O pastor Erton Carlos Köhler foi eleito presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em 4 de julho de 2025, durante a 62ª Sessão da Conferência Geral, realizada em St. Louis, no estado norte-americano do Missouri. De acordo com a Notícias Adventistas, portal oficial da igreja na América do Sul, é a primeira vez que um sul-americano assume a mais alta função administrativa e espiritual da denominação, historicamente ocupada por líderes norte-americanos.
O brasileiro nascido em Caxias do Sul (RS) passa a liderar uma igreja presente em mais de 200 países e com mais de 23 milhões de membros. Köhler é um nome familiar para quem cresceu nos Clubes de Desbravadores: sua trajetória na igreja começou no Ministério Jovem, o departamento que abriga os clubes de Aventureiros e Desbravadores em toda a América do Sul.
O que aconteceu em St. Louis
A eleição ocorreu na abertura da 62ª Sessão da Conferência Geral, o maior encontro administrativo da Igreja Adventista, que reúne delegados de todo o mundo a cada cinco anos. Segundo a Notícias Adventistas, a Comissão de Nomeações apresentou o nome de Köhler ao plenário, que o aprovou por ampla maioria dos delegados presentes.
Köhler sucede o pastor Ted N. C. Wilson, que esteve à frente da igreja mundial desde 2010. Com a escolha, o brasileiro se torna o 21º presidente da história da denominação e assume o mandato de liderança da igreja em âmbito global.
Ao comentar a eleição, Köhler resumiu o tom que pretende dar à gestão: Estamos seguindo em frente, confiando no Dono desta igreja
. A frase resume o discurso de confiança e de foco na missão que marcou seus primeiros pronunciamentos como novo presidente.
Por que a eleição é considerada histórica
Desde a organização da Igreja Adventista, em 1863, a presidência mundial havia sido ocupada majoritariamente por líderes norte-americanos. A escolha de Köhler quebra esse padrão: pela primeira vez, um sul-americano — e, mais especificamente, um brasileiro — passa a comandar a denominação, informou a Notícias Adventistas.
O simbolismo tem peso demográfico. A América do Sul, e o Brasil em particular, é uma das regiões de maior crescimento da igreja no mundo. A Divisão Sul-Americana (DSA) — a instância que administra a igreja em oito países da região, incluindo o Brasil — é também onde o movimento dos Desbravadores atingiu algumas das suas maiores estruturas. Ter um líder formado nessa realidade à frente da igreja mundial é lido, dentro da denominação, como reconhecimento do trabalho feito no continente.
Para efeito de escala, a igreja que Köhler passa a presidir declara mais de 23 milhões de membros e presença em mais de 200 países, segundo dados oficiais divulgados durante a sessão.
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Köhler nasceu em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. A carreira pastoral começou no início dos anos 1990, como pastor distrital em São Paulo, e logo se voltou para o trabalho com juventude — a área que marcaria toda a sua ascensão.
Segundo o histórico divulgado pela igreja, ele foi diretor de jovens em campos regionais antes de assumir, em 2003, o Ministério Jovem da Divisão Sul-Americana, coordenando o departamento em oito países. Em 2007, foi eleito presidente da DSA — cargo que ocupou até 2021 e para o qual foi escolhido ainda jovem, tornando-se um dos mais novos presidentes de divisão da história recente da igreja.
Em 2021, Köhler foi eleito secretário executivo da Conferência Geral, a segunda posição administrativa mais alta da denominação, função que exerceu até a eleição para a presidência. É desse cargo, em Silver Spring, nos Estados Unidos, que ele chega ao topo da estrutura mundial.
O que é o Ministério Jovem — e onde entram os Desbravadores
Para o público dos clubes, um detalhe da biografia de Köhler chama a atenção mais do que os cargos: ele subiu pelo Ministério Jovem. Na estrutura adventista, esse é o departamento responsável pela juventude da igreja, e é dentro dele que ficam os Clubes de Aventureiros (crianças de 6 a 9 anos) e os Clubes de Desbravadores (de 10 a 15 anos), além dos Jovens Adultos.
Vale explicar dois termos que aparecem sempre que o assunto é a igreja mundial. Uma Divisão é uma das regiões administrativas em que a Conferência Geral organiza o trabalho no planeta; a Divisão Sul-Americana é a que cuida do Brasil e de mais sete países vizinhos. A Conferência Geral, por sua vez, é o nível global, que coordena todas as divisões. Quando um diretor de Ministério Jovem de divisão chega à presidência mundial, é a primeira vez que alguém com essa origem específica ocupa o cargo.
Na prática, isso significa que a maior autoridade administrativa da igreja é hoje alguém que, em algum momento da carreira, esteve diretamente ligado à coordenação de acampamentos, camporis e investiduras — os eventos que estruturam a vida de um clube. O campori é o grande encontro de Desbravadores, que pode reunir dezenas de milhares de participantes; a investidura é a cerimônia em que os desbravadores recebem oficialmente as classes e especialidades que concluíram ao longo do ano.
O que muda a partir de agora
A eleição do presidente é apenas o primeiro passo de uma Sessão da Conferência Geral. Ao longo do encontro, os delegados também escolhem outros líderes mundiais e votam ajustes em políticas da igreja. As decisões tomadas em St. Louis passam a orientar o trabalho da denominação nos cinco anos seguintes, até a próxima sessão.
Para os clubes, a mudança é sobretudo simbólica no curto prazo: a administração direta dos Desbravadores continua a cargo do Ministério Jovem em cada divisão, união e associação, e as regras das classes, especialidades e investiduras seguem sendo definidas regionalmente. O que muda é o horizonte — pela primeira vez, um ex-líder de juventude sul-americano ocupa a cadeira mais alta da igreja mundial.