A Unidade está em forma, o Diretor dá o comando e a bandeira sobe até a metade do mastro. Para ali. A adriça enroscou, o nó escorregou ou a ponta fugiu pela roldana. Muitas vezes o problema começou antes da cerimônia, na escolha do nó para hastear bandeira. Este guia percorre o mastro de cima a baixo, com o motivo de cada nó, quando evitar e como conferir. O passo a passo em vídeo fica na página de cada nó no catálogo de nós e amarras.

Qual é o nó para hastear bandeira?

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A adriça é a corda que sobe e desce a bandeira; o Dicionário Priberam a define como o cabo para içar bandeiras e velas. Ela costuma passar por uma roldana no tope, o alto do mastro. Embaixo fica o cunho, a peça de dois chifres onde se dão voltas na adriça. A origem náutica desses nomes está no guia de nós de marinheiro.

Na bandeira, o nó clássico é o Nó de Escota. Uma ficha de atividade publicada pelos Escoteiros do Brasil afirma que a escota e o escota alceado servem para prender as bandeiras na adriça, no hasteamento e no arriamento. O Manual de Especialidades de Desbravadores, compilação de Gerson Boiko dos Santos guardada no acervo Arquivos Adventistas (não é documento oficial da DSA), descreve a escota como o nó para unir cordas de diâmetros diferentes, e a adriça nem sempre tem a grossura do cordão da bandeira. A ficha ensina a regra que evita o erro mais comum: a alça se forma com a corda mais grossa, e a mais fina dá a volta em torno dela.

O ponto fraco aparece com a bandeira parada: o catálogo do portal avisa que a escota pode afrouxar sem tensão constante e indica, nesses casos, o nó de escota duplo, com uma volta a mais em torno da alça. O site Animated Knots, referência em animações de nós, pede pontas bem mais longas quando a carga importa.

Escota alceado: segundo a ficha escoteira, a versão com alça tem as mesmas propriedades e se desfaz mais depressa, boa para a bandeira que sobe e desce todo dia.

Como amarrar bandeira no mastro com roldana?

A bandeira de mastro costuma ter dois ilhoses no lado do mastro, um em cima e outro embaixo. Com roldana, a adriça muitas vezes forma um laço que sobe por um lado e desce pelo outro, e a bandeira fecha esse laço. A ponta de cima vai no ilhós de cima, a de baixo no ilhós de baixo, cada uma com a sua escota. Num mastro de 5 metros, a adriça precisa de pouco mais de 10 metros, porque sobe e desce.

Quando a bandeira traz argola ou mosquetão, entra a Volta de Adriça, que o catálogo descreve como compacta e feita para não enroscar na roldana. O preço, segundo o Animated Knots: não se faz nem se desfaz sob carga e, depois de muito apertada, custa a soltar. Monte-a antes da cerimônia.

A ponta solta da adriça recebe o Nó em Oito, o nó de parada que não passa pela roldana. Segundo o Animated Knots, ele vence o nó simples porque, mesmo depois de bater com força na roldana, não trava e desata fácil. O mesmo site avisa que o oito pode se desfazer sozinho: confira-o antes de cada cerimônia.

O site norte-americano Scout Pioneering, especializado em pioneiria escoteira, alerta: sem a bandeira, o laço da adriça fica aberto, e uma ponta que sobe além do alcance do braço quase não se recupera sem baixar o mastro. Ao tirar a bandeira, una as pontas.

Como prender a adriça no cunho e hastear a bandeira a meio-mastro?

No cunho, a Volta em Cunho na Adriça segura firme e solta em segundos no arriamento: a adriça contorna uma vez a base do cunho, cruza em oito sobre os chifres e termina com uma meia-volta travada. Voltas e travas demais podem prender a adriça sob tensão, avisa o catálogo, e o arriamento vira briga com a corda. O Animated Knots registra que, sob carga extrema, a tensão chega à trava final; por isso, em barcos grandes, o site manda trocar a trava por cruzes extras. Na bandeira, duas ou três cruzes e uma única trava bastam.

O cunho também resolve a dúvida de como hastear a bandeira a meio-mastro. Pelo artigo 17 da Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971, a Bandeira Nacional em funeral fica a meio-mastro ou a meia-adriça e, nesse caso, deve ser levada inicialmente até o tope no hasteamento e no arriamento. Na prática, ela sobe até o alto, desce até o meio e só então a adriça é travada; no arriamento, volta ao tope antes de descer. O artigo 18 lista quando ela é hasteada em funeral, como no luto oficial decretado pelo Presidente da República, em todo o País.

Quando em funeral, a Bandeira fica a meio-mastro ou a meia-adriça.Lei nº 5.700/1971, art. 17

Qual nó usar quando o mastro não tem roldana nem cunho?

Sem roldana, a bandeira vai amarrada direto na vara pelos cordões dos cantos, e a Volta do Fiel pelo Chicote é a escolha rápida. O Animated Knots é taxativo: ela não deve ser usada sozinha, porque pode escorregar sob carga. Arremate cada uma com um cote.

Com uma argola na base no lugar do cunho, a adriça pode ser presa com Dois Cotes, dados sempre no mesmo sentido. O Animated Knots aponta como mais segura a Volta Redonda com Cotes, cuja volta redonda segura a carga enquanto a outra mão faz os cotes.

A Volta do Salteador solta num único puxão, útil para recolher a bandeira quando a chuva chega. O catálogo avisa que ela pode afrouxar sozinha sob carga oscilante, como a de uma bandeira ao vento: só com alguém de olho e nunca na cerimônia da Bandeira Nacional. Entre os nós de soltura rápida, o Animated Knots considera o Nó Tumble mais confiável.

Muita gente procura o "nó catau de bandeira", nome que não aparece nas fontes técnicas consultadas. O Catau encurta a corda sem cortá-la, e o Manual de Especialidades o lista para encurtar cordas e poupar trechos danificados. Na adriça, porém, só se mantém com tensão constante, e a adriça fica frouxa toda vez que a bandeira desce. O Animated Knots recomenda evitá-lo, lembra que ele não passa por roldana e cita Clifford Ashley, autor de The Ashley Book of Knots, obra de referência sobre nós: o catau deve ser travado, salvo em uso muito breve. O site prefere encurtar uma das pontas e prendê-la de novo. Se precisar do catau, prenda cada ponta com um cote, como orienta o catálogo.

Leia tambémComo construir um pórtico de acampamento

Como fazer um mastro para hastear bandeira no acampamento?

O mastro de acampamento costuma ser de bambu ou de varas emendadas com a Amarra Paralela: as varas se sobrepõem e recebem duas amarras apertadas, uma de cada lado da sobreposição, perto da ponta de cada vara, como descreve o Scout Pioneering. Para mais rigidez, o site sobrepõe um quarto do comprimento, com a vara mais grossa embaixo. Para o bambu que escorrega, veja como amarrar bambu com corda.

Roldana, adriça e estais, as cordas que seguram o mastro em pé, são montados com ele deitado. O Scout Pioneering usa três estais, presos a cerca de três quartos da altura, com as estacas em triângulo de lados iguais, idealmente a uma distância da base de pelo menos o dobro da altura do estai (estai a 3 metros, estaca a 6 metros ou mais); segundo o site, distâncias bem menores muitas vezes bastam.

No mastro, cada estai leva um Nó Rolante, que não deixa o estai escorregar para baixo. O Animated Knots alerta que a tração precisa seguir a linha do mastro e que ele não segura em cordas muito lisas, como as de polipropileno. Na estaca, o Nó do Caminhoneiro estica o estai como uma talha feita na própria corda (veja nó para esticar corda). Num tronco, a Volta da Ribeira prende rápido, mas Ashley observa que ela quase se desmancha quando a tração cessa. Num estai que folga com o vento, prefira a Volta Redonda com Cotes, um dos nós que o Scout Pioneering indica para os estais, e confira tudo depois de cada rajada.

O artigo 21 da Lei nº 5.700/1971 manda que, nas repartições públicas e organizações militares, quando a bandeira é hasteada em mastro colocado no solo, a largura dela fique entre um sétimo e um quinto da altura do mastro. O clube pode usar a conta como referência: bandeira grande demais pega vento como vela e força os estais.

