A especialidade de Dinossauros faz a Unidade inteira se debruçar sobre a mesa quando aparece a foto de um esqueleto. Ela aproveita essa curiosidade para ensinar a pensar como um paleontólogo, separando o que os fósseis mostram do que ainda é hipótese.

Os requisitos completos da especialidade de Dinossauros estão no catálogo, com o código EN-079. Aqui eles aparecem resumidos e sem gabarito, com o conteúdo que você precisa estudar, conferido em 06/10/2026 nas fontes listadas no fim.

O que é a especialidade de Dinossauros dos Desbravadores?

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A especialidade de Dinossauros tem o código EN-079 e pertence à área de especialidades de Estudos da Natureza. Segundo o catálogo, foi criada em 2012 pela Divisão Sul-Americana (DSA) da Igreja Adventista do Sétimo Dia e está no nível 1, o básico. Nenhum dos 13 requisitos pede outra especialidade antes.

Ela serve para desbravadores de qualquer idade que gostam de ciência e funciona bem como projeto de Unidade, com a pesquisa dividida entre os membros.

O tema conversa com a especialidade de Répteis: segundo a revista Pesquisa FAPESP, dinossauros, crocodilianos e pterossauros vêm de um mesmo grande grupo de répteis, os arcossauros. Depois, siga para as especialidades de Fósseis (EN-017) e de Geologia (EN-047).

Quais são os requisitos da especialidade de Dinossauros?

O catálogo lista 13 requisitos, resumidos na tabela sem respostas; vale a versão que o seu instrutor usa. Repare que o requisito 8 coloca plesiossauros e pterossauros entre os “grupos de dinossauros”, enquanto o requisito 5 pede que você explique por que eles ficam de fora. Deixe essa diferença clara.

Os requisitos 1, 3 e 4 tratam da origem da palavra e da conversa entre fé e ciência, temas dos guias Dinossauros e a Bíblia e Fósseis e o Dilúvio. Apresente cada teoria como os seus defensores a apresentam: a Igreja Adventista crê numa “criação recente, de seis dias” (crença fundamental 6), e a ciência dominante trabalha com eras de milhões de anos. O texto sobre criação e evolução resume a posição da igreja.

NºO que pedeTipo
1Significado da palavra dinossauro e quem a usou primeiroEstudo
2Indícios de que essas criaturas existiramEstudo
3Surgimento e desaparecimento pelas teorias evolucionista e criacionistaEstudo
4Evidências ligadas ao Dilúvio e textos bíblicos sobre a criação dos répteisEspiritual
5Por que répteis marinhos e voadores não são dinossauros, com exemplosEstudo
6Como os dinossauros nasciam; quando e onde isso foi comprovadoEstudo
7Como seria a pele dos dinossaurosEstudo
8Definir seis grupos, de saurópodes a pterossaurosEstudo
9Diagrama da suposta cadeia alimentar e quem fica no topoPrática
10O que são sauropodomorfos e seus 2 gruposEstudo
11Quem é considerado o rei dos dinossaurosEstudo
12Texto de 150 palavras ou mais sobre um dinossauroPesquisa
13Coleção de 10 imagens de fósseis com nome, local, ano e característicasPesquisa

Resumo dos requisitos da especialidade EN-079 no catálogo Desbravai. Confira o texto completo com o seu instrutor.

Quais os grupos de dinossauros?

Em 1887, o biólogo inglês H. G. Seeley dividiu os dinossauros em dois ramos pelo formato da bacia: Saurischia (“quadril de lagarto”) e Ornithischia (“quadril de ave”). A divisão continua em uso, mas a Enciclopédia Britânica lembra que nenhuma classificação é aceita por todos e que o quadro muda com novas descobertas.

Entre os saurísquios estão os sauropodomorfos, de cabeça pequena e pescoço longo, quase todos comedores de plantas; alguns dos mais antigos, como o gaúcho Buriolestes, comiam carne. Na divisão tradicional, eles incluem os chamados prossaurópodes, menores e mais antigos, e os saurópodes, os gigantes; o parentesco exato entre os dois ainda é debatido. Também são saurísquios os terópodes, que reúnem quase todos os dinossauros carnívoros conhecidos e, na classificação científica atual, as aves.

