No sábado de Carnaval de 2027, muitas barracas de Clube de Desbravadores estarão armadas quando a Lua passar na frente do Sol. O eclipse solar 2027 no Brasil acontece em 6 de fevereiro, entre o fim da manhã e o meio da tarde, e é do tipo anular: a Lua fica pequena demais para tapar o Sol inteiro e sobra um aro de luz, o famoso anel de fogo. Quase todo o país verá parte do Sol sumir, e o anel completo só aparece numa faixa estreita que encosta no extremo sul do Rio Grande do Sul. Este guia reúne os números da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, os horários por capital e um roteiro de observação segura para o clube.

Quando é o eclipse solar de 2027 e por que ele cai no Carnaval?

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O eclipse solar anular de 2027 acontece no sábado, 6 de fevereiro de 2027. A terça-feira de Carnaval desse ano cai em 9 de fevereiro e a Quarta-feira de Cinzas em 10 de fevereiro, o que faz do dia 6 o sábado de Carnaval, quando muitos clubes já estão acampados.

Segundo a tabela oficial da NASA, calculada pelo astrônomo Fred Espenak, o eclipse máximo acontece às 15h59min35s do Tempo Universal, ou 12h59 no horário de Brasília, em alto-mar, a 31°18' sul e 48°28' oeste, ao largo do litoral gaúcho. Nesse instante a Lua aparece com 92,8% do diâmetro do Sol, e a faixa do anel tem cerca de 280 km de largura.

O anel mais demorado de todo o percurso dura 7 minutos e 53 segundos, também sobre o oceano, cerca de 150 km ao sul do Chuí. A física dos tipos de eclipse está no guia de eclipses do Sol e da Lua; aqui o foco é este eclipse. O outro eclipse solar do ano, o total de 2 de agosto de 2027, passa pelo sul da Espanha, pelo norte da África e pelo Oriente Médio e, pela tabela de eclipses da NASA, não poderá ser visto de nenhuma cidade brasileira.

Onde ver o eclipse solar de 2027 e por onde passa a faixa do anel?

A sombra do anel nasce ao amanhecer no Pacífico Sul, entra pelo sul do Chile, na altura da ilha de Chiloé, atravessa a Patagônia argentina e o litoral da província de Buenos Aires, chega ao leste do Uruguai e raspa o extremo sul do Brasil. Depois cruza o Atlântico e termina ao pôr do sol no litoral do Golfo da Guiné, na África Ocidental.

No mapa interativo da NASA, a faixa aparece entre duas linhas azuis, e a agência avisa que só dentro delas se vê a fase anular; fora, o eclipse é parcial. Montevidéu fica de fora por menos de 40 km e Buenos Aires, por quase 200 km: as duas capitais veem eclipse parcial, com cerca de 86% e 82% do Sol coberto.

LugarPaísAnel (horário de Brasília)Duração do anel
Castro, ilha de ChiloéChile11h50 às 11h544 min 24 s
EsquelArgentina11h52 às 12h007 min 32 s
ViedmaArgentina12h10 às 12h177 min 12 s
Bahía BlancaArgentina12h15 às 12h193 min 56 s
Mar del PlataArgentina12h24 às 12h327 min 38 s
Punta del EsteUruguai12h36 às 12h415 min 28 s
RochaUruguai12h38 às 12h435 min 05 s
Chuí (RS)Brasil12h42 às 12h463 min 43 s
Santa Vitória do Palmar (RS)Brasil12h43 às 12h462 min 30 s

Calculado com a calculadora de eclipses da NASA e conferido com o mapa interativo de Xavier Jubier; horários arredondados para o centro de cada cidade.

O eclipse solar de 2027 terá anel de fogo no Brasil?

Terá, numa ponta pequena do mapa. Pela tabela de limites e pela calculadora da NASA, a borda norte da faixa entra no extremo sul do Rio Grande do Sul. Chuí e Santa Vitória do Palmar, com as praias da Barra do Chuí e do Hermenegildo, ficam dentro: o anel surge por volta das 12h42 e some até as 12h47, durando de dois minutos e meio a pouco mais de quatro minutos e meio, conforme o ponto. O cálculo independente do mapa interativo de Xavier Jubier, citado na página da NASA, confirma o anel nas duas cidades. Pela tabela de limites da NASA, o centro de Santa Vitória do Palmar fica cerca de 8 km dentro da faixa e o do Chuí, cerca de 17 km. Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre veem eclipse parcial.