Bandeira (Lei 5.700)Largura × comprimentoMastro pelo art. 21
Tipo 1 (um pano)0,45 m × 0,64 m2,25 m a 3,15 m
Tipo 2 (dois panos)0,90 m × 1,29 m4,50 m a 6,30 m

Cálculo próprio pelos arts. 4º (panos de 45 cm), 5º (14 módulos de largura para 20 de comprimento) e 21 da Lei nº 5.700/1971; a regra do art. 21 vale para repartições públicas e organizações militares.

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Como levantar o mastro com segurança?

Mastro alto se levanta em equipe, com um adulto no comando, o Conselheiro ou um instrutor treinado em pioneiria. No mastro de quase 10 metros do Scout Pioneering, cada estai fica com uma pessoa alinhada à sua estaca, outras erguem a vara caminhando, uma guia o pé até um buraco raso, de uns 10 centímetros, e alguém dá o sinal de partida. Em pé, ele é aprumado pelos estais.

Ninguém fica na linha em que o mastro cairia, e ninguém sobe nele para soltar adriça presa: o mastro desce com a mesma equipe e sobe de novo. Varas emendadas não foram feitas para aguentar alguém pendurado; o guia da torre de pioneiria mostra quanto cuidado a altura exige.

Um mastro que tomba alcança no chão a distância da própria altura: monte o seu longe da rede elétrica, a uma distância bem maior que a altura dele. Com trovoada, arrie a bandeira e afaste a turma: o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) recomenda distância de objetos altos e isolados, como árvores, postes e antenas.

Atenção: em Campori, as regras de mastro e estruturas são da organização do evento. Confira o manual da sua Associação, Missão ou União antes de planejar.

Tabela: qual nó usar em cada ponto do mastro

Os 14 nós deste guia e a dificuldade de cada um no catálogo do portal.

NóPara que serve aquiDificuldade
Nó de EscotaBandeira presa à adriçaFácil
Volta de AdriçaAdriça na argola ou no mosquetãoMédia
Nó em OitoParada na ponta soltaFácil
Volta em Cunho na AdriçaAdriça travada no cunhoFácil
Dois CotesAdriça numa argola, sem cunhoFácil
Volta Redonda com CotesMesma função, mais seguraFácil
Volta do Fiel pelo ChicoteBandeira direto na vara, com coteFácil
Volta do SalteadorRecolher às pressas, com vigiaMédia
Nó TumbleSoltura rápida mais confiávelMédia
CatauEncurtar a adriça por pouco tempoMédia
Amarra ParalelaEmendar as varas do mastroMédia
Nó RolanteEstai preso ao mastroFácil
Nó do CaminhoneiroEstai esticado na estacaMédia
Volta da RibeiraEstai preso a um troncoFácil

Dificuldade do catálogo do portal; usos conferidos no Animated Knots, no Scout Pioneering e nos Escoteiros do Brasil (outubro de 2026).

O que a equipe de hasteamento confere antes da cerimônia?

A especialidade de Ordem Unida avançado pede, no requisito 9, participar de uma cerimônia de hasteamento e arriamento da Bandeira Nacional com a ajuda de uma Unidade. Postura e posição de honra estão no guia de etiqueta da bandeira; a corda se confere antes da formatura.

Adriça livre. Puxe os dois lados e veja a corda correr sem prender na roldana.

Lado certo. Antes de prender os nós, confira que a Bandeira Nacional vai subir com a legenda Ordem e Progresso na posição de leitura, nunca de cabeça para baixo.

Nó conferido por outra pessoa. Escota com sobra longa, oito na ponta solta, uma única trava no cunho.

Corda em bom estado. A adriça passa dias ao sol, e a compilação Manual de Especialidades registra que o náilon se degrada em contato com o sol. Corda desbotada ou com fios rompidos sai de uso (veja como cuidar de uma corda).

Funções combinadas. Um desbravador puxa a adriça, outro segura o pano longe do chão e um terceiro cuida do cunho. Faça um ensaio completo com a bandeira que será usada.

Dica para o Conselheiro: treine os nós com um pano de dois ilhoses e um cabo de vassoura apoiado entre duas cadeiras. A Unidade erra no ensaio, sem plateia.