Chega a época de renovar a diretoria e surge a mesma dúvida em todo clube: quem decide quem vai ser o diretor? A resposta desmonta um mal-entendido comum. Não é o clube que se reúne e escolhe. Não é o diretor de saída que aponta o sucessor. E não é o pastor que decide sozinho.
Quem escolhe o diretor de Desbravadores é a Comissão de Nomeações da igreja, o mesmo órgão que, todo fim de ano eclesiástico, define os anciãos, o tesoureiro, os diretores de departamento e os demais oficiais. O clube é um ministério da igreja, e a liderança dele entra na mesma eleição de todos os outros cargos.
Este artigo explica esse processo por dentro: como a comissão é formada, como ela chega ao nome do diretor, quem pode ser eleito, qual o vínculo entre o clube e a comissão da igreja e onde entra o Ministério de Desbravadores do Campo. Se você quer entender a diretoria já formada, funções de secretário, tesoureiro, conselheiro, isso está em a comissão diretiva do clube; aqui o assunto é quem coloca essa diretoria no lugar. Dados apurados em 23/07/2026 nas fontes oficiais listadas no fim.
O que é a Comissão de Nomeações e por que ela escolhe o diretor?
A Comissão de Nomeações é o grupo que a igreja monta uma vez por ano para escolher todos os seus líderes do período seguinte: anciãos, diáconos, secretário, tesoureiro, diretores de departamento, e, entre eles, o diretor do Clube de Desbravadores. Ela não decide de improviso; é um órgão previsto no Manual da Igreja, com regras próprias de formação, quórum e funcionamento.
O ponto que gera confusão é este: o Clube de Desbravadores é um ministério da igreja local, não um clube independente. Ele existe porque a igreja votou fundá-lo, funciona sob o guarda-chuva dela e responde a ela. Por isso a liderança do clube entra na mesma eleição de qualquer outro departamento. O Manual Administrativo do Clube de Desbravadores (edição 2020, DSA) é direto: a indicação do diretor e dos diretores associados é feita, anualmente, pela Comissão de Nomeações da Igreja local que patrocina o clube.
Traduzindo o jargão: "patrocinar" aqui não é só dinheiro. Igreja patrocinadora é a congregação sob cuja responsabilidade o clube funciona, é a igreja que, como diz o próprio manual, patrocina institucionalmente o clube. Se um clube reúne famílias de mais de uma congregação, o entendimento entre as igrejas envolvidas orienta a escolha.
E há um vínculo com o nível regional que muita gente ignora: depois de eleito, o diretor precisa manter contato com o Ministério de Desbravadores da Associação ou Missão (o Campo), por meio do Regional ou Distrital. O Manual Administrativo determina que ele acompanhe os projetos e programas oficiais, trabalhe para cumprir as metas do Campo e envie os relatórios de atividades dentro dos prazos. Não é burocracia à toa, é o que mantém o diretor no radar do Regional, com acesso a treinamentos e aos sistemas oficiais.
Como a comissão chega ao nome do diretor: o passo a passo
O processo segue o rito do Manual da Igreja, e conhecê-lo tira o clube da posição de espectador ansioso.
1. A igreja monta a Comissão de Nomeações. No último trimestre do ano eclesiástico, o pastor ou um ancião apresenta o assunto à igreja, e a congregação escolhe primeiro uma pequena comissão organizadora, que por sua vez propõe os membros da Comissão de Nomeações. Todos precisam ser membros batizados e em plena comunhão. O pastor do distrito preside a comissão como membro ex-officio, ou seja, por causa do cargo, sem precisar ser eleito para isso.
2. A comissão levanta e avalia nomes. Ela discute, ora e propõe candidatos para cada função. Para o clube, procura alguém com o perfil certo: comprometido, com espírito dinâmico, que goste de trabalhar com a faixa etária dos juvenis. O pastor e o tesoureiro ajudam a conferir a elegibilidade de cada nome, se está em dia, se é membro regular, se não há impedimento.
3. O candidato é consultado. Ninguém é lançado num cargo sem saber. Antes de o nome ir ao plenário, ele é convidado e aceita, ou não.
4. A igreja vota o relatório. A Comissão de Nomeações recomenda; quem elege, de fato, é a assembleia da igreja, que aprova (ou devolve) o relatório em reunião administrativa. Só depois desse voto o diretor está eleito.
5. O diretor toma posse e monta a equipe. Aprovado pela igreja, o diretor assume, é apresentado à congregação e passa a atuar em contato com o Ministério de Desbravadores do Campo, via Regional ou Distrital. Repare que a montagem da equipe tem duas partes: os diretores associados também são eleitos pela Comissão de Nomeações, enquanto secretário, tesoureiro, capelão, conselheiros e instrutores são nomeados pela Comissão Executiva do próprio clube; a próxima seção separa as duas.
Quem pode ser diretor? A elegibilidade
Aqui a norma e a boa prática se somam. A Comissão de Nomeações não escolhe qualquer um, e vale saber o que ela procura antes de sonhar com o cargo, ou antes de sugerir um nome.
O que se espera de um candidato a diretor:
- Ser maior de idade. A liderança do clube é responsabilidade de adultos.
- Ser membro batizado e em plena comunhão com a Igreja Adventista do Sétimo Dia, vivendo de acordo com os princípios dela.
- Ser fiel nos dízimos e ofertas. É um dos critérios que o Manual da Igreja aplica aos oficiais em geral.
- Não ter impedimento moral ou legal. Qualquer histórico de violência, sobretudo de natureza sexual, desqualifica a pessoa de qualquer função no clube. Isso é inegociável, pela segurança dos menores.
- Ter, de preferência, a Classe de Liderança, ou estar cursando, e ter passado pelo curso de treinamento de oficiais de Desbravadores.
- Amar a faixa etária. Perfil dinâmico, gosto genuíno pelo trabalho com juvenis e adolescentes.
Uma distinção honesta, porque a norma varia em nível de exigência: a maioridade, o batismo, a plena comunhão e a ausência de impedimento são requisitos firmes. Já ter a Classe de Liderança pronta é um ideal fortemente recomendado, não uma trava absoluta, o Manual Administrativo trata a formação de liderança como algo que o diretor deve buscar, inclusive depois de assumir, quando a realidade do clube não oferece ninguém já formado. Onde há um líder formado disponível, ele é o caminho natural. Onde não há, a comissão escolhe o melhor perfil e investe na formação dele.
Se você quer se qualificar para o cargo, o caminho oficial passa pelas classes de liderança, Líder, Líder Máster e Líder Máster Avançado, que têm ordem e pré-requisitos próprios.
Leia tambémO papel da igreja e do pastor no clubePor que o diretor acaba sentado na comissão da igreja?
Este é o efeito que quase ninguém explica, e ele muda o peso do cargo. Por ter sido eleito pela Comissão de Nomeações, o diretor do clube torna-se, oficialmente, membro da comissão da igreja.
Não confunda os dois nomes parecidos. A Comissão de Nomeações é temporária: ela se reúne no fim do ano, escolhe os líderes e se dissolve. A comissão da igreja (também chamada de junta ou comissão administrativa) é permanente: reúne-se o ano todo para administrar a congregação. Como diretor de um departamento, o líder do clube ganha assento nessa comissão permanente.
Na prática, isso significa três coisas para o diretor:
- Ele tem voz onde as decisões acontecem. Calendário da igreja, uso do espaço, orçamento, apoio a projetos do clube, tudo isso passa pela comissão da igreja, e o diretor está lá para defender os interesses do clube.
- Ele tem um dever de prestar contas. O Manual Administrativo espera que o diretor represente o clube diante dos demais líderes, apresente propostas e projetos, coloque o clube à disposição dos outros departamentos e informe à igreja os resultados do trabalho.
- Ele deixa de ser um líder "paralelo". O clube não é um puxadinho da igreja; é parte dela. O assento na comissão é a prova institucional disso.
Por isso a escolha do diretor não é um detalhe interno do clube: é uma decisão que reorganiza, de leve, a própria liderança da igreja. Quem entra dirige o clube e ajuda a administrar a congregação.
A comissão elege só o diretor, ou a diretoria inteira?
Boa pergunta, e a resposta é: parte pela comissão, parte pelo diretor. Entender esse corte evita atrito na hora de montar a equipe.
A Comissão de Nomeações da igreja local elege, anualmente, as funções de liderança e confiança do clube: o diretor e os diretores associados, no mínimo dois, uma mulher responsável pela ala feminina e um homem pela ala masculina. Se o clube for grande e precisar de mais associados, é também a Comissão de Nomeações que os define.
