Talvez você guarde o sábado desde que nasceu e nunca tenha parado para pensar como esse costume chegou até o seu Clube. A resposta passa por uma igrejinha de madeira, uma viúva teimosa no bom sentido e um folheto que viajou de mão em mão.
Entre 1844 e 1846, num cantinho dos Estados Unidos, um punhado de pessoas comuns colocou o sábado do sétimo dia no centro da fé adventista. Esta é a história delas, com nomes, datas e versículos que você mesmo pode conferir na Bíblia.
Uma mesa de comunhão em New Hampshire
No início de 1844, numa capela de madeira em Washington, New Hampshire, um grupo de cristãos ligados ao movimento adventista se reunia para a Ceia do Senhor. O pregador daquele dia, Frederick Wheeler, disse à congregação que a mesa era para quem estava disposto a guardar todos os mandamentos de Deus.
Uma mulher sentada nos bancos ouviu aquilo com atenção. Depois do culto, ela procurou Wheeler e fez uma observação simples e direta: se ele levava a sério guardar todos os mandamentos, precisava olhar de novo para o quarto deles, o do sábado. Rachel Oakes era batista do sétimo dia e guardava o sábado havia anos.
Wheeler contou mais tarde que aquela conversa não saiu da cabeça dele. Poucas semanas depois, em 16 de março de 1844, pregou pela primeira vez sobre o sábado do sétimo dia para a sua congregação. Foi ali, quase sem barulho, que começou uma história que mudaria a identidade de toda uma igreja.
Quem foi Rachel Oakes
Rachel Harris Oakes nasceu em 1809, nos Estados Unidos. Ficou viúva cedo e sustentou a filha dando aulas. Em algum momento passou a frequentar uma igreja batista do sétimo dia, tradição cristã que nunca deixou de observar o sábado bíblico, o sétimo dia da semana.
Quando se mudou para Washington, para perto da filha, encontrou o pequeno grupo adventista da cidade. Eles esperavam a volta de Jesus com fervor e liam a Bíblia com sede, mas se reuniam no domingo. Rachel enxergou ali uma tensão que a incomodava: pessoas sinceras sobre obediência, deixando de lado justamente o mandamento sobre o dia de descanso.
Ela passou a maior parte da vida como batista do sétimo dia e só se aproximou formalmente do adventismo perto do fim da vida. Mesmo assim, o próprio Tiago White reconheceu que foi Rachel quem deu o empurrão inicial para o sábado entrar no movimento. Uma pessoa comum, numa conversa de corredor, mudou o rumo das coisas.
Frederick Wheeler, o primeiro pregador a guardar o sábado
Frederick Wheeler tem um lugar especial nessa história. Ele é lembrado como o primeiro ministro adventista a guardar o sábado do sétimo dia. Pastoreava congregações no interior de New Hampshire e era conhecido pela pregação séria e pelo cuidado com as pessoas.
Aceitar o sábado não saiu barato para ele. Significava nadar contra a corrente da maioria cristã ao redor e explicar à família e aos vizinhos por que agora a casa parava na sexta à noite. Wheeler seguiu em frente assim mesmo, convencido pelo que lia nas Escrituras.
A casa da família Farnsworth, membros da igreja, virou ponto de encontro. Vários deles também passaram a guardar o sábado, e a capela de Washington é lembrada até hoje como um dos berços do adventismo sabatista. O grupo era minúsculo, e a convicção, enorme.
Leia tambémO Grande Desapontamento de 1844O folheto que viajou: Preble e Joseph Bates
A ideia não ficou presa naquela cidadezinha. Um pregador adventista chamado Thomas M. Preble ouviu sobre o sábado, aceitou e resolveu escrever. Em fevereiro de 1845 publicou um artigo defendendo o sétimo dia, logo reimpresso como folheto e distribuído entre os adventistas.
Foi esse papel impresso que chegou às mãos de Joseph Bates, um ex-capitão de navio já respeitado no movimento. Bates leu, estudou a Bíblia por conta própria e se convenceu. Passou a guardar o sábado e, típico de quem foi marinheiro, tratou de espalhar a notícia com a energia de quem tinha uma missão.
Repare no caminho percorrido: uma conversa depois da Ceia levou Wheeler ao sábado; Wheeler influenciou o círculo que alcançou Preble; o folheto de Preble alcançou Bates. Uma corrente de pessoas comuns, cada uma passando adiante o que havia recebido.
Bates escreve o livro e leva a Tiago e Ellen White
Em agosto de 1846, Joseph Bates publicou um livrinho de 48 páginas com um título enorme, como se usava na época: The Seventh Day Sabbath, a Perpetual Sign ("O Sábado do Sétimo Dia, um Sinal Perpétuo"). Nele, reuniu os argumentos bíblicos e mostrou a diferença entre o sábado semanal da criação e as festas anuais de Israel.
Naquele mesmo ano, o folheto chegou a um casal jovem que começava a ter influência entre os adventistas: Tiago White e Ellen Harmon, que se casaram em agosto de 1846 e passariam à história como Tiago e Ellen White. Eles leram, estudaram e, no outono daquele ano, também começaram a guardar o sábado.
A adesão do casal foi decisiva. Com o tempo, os dois se tornaram líderes centrais da igreja que nascia, e o sábado que uma viúva batista havia lembrado a um pregador de interior passou a ocupar o coração do movimento.
Por que o sábado virou um pilar
Por que tanto empenho por um dia da semana? Para os adventistas, a resposta começa na criação. Gênesis 2:3 (ARA) diz: "E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera." O descanso do sétimo dia vem antes de qualquer nação ou religião.
O mandamento aparece cravado no Decálogo. Êxodo 20:8-11 (ARA) abre com "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar" e explica o motivo: "porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra... e, ao sétimo dia, descansou". Guardar o sábado é, nesse entendimento, lembrar de quem é o Criador.
Há ainda um texto que os pioneiros amavam, no fim da Bíblia. Apocalipse 14:12 (ARA) descreve o povo fiel dos últimos tempos: "Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." Para eles, sábado e fé em Jesus caminhavam juntos, lado a lado.
O que essa história ensina ao seu Clube
Essa história rende boa conversa numa reunião de Unidade. Ela mostra que Deus usa gente sem holofote: uma viúva professora, um pregador do interior, um ex-marinheiro. Nenhum deles era famoso quando começou, e o seu Desbravador precisa ouvir isso.
Serve também de exemplo de como estudar antes de decidir. Wheeler, Bates e os White abriram a Bíblia e examinaram cada ponto antes de aceitar o sábado, sem ceder a modismo ou a pressão de fora. No Clube, vale incentivar essa mesma postura: pesquisar, perguntar ao Conselheiro, comparar versículos com calma.
Se a turma quiser ir mais fundo no significado do dia, o material sobre por que guardamos o sábado ajuda a fechar o raciocínio, e o resumo das 28 crenças para jovens mostra onde esse ponto se encaixa no conjunto da fé. História e doutrina, uma ao lado da outra.