A União Australiana da Igreja Adventista do Sétimo Dia (AUC) reuniu sete décadas de memórias em uma única transmissão. Em um programa ao vivo de 90 minutos, a organização celebrou os 70 anos do Ministério de Desbravadores no país com um resgate histórico do movimento — das primeiras fotos em preto e branco aos emblemas e bandeiras que passaram por gerações de clubes.
Mais de 400 pessoas acompanharam a transmissão online, segundo a Adventist Record, revista oficial da Igreja Adventista no Pacífico Sul. O evento integrou a programação mundial dos 70 anos dos Desbravadores, marcada no dia 19 de setembro de 2020, e reuniu material enviado por desbravadores, diretores e entusiastas de toda a Austrália.
Uma transmissão de 90 minutos para rever sete décadas
Segundo a Adventist Record, a União Australiana marcou a data com um programa comemorativo transmitido ao vivo pela internet. O resultado foi uma apresentação de 90 minutos que funcionou como uma viagem no tempo pela história do movimento na Austrália.
Mais de 400 pessoas acompanharam a transmissão pela internet, informou a publicação. O número mostra o alcance de um formato online, capaz de reunir famílias inteiras em suas casas em torno da mesma celebração.
Segundo a Adventist Record, a transmissão de 90 minutos foi apresentada pelo diretor de jovens da União Australiana, o pastor Jeff Parker, e pela diretora associada de jovens da Associação Vitoriana, Rosemary Andrykanus. Diretores de jovens de várias associações do país participaram com mensagens em vídeo. A produção reuniu depoimentos, imagens de arquivo e itens históricos em uma mesma narrativa: mostrar de onde veio o movimento antes de olhar para a frente.
Mais de mil fotos e um acervo de emblemas, bandeiras e selos
O coração do programa foi o acervo. Segundo a Adventist Record, a transmissão exibiu mais de mil fotografias enviadas por desbravadores, diretores e entusiastas espalhados pela Austrália. Eram registros de acampamentos, investiduras, desfiles e atividades de campo acumulados ao longo de décadas.
Às fotos somaram-se objetos que contam a história material do movimento. A publicação relata que o programa apresentou pôsteres comemorativos, bandeiras, faixas, emblemas, prêmios e selos de diferentes épocas — o tipo de item que costuma envelhecer guardado em caixas de diretores e que raramente reaparece diante de um público amplo.
Para o desbravador brasileiro, a cena é reconhecível. Bandeiras de unidade, faixas de especialidades, distintivos de classe e lenços são parte do mesmo repertório visual que atravessa o movimento no mundo inteiro. A escolha da União Australiana de transformar esse acervo no fio condutor da celebração mostra como a identidade dos Desbravadores se apoia, em boa medida, nesses símbolos.
Wahroonga, 1952: o clube mais antigo da Austrália
Entre os marcos apresentados, dois se destacam pela precisão histórica. O primeiro é o Wahroonga Pathfinder Club, apontado pela Adventist Record como o clube de Desbravadores mais antigo da Austrália, estabelecido em 1952. Wahroonga, um subúrbio de Sydney com forte presença adventista, abriga instituições históricas da igreja na região.
O segundo marco é o primeiro campori australiano, realizado no estado de Vitória, em 1959, também segundo a publicação. O campori — grande acampamento que reúne vários clubes para atividades, competições e cerimônias — é até hoje um dos eventos mais aguardados do calendário desbravador em qualquer país.
As duas datas ajudam a situar o ritmo de expansão do movimento no país: um primeiro clube no começo dos anos 1950 e, menos de uma década depois, um encontro capaz de reunir clubes de uma região inteira. É o mesmo arco de crescimento que, em outras partes do mundo, transformou pequenos grupos locais em uma organização com milhões de participantes.
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A celebração australiana não foi um evento isolado. A Adventist Record registra que o programa integrou os festejos mundiais dos 70 anos dos Desbravadores, marcados para 19 de setembro de 2020. Naquele sábado, clubes de diferentes países realizaram cerimônias, cultos e atividades comemorativas em torno da mesma efeméride.
A referência dos 70 anos remete à organização formal do Clube de Desbravadores como movimento estruturado da Igreja Adventista, em 1950. Foi a partir daquela década que o programa ganhou nome, uniforme, sistema de classes e a estrutura de unidades que se espalhou pelo mundo. Contar 70 anos a partir de 1950 chega, portanto, a 2020.
Para o leitor no Brasil, isso significa que a transmissão australiana e as celebrações que ocorreram por aqui pertencem ao mesmo calendário global. A Divisão Sul-Americana — que abrange o Brasil e outros sete países — também marcou os 70 anos naquele ciclo, com o movimento reunindo, na região, uma das maiores concentrações de desbravadores do planeta.
Onde fica a Divisão Sul-Pacífico no mapa adventista
A Austrália pertence à Divisão Sul-Pacífico, uma das treze divisões administrativas da Igreja Adventista mundial. Cada divisão é uma região da Associação Geral, o órgão máximo da igreja, e reúne uniões e associações de vários países. A Divisão Sul-Pacífico abrange, além da Austrália, a Nova Zelândia e nações das ilhas do Pacífico.
Dentro dessa estrutura, a União Australiana (AUC) coordena o trabalho no país e responde pela organização de ministérios como o dos Desbravadores. É o mesmo modelo de administração que, no Brasil, coloca os clubes sob associações e missões, que por sua vez respondem à Divisão Sul-Americana.
Compreender essa arquitetura ajuda a entender por que um aniversário celebrado na Austrália ecoa no Brasil: os Desbravadores não são um programa nacional, e sim um ministério mundial com um mesmo conjunto de classes, especialidades e ideais. Muda o idioma e a paisagem; permanecem o lenço, o voto e a lei.
"Que a chama continue acesa"
O encerramento coube a uma reflexão sobre o significado dessas sete décadas. Segundo a Adventist Record, o pastor Nick Kross, da Divisão Sul-Pacífico, resumiu o sentido da comemoração ao lembrar das pessoas que sustentaram o movimento ao longo do tempo.
"Nos últimos 70 anos, líderes dedicados, mães e pais têm se reunido sob a bandeira dos Desbravadores", afirmou Kross, conforme citado pela publicação. Ele destacou o papel dos líderes em abrir a Bíblia e compartilhar suas histórias com os jovens e, ao fechar a mensagem, fez um apelo: "Ao celebrarmos este marco de 70 anos, mantenhamos essa chama acesa."
A frase resume o tom do programa australiano — menos um olhar nostálgico e mais um convite a continuar. Para o desbravador brasileiro que folