A especialidade de Mapa e Bússola é a etapa em que a orientação no Clube de Desbravadores ganha precisão: coordenada UTM, ângulos entre os três nortes, declinação magnética e uma pista com pelo menos dez pontos de controle.
Os requisitos completos da especialidade de Mapa e Bússola estão no catálogo (código AR-021) e aparecem aqui resumidos, sem gabarito. Escala, curvas de nível e legenda estão no guia de leitura de mapas topográficos; o uso básico da bússola, no de orientação com bússola. Este texto começa onde os dois param, com dados conferidos em 06/10/2026.
O que é a especialidade de Mapa e Bússola e quais são os requisitos?
A especialidade de Mapa e Bússola tem o código AR-021, pertence à área de Atividades Recreativas e está no nível 3 de dificuldade. Segundo o catálogo, foi criada em 1956 pela Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
No cartão da classe avançada Pioneiro de Novas Fronteiras, publicado pela Divisão Sul-Americana (DSA) em adventistas.org, o item 4 pede “completar a especialidade de Mapa e bússola”. A classe de Pioneiro começa aos 13 anos. Depois desta, o catálogo oferece a especialidade de Orientação com GPS (AR-104), criada em 2012 pela DSA.
| Nº | O que pede | Onde estudar |
|---|---|---|
| 1 | Pontos cardeais e colaterais, abreviações e graus | Orientação com bússola |
| 2 | Mapa topográfico e suas utilidades | Leitura de mapas |
| 3 | Grid UTM, fusos da DSA e da sua cidade, uso das coordenadas | Neste guia |
| 4 | Três nortes, declinação e convergência | Neste guia |
| 5 | Elevação, curvas de nível e relevo | Leitura de mapas |
| 6 | Escala e distância real | Leitura de mapas |
| 7 | 20 símbolos: construções, água, vegetação | Neste guia |
| 8 | Mapa ortofoto | Neste guia |
| 9 | Partes e desenho da bússola Silva | Neste guia |
| 10 | Azimute, coordenada pelo mapa, conversões, desvio e contra-azimute | Neste guia |
| 11 | Orientar o mapa por inspeção e com bússola | Neste guia |
| 12 | Pista com pelo menos 10 leituras ou pontos de controle | Neste guia e corrida de orientação |
Requisitos da AR-021 no catálogo Desbravai, resumidos e sem respostas; vale a redação do seu instrutor.
Quantos fusos UTM tem o Brasil e como ler uma coordenada UTM?
O UTM (Universal Transversa de Mercator) é a projeção adotada no mapeamento sistemático brasileiro, segundo o manual Noções Básicas de Cartografia, do IBGE. Ele divide o mundo em 60 fusos de 6° de longitude, numerados a partir do antimeridiano (180°) para leste, e vale entre as latitudes 84° N e 80° S. Cada fuso tem meridiano central e quadrícula própria: as linhas retas em metros que o requisito chama de sistema grid.
A origem de cada fuso fica no cruzamento do meridiano central com o Equador, onde o IBGE fixa 500.000 m na coordenada E (leste) e, no hemisfério sul, 10.000.000 m na coordenada N (norte), para não haver números negativos. Um E abaixo de 500.000 m indica ponto a oeste do meridiano central, e quanto menor o N, mais ao sul. Sem o número do fuso, o mesmo par E e N se repete em todos os 60.
O Brasil ocupa oito fusos, do 18 ao 25, segundo o IBGE. Para achar o da sua cidade, some 180 à longitude (oeste com sinal negativo), divida por 6 e arredonde para cima: São Paulo, a 46,63° O, dá 133,37 ÷ 6 ≈ 22,2 e fica no fuso 23. No nome, o número vem seguido da letra do hemisfério (S, ao sul do Equador). Para a DSA, faça a mesma conta nos extremos dos seus oito países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai) e combine com o instrutor se ilhas oceânicas contam.
| Fuso | Faixa de longitude | Meridiano central |
|---|---|---|
| 18 | 78° O a 72° O | 75° O |
| 19 | 72° O a 66° O | 69° O |
| 20 | 66° O a 60° O | 63° O |
| 21 | 60° O a 54° O | 57° O |
| 22 | 54° O a 48° O | 51° O |
| 23 | 48° O a 42° O | 45° O |
| 24 | 42° O a 36° O | 39° O |
| 25 | 36° O a 30° O | 33° O |
Fusos UTM do Brasil segundo o IBGE (figura 2.14).
