manual oficial).

Por que no Campori a regra é mais firme?

Imagina o tamanho da coisa: o VI Campori DSA 2027 espera cerca de 120 mil pessoas, em duas edições (Alfa, de 5 a 10 de janeiro, e Ômega, de 12 a 17 de janeiro de 2027), no Parque do Peão, em Barretos, no interior de São Paulo. E o clube atende meninos e meninas de 10 a 15 anos. Juntar tanta gente jovem num só lugar exige cuidado redobrado.

A regra do contato físico é, antes de tudo, uma medida de proteção. Num evento gigante, longe de casa, com crianças e adolescentes, o combinado ajuda a manter todo mundo seguro. Não é a liderança “implicando” com você — é a mesma lógica de uma excursão bem organizada da escola: tem regra escrita justamente para ninguém se machucar nem se perder.

Tem também a questão do foco. Você viajou horas, o clube se preparou o ano inteiro, tem prova de nós, desfile, culto, competição… É como um campeonato de futebol: se metade do time fica de olho na arquibancada, o jogo inteiro sofre. O Campori é curto e intenso — o combinado é aproveitar aquilo ao máximo, com os amigos, todos juntos.

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E no dia a dia do clube? (isso varia)

Fora dos grandes eventos, a coisa é mais aberta — e vale ser sincero: varia de clube para clube. Não existe um número mágico nem uma proibição nacional sobre paixões no dia a dia. Cada clube tem o seu jeito.

Quem define o clima local é a direção do clube (o diretor e a sua equipe) junto com as famílias. Alguns clubes conversam abertamente sobre o assunto; outros preferem que, nas reuniões e atividades, o foco fique nas amizades em grupo. Nenhum dos dois está “errado” — são orientações locais, e não uma lei da igreja.

Então, a real: se você quer saber o que pode e o que não pode no seu clube, a melhor fonte não é a internet — é o seu diretor e os seus pais. Pergunte sem medo. Eles preferem mil vezes uma pergunta sincera a uma dúvida guardada.

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O que a fé tem a ver com isso?

Aqui entra o lado mais bonito da conversa — e não é sermão. A orientação da Igreja Adventista para essa idade não é “proibido gostar de alguém”. É mais um convite a não ter pressa. Entre os 10 e os 15 anos, você está descobrindo quem é: fé, amizades, estudos, talentos. É muita coisa boa acontecendo ao mesmo tempo.

A Bíblia tem dois versículos que a igreja costuma lembrar aqui. Em 1 Timóteo 4:12, Paulo pede a um jovem que seja exemplo — inclusive na pureza — sem deixar que menosprezem a sua juventude. E 1 Coríntios 10:31 resume o princípio: fazer tudo, até as coisas simples, para a glória de Deus. Não é uma lista de proibições; é um jeito de viver com respeito por si e pelos outros.

É esse mesmo espírito que aparece na Lei do Desbravador, que fala em ser puro, gentil e obediente. E vale dizer, com todas as letras: ter esses valores não é julgar quem pensa diferente. É uma escolha de vida que o clube propõe — e você é livre para entender o porquê dela antes de qualquer coisa.

Ninguém despreze a sua juventude; seja você um exemplo — na fala, no modo de viver, no amor e na pureza.Paráfrase de 1 Timóteo 4:12

E se alguém te pressionar ou te deixar desconfortável?

Precisamos falar de uma coisa séria, de igual para igual. Namoro, paquera, gostar de alguém — nada disso pode virar pressão. Ninguém tem o direito de te forçar a nenhum contato físico, beijo, foto ou conversa que te deixe desconfortável, seja outro desbravador, seja alguém mais velho.

Se isso acontecer, você não está sozinho e não é “exagero” seu. Fale na hora com um adulto de confiança: os seus pais, o conselheiro da sua unidade, o capelão ou o diretor do clube. Contar não é “dedurar” — é se proteger e proteger outras pessoas.

🆘 Se você sofreu ou está sofrendo qualquer abuso, ligue 100 (Disque Direitos Humanos): é gratuito, funciona 24 horas e você pode denunciar sem se identificar. Em emergência, ligue 190. Falar com um adulto de confiança é sempre o primeiro passo.

Como levar isso numa boa

No fim das contas, dá para resumir assim: sentir não é errado, mas cada momento tem o seu lugar. No Campori e nos eventos, siga o combinado escrito — ele vale ponto e vale segurança para todo o clube. No dia a dia, respeite o clima do seu clube e converse com quem cuida de você.

E o mais importante: aproveite o clube pelo que ele tem de melhor. As histórias que os desbravadores levam para a vida quase nunca são de namoro — são de amizade, de superar um desafio no acampamento, de rir junto na fogueira. Isso, sim, ninguém esquece.