Você já parou tudo para ver a lua ficar cor de sangue? Ou ouviu falar de um dia que virou noite por alguns minutos? Isso são eclipses. E, ao contrário do que muita gente pensou por séculos, não são acidentes nem sinais de azar. São sombras. Sombras previsíveis, calculadas com anos de antecedência, que acontecem quando o sol, a Terra e a lua entram em linha reta.

Neste guia você vai entender a diferença entre o eclipse do sol e o da lua, por que eles não acontecem todo mês, quais são os tipos e, o mais importante, como observar sem nunca colocar seus olhos em risco. É conteúdo que serve para a Especialidade de Astronomia, para uma noite de acampamento e para uma boa conversa em volta da fogueira.

No fim, a gente para um instante para olhar o céu como as Escrituras olham: um relógio criado por Deus, tão certo que dá para marcar dias, estações e anos por ele.

Eclipse solar: a lua tapa o sol

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Imagine três bolas em fila: o sol lá longe, a lua no meio e a Terra atrás. Quando a lua passa exatamente na frente do sol, ela projeta uma sombra sobre a Terra. Quem estiver dentro dessa sombra vê o dia escurecer. Isso é um eclipse solar.

Repare numa coisa curiosa. O sol é gigantesco, cerca de 400 vezes maior que a lua. Mas ele também está cerca de 400 vezes mais longe. Por isso, no céu, os dois parecem quase do mesmo tamanho. É essa coincidência de proporções que permite à pequena lua cobrir o enorme sol por completo.

O eclipse solar só pode acontecer na lua nova, quando a lua está do mesmo lado do céu que o sol. Durante um eclipse total, o céu escurece, a temperatura cai, os pássaros se calam e você consegue ver a coroa do sol, aquela auréola de luz ao redor do disco escuro. É um dos espetáculos mais impressionantes da natureza.

Eclipse lunar e a lua de sangue

Agora inverta a fila. Sol de um lado, Terra no meio, lua do outro. Quando a lua entra na sombra que a Terra projeta no espaço, temos um eclipse lunar. Ele só acontece na lua cheia, quando a lua está no lado oposto ao sol.

Mas por que a lua fica avermelhada em vez de sumir no escuro? Porque a Terra tem atmosfera. A luz do sol que passa de raspão pela nossa atmosfera é filtrada: os tons de azul se espalham e se perdem, e os tons de vermelho e laranja conseguem se curvar e alcançar a lua. É o mesmo motivo pelo qual o pôr do sol é alaranjado. Em outras palavras, a lua de sangue está banhada pela luz somada de todos os amanheceres e entardeceres da Terra ao mesmo tempo.

Uma boa notícia para o seu Clube: o eclipse lunar é totalmente seguro de olhar a olho nu. Não precisa de filtro, não precisa de óculos especiais. Basta um céu limpo, uma cadeira e paciência, porque ele pode durar mais de uma hora.

Por que não tem eclipse todo mês?

Se a lua fica nova e cheia todo mês, você poderia esperar dois eclipses por mês, um de cada tipo. Mas não é o que acontece. Na maioria dos meses, nada. Por quê?

A resposta está numa pequena inclinação. A órbita da lua ao redor da Terra é levemente torta em relação ao caminho que a Terra faz ao redor do sol, uma inclinação de cerca de 5 graus. Parece pouco, mas é o suficiente para que, quase sempre, a lua passe um pouco acima ou um pouco abaixo da linha reta. A sombra erra o alvo e não há eclipse.

O eclipse só acontece quando a lua nova ou cheia coincide com os dois pontos onde essas duas órbitas se cruzam, os chamados nodos. É como duas estradas em alturas diferentes que só se encontram em pontos específicos. Por isso os eclipses vêm em temporadas, algumas vezes por ano, e podem ser calculados com séculos de antecedência. Nada de acaso.

Leia tambémAs estações do ano e por que elas existem

Os tipos de eclipse

Nem todo eclipse é igual. Depende de quanto o sol ou a lua ficam cobertos, e da distância exata da lua naquele dia, porque a órbita dela não é um círculo perfeito. Veja os principais tipos numa tabela rápida:

TipoO que acontece
Solar totalA lua cobre o sol inteiro; o dia vira noite por alguns minutos.
Solar parcialA lua cobre só um pedaço do sol; parece que deram uma mordida nele.
Solar anularA lua está mais distante e menor no céu; sobra um anel de fogo ao redor dela.
Lunar totalA lua inteira entra na sombra da Terra e fica avermelhada (lua de sangue).
Lunar parcialSó parte da lua entra na sombra escura da Terra.

