A especialidade de Répteis mexe com uma mistura de fascínio e medo que todo conselheiro conhece. Basta um lagarto cruzar a trilha do acampamento para a Unidade inteira parar. A especialidade transforma esse susto em conhecimento, e o ponto mais valioso é aprender a reconhecer uma serpente perigosa sem chegar perto dela.

Os requisitos completos da especialidade de Répteis estão no catálogo, com o código EN-011. Aqui eles aparecem resumidos e sem gabarito. Os dados foram conferidos em 06/10/2026 nas fontes listadas no fim.

O que é a especialidade de Répteis dos Desbravadores?

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A especialidade de Répteis tem o código EN-011 e pertence à área de especialidades de Estudos da Natureza. Segundo o catálogo, foi criada em 1937 pela Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia e está no nível 1, o básico, sem especialidade anterior como pré-requisito.

Muita gente chega até ela pela classe de Companheiro, a classe dos 11 anos. Na lista de requisitos publicada pela Divisão Sul-Americana (DSA) em adventistas.org, o item 2 de Estudo da Natureza pede uma especialidade entre oito opções: Anfíbios, Aves, Aves domésticas, Pecuária, Répteis, Moluscos, Árvores e Arbustos.

Existe também a Répteis avançado (EN-057), de nível 3, criada em 2001, que exige esta como primeiro requisito.

Segurança antes de tudo: nenhum requisito pede que você pegue ou encurrale um réptil silvestre. Serpente se observa de longe, com o conselheiro por perto.

Quais são os requisitos da especialidade de Répteis?

O catálogo lista dez requisitos, resumidos na tabela sem respostas. A versão que vale para a sua avaliação é a que o seu instrutor usa.

Repare que o requisito 6 fala em “localização de presas”. Presa, nesse caso, significa o dente que injeta o veneno. A parte sobre serpentes peçonhentas explica o termo.

NºO que o requisito pedeTipo de tarefa
1Explicar as características que fazem de um animal um réptilEstudo
2Dizer o nome da substância que impermeabiliza a pele dos répteisEstudo
3Citar as principais ordens dos répteis, com 2 exemplos de cadaEstudo
4Identificar um cágado, uma tartaruga marinha e um jabuti, ao vivo ou em imagensIdentificação
5Nomear 15 répteis da sua região, com habitat, alimentação e importância econômicaPesquisa
6Citar 5 répteis venenosos da região, com a localização das presas e a distribuição geográficaPesquisa
7Dizer o que fazer em caso de picada de cobra peçonhentaSegurança
8Dizer o que fazer em caso de picada de cobra não peçonhentaSegurança
9Comparar lagartos, cobras, tartarugas e crocodilos ou manter um pequeno réptil em terrário por 3 meses, dentro da leiPrática
10Contar 2 histórias da Bíblia em que um réptil teve papel importanteEspiritual

Resumo dos requisitos da especialidade EN-011 no catálogo Desbravai. Confira o texto completo com o seu instrutor.

Quais são as características dos répteis?

Os répteis são vertebrados que respiram por pulmões e se reproduzem com fecundação interna, como explica o livro universitário Biologia, da OpenStax. A marca mais visível está na pele, seca e coberta de escamas que combinam queratina, uma proteína resistente, com lipídios cerosos; juntos, eles reduzem a perda de água pela pele.

Eles também são ectotérmicos: a principal fonte de calor do corpo vem do ambiente. Por isso é comum ver um lagarto parado sobre uma pedra ao sol, se aquecendo.

A terceira marca é o ovo amniótico, adaptado à terra e protegido por membranas. Segundo a OpenStax, esse ovo, que os répteis dividem com as aves e os mamíferos, é o que separa todos eles dos anfíbios. Se você também faz a especialidade de Anfíbios, estude as duas lado a lado.

O Brasil é um ótimo lugar para isso. A Lista de Répteis do Brasil, publicada em 2023 pela Sociedade Brasileira de Herpetologia, registra 856 espécies no país, a terceira maior fauna de répteis do mundo, e 404 delas (47,2%) só existem aqui.

Quais são as ordens dos répteis?

Os répteis vivos formam quatro grandes grupos. Três vivem no Brasil; o quarto reúne só a tuatara, que vive em ilhas da Nova Zelândia.

Para o requisito 3, prefira exemplos da sua região, que você consegue mostrar em foto. Os jacarés são um bom começo: segundo a Embrapa Pantanal, o país tem seis espécies, entre elas o jacaré-açu, o jacaré-do-pantanal e o jacaré-do-papo-amarelo.