Já os demais oficiais do clube, secretário, tesoureiro, capelão, conselheiros de unidade, instrutores, apoio, são nomeados pela Comissão Executiva do clube (o diretor, os associados, o secretário e o pastor distrital ou ancião), conforme as necessidades e habilidades de cada um. É trabalho de montagem de time, não de eleição no plenário da igreja. A regra de ouro dos conselheiros continua valendo: adultos, um por unidade, do mesmo gênero da unidade que acompanham.
| Função no clube | Como entra | Quem decide |
|---|---|---|
| Diretor | Eleito (anualmente) | Comissão de Nomeações + voto da igreja |
| Diretores associados (mín. 1 homem e 1 mulher) | Eleitos (anualmente) | Comissão de Nomeações + voto da igreja |
| Secretário e tesoureiro | Nomeados | Comissão Executiva do clube |
| Capelão, conselheiros, instrutores, apoio | Nomeados | Comissão Executiva do clube |
| Contato com o Campo (após a eleição) | Relatórios e acompanhamento | Ministério de Desbravadores via Regional/Distrital |
Um lembrete que economiza confusão: os clubes não usam mandato próprio. A liderança do clube segue o calendário de eleições da igreja. Quando a igreja renova oficiais, a diretoria do clube é renovada, ou reconduzida, junto.
De quanto em quanto tempo se elege? Mandato e recondução
Como o diretor entra na eleição geral da igreja, o mandato dele acompanha o dos demais oficiais. E aqui há uma faixa de decisão que pertence à igreja local.
A regra escrita: o Manual Administrativo do Clube de Desbravadores é específico, a indicação do diretor e dos diretores associados é feita anualmente pela Comissão de Nomeações da igreja local. A cada ano, o cargo passa de novo pela comissão; não existe cargo vitalício de diretor. (O Manual da Igreja permite que oficiais eleitos sirvam por um ou dois anos conforme a igreja decidir, mas, para a liderança do clube, o texto dos Desbravadores fixa a revisão anual.)
O que isso significa na prática: todo ano a liderança do clube é reavaliada junto com os demais oficiais da igreja. Não é uma troca automática, é uma revisão. Se o trabalho vai bem, o mais comum é a recondução; se algo não vai, é a hora de corrigir. Quem conduz essa revisão é a igreja, pela Comissão de Nomeações, não o clube.
Recondução: não há impedimento para reeleger um bom diretor. Se o trabalho vai bem e ele aceita continuar, a comissão simplesmente recomenda o mesmo nome, e a igreja vota de novo. A troca não é obrigatória, o que é obrigatório é passar pela avaliação a cada ciclo.
E se um diretor precisa sair no meio do ciclo, mudança de cidade, saúde, desistência? O Manual Administrativo é direto: cabe à Comissão da Igreja local definir o substituto. O clube não escolhe o próprio substituto por conta própria.
Por que o clube não escolhe o próprio diretor?
Poderia ser mais simples: o clube se reúne, vota, pronto. Não é assim de propósito, e a razão é boa.
Primeiro, por responsabilidade legal e espiritual. O clube cuida de crianças e adolescentes, filhos de famílias que confiam na igreja. Colocar essa liderança nas mãos de um órgão da igreja, que confere elegibilidade, histórico e comunhão de cada nome, é uma camada de proteção. A escolha passa por adultos responsáveis e pelo pastor, não por popularidade interna.
Segundo, porque o clube pertence à igreja. Como a página oficial de fundação de clubes coloca, a igreja precisa estar envolvida no processo para dar respaldo legítimo ao clube. Um clube que escolhesse a própria direção à parte da igreja seria, na prática, uma entidade solta, sem o respaldo, o espaço, o orçamento e a cobertura institucional que só a congregação oferece.
Terceiro, por unidade. Quando o diretor é eleito junto com os outros líderes e senta na comissão da igreja, o clube deixa de competir com os demais departamentos e passa a caminhar com eles. É a diferença entre um clube que "a igreja tolera" e um clube que a igreja abraça.
O princípio, no fim, é este: a liderança do clube é uma delegação da igreja, não uma conquista interna. Quem dirige recebe a missão das mãos da congregação, e presta contas a ela. Todo o resto do processo, dos requisitos ao contato com o Campo, existe para honrar essa delegação.