No Rio de Janeiro, a borda passa rente à Região dos Lagos, mas no mar: Arraial do Cabo e Cabo Frio têm eclipse parcial, com cerca de 86% do Sol coberto.

Circulam listas que põem o anel em cidades do Paraná e de Santa Catarina. A NASA não confirma: Pato Branco (PR) fica com cerca de 71% do Sol coberto e Criciúma (SC) com cerca de 83%, ambos eclipses parciais. No extremo noroeste do país, o eclipse quase não acontece: em Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira (AM) e em Pacaraima (RR), a Lua nem toca o Sol, e em Cruzeiro do Sul (AC) e Boa Vista (RR) a mordida fica abaixo de 1%.

Na beirada, cada quilômetro conta: a NASA avisa que o relevo da borda da Lua pode deslocar os limites da faixa em 1 a 3 km. No extremo sul gaúcho, prefira a orla da Barra do Chuí e do Hermenegildo, onde o anel dura mais.

Qual a data e o horário do eclipse solar de 2027 na sua cidade?

A tabela foi gerada com o JavaScript Solar Eclipse Explorer, a calculadora oficial da NASA para a América do Sul. Os horários seguem a hora de Brasília, arredondados, e a última coluna mostra quanto da área do Sol fica coberta no máximo. No Brasil, o primeiro contato acontece no oeste gaúcho, por volta das 10h54 em Barra do Quaraí, e o último no litoral potiguar, perto das 15h43 em Natal.

Desconte uma hora em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e na maior parte do Amazonas, e duas no Acre e no extremo oeste do Amazonas. Em setembro de 2026, o Ministério de Minas e Energia informou que não haverá horário de verão em 2026/2027.

Para a sua cidade, abra a calculadora, escolha a cidade ou digite latitude e longitude, confira o fuso de 3 horas a oeste e clique no século 2001 a 2100. Na linha de 6 de fevereiro de 2027, a coluna Eclipse Obs. traz a fração do Sol coberta.

CidadeComeçaMáximoTerminaSol coberto no máximo
Chuí (RS)10h5712h4414h2686% (anel)
Porto Alegre (RS)11h0712h5714h3883%
Florianópolis (SC)11h1813h0814h4883%
Curitiba (PR)11h2113h1214h5176%
São Paulo (SP)11h3113h2214h5978%
Rio de Janeiro (RJ)11h4013h2915h0584%
Belo Horizonte (MG)11h4613h3615h1076%
Campo Grande (MS)11h2313h1214h5152%
Brasília (DF)11h5113h3915h1257%
Salvador (BA)12h1714h0115h2974%
Recife (PE)12h3814h1715h4071%
Fortaleza (CE)12h4614h2115h4253%
Belém (PA)12h4514h1215h2826%
Manaus (AM)12h3713h4514h478%

Calculado com a calculadora de eclipses da NASA. Horário de Brasília; em Campo Grande e Manaus, o relógio local marca uma hora a menos.

Leia tambémPor que o céu é azul e o pôr do sol é dourado?

Como ver o eclipse solar com segurança, mesmo durante o anel?

No eclipse anular não existe instante seguro sem proteção. A NASA é direta: em eclipses parciais ou anulares, quem olha para o Sol precisa usar óculos de eclipse ou visor solar o tempo todo. Com a Lua cobrindo cerca de 86% da área do Sol, os 14% que sobram ainda são Sol de verão quase a pino.

No folheto do eclipse anular de 2023, o Observatório Nacional, instituição federal de pesquisa em astronomia, pediu lentes certificadas pela NBR/ISO 12312-2 que filtrem mais de 99,999% da luz solar e listou o que não serve: óculos de sol comum, celular, chapa de raio X, câmeras e telescópios sem filtro apropriado.