Cuidado com a anfisbena, a cobra-de-duas-cabeças. Ela fica entre os escamados, mas em ramo separado das serpentes, vive enterrada, come cupins e formigas e não tem veneno, segundo texto divulgado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi. O apelido vem da cauda, muito parecida com a cabeça.

OrdemQuem faz parteEspécies no Brasil
Squamata (escamados)Lagartos, serpentes e anfisbenas811 (295 lagartos, 435 serpentes e 81 anfisbenas)
Testudines (quelônios)Tartarugas, cágados e jabutis39
Crocodylia (crocodilianos)Jacarés e crocodilos6, todas de jacarés
Rhynchocephalia ou SphenodontiaTuataraNenhuma; vive só na Nova Zelândia

Contagem brasileira: Lista de répteis do Brasil, atualização de 2022 (Sociedade Brasileira de Herpetologia, 2023). Grupos: OpenStax, Biologia, cap. 29.4.

Leia tambémEspecialidade de Anfíbios

Qual a diferença entre cágado, tartaruga marinha e jabuti?

Os três são quelônios, os répteis de casco, mas cada um vive num ambiente, e o corpo mostra isso. Muitos cágados ainda escondem a cabeça dobrando o pescoço para o lado.

No Brasil ocorrem cinco espécies de tartarugas marinhas (cabeçuda, de-pente, de-couro, verde e oliva), segundo a Fundação Projeto Tamar, que atua no litoral desde a década de 1980. Para o requisito 4, imagens valem: monte um painel com fotos dos três e marque as patas e o casco.

Nunca compre nem leve para casa um jabuti ou cágado de origem desconhecida: sem autorização, é crime ambiental.

CaracterísticaJabutiCágadoTartaruga marinha
Onde viveSó em terraÁgua doce, com parte da vida fora delaNo mar; a fêmea sobe à praia para desovar
PatasGrossas, as traseiras em forma de colunaDedos com membranasEm forma de remo
CascoAlto e pesadoMais achatadoMais leve e hidrodinâmico

Fonte: O Eco, Dicionário Ambiental (2014), com a ecóloga Camila Ferrara; Fundação Projeto Tamar.

Como identificar uma cobra peçonhenta?

Para o Ministério da Saúde, animal peçonhento produz toxina e consegue injetá-la ativamente, com dentes especializados ou ferrões; o venenoso produz toxina, mas não injeta.

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No Brasil, as serpentes peçonhentas de importância médica pertencem a duas famílias que somam 76 espécies, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de outubro de 2024. As 38 da família Viperidae têm a fosseta loreal, um par de orifícios entre a narina e o olho que percebe calor. As 38 da família Elapidae, as corais-verdadeiras, não têm. Num texto de 2025, o Instituto Butantan fala em 41 espécies de coral-verdadeira no país, dos gêneros Micrurus e Leptomicrurus, um número um pouco maior que o do boletim.

A posição das presas define quatro dentições: áglifa (sem presa de veneno), opistóglifa (no fundo da boca), proteróglifa (pequenas, na frente) e solenóglifa (grandes, ocas e móveis, na frente). Opistóglifas como a cobra-verde, do gênero Philodryas, injetam veneno com dificuldade, mas já causaram lesões parecidas com as de jararaca, segundo relato na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

A fosseta falha justamente com a coral-verdadeira, que é peçonhenta e não a tem. Segundo o Instituto Butantan, o veneno dela é altamente tóxico e atinge o sistema nervoso, e o país tem mais de 60 espécies de falsas-corais, algumas tão parecidas com as verdadeiras que separar uma da outra é quase impossível. Há falsas-corais com peçonha, mais fraca, e nenhuma delas deve ser tocada.

Em 2023, 34,47% das picadas de coral atingiram a mão, e o boletim do Ministério da Saúde aponta como possível explicação a manipulação de corais confundidas com falsas-corais. Felipe Gobbi Grazziotin, curador da coleção herpetológica do Butantan, observa algo parecido: quase sempre o acidente acontece porque alguém foi mexer no animal.

Quem chega perto o bastante para enxergar a fosseta já está perto demais. Identificar serve para estudar em fotos e manter distância no mato. Diante de qualquer serpente, o Butantan orienta a se afastar. Se ela aparecer na igreja, em casa ou no local do clube, chame o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil ou o Controle de Zoonoses.