Para o requisito 9: monte a cadeia das plantas aos herbívoros e destes aos terópodes predadores, com o guia de cadeia alimentar e equilíbrio como modelo. Mantenha o “suposta” do requisito: a dieta de cada grupo é deduzida das mandíbulas e do desgaste dos dentes, explica a Britannica.
GrupoRamoComo reconhecerDieta
SaurópodesSaurischiaPescoço e cauda longos, pernas em coluna, sempre sobre quatro patasPlantas
TerópodesSaurischiaDentes de carnívoro e garras curvas; pegadas de três dedosCarne
CeratopsídeosOrnithischiaChifres no rosto e escudo ósseo sobre o pescoço; o Triceratops tinha cerca de 9 mPlantas
AnquilossaurídeosOrnithischiaPlacas ósseas no corpo e clava maciça na ponta da caudaPlantas macias

Fonte: Enciclopédia Britânica, verbete Dinosaur; pegadas de terópodes: Geoscience Research Institute (2025).

Por que o pterossauro não é um dinossauro?

Pterossauros aparecem em livros infantis e em pacotes de dinossauros de brinquedo, mas não pertencem ao grupo. Em 2014, numa exposição sobre pterossauros, o paleontólogo Mark Norell, curador da mostra e chefe da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural (AMNH), explicou que os dinossauros têm características que os pterossauros não têm, como um furo no encaixe do quadril. No pterossauro, esse encaixe é só uma depressão no osso, descreve o Museu de História Natural de Utah.

Segundo o AMNH, os pterossauros foram os primeiros vertebrados a voar, com uma asa que provavelmente se apoiava num quarto dedo muito alongado. O cocurador da mostra foi o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional/UFRJ, no Rio.

Plesiossauros e ictiossauros eram répteis marinhos. Randy Irmis, curador de paleontologia do museu de Utah, lembra que “dinossauros marinhos” nunca existiram: os répteis do mar formavam linhagens separadas da dos dinossauros. O primeiro esqueleto completo de Plesiosaurus, nome que quer dizer “quase réptil”, foi achado em 1823 pela inglesa Mary Anning, informa o Museu de História Natural de Londres.

No Brasil, a Bacia do Araripe, no sul do Ceará, tem fósseis de pterossauros e até um geossítio chamado Parque dos Pterossauros, no Geopark Araripe.

Leia tambémEspecialidade de Répteis

Como os dinossauros nasciam e como era a pele deles?

Até onde se sabe, todos os dinossauros punham ovos, e já foram achados embriões dentro de alguns, segundo a Britannica. A prova de que pelo menos um tipo de dinossauro fazia ninhos veio de uma expedição do Museu Americano de História Natural ao deserto de Gobi, na Mongólia: em julho de 1923, a equipe de Roy Chapman Andrews encontrou um ninho com ovos, conta a União Europeia de Geociências (EGU).

Os ovos foram atribuídos ao Protoceratops, e um dinossauro achado junto ao ninho ganhou o nome de Oviraptor, “ladrão de ovos”. Cerca de 70 anos depois, os cientistas perceberam que os ovos eram do próprio Oviraptor. No Brasil, Peirópolis, em Uberaba (MG), ganhou destaque em 1967 com a descoberta de 3 ovos de dinossauro, segundo a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

A pele quase nunca vira fóssil, mas às vezes deixa a textura impressa na rocha. Segundo a Britannica, a maioria das marcas mostra uma superfície granulada, cheia de pequenos calombos, diferente das escamas da maior parte dos répteis atuais. Filamentos e penas aparecem em alguns dinossauros, e as cores originais não podem ser conhecidas.

Para o requisito 7: use “supostamente”, como o próprio requisito faz. As cores dos livros e dos filmes são escolhas de artistas.
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Quais são os dinossauros brasileiros mais conhecidos?

O Rio Grande do Sul guarda alguns dos dinossauros mais antigos do mundo. Em 2019, a revista Pesquisa FAPESP registrou que só Brasil e Argentina têm fósseis tão antigos aceitos por consenso como de dinossauros. O Staurikosaurus pricei, da região de Santa Maria, foi o primeiro dinossauro encontrado no Brasil a ser descrito pela ciência, em 1970: um carnívoro de cerca de 2,5 metros.

Mesmo ali, dinossauro é raridade: “Apenas 5% dos fósseis que encontramos na formação Santa Maria são de dinossauros”, disse à revista o paleontólogo Flávio Pretto, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em 2023, a região virou o Geoparque Mundial da UNESCO Quarta Colônia, com rochas que a ciência data de 233 a 225 milhões de anos.

Em Uberaba (MG), a duplicação da BR-050 revelou em 2004 centenas de fósseis do Uberabatitan ribeiroi, um titanossauro (saurópode gigante) descrito em 2008 por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Nacional do Comahue, na Argentina. A UFTM fala em mais de 26 metros de comprimento; a UNESCO, que reconheceu o Geoparque Uberaba em 2024, em 27 metros.

