Daqui a vinte anos, alguém vai abrir um armário na igreja, soprar a poeira de um caderno e encontrar o seu nome ali: o dia em que você entrou no clube, a classe em que foi investido, a foto daquele acampamento em que choveu o fim de semana inteiro. Esse baú de memórias existe, tem regras oficiais e um guardião com nome de cargo: a secretaria do clube. E tem mais — no Campori, essa papelada bem-feita vale muitos pontos.
O que é a secretaria do clube?
O Clube de Desbravadores é o programa da Igreja Adventista do Sétimo Dia para meninos e meninas de 10 a 15 anos — acampamentos, especialidades, amizade e serviço. E toda aventura gera história. A secretaria é a parte do clube que guarda essa história: quem entrou, o que foi decidido, o que aconteceu em cada evento, quem ajudou o clube a chegar até aqui.
O Manual Administrativo do Clube de Desbravadores, publicado pela Divisão Sul-Americana (a sede da igreja para a América do Sul), dedica toda a seção 3.4 ao tema. A definição do manual é direta: a secretaria funciona como um raio X do clube. Olhando os arquivos, dá para saber quando o clube foi fundado, quais diretores ele já teve, quem passou por lá e em quais classes cada pessoa foi investida.
Quem cuida de tudo isso é o secretário (ou secretária), um dos cargos da direção — nomeado pela Comissão Executiva, o grupo que administra o clube. Quer ver onde ele se encaixa no organograma? Confira o guia de cargos do clube.
A secretaria é um raio X do Clube, pois através dela é possível analisar a estrutura do Clube, a sua organização, disciplina e compromisso com sua própria memória.Manual Administrativo do Clube de Desbravadores (DSA), seção 3.4
| Documento | O que registra | Detalhe do manual |
|---|---|---|
| Livro de atas | Decisões e votos das Comissões Executiva e Regular | Páginas numeradas, sem rasuras, votos numerados (seção 3.4.3) |
| Livro de atos | Histórico de todas as atividades já realizadas | Relatórios curtos com fotos, sem formalidade (seção 3.4.4) |
| Pasta de Campori | Relatórios dos requisitos do evento | Data, horário, local, descrição e assinaturas (seção 3.4.5) |
| Livro de ouro | Padrinhos e parceiros financeiros do clube | Caderno ornamentado dourado, com espaço para assinatura (seção 3.4.6) |
| Ofícios | Comunicação oficial com escolas, empresas e órgãos públicos | Pedidos de espaço, bens ou serviços (seção 3.4.7) |
Os cinco registros da secretaria segundo o Manual Administrativo da DSA (seções 3.4.3 a 3.4.7).
O que é o livro de atas?
Imagine a direção do clube decidindo a data do próximo acampamento. Essa decisão não pode morar só na memória de alguém — ela vira ata. O livro de atas registra os pontos de discussão e os resultados de todas as reuniões das comissões do clube: a Executiva (diretor, diretores associados, secretário e o pastor ou ancião da igreja) e a Regular (toda a direção, incluindo conselheiros e instrutores).
O manual aceita ata manuscrita ou digitada, mas com regras anti-trapaça: páginas numeradas, um termo de abertura na primeira página, escrita começando na primeira linha, sem pular espaços — assim ninguém consegue acrescentar nada depois. É como mensagem enviada sem botão de editar. No fim, o secretário e o diretor datam e assinam.
No modelo digitado, cada decisão vira um voto numerado. No exemplo do próprio manual, os votos seguem o formato ano/sequência: Voto 12/001, Voto 12/002 e assim por diante — parecido com o número de pedido de um app de entrega: único, rastreável e em ordem.
Livro de atos: o feed do clube em papel
O livro de atos é o histórico de todas as atividades que o clube já realizou na vida. Funciona assim: o clube adota uma pasta ou um caderno e, depois de cada evento, escreve um pequeno relatório com os pontos principais. Pode ser à mão ou digitado — e o manual incentiva o uso de fotos para enriquecer o material.
Pense nele como o feed do clube em versão papel: cada evento vira um post com texto e foto. Só que aqui não tem algoritmo escondendo publicação antiga — daqui a décadas, tudo continua lá para quem quiser folhear. E diferente do livro de atas, o de atos não exige formalidade nenhuma: cada clube inventa o próprio estilo.
Uma ideia que muitos clubes adotam: escalar alguém como repórter de cada evento, para anotar e fotografar na hora. O relatório sai enquanto a memória ainda está fresca — e o livro de atos nunca fica atrasado.
Leia tambémSGC dos Desbravadores: o guia definitivoO que é o livro de ouro?
Todo clube tem gente que ajuda por trás: um padrinho é a pessoa, família ou empresa que colabora financeiramente — pagando a mensalidade de um desbravador, doando barracas, patrocinando a viagem do Campori. O livro de ouro existe para que essa generosidade nunca seja esquecida.
E o detalhe é literal: segundo a seção 3.4.6 do manual, deve ser um caderno ornamentado, na cor dourada. Nele, o secretário registra o nome de cada colaborador, a data da parceria e deixa um espaço para a assinatura da própria pessoa. É gratidão com cerimônia.
Além de bonito, é estratégico: quando o clube precisar de apoio de novo, a história de cada parceria está registrada — e quem já ajudou uma vez costuma se orgulhar de ver o próprio nome nesse caderno.
Pasta de Campori: por que ela vale tantos pontos?
O Campori é o acampamento gigante que reúne dezenas ou centenas de clubes, com pontuação por requisitos cumpridos. E aqui vem o segredo que todo secretário conhece: segundo o manual (seção 3.4.5), num Campori grande percentagem dos pontos destina-se à pasta de secretaria. Ou seja: dá para perder pontos no papel antes mesmo de armar a primeira barraca.
A pasta é responsabilidade do secretário e deve conter todos os itens pedidos no manual do evento, em ordem, com um relatório assinado para cada requisito. Cada relatório precisa de: data, horário e local da atividade; descrição do que foi realizado; e quantidade de membros participantes.
E as fotos? O manual é claro: elas enriquecem e dão credibilidade, mas em nenhuma hipótese substituem o relatório. É como na escola: o print sozinho não vale como trabalho entregue — precisa do texto junto.
Pastas, fichas e arquivo: o que mais mora na secretaria?
Cada membro do clube tem a sua pasta individual — a biografia dele em versão arquivo. O manual (seção 3.4.1) lista o que vai dentro: ficha de avaliação da unidade (o grupinho de 6 a 8 desbravadores que anda junto), cópias dos certificados de classes, especialidades e cursos, fotos, ficha de saúde e receitas médicas.
O cadastro também é responsabilidade do secretário. Mesmo que seja virtual, o manual exige uma cópia física na secretaria. E a ficha de saúde é levada a sério: registra doença crônica, alergia e medicamentos — se o desbravador toma remédio no horário das reuniões, a informação entra na ficha com cópia da prescrição médica. Para as famílias, isso é segurança na prática.
Completam o arquivo: as pastas das unidades, o arquivo morto (documentos antigos, catalogados para consulta) e as correspondências — incluindo os ofícios, o documento oficial que o clube usa para falar com escolas, empresas e órgãos públicos, como ao pedir o espaço de uma escola para as reuniões. O manual resume o espírito da coisa: guardar tudo de forma que, depois de 5, 10, 20 ou 40 anos, alguém possa ler e conhecer a trajetória inteira do clube.
E o SGC, onde entra nessa história?
Desde 26 de janeiro de 2015, os clubes da Divisão Sul-Americana usam o SGC — Sistema de Gerenciamento de Clubes, a plataforma online oficial. É lá que ficam os cadastros de membros, fichas médicas, classes, especialidades, unidades, agenda, documentos e o seguro anual (obrigatório para os clubes da DSA desde 2010).
Papel e tela convivem: o manual continua pedindo cópia física dos cadastros na secretaria, e o secretário segue respondendo ao Campo — a administração regional que acompanha os clubes. Fontes de apoio para líderes citam o relatório trimestral ao Campo como uma das responsabilidades típicas do cargo, junto com o controle de frequência e a comunicação interna do clube.
O sistema em si merece conversa própria — como entrar, o que dá para fazer, quem tem acesso. Está tudo no nosso guia SGC: o que é e como entrar.