A convergência meridiana é o ângulo entre quais nortes?
O guia de leitura de mapas apresenta os três nortes; a especialidade pede o nome de cada ângulo entre eles. Para o IBGE, a declinação magnética é o ângulo entre o norte verdadeiro e o norte magnético, e a convergência meridiana é o ângulo entre o norte verdadeiro e o norte de quadrícula.
A convergência vem de achatar a Terra curva no papel. É zero sobre o meridiano central e, segundo o IBGE, cresce com a latitude e com a distância até esse meridiano. Mesmo assim, é pequena. Uma fórmula aproximada da agrimensura multiplica a distância em longitude até o meridiano central pelo seno da latitude: em São Paulo, 1,63° × sen 23,55° ≈ 0,65°, contra cerca de 22° de declinação.
Os dois ângulos aparecem no diagrama de declinação, na margem da carta. No manual de navegação terrestre do Exército dos Estados Unidos (TC 3-25.26, de 2013), a estrela costuma marcar o norte verdadeiro, GN o de quadrícula e uma meia seta o magnético. O desenho raramente está em escala: vale o número impresso ao lado.
Qual é a declinação magnética no Brasil em 2026?
Em todos os pontos que conferimos, do Acre a Fernando de Noronha e de Roraima ao Chuí, a agulha aponta para oeste do norte verdadeiro. Os valores vêm da calculadora da NOAA, a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, com o Modelo Magnético Mundial WMM2025 (válido até o fim de 2029), para 06/10/2026. Vão de cerca de 7° O no extremo oeste do Acre (Mâncio Lima) a quase 24° O no litoral do Espírito Santo, com incerteza de 0,3° a 0,4°.
Ignorar a declinação custa caro. O TC 3-25.26 calcula que cada grau de diferença desloca o trajeto cerca de 18 metros para o lado a cada 1.000 metros. Com 22° esquecidos, a conta exata (1.000 m × sen 22°) dá cerca de 375 metros de erro por quilômetro andado.
| Capital | Declinação em 06/10/2026 | Tendência anual |
|---|---|---|
| Rio Branco (AC) | 11,6° O | Aumenta 0,22° |
| Manaus (AM) | 17,0° O | Aumenta 0,15° |
| Porto Alegre (RS) | 17,7° O | Aumenta 0,10° |
| Recife (PE) | 21,0° O | Diminui 0,12° |
| São Paulo (SP) | 21,9° O | Aumenta 0,06° |
| Brasília (DF) | 22,2° O | Aumenta 0,06° |
| Salvador (BA) | 22,9° O | Diminui 0,06° |
| Rio de Janeiro (RJ) | 23,0° O | Aumenta 0,02° |
| Belo Horizonte (MG) | 23,1° O | Aumenta 0,03° |
| Vitória (ES) | 23,7° O | Quase estável |
NOAA/NCEI, modelo WMM2025, centro de cada capital; “aumenta” significa mais graus a oeste a cada ano.
Leia tambémEspecialidade de Viagem e TurismoQuais são as partes da bússola Silva e como desenhá-la?
A bússola tipo Silva, também chamada de cartográfica ou de placa-base, leva o nome da marca sueca criada em 1933 pelos três irmãos Kjellström e por Gunnar Tillander, segundo a própria empresa. O Ordnance Survey, órgão de mapeamento do Reino Unido, considera esse tipo provavelmente o mais versátil, porque tira rumos, define a direção de marcha e mede distâncias. Os nomes das peças estão no guia de orientação com bússola; no desenho do requisito 9, acrescente a aplicação de cada uma ao tirar um rumo da carta.
| Peça | Aplicação ao tirar um rumo da carta |
|---|---|
| Placa-base e seta de direção | Sobre a linha entre você e o destino, com a seta apontando para o destino |
| Limbo giratório e seta de orientação | Giram até a seta de orientação apontar para o norte da carta |
| Linhas de orientação | Ficam paralelas às linhas norte-sul da quadrícula |
| Linha índice | Mostra o azimute do mapa; some a declinação girando o limbo |
| Agulha imantada | Ponta vermelha sobre a seta de orientação: a seta de direção mostra o rumo no terreno |
| Escala da placa-base | Mede a distância do trecho na carta |
Sequência do Ordnance Survey, adaptada à declinação brasileira.
Como converter azimute geográfico em magnético e calcular o contra-azimute?