DinossauroOndePeríodoDestaque
Staurikosaurus priceiSanta Maria (RS)TriássicoDescrito em 1970; primeiro dinossauro do Brasil descrito pela ciência; carnívoro de cerca de 2,5 m
Saturnalia tupiniquimSanta Maria (RS)TriássicoDesenterrado em 1998 e descrito em 1999 por Max Langer e colegas; sauropodomorfo antigo
Buriolestes schultziSão João do Polêsine (RS)TriássicoDescrito em 2016; sauropodomorfo carnívoro, espécie exclusiva da Quarta Colônia
Gnathovorax cabreiraiSão João do Polêsine (RS)TriássicoHerrerassaurídeo de quase 3 m, descrito em 2019
Uberabatitan ribeiroiUberaba (MG)Cretáceo SuperiorTitanossauro achado em 2004 nas obras da BR-050 e descrito em 2008

Períodos segundo a datação científica. Fontes: Pesquisa FAPESP (2019); descrições originais de Colbert (1970), Langer e colegas (1999), Cabreira e colegas (2016), Pacheco e colegas (2019) e Salgado e Carvalho (2008); UNESCO e UFTM.

Qual museu de dinossauros no Brasil visitar com o clube?

Um dos destinos mais conhecidos é o Museu dos Dinossauros de Peirópolis, a cerca de 22 km de Uberaba (MG). Inaugurado em 1992 e ligado à UFTM desde 2010, tem réplicas de esqueletos, dioramas, fósseis originais e mediadores treinados.

No Rio Grande do Sul, o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa/UFSM), em São João do Polêsine, guarda o Gnathovorax e mantém desde 2016 uma mostra paleontológica permanente, com visitas guiadas, segundo a UFSM. No Ceará, o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (URCA), em Santana do Cariri, reúne pterossauros, dinossauros e peixes fósseis. No Rio, o Museu Nacional/UFRJ foi atingido pelo incêndio de 2018; em 6 de outubro de 2026, o site oficial do museu convidava para exposições temporárias gratuitas no Paço de São Cristóvão.

Confirme horários e agende antes de levar o clube: Peirópolis, o Cappa e o Museu Nacional atendem grupos com agendamento. Peça visita mediada e leve anotado o que o requisito 13 pede de cada fóssil.

Se encontrar um osso estranho numa trilha, fotografe, marque o local e avise um museu ou universidade. Pelo Decreto-Lei 4.146, de 1942, os depósitos fossilíferos são “propriedade da Nação”, e extrair fósseis depende de autorização prévia do órgão federal de mineração, hoje a Agência Nacional de Mineração (ANM); museus e instituições oficiais fazem uma comunicação prévia. A Constituição inclui os sítios de valor paleontológico no patrimônio cultural brasileiro (art. 216).

Atenção: fóssil achado no Brasil não pode ser vendido nem levado para casa. A Lei 8.176/1991 pune com detenção de um a cinco anos e multa quem explora matéria-prima da União sem autorização legal e quem a adquire, transporta ou comercializa. Em 2020, a Polícia Federal citou essa lei numa operação contra o tráfico de fósseis na Chapada do Araripe.

O que faz um paleontólogo e como conquistar a especialidade?

O paleontólogo começa no campo, procurando rochas com fósseis e escavando devagar. Ossos frágeis viajam numa jaqueta de gesso até o laboratório, onde preparadores retiram a rocha em volta do fóssil, explica o AMNH. Pegadas, ovos e coprólitos (excrementos fossilizados) também contam: são os icnofósseis, que registram a atividade do animal.

Há cientistas adventistas nessa área. O Geoscience Research Institute (GRI), criado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1958 para integrar ciência e fé, divulgou em dezembro de 2025 um estudo de Raúl Esperante e colegas, publicado na revista científica PLOS One, com mais de 16 mil pegadas, a maioria de terópodes de três dedos, em Carreras Pampa, no Parque Nacional Torotoro, na Bolívia, considerado o maior sítio de pegadas de dinossauros já registrado. O GRI diz pesquisar a partir de uma visão bíblica da criação.

No requisito 12, escolha um dinossauro brasileiro da tabela e escreva com as suas palavras, citando as fontes; no 13, use imagens de museus e anote o crédito de cada uma. Erros comuns:

  • Chamar pterossauro de dinossauro. O quadril separa os grupos.
  • Tratar ilustração como fato. Cor de pele é escolha de artista.
  • Copiar especialidade respondida. Material pronto pode ter erros.
  • Guardar fóssil achado na trilha. Avise um museu.

Quando estiver pronto, confira os requisitos completos da especialidade de Dinossauros no catálogo e combine a avaliação com o seu instrutor. Depois, a especialidade de Fósseis leva o estudo adiante.