Sábado à tarde. A unidade inteira sonhando com o campori, aquele acampamento gigante que reúne clubes da região inteira. Mas aí vem a pergunta que ninguém quer fazer em voz alta: quem paga tudo isso? Barraca, inscrição, transporte, lenço novo... A resposta mora na tesouraria do clube, e ela é bem mais organizada (e mais justa) do que parece.

O clube tem mensalidade? Quanto custa?

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Sim, o Clube de Desbravadores tem mensalidade, e isso está no Manual Administrativo, o livro oficial de regras dos clubes na América do Sul. Cada clube define o valor de acordo com a realidade financeira das famílias. Não existe um preço único nacional: um clube em região carente pode (e deve) cobrar um valor simbólico, às vezes menor que o preço de um lanche.

E aqui vem a parte que surpreende: todos pagam, inclusive a diretoria. Diretor, conselheiros, capelão... todo mundo contribui. É como num time de futebol em que até o capitão paga a taxa do campeonato: estar no comando não isenta ninguém, pelo contrário, dá o exemplo. O manual explica a lógica: contribuir, mesmo que pouco, ensina que tudo o que vale a pena na vida tem um custo.

Quer saber os valores típicos de inscrição, uniforme e eventos? A gente detalha tudo em custo e inscrição no clube.

Ninguém fica de fora por causa de dinheiro. O manual é claro: se a família não pode pagar, a direção procura padrinhos ou patrocinadores que "adotam" financeiramente o desbravador, e qualquer acordo é feito em particular, nunca na frente da turma.

De onde vem o dinheiro do clube?

O Manual Administrativo lista exatamente quatro fontes de entrada: mensalidades, subsídio da igreja, patrocínios e campanhas de arrecadação. Pense nelas como as fontes de renda de um game de estratégia: cada uma tem sua mecânica e suas regras próprias.

O subsídio é tipo a mesada que a igreja local separa para o clube. Todo ano, a igreja vota em comissão qual porcentagem das ofertas vai para cada departamento, e esse combinado vale para os dois lados: a igreja repassa o valor prometido, e o clube não fica pressionando por uma verba maior quando não há condições.

Já o patrocínio funciona melhor com transparência. O manual sugere uma estratégia esperta: listar as necessidades do clube (barracas, inscrições, equipamento de cozinha), fazer um orçamento e pedir ajuda para um item específico. Assim o patrocinador, que pode ser um membro da igreja, um pai ou um empresário da cidade, sabe exatamente onde o dinheiro dele será usado, ou pode simplesmente doar o próprio item.

FonteO que éRegra de ouro
MensalidadeContribuição mensal de cada membroTodos pagam, inclusive a diretoria; valor conforme a realidade local
Subsídio da igrejaPorcentagem das ofertas votada no orçamento anual da igrejaO repasse combinado deve ser cumprido pelos dois lados
PatrocíniosAjuda de membros, pais, amigos e empresáriosApresentar a lista de necessidades com o orçamento de cada item
Campanhas de arrecadaçãoProjetos e vendas organizados pelo clubeSempre dentro da filosofia da igreja; sem rifas, bingos ou apostas

As quatro fontes de entrada previstas no Manual Administrativo do Clube de Desbravadores (seção 3.6.1).

Por que o dinheiro fica na tesouraria da igreja?

Aqui está a regra mais importante, e a menos conhecida, de toda a tesouraria: o clube não guarda o próprio dinheiro. Toda receita é transferida imediatamente para a tesouraria da igreja local, onde fica como reserva de uso exclusivo do Clube de Desbravadores. Manter um "caixa dois" (um caixa paralelo, por fora do controle da igreja) é considerado inaceitável pelo manual.

Funciona como um cofre com duas chaves: o dinheiro é do clube, mas quem guarda é a igreja. O tesoureiro do clube registra e acompanha tudo; o tesoureiro da igreja guarda e libera. Um não abre o cofre sem o outro. Isso protege todo mundo, inclusive o próprio tesoureiro, que nunca fica sozinho com o dinheiro na mão.

E se a liberação do dinheiro travar? O manual dá o caminho: primeiro o pastor distrital ajuda a resolver. Se o problema persistir, entram o diretor de Desbravadores do Campo, a Associação ou Missão, uma espécie de "escritório regional" que coordena os clubes de uma área, ou a própria tesouraria do Campo.

Todo movimento financeiro do clube de Desbravadores deve passar pela tesouraria da Igreja local.Manual Administrativo do Clube de Desbravadores (DSA)

Leia tambémPrestação de contas anual do clube

O que faz o tesoureiro do clube?

