A ADRA, agência humanitária mantida pela Igreja Adventista, montou uma resposta de emergência na Venezuela depois que dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o norte do país em 24 de junho de 2026, com cerca de um minuto de diferença entre eles. Segundo a UNICEF, foi o evento sísmico mais significativo a atingir a Venezuela em mais de um século.

A atuação da agência foi organizada em duas frentes, água, saneamento e higiene, e segurança alimentar, com prioridade a lares com crianças pequenas e pessoas idosas, informou a ADRA Brasil. No plano financeiro, a ADRA Internacional destinou um fundo inicial de US$ 100 mil e, no Brasil, uma campanha nacional de doações havia arrecadado R$ 170.494,75 até 1º de julho de 2026, de acordo com Notícias Adventistas, o portal oficial da Igreja Adventista para a América do Sul.

Para as famílias de Desbravadores, o episódio conecta duas coisas que caminham juntas no movimento: o serviço ao próximo e a estrutura da própria Igreja, que mantém a ADRA como braço de assistência. Reunimos abaixo o que foi verificado nas fontes oficiais até 1º de julho de 2026.

O que aconteceu no norte da Venezuela

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Os dois abalos ocorreram em sequência quase imediata na tarde de 24 de junho de 2026. De acordo com a UNICEF, os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 se sucederam com cerca de um minuto de intervalo e formaram o episódio sísmico mais grave a atingir a Venezuela em mais de cem anos.

A dimensão humana é o que dá o peso do desastre. A UNICEF estima que 1,8 milhão de pessoas precisem de assistência humanitária em razão dos terremotos, das quais 680 mil são crianças. Segundo o mesmo levantamento da agência da ONU, análises preliminares por satélite indicaram que perto de um terço das construções na área mais afetada avaliada até então, Catia La Mar, no estado de La Guaira, sofreu danos, com hospitais operando acima da capacidade e escolas comprometidas.

Em situações assim, os primeiros dias concentram os riscos mais imediatos: falta de água segura, aglomeração de pessoas deslocadas de suas casas e o perigo de doenças ligadas à precariedade sanitária. É nesse ponto que entram as organizações de resposta rápida, e a ADRA foi uma delas.

A resposta da ADRA em duas frentes

Segundo a ADRA Brasil, a atuação inicial da agência foi estruturada em duas linhas de trabalho paralelas, escolhidas por serem as mais urgentes logo após o desastre.

A primeira frente é a de água, saneamento e higiene: acesso a água segura, purificação, distribuição de kits de higiene pessoal e avaliação das condições sanitárias nas comunidades atingidas. A segunda é a de segurança alimentar, com a entrega de cestas de alimentos emergenciais às famílias que perderam acesso a comida.

A ADRA informou que a distribuição prioriza os grupos mais vulneráveis: lares com crianças menores de cinco anos e pessoas idosas. É um critério comum em respostas humanitárias, porque são os públicos que mais rapidamente adoecem quando faltam água limpa e alimentação adequada.

"Quando uma emergência dessa dimensão acontece, a resposta precisa ser rápida, organizada e coletiva", afirmou Hebert Boger, diretor da ADRA Brasil, em declaração reproduzida por Notícias Adventistas. A fala resume a lógica do trabalho: agir cedo, com método e somando esforços de vários países.

Os recursos: US$ 100 mil iniciais e mais de R$ 170 mil no Brasil

No campo financeiro, a mobilização teve dois níveis. A ADRA Internacional destinou um fundo inicial de US$ 100 mil para dar partida à operação, segundo a ADRA Brasil.

Em paralelo, a ADRA Brasil abriu uma campanha nacional de arrecadação. De acordo com Notícias Adventistas, até 1º de julho de 2026 a iniciativa havia reunido R$ 170.494,75 em doações. Os recursos captados no Brasil, informou a agência, são encaminhados à ADRA Venezuela por meio da ADRA Internacional e ajudam a ampliar a entrega de kits e itens essenciais às famílias atingidas.

A cifra continua em movimento, o valor é um retrato de 1º de julho, não um total fechado. Vale um lembrete de leitura: números de arrecadação e de pessoas afetadas em desastres costumam ser revisados nos dias seguintes, à medida que novas avaliações chegam ao terreno.

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O que é a ADRA e como ela se liga aos Desbravadores

ADRA é a sigla de Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais. É o braço humanitário da Igreja Adventista do Sétimo Dia e atua em mais de uma centena de países com projetos de desenvolvimento e respostas a emergências, enchentes, secas, conflitos e, como agora, terremotos.

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Para o público dos Desbravadores, o vínculo é natural. O Clube de Desbravadores é um ministério da mesma Igreja, coordenado na América do Sul pela Divisão Sul-Americana (DSA), a região administrativa que reúne oito países, entre eles Brasil e Venezuela. Servir ao próximo é um dos pilares do movimento: está no ideal, no lema "Sempre alertas" e na prática de projetos comunitários que muitos clubes já realizam ao longo do ano.

Não à toa, campanhas de solidariedade costumam encontrar eco nas unidades e clubes. Uma emergência internacional como a da Venezuela é uma oportunidade concreta de transformar esse ideal em ação, seja com doação, seja conversando com crianças e adolescentes sobre o que significa ajudar quem está longe e em dificuldade.

Como ajudar

A ADRA Brasil orientou que as doações à campanha podem ser feitas por Pix, pela chave [email protected], segundo Notícias Adventistas. Os valores são direcionados à resposta na Venezuela por meio da ADRA Internacional.

Antes de doar, uma recomendação de bom senso que vale para qualquer emergência: confirme sempre os canais na página oficial da ADRA. Golpes se aproveitam de tragédias, criando chaves e páginas falsas que imitam campanhas reais. Os links oficiais estão listados no fim desta reportagem.

Para clubes e famílias que queiram ir além da doação individual, vale combinar a ação com a direção da igreja local, que pode orientar sobre a forma mais segura de participar e sobre eventuais mobilizações coordenadas pelo Campo (a Associação ou Missão à qual o clube pertence).

O que observar nos próximos dias

Respostas humanitárias evoluem rápido. Nos dias seguintes ao desastre, tende a mudar tanto o número de pessoas alcançadas quanto o total arrecadado, e novas frentes podem ser abertas conforme a necessidade, abrigo, saúde e apoio psicológico costumam ganhar espaço à medida que a fase mais aguda passa.

Para acompanhar dados atualizados e confiáveis, o caminho é ir às fontes primárias: os canais oficiais da ADRA Brasil e o portal Notícias Adventistas, que noticiam a evolução da campanha, e a UNICEF, que divulga os balanços sobre a situação das crianças no país. Esta reportagem reúne os fatos verificados até 1º de julho de 2026 e será um retrato daquele momento.

Fica, ao fim, o que importa: por trás de cada número há famílias tentando recomeçar. A resposta rápida, organizada e coletiva de que falou o diretor da ADRA Brasil é justamente o oposto da paralisia diante da tragédia, e é um valor que o movimento dos Desbravadores procura ensinar cedo.