Havia um homem em Jericó que tinha dinheiro de sobra e amigos nenhum. Zaqueu era chefe dos publicanos, os cobradores de impostos que trabalhavam para Roma dentro da própria terra de Israel. Ele juntou uma fortuna cobrando dos vizinhos e ficando com o que passava do combinado. Por isso era rico. Por isso também era odiado.

No dia em que Jesus atravessou a cidade, Zaqueu quis vê-lo. Só que a multidão fechava a rua e ele era de baixa estatura, não enxergava por cima de ninguém. Então fez algo que nenhum homem importante faria em público: correu na frente e subiu numa árvore. O que aconteceu embaixo daquele sicômoro mudou a vida dele para sempre, e ainda tem muito a dizer sobre a sua.

Quem era Zaqueu, e por que todo mundo o detestava

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Jericó ficava numa rota comercial movimentada, perto de plantações de palmeiras e bálsamo. Onde passa mercadoria, passa imposto. E onde passa imposto, o Império Romano queria a sua parte. O sistema funcionava por concessão: Roma contratava judeus locais para arrecadar tributos dos próprios conterrâneos.

Zaqueu não era um cobrador qualquer. Lucas o apresenta como chefe dos publicanos, ou seja, coordenava outros arrecadadores e ficava com uma fatia de tudo. O texto diz que ele era rico. O problema é como essa riqueza era vista. Um publicano trabalhava para o ocupante estrangeiro e costumava cobrar a mais para engordar o próprio bolso. Aos olhos dos vizinhos, era traidor e ladrão ao mesmo tempo.

Some a isso um detalhe que a Bíblia faz questão de registrar: Zaqueu era de pequena estatura. Um homem que todos evitavam, baixo o bastante para sumir no meio da multidão. Dinheiro ele tinha. Lugar de respeito, não. Guarde essa imagem, porque ela explica o que vem a seguir.

A cena da árvore: correr e subir sem se importar com a vergonha

Quando soube que Jesus passaria por ali, Zaqueu quis vê-lo de perto. A multidão não deixava. Ele poderia ter desistido e ido para casa contar o dinheiro. Em vez disso, fez uma escolha estranha para um homem da posição dele.

Lucas conta que ele correu adiante e subiu num sicômoro, uma figueira de galhos baixos e largos, fácil de escalar. Pense no que isso significava. Adultos ricos e respeitados não saíam correndo pela rua nem trepavam em árvore na frente da cidade inteira. Era coisa de criança, era motivo de riso. Zaqueu topou parecer ridículo em troca de uma chance de ver Jesus.

Tem gente no seu Clube que, por fora, parece que já tem tudo resolvido, e por dentro está subindo em qualquer galho só para conseguir enxergar algo maior. A vontade de Zaqueu falou mais alto que a imagem que ele tinha a proteger. Esse foi o primeiro passo.

Jesus para e chama pelo nome

Aqui a história vira de cabeça para baixo. Zaqueu subiu para ver Jesus. Mas quem enxergou primeiro foi Jesus. O texto diz que, ao chegar àquele lugar, ele olhou para cima e falou direto com o homem escondido na folhagem.

E não falou de forma genérica. Disse: "Zaqueu, desça depressa, porque hoje preciso ficar na sua casa" (Lc 19.5, NVI). Repare no nome. No meio de uma multidão inteira, Jesus sabia exatamente quem estava naquela árvore e como se chamava. O homem que ninguém queria por perto foi chamado pelo próprio nome, em voz alta, na frente de todos.

Ser chamado pelo nome devolve dignidade a alguém. Ali, no meio da rua, Zaqueu deixou de ser um número ou o apelido de "aquele ladrão dos impostos" e virou uma pessoa que Jesus conhecia. Se você é Conselheiro, esse é o coração do trabalho: aprender o nome de cada Desbravador da sua Unidade e usá-lo, principalmente com aquele que os outros preferem ignorar. Vale a pena olhar em como ser um bom Conselheiro para transformar isso em prática.

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A murmuração da multidão: "entrou na casa de um pecador"

A reação da rua foi imediata. Lucas registra que todos começaram a murmurar quando Jesus se hospedou na casa de Zaqueu. A frase que ecoava era clara: ele foi ser hóspede de um homem pecador.

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Faz sentido, do ponto de vista deles. Um mestre religioso respeitado não entrava na casa de um publicano corrupto. Isso sujava a reputação. A multidão esperava que Jesus escolhesse alguém decente para visitar, alguém que tivesse merecido a honra. Em vez disso, ele escolheu justamente o pior nome da lista.

A murmuração diz mais sobre quem murmura do que sobre quem foi escolhido. É fácil torcer o nariz para o membro do Clube que já aprontou, que tem fama ruim, que veio de uma história complicada. Jesus fez o contrário: foi para onde a necessidade era maior. O Evangelho não corre atrás de quem já se acha pronto.

A prova da mudança: devolver quatro vezes e dar metade aos pobres

O encontro com Jesus não terminou em conversa bonita. Terminou em números. Zaqueu se levantou e anunciou uma decisão concreta: "Olha, Senhor! Darei a metade dos meus bens aos pobres e, se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais" (Lc 19.8, NVI).

Metade da fortuna para os pobres. E devolução quádrupla para cada pessoa que ele lesou. A Lei judaica pedia, em muitos casos, restituir o valor mais um quinto. Zaqueu foi muito além do mínimo. Ele reparava o que tinha feito de errado, com juros pesados e do próprio bolso, sem procurar a saída mais barata que o livrasse da conta. As pessoas roubadas iriam receber de volta.

Essa é a marca de uma conversão de verdade. Sentimento sincero é bom, mas fé que não muda a carteira ainda não desceu do coração para as mãos. O arrependimento de Zaqueu tinha endereço e valor. Se você quer entender melhor essa raiz que sustenta a atitude, vale ler o que é fé.

"Buscar e salvar o que estava perdido": a chave da história

Jesus fecha a cena com duas frases que resumem tudo. Primeiro, olhando para Zaqueu: "Hoje houve salvação nesta casa, porque este homem também é filho de Abraão" (Lc 19.9, NVI). O publicano desprezado é lembrado como parte do povo de Deus, com lugar garantido.

Depois, a declaração que explica por que Jesus fez tudo aquilo: "Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido" (Lc 19.10, NVI). Na versão Almeida Revista e Atualizada, a frase aparece como "veio buscar e salvar o que se havia perdido". É a missão inteira de Jesus em uma linha.

Zaqueu subiu para ver. Jesus veio para buscar. Quem tomou a iniciativa foi Jesus, enquanto o homem na árvore só queria dar uma olhada e acabou sendo encontrado. Essa é a boa notícia que atravessa a história: você não precisa estar limpo e arrumado para ser procurado. É justamente o perdido que ele veio encontrar, chamar pelo nome e trazer de volta.