O tesoureiro é o responsável geral por todas as finanças do clube, um dos cargos da diretoria, ao lado do diretor, do secretário e do capelão (conheça todos em cargos do clube). O manual recomenda alguém com experiência em contabilidade, bom relacionamento com os líderes da igreja e, de preferência, dedicado só a essa função: acumular tesouraria e secretaria é desaconselhado, porque as duas áreas dão muito trabalho.

Na prática, o trabalho dele é registrar tudo: cada mensalidade recebida, cada doação, cada venda, cada compra, sempre com nota fiscal ou comprovante anexado. Todo mês, ele apresenta um balanço (um resumo de quanto entrou, quanto saiu e quanto sobrou) para a Comissão Executiva, o grupo de líderes que administra o clube. É a versão desbravadora do extrato do banco: sem surpresa, sem mistério.

Ele também não trabalha sozinho: na cobrança das mensalidades, os tesoureiros de cada unidade, os pequenos grupos em que o clube se divide, dão uma força. O manual sugere até marcar uma data fixa de pagamento, tipo "até o dia 10" ou o segundo domingo do mês. Igual conta de celular, só que com bem mais aventura inclusa.

Nota fiscal e CNPJ: como o clube compra?

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Comprou, pediu nota. Do lápis ao freezer, da corda ao aluguel do ônibus: toda compra ou serviço do clube precisa de nota fiscal. Não é frescura do manual, é exigência legal. O tesoureiro do clube arquiva uma cópia, mês a mês, e entrega a original ao tesoureiro da igreja.

E tem um detalhe que muita diretoria erra: as compras e contratações devem ser feitas no CNPJ do Campo, o "CPF" da organização regional, nunca no CPF de um membro do clube. O número correto se consulta na tesouraria do Campo.

Para acessar o dinheiro guardado na igreja, existem dois caminhos aceitos: o responsável paga do próprio bolso e é reembolsado ao apresentar a nota fiscal, ou recebe o valor antes e presta contas com a nota depois. Os dois valem, desde que combinados previamente, para evitar desentendimento.

Regra de ouro das compras: nota fiscal sempre, CNPJ do Campo sempre, CPF de membro nunca. A cópia da nota fica arquivada no clube; a original vai para a tesouraria da igreja.

O clube pode vender doces ou fazer rifa?

Vender brigadeiro para pagar a inscrição do campori? Pode, mas com regras. A Divisão Sul-Americana, sede administrativa da igreja para a América do Sul, considera vendas uma opção legítima de arrecadação para os clubes, desde que sigam os critérios do manual.

As proibições são taxativas: nada de bingos, rifas, apostas ou jogos; nada de vendas no local de culto; nada de produtos que contrariem os princípios adventistas; e preços sempre justos, nunca exorbitantes. Vendas também não podem ter fins religiosos, sustentar a obra espiritual é papel dos dízimos e ofertas, não do brigadeiro da unidade.

Campanhas de arrecadação são organizadas pelo tesoureiro junto com a direção, e ele pode montar uma equipe para executá-las com autorização da Comissão Executiva. No fim, vale a regra de sempre: todo dinheiro arrecadado, de qualquer fonte, vai para o tesoureiro da igreja, que fornece um recibo.

Como funciona a prestação de contas?

A prestação de contas do clube cabe numa ideia simples: toda entrada e toda saída registrada, sem exceção. Pode ser num livro caixa comprado na papelaria, numa planilha eletrônica ou num sistema online, o formato é livre, o registro é obrigatório. Cada mês fica numa página separada, e as cópias das notas fiscais ficam arquivadas na mesma ordem.

O patrimônio do clube (barracas, ferramentas, bandeiras, instrumentos) também entra na contabilidade: a lista de bens deve ser registrada e votada anualmente pela comissão da igreja. Isso evita que as coisas "sumam" nas trocas de direção e garante o ressarcimento pelo seguro patrimonial da igreja em caso de furto.

E o orçamento anual? Ele precisa prever as despesas de rotina, papelaria, emblemas de investidura, materiais de ensino, acampamentos, e o seguro anual obrigatório, que protege cada desbravador nas atividades oficiais. As despesas grandes e ocasionais, como barracas novas ou a inscrição nos eventos do Campo, da União e da Divisão, são justamente o alvo dos patrocínios e das campanhas.

DataHistóricoEntradaSaídaSaldo
05/04Mensalidades da turmaR$ 300,00R$ 300,00
12/04Subsídio da igrejaR$ 200,00R$ 500,00
18/04Corda e lona para pioneiriasR$ 80,00R$ 420,00
25/04Inscrição em evento do CampoR$ 250,00R$ 170,00

Exemplo ilustrativo de livro caixa de um mês, inspirado no modelo do Manual Administrativo (seção 3.6.4). Valores fictícios.