O Clube de Aventureiros que você vê hoje, com crianças de 6 a 9 anos e lenço no pescoço, não apareceu pronto de uma hora para outra. Ele foi montado aos poucos, ao longo de mais de meio século, primeiro em igrejas dos Estados Unidos e depois no Brasil.

A ideia central sempre foi a mesma: dar aos irmãos mais novos dos Desbravadores um lugar próprio, pensado para a idade deles. Desse desejo simples nasceram as classes, um currículo, um lema e, com o tempo, um ministério que hoje existe no mundo inteiro.

Esta é a história de como isso aconteceu, das primeiras turmas informais dos anos 1930 até o clube Soldados do Rei, o primeiro do país.

Antes de haver um nome oficial

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Muito antes de existir um clube organizado, já havia o problema que ele veio resolver. Nas décadas de 1930 e 1940, professoras da Escola Sabatina e mães voluntárias nos Estados Unidos improvisavam atividades para as crianças pequenas, aquelas que ficavam de fora do Clube de Desbravadores por serem novas demais.

Em 1939, a Associação Geral endossou a ideia de quatro classes voltadas a essa faixa: Busy Bee, Sun-beam, Builder e Helping Hand, que no Brasil viriam a se chamar Abelhinhas Laboriosas, Luminares, Edificadores e Mãos Ajudadoras. Repare que a estrutura de hoje já estava esboçada ali, ainda nos anos 1930.

Por muito tempo, porém, isso foi mais um plano no papel do que um clube funcionando de verdade. As classes existiam como orientação, sem farda padronizada, sem manual único e sem um calendário próprio. Décadas se passariam até que alguém desse forma concreta à ideia.

A Divisão Norte-Americana monta o currículo

O salto aconteceu nos anos 1970. Em 1972, a Associação de Washington criou um clube infantil chamado Beavers, dirigido por Carolee Riegel, com um formato que servia de modelo. Era um dos primeiros esforços realmente estruturados para crianças pequenas dentro da igreja.

Nos anos seguintes, a ideia se espalhou de forma desorganizada. Por volta de 1980, muitas Associações já mantinham clubes infantis, cada uma com um nome diferente: em alguns lugares eram os pré-Desbravadores, em outros os Beavers, em outros já apareciam os Aventureiros. Faltava padrão.

Foi então que a Divisão Norte-Americana assumiu a tarefa. Em 1988 ela convidou Associações e especialistas em crianças a estudarem a oficialização, e em 1989 uma comissão presidida por Norman Middag padronizou o currículo, as especialidades e as regras de funcionamento. O material de estudo foi escrito por Teresa Reeve. Um projeto-piloto rodou em 1990 e o programa alcançou status pleno em 1992, tornando-se o Clube de Aventureiros como você o conhece.

Por amor a Jesus: a filosofia do clube

Todo esse esforço tinha um alvo claro, resumido no lema que as crianças repetem: "Por amor a Jesus, farei sempre o meu melhor". A frase é curta de propósito, porque precisa caber na boca e na cabeça de uma criança de seis anos.

A base bíblica costuma ser lida em Lucas 2:52: "E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens" (ARA). Desse versículo vêm as quatro áreas que o currículo do Aventureiro procura desenvolver ao mesmo tempo: a mente, o corpo, a fé e o convívio com os outros.

Na prática, isso significa reuniões cheias de música, histórias, brincadeiras e pequenas tarefas em casa com os pais. O clube trabalha hábitos e caráter desde cedo, no ritmo da infância, plantando raízes que os Desbravadores vão continuar regando mais tarde.

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A chegada ao Brasil e à América do Sul

No Brasil, a história tem nome e endereço. Ela começa em 1986, na IASD Cidade Dutra, em São Paulo, com Elizabete Cardoso. Pais que deixavam os filhos maiores no Clube de Desbravadores perguntavam se havia algo para os irmãos mais novos, e Elizabete, incomodada, resolveu criar reuniões para eles, usando as classes preliminares dos Desbravadores que a igreja tinha esquecido.

Ela batizou aquilo de "Desbravadores Mirins" e nem sabia que, do outro lado do mundo, os Aventureiros já estavam sendo oficializados. Em 6 de abril de 1991, o grupo foi organizado formalmente como o Clube de Aventureiros Soldados do Rei, reconhecido como o primeiro do país. O clube celebrou seus 25 anos em 2016.

A partir dali, a Divisão Sul-Americana, que coordena a igreja em oito países, integrou o ministério ao seu calendário. Ao longo dos anos 1990 e 2000 o clube se multiplicou por milhares de igrejas, e o Brasil passou a ter um dos maiores contingentes de Aventureiros do planeta.

As quatro classes, uma por idade

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O coração do clube são as classes, e a lógica é direta: cada ano de vida tem a sua, com atividades ajustadas ao que uma criança daquela idade consegue fazer. São quatro, dos 6 aos 9 anos, cada uma ligada a uma virtude e a uma cor de lenço.

ClasseIdadeVirtude
Abelhinhas Laboriosas6 anosObediência
Luminares7 anosPureza
Edificadores8 anosBondade
Mãos Ajudadoras9 anosReverência

Ao longo do ano, cada Aventureiro cumpre os requisitos da sua classe e conquista especialidades próprias da faixa etária, como as de segurança, natureza e cuidado com a família. Um Conselheiro acompanha o grupo de perto, quase sempre com o apoio dos pais em casa, o que faz do clube um trabalho de igreja e família juntas.

A ponte para os Desbravadores

O Aventureiro sempre apontou para frente. Ele é o clube que prepara a criança para os Desbravadores, a etapa seguinte, que vai dos 10 aos 15 anos. Quando o Aventureiro termina a classe de Mãos Ajudadoras, aos 9 anos, ele está pronto para atravessar essa ponte.

A travessia ganha um momento próprio: a cerimônia de passagem. Ela costuma acontecer junto da investidura da classe de Mãos Ajudadoras, com a presença do diretor dos Desbravadores e do Conselheiro da Classe de Amigo, que é a unidade dos 10 anos. Forma-se um corredor de fardas na igreja, e por ali os pequenos entram para serem recebidos no novo clube.

A recomendação oficial é que tudo seja feito com carinho e sem traumas. A criança sabe que no ano seguinte vai usar um lenço de outra cor, fazer novos amigos e encarar atividades mais desafiadoras. Para o líder que recebe esses novatos, vale a pena entender bem o próprio papel, e você encontra um bom ponto de partida em como ser um bom Conselheiro.

O que essa história ensina hoje

Olhando para trás, dá para ver um padrão. O Clube de Aventureiros brotou da necessidade real de pais e voluntários, primeiro nos Estados Unidos e depois numa igreja da zona sul de São Paulo. A instituição veio depois, para organizar o que já existia.

Isso explica por que o clube funciona tão bem como semente. Ele pega a criança na fase em que ela absorve tudo e transforma valores abstratos em coisas concretas: ajudar em casa, respeitar o próximo, cuidar da natureza, orar. Boa parte do que um Desbravador demonstra aos 14 anos começou a ser cultivada numa reunião de Aventureiros aos 6.

Se você é pai, mãe, líder ou apenas curioso sobre o movimento, guarde esta ideia: por trás do lenço colorido e das musiquinhas existe uma história de gente que não quis deixar as crianças pequenas de fora. Foi assim que o clube nasceu, e é assim que ele continua crescendo.