O eclipse solar anular acontece porque a lua às vezes está no ponto mais afastado da sua órbita. Nesse dia ela parece menor no céu e não consegue tapar o sol por inteiro, deixando aquele contorno luminoso famoso como anel de fogo. Mesmo assim, atenção: um anular ainda é o sol descoberto e continua perigoso para os olhos.

Como observar o sol com segurança

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Aqui está a parte mais importante deste guia, e a regra é dura e sem exceção: NUNCA olhe diretamente para o sol. Nem no eclipse parcial, nem no anular, nem naqueles segundos antes de um total. A luz do sol pode queimar a retina de forma indolor e permanente em instantes. Sua vista não dói na hora, e o estrago pode aparecer só depois. Óculos de sol comuns, radiografia, vidro esfumaçado, CD e água num balde NÃO servem e NÃO protegem.

Existem duas formas seguras. A primeira é usar um filtro solar certificado pela norma ISO 12312-2, os chamados óculos de eclipse. Eles são milhares de vezes mais escuros que óculos comuns e feitos exatamente para isso. Verifique a certificação impressa e descarte qualquer filtro riscado, furado ou amassado. Telescópio e binóculo só com filtro solar próprio montado na frente da lente, jamais depois do óculos.

A segunda forma é a mais barata e a mais divertida para o Clube: a projeção com furinho. Faça um pequeno furo com alfinete numa cartolina. De costas para o sol, deixe a luz atravessar o furo e cair sobre uma segunda folha ou no chão. Você verá a imagem do sol projetada, e durante o eclipse verá o disco com a mordida da lua. Ninguém olha para o sol; todos olham para a sombra. Uma peneira de cozinha ou até a sombra das folhas de uma árvore criam dezenas dessas imagens ao mesmo tempo.

Uma atividade perfeita para o Clube

Eclipse é oportunidade de ouro para juntar ciência, natureza e trabalho em equipe. Comece descobrindo a data do próximo eclipse visível na sua região; sites de astronomia trazem esse calendário com anos de antecedência. Marque no cronograma da Unidade.

Prepare o material antes. Se for um eclipse solar, providencie os óculos certificados com tempo, ou monte os projetores de furinho em uma reunião anterior, um por Desbravador. Se for lunar, o desafio é outro: chegar num lugar de céu escuro, longe das luzes da cidade, levar agasalho e registrar as mudanças de cor da lua num caderno de campo.

Essa é a base da Especialidade de Astronomia e combina muito com uma noite de observação do céu. O Conselheiro pode transformar a espera em conversa: as fases da lua, os planetas visíveis, as constelações. E quando o eclipse enfim acontecer, o silêncio de todo mundo olhando para cima costuma dizer mais do que qualquer explicação. Se quiser aprofundar, veja o guia de como observar o céu noturno e a Especialidade de Astronomia.

O céu como relógio de Deus

Para quem crê, olhar um eclipse não é só ciência; é adoração. Logo no começo da Bíblia, os astros recebem uma função clara: "Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos" (Gênesis 1:14, ARA). Sol e lua foram feitos, entre outras coisas, para marcar o tempo. E marcam com uma precisão que permite prever um eclipse com séculos de antecedência.

Essa regularidade é um testemunho. "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos" (Salmo 19:1, ARA). O profeta reforça a ideia do Deus que sustenta o mecanismo: "Assim diz o Senhor, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite" (Jeremias 31:35, ARA). A ordem que você calcula no papel é a mesma ordem que a fé chama de fidelidade do Criador.

A Bíblia registra também um escurecimento sóbrio. Na crucificação de Jesus, o texto diz: "Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona" (Lucas 23:44-45, ARA). Não é apresentado como um eclipse comum, e sim como um sinal solene em torno da morte de Cristo. Vale ler com respeito, sem transformar cada eclipse de hoje em presságio. Os adventistas creem que os céus falam de Deus, mas o cristão não vive de superstição: vive olhando para cima com gratidão, curiosidade e cuidado. É uma crença que compartilhamos com alegria, sem impor a ninguém.