Imagina que você entrou num game novo, fez amizade com o time e, no meio da conversa, alguém solta: 'você tem tatuagem? Então nem adianta querer ser desbravador'. Calma, isso é boato. A pergunta 'pode ter tatuagem e ser desbravador?' tem uma resposta honesta, e ela cabe em três camadas: o que a regra escrita diz, o que muda de clube para clube e o que a Igreja Adventista ensina sobre o corpo. Vamos por partes, sem sermão e sem enrolação.

Tenho tatuagem, posso entrar no clube?

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Resposta direta: sim. O Clube de Desbravadores é o clube de aventura, natureza e serviço da Igreja Adventista para meninos e meninas de 10 a 15 anos. E ele é aberto a jovens de qualquer fé religiosa, nem é preciso ser adventista para entrar. Se o clube não exige uma religião específica, imagina exigir pele sem tatuagem.

Não existe nenhum critério de aparência na admissão. O que a entrada realmente pede é vontade de participar e a autorização dos seus pais ou responsáveis. Nada no processo pergunta se você tem tatuagem, piercing ou qualquer marca no corpo. Quer entender melhor essa abertura? Veja se é preciso ser adventista para entrar.

Ou seja: se você já tem uma tatuagem e ficou com medo de que isso te deixasse 'de fora', pode respirar. Você é bem-vindo. O resto deste artigo é para você entender o assunto por completo, porque entender é bem diferente de só obedecer.

O que a regra oficial escrita diz (e o que ela não diz)?

Aqui vale separar as coisas com cuidado, porque muita gente confunde 'a igreja aconselha' com 'o clube proíbe'. São coisas diferentes. Vamos começar pela regra escrita, a camada mais concreta de todas.

O documento que rege a aparência oficial do desbravador é o RUD, Regulamento de Uniformes de Desbravadores. Ele detalha o uniforme, as insígnias, os distintivos e como cada peça é usada, e não traz nenhuma regra sobre tatuagem. Para virar membro, os manuais pedem coisas como participar por um tempo mínimo e decorar o Voto e a Lei do Desbravador, nada sobre a pele. O uniforme em si você confere no guia do uniforme oficial.

E a Igreja? A crença que mais chega perto do tema é a Crença Fundamental nº 22 (Conduta Cristã). Ela ensina que o corpo é o 'templo do Espírito Santo' e que o vestir deve ser 'simples, modesto e de bom gosto'. Repare bem: ela fala de princípios. Ela não cita a palavra tatuagem. Quem aplica esse princípio ao caso da tatuagem são pastores, comentaristas e famílias, o que já nos leva direto à segunda camada.

Resumo da camada 1: não existe, hoje, uma regra escrita no clube (RUD ou Manual) nem uma crença que cite a tatuagem pelo nome e barre quem a tem. O que existe é um princípio sobre cuidar do corpo, e princípio é diferente de proibição.

O que muda de clube para clube (e quem decide)?

Onde não há regra escrita, entra o bom senso local, e ele varia. Cada clube tem um diretor, uma equipe de conselheiros e o apoio do pastor da igreja. São eles que, dentro dos princípios adventistas, orientam o dia a dia. Por isso a prática pode ser um pouco diferente de uma cidade para outra, ou de uma região para outra.

Na maioria dos clubes, isso quase nem aparece: o uniforme cobre boa parte do corpo, ninguém fica fiscalizando pele, e o foco das reuniões é acampar, aprender nós e amarras, servir a comunidade e crescer na fé. Uma tatuagem sua simplesmente não vira assunto de reunião.

Se em algum clube surgir uma orientação específica, por exemplo, sobre exibir ou não uma tatuagem bem grande em um evento, saiba que isso é uma decisão local daquela liderança, não uma norma nacional. Na dúvida, a pessoa certa para perguntar é o diretor do seu clube ou o seu conselheiro. E pergunta tranquilo: eles estão ali para orientar, não para constranger.

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Por que a Igreja Adventista desaconselha novas tatuagens?

Agora a parte mais importante: entender o porquê. A Igreja Adventista desaconselha fazer novas tatuagens, e a palavra certa é essa, desaconselha, não 'proíbe e expulsa'. O conselho nasce de alguns princípios bíblicos, e vale conhecê-los para você decidir com a própria cabeça.