GrupoFosseta lorealPresasOnde viveAcidentes em 2023
Jararacas (Bothrops e Bothrocophias)SimSolenóglifaTodos os biomas do Brasil66,91%
Cascavel (Crotalus durissus)SimSolenóglifaSobretudo Cerrado e Caatinga; tem chocalho na cauda8,16%
Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis)SimSolenóglifaMatas da Amazônia e da Mata Atlântica; maior serpente peçonhenta das Américas1,22%
Corais-verdadeiras (Micrurus e Leptomicrurus)NãoProteróglifaTodo o Brasil, com hábito de viver sob o solo1,17%

Fonte: Ministério da Saúde, Boletim Epidemiológico v. 55, n. 15 (2024), dados do Sinan de 2023 (32.595 acidentes por serpentes).

O que fazer se for picado por uma cobra peçonhenta ou não peçonhenta?

A orientação do Ministério da Saúde é curta: lavar o local da picada com água e sabão e levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo. Ligue para o SAMU 192 e mantenha a pessoa deitada e hidratada enquanto o socorro chega, como recomenda a Secretaria da Saúde do Paraná.

Nunca faça torniquete ou garrote, não fure, corte, queime, esprema nem chupe o local e não passe folhas, pó de café ou terra. O tratamento é o soro antiveneno, aplicado no hospital e oferecido de graça pelo SUS. O Instituto Butantan lembra que nenhum veneno de serpente mata na hora, então há tempo de chegar ao hospital, e quanto mais cedo vem o soro, menos sequelas ficam. O passo a passo com outros animais está no guia de primeiros socorros para picadas e animais peçonhentos.

Quando a cobra parece inofensiva, o caminho começa igual: lavar com água e sabão e procurar atendimento médico. No susto, ninguém garante a espécie, e serpentes consideradas não peçonhentas, como a cobra-verde, já causaram quadros parecidos com os de jararaca. Em 2023, o Sinan registrou 2.976 acidentes por outras serpentes e 4.373 com o tipo de serpente ignorado. Não tente capturar nem matar o animal: a prioridade é a pessoa.

Tempo conta: em 2023, a letalidade dos acidentes com serpentes foi de 0,29% com atendimento em até 1 hora e de 2,26% depois de 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Na trilha, use bota de cano alto ou perneira: os pés concentraram mais da metade das picadas de jararaca.

Como conquistar a especialidade de Répteis sem cair nos erros comuns?

O requisito 5 é o mais trabalhoso. Comece pela Lista de Répteis do Brasil, que traz as espécies por estado, e complete com fotos das saídas do clube. Na importância econômica, as serpentes ajudam a controlar roedores, segundo o Ministério da Saúde, e um peptídeo do veneno da jararaca, descoberto pelo farmacologista Sérgio Ferreira, foi fundamental para criar o captopril, remédio contra a pressão alta (Agência Fapesp). Se a lagartixa-de-parede entrar na lista, anote que é exótica, de origem africana, segundo pesquisadora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

No requisito 9, a comparação costuma ser a melhor escolha, porque se faz com livros e fotos. A OpenStax lembra, por exemplo, que serpentes não têm pálpebras nem orelha externa e que jacarés e crocodilos têm coração com quatro cavidades. Já o terrário pede atenção à lei: o artigo 29 da Lei 9.605/1998 pune com detenção de seis meses a um ano e multa quem tem em cativeiro animal silvestre sem autorização ou de criadouro não autorizado. Nunca leve para casa um réptil achado na natureza.

Para o requisito 10, procure as histórias com uma concordância ou com a busca de um aplicativo da Bíblia, usando palavras como serpente e víbora, e treine contar duas delas. Já na Criação, Gênesis 1:25 fala de “todos os répteis da terra, conforme a sua espécie” (ARA). O texto sobre o estudo da natureza como livro de Deus ajuda a ligar o conteúdo à fé.

Erros que mais atrasam a especialidade:

  • Achar que cobra sem fosseta é inofensiva. A coral-verdadeira derruba essa regra.
  • Colocar a anfisbena entre as serpentes. Ela pertence a outro ramo.
  • Chegar perto para a foto. Use zoom e distância.
  • Copiar uma lista pronta. Os 15 répteis precisam ser da sua região.

Quando estiver pronto, confira os requisitos completos da especialidade de Répteis no catálogo e combine a avaliação com o seu instrutor. Depois, a especialidade de Répteis avançado leva o estudo para a observação de répteis na natureza.