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A NASA acrescenta cuidados que todo Conselheiro deve repetir: inspecionar os óculos e descartar qualquer par riscado ou rasgado, supervisionar sempre as crianças e nunca olhar por binóculo, câmera ou telescópio usando os óculos de eclipse, porque a luz concentrada atravessa o filtro. Os cuidados gerais estão no artigo sobre o Sol.

A etiqueta sozinha não garante nada. A Sociedade Astronômica Americana lembra que qualquer um pode imprimir "ISO 12312-2" numa embalagem e recomenda comprar de fabricantes que tiveram os filtros testados em laboratório credenciado, ou de revendedores autorizados por eles. Antes do dia, faça o teste da entidade: num lugar fechado, com os óculos no rosto, você não deve enxergar nada além de lâmpadas muito fortes, que aparecem bem fracas.

A pele também precisa de cuidado: a NASA recomenda protetor solar, chapéu e roupa adequada, e o guia de protetor solar e repelente ajuda a montar o kit.

Regra do acampamento: nenhum desbravador olha para o Sol sem um adulto ao lado conferindo o filtro. Óculos riscado, furado ou descolando da armação vai direto para o lixo, mesmo com a norma ISO 12312-2 impressa.

Como o clube aproveita o eclipse no acampamento de Carnaval?

O eclipse cai no sábado do acampamento de Carnaval, e o horário ajuda: no Sul e no Sudeste começa no fim da manhã e chega ao máximo perto do almoço; no Nordeste, começa depois do meio-dia. Dá para encerrar o culto antes da fase principal. Para muitos clubes da Igreja Adventista do Sétimo Dia, contemplar a criação combina com o sábado, e o guia de atividades de sábado ajuda a fechar a tarde.

Monte estações por Unidade. Na primeira, o projetor de caixa que a NASA ensina: caixa de papelão, papel-alumínio com um furinho, folha branca e fita; de costas para o Sol, a luz entra pelo furo e desenha o Sol na folha. Na segunda, um escorredor de macarrão, que projeta dezenas de pequenos sóis no chão. Na terceira, as mãos: dedos abertos e cruzados viram uma grade de projetores, e a sombra das folhas das árvores faz o mesmo. Segundo a Sociedade Astronômica Americana, na fase anular essas imagens viram pequenos anéis; no resto do país, crescentes.

Dê a cada Unidade uma tarefa de cientista: desenhar a projeção a cada 15 minutos, anotando hora, temperatura e luz, e depois conferir se o máximo bateu com a tabela.

Para céu fechado, tenha plano B. A página do mapa da NASA recomenda olhar a previsão do tempo um ou dois dias antes, e em 2023 o Observatório Nacional sugeriu a eventos públicos projetar a transmissão ao vivo, que chamou de forma mais segura de observar.

Checklist do eclipse: óculos ISO 12312-2 conferidos · projetores montados antes · horário da sua cidade impresso · protetor solar, chapéu e água · um adulto por estação · plano B com transmissão.

O que o eclipse ensina na Especialidade de Astronomia?

O eclipse vira prática para dois requisitos da Especialidade de Astronomia. O Manual de Especialidades de Desbravadores, base do guia da especialidade, pede que o desbravador explique o que causa um eclipse (item 1, letra d) e faça um diagrama das posições e movimentos da Terra, do Sol e da Lua nos eclipses (item 2). Combine antes com o Instrutor como ele vai avaliar cada item.

O número 92,8% também rende aula. Segundo a NASA, o anular acontece quando a Lua está no ponto mais distante da Terra ou perto dele, e por isso parece menor que o Sol. Com um compasso, desenhe círculos de 10 cm e 9,3 cm de diâmetro, sobreponha e veja o anel.

E há a parte que não cabe na régua. "Doce é a luz, e agradável aos olhos, ver o sol" (Eclesiastes 11:7, ARA). O Deus que fez a luz fez também os olhos que a recebem, e protegê-los com filtro certificado é gratidão concreta. O salmista diz que Deus "fez a lua para marcar o tempo" (Salmo 104:19, ARA), e um eclipse que já constava, com hora e lugar, no catálogo de cinco milênios publicado pela NASA em 2006 mostra esse relógio funcionando.