O primeiro é a ideia de que o corpo é templo. A Bíblia diz que o corpo do cristão é 'templo do Espírito Santo' (1 Coríntios 6:19) e que tudo o que fazemos, até comer e beber, pode ser feito 'para a glória de Deus' (1 Coríntios 10:31). A lógica é simples: se o corpo é uma espécie de casa de Deus, eu cuido dele com carinho e penso bem antes de fazer nele algo permanente.

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O segundo é o versículo mais citado: Levítico 19:28, que manda não fazer cortes no corpo 'por causa dos mortos' nem tatuagens. Aqui precisa de contexto honesto: esse trecho falava de rituais pagãos de luto, em que povos vizinhos marcavam a pele para cultuar os mortos. Não é um raio caindo sobre toda tinta na pele, é um chamado para o povo de Deus não copiar práticas que apagavam a marca do Criador. Por isso alguns cristãos leem esse texto de formas diferentes; a leitura adventista clássica enxerga nele o princípio de não danificar a 'imagem de Deus' no corpo. Se quiser aprender a ler a Bíblia dentro do contexto, veja como estudar a Bíblia.

Sendo o nosso corpo o templo do Espírito Santo, devemos cuidar dele inteligentemente.Crença Fundamental nº 22, Conduta Cristã

E quem já tem tatuagem? Você é bem-vindo

Se você leu até aqui com uma tatuagem no braço, ouça isto com clareza: uma tatuagem não define o seu valor diante de Deus nem o seu lugar no clube. A própria orientação adventista, ao mesmo tempo em que desaconselha fazer, é firme em dizer que não se deve tratar como 'distante de Deus' quem já tem uma.

A mensagem cristã é de graça, não de rótulo. Ninguém no clube deveria te olhar torto por causa disso, e, se olhar, o problema está na atitude da pessoa, não em você. O convite é sempre para frente: crescer, servir e aprender junto.

Aliás, a Bíblia dá um recado que combina demais com desbravador: 'seja exemplo' na fala, no jeito de viver, no amor e na fé (1 Timóteo 4:12). Exemplo se dá pelo caráter, pela forma como você trata os outros e cumpre a Lei do Desbravador, não pela ausência ou presença de desenhos na pele.

Estou pensando em fazer uma, como decidir com sabedoria?

Talvez você não tenha tatuagem, mas esteja curioso para fazer. Beleza, dá para pensar nisso com maturidade, sem terrorismo e sem impulso. Três lembretes que valem para qualquer decisão grande:

1) É permanente. Diferente de uma roupa ou de um corte de cabelo, tatuagem é para a vida toda (tirar depois é caro, dói e nem sempre some). Decisão permanente pede tempo, não pressa. 2) Converse antes. Fale com seus pais, com seu conselheiro ou com o pastor. Gente que te ama de verdade ajuda você a enxergar o que a empolgação do momento costuma esconder. 3) Pense no princípio, não só na regra. A pergunta boa não é só 'é proibido?', e sim 'isso combina com o jeito de viver que eu escolhi?'.

E um alerta de segurança que não é sobre fé, é sobre cuidado: no Brasil, estúdios sérios costumam não tatuar menores de 18 anos, e a prática varia conforme a lei local e a autorização dos pais. Se alguém, amigo, adulto, qualquer pessoa, estiver te pressionando a fazer algo no seu corpo que você não quer, isso não é normal: fale com seus pais, com a liderança do clube ou ligue para o Disque 100, o canal gratuito de direitos humanos. Seu corpo pede escolha consciente, e você nunca precisa decidir com medo.

CamadaO que éQuem decide
Regra escritaNão há norma no RUD nem no Manual sobre tatuagem; a crença nº 22 fala de princípios e não cita tatuagemDocumentos oficiais da igreja e da DSA
Prática localVaria de clube para clube; na maioria, nem chega a ser assuntoDiretor, conselheiros e pastor do clube
Princípio bíblicoA igreja desaconselha novas tatuagens (corpo é templo) e acolhe quem já temSua consciência, orientada pela família e pela fé

As três camadas da resposta sobre tatuagem e desbravadores.