Azimute é o ângulo contado a partir do norte, no sentido horário, de 0° a 360°, segundo o IBGE. Medido com transferidor na carta, ele é verdadeiro (ou de quadrícula); lido na bússola, é magnético.
A NOAA resume a conversão numa linha: azimute verdadeiro = azimute magnético + declinação, com a declinação oeste negativa. No Brasil, do mapa para a bússola some a declinação; da bússola para o mapa, subtraia. Em São Paulo, com 22° O, os 40° medidos no mapa viram 62° na bússola.
O contra-azimute é o azimute da direção inversa (IBGE) e serve para voltar pelo mesmo caminho. Pelo TC 3-25.26, some 180° a azimutes de até 180° e subtraia 180° dos maiores: 62° vira 242°. O manual alerta que um erro nessa conta simples pode ter consequências graves.
O desvio tem dois sentidos no campo. Um é o da agulha: objetos de metal e fontes elétricas alteram a leitura, e a correção é se afastar. O outro é o de rota, para contornar um obstáculo: o TC 3-25.26 manda andar em ângulos retos (num rumo de 90°: 100 m a 180°, 150 m a 90° e 100 m a 360°) e retomar o azimute original.
| Fonte de interferência | Distância mínima sugerida |
|---|---|
| Linha de alta tensão | 55 m |
| Caminhão, tanque ou canhão | 18 m |
| Fio telefônico ou cerca de arame farpado | 10 m |
Fonte: TC 3-25.26 (2013).
O que é um mapa ortofoto e quais símbolos estudar na carta topográfica?
A foto aérea comum é uma perspectiva central do terreno. O IBGE define a ortofotografia como essa foto transformada em projeção ortogonal sobre um plano, e a ortofotocarta como a ortofoto completada com símbolos, linhas e georreferenciamento. É o mapa ortofoto do requisito 8, com aparência de foto e geometria de carta.
Para os símbolos, use a carta topográfica da sua região, nas escalas do mapeamento sistemático do IBGE (de 1:1.000.000 a 1:25.000). As cores da legenda estão no guia de leitura de mapas; a lista abaixo ajuda a montar o caderno de 20 símbolos nos grupos do requisito 7.
| Grupo | Exemplos de símbolos nas cartas do IBGE |
|---|---|
| Locais com água | Curso d'água intermitente, lago ou lagoa, brejo, poço, nascente, rápidos e cataratas, represa |
| Vegetação | Mata, cerrado, caatinga, culturas, mangue, arrozal |
| Construções humanas | Casario, área edificada, escola, igreja, hospital, barragem, ponte, aeroporto, farol |
| Vias | Estrada pavimentada ou não, caminho, trilha, ferrovia |
IBGE, Noções Básicas de Cartografia (1999), capítulo 3. Confira sempre a legenda da sua folha.
Como se preparar para a pista de 10 pontos de controle?
No campo, distância se mede com passos. Conte o passo duplo (um número a cada vez que o pé esquerdo toca o chão) num trecho medido de 100 metros e tire a média de algumas tentativas. O TC 3-25.26 avisa que o passo encurta na subida (quem dá 120 passos simples em 100 m no plano pode precisar de 130 ou mais) e sugere guardar uma pedrinha no bolso a cada 100 metros.
Leve uma planilha como a do exemplo abaixo. Para o requisito 11, oriente a carta por inspeção visual, girando-a até estradas, rios e morros baterem com o que você vê; ou apoie a bússola numa linha norte-sul e gire o conjunto até a agulha ficar a oeste do norte do mapa no valor da declinação.
Erros comuns: ler a bússola perto de carro ou de cerca de arame, somar a declinação no sentido errado, anotar o rumo invertido em 180° e usar bússola com mais de 3° de erro, limite do TC 3-25.26.
A montagem da pista está no guia de corrida de orientação no Clube. Ande em dupla, com apito, e combine com o Conselheiro o que fazer se perder a referência, como no guia o que fazer se você se perder. Antes da avaliação, confira os requisitos completos da especialidade de Mapa e Bússola.
| Trecho | Azimute no mapa | Azimute na bússola | Distância | Passos duplos |
|---|---|---|---|---|
| 1 → 2 | 40° | 62° | 300 m | 195 |
| 2 → 3 | 115° | 137° | 180 m | 117 |
| 3 → 4 | 350° | 12° | 240 m | 156 |
Exemplo fictício, com declinação de 22° O e 65 passos duplos por 100 m.