Você já parou para pensar em quem realmente escreveu a Bíblia? Não foi uma pessoa só, sentada numa mesa. Foram cerca de 40 autores diferentes, ao longo de aproximadamente 1.500 anos, em três idiomas.

Esses autores eram muito diferentes uns dos outros. Tinha rei e pastor de ovelhas. Tinha pescador e médico. Tinha até cobrador de impostos. Gente que nunca se conheceu, separada por séculos e por continentes.

E aqui está o detalhe que impressiona: mesmo assim, os 66 livros contam uma só história. É isso que este artigo vai te ajudar a entender, com calma e sem enrolação.

Cerca de 40 autores, não um só

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A primeira surpresa é essa: a Bíblia não teve um único autor. Segundo a Sociedade Bíblica do Brasil e a tradição cristã, foram cerca de 40 pessoas diferentes que escreveram os textos. Usamos a palavra "cerca de": alguns livros não trazem o nome de quem os escreveu, então ninguém consegue cravar um número exato.

Pense no tamanho disso. São dezenas de pessoas, vivendo em épocas separadas por muitos séculos. Umas escreveram em tempos de guerra. Outras, em tempos de paz. Umas eram poderosas. Outras, bem simples. Cada uma escreveu do jeito dela, com o vocabulário e o estilo dela.

É como uma biblioteca inteira reunida num livro só. Aliás, a palavra "Bíblia" vem do grego e quer dizer justamente "os livros", no plural. Quando você abre a Bíblia, você não está abrindo um livro. Você está abrindo uma coleção.

Aproximadamente 1.500 anos de escrita

Agora imagine escrever um livro que leva 1.500 anos para ficar pronto. É mais ou menos esse o tempo que se estima entre os textos mais antigos e os mais novos da Bíblia. Para você ter ideia, é muito mais tempo do que a distância entre nós e o descobrimento do Brasil.

Nenhum dos autores viveu tudo isso, claro. Cada um escreveu a sua parte durante a própria vida. Um autor terminava, os séculos passavam, e muito tempo depois outro autor, que nunca soube que o primeiro existiu, escrevia mais um pedaço da mesma história.

Por que isso importa? Porque ninguém conseguiu combinar por baixo dos panos. Não dava para 40 pessoas separadas por 1.500 anos se juntarem para "acertar o roteiro". E, mesmo assim, o roteiro bate. É esse encaixe que deixa muita gente pensando.

Três idiomas: hebraico, aramaico e grego

A Bíblia também não foi escrita em português. Ela foi escrita, originalmente, em três idiomas. O Antigo Testamento, na maior parte, em hebraico, com alguns trechos em aramaico, como partes do livro de Esdras. Já o Novo Testamento foi escrito em grego.

Aramaico, por sinal, era o idioma do dia a dia na região onde Jesus viveu. Ou seja, é bem provável que muita conversa registrada na Bíblia tenha acontecido nessa língua antes de ser colocada no papel.

A Bíblia que você tem em casa, em português, é uma tradução feita a partir desses originais. A Sociedade Bíblica do Brasil explica que as traduções sérias sempre partem dos textos em hebraico, aramaico e grego, para ficarem o mais fiéis possível ao que foi escrito lá no começo.

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Um rei, um pastor, um pescador, um médico

Essa é a parte que costuma emocionar os Desbravadores. Os autores da Bíblia vinham de mundos completamente diferentes. E dá para ver isso na maneira como cada um escreve.

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Davi era rei, mas antes disso foi pastor de ovelhas, e boa parte dos Salmos é atribuída a ele: poesia, música, oração. Amós também cuidava de rebanho e trabalhava com árvores, gente simples do campo. Pedro era pescador, acostumado ao barco e à rede, e escreveu cartas diretas, sem rodeios. A tradição cristã atribui a Lucas, chamado de "o médico amado", dois livros cuidadosos e detalhistas, do jeito de quem observa tudo. E Mateus, segundo a tradição, tinha sido cobrador de impostos, uma profissão que naquele tempo era mal vista.

Repare no recado que isso passa. Deus não escolheu só os "importantes". Ele usou gente comum, com profissões comuns, algumas com passado complicado. Se você às vezes acha que não é "gente boa o bastante" para Deus usar, essa lista de autores é um bom lembrete de que Ele trabalha com pessoas de verdade.

O que significa dizer que a Bíblia é "inspirada"

Aí vem a pergunta natural: se foram pessoas comuns que escreveram, por que os cristãos dizem que a Bíblia vem de Deus? A resposta está na palavra inspiração. A Bíblia afirma, em 2 Timóteo 3.16 (NVI): "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça."

Outro texto explica como isso teria funcionado. Em 2 Pedro 1.21 (NVI), lemos: "pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, guiados pelo Espírito Santo." Ou seja: as ideias e a mensagem vêm de Deus; as mãos, a caligrafia e o jeito de escrever são das pessoas.

Uma imagem ajuda. É como uma música tocada por vários instrumentos: cada um tem o seu som, mas todos seguem a mesma partitura. Por isso os cristãos costumam dizer que Deus é o Autor da Bíblia, e as pessoas foram os escritores. Se você quer se aprofundar em como ler tudo isso com atenção, vale conferir o guia sobre como estudar a Bíblia.

Uma só mensagem, do começo ao fim

Com tanta gente, tanto tempo e tantos idiomas, seria fácil a Bíblia virar uma bagunça de assuntos soltos. Mas não é o que acontece. Do primeiro ao último livro, ela conta basicamente a mesma história: a de um Deus que ama as pessoas e quer se aproximar delas.

Os 66 livros se dividem em dois grandes blocos. O Antigo Testamento, com 39 livros, e o Novo Testamento, com 27. O primeiro prepara o caminho; o segundo apresenta Jesus. E os temas conversam entre si de um lado para o outro, mesmo escritos por autores que nunca se falaram.

Você não precisa aceitar tudo isso de uma vez para achar interessante. Dúvida faz parte do caminho de qualquer pessoa que pensa, e isso é saudável. Se surgirem perguntas difíceis, tudo bem: existe até um material sobre dúvidas de fé e como lidar. O importante é continuar procurando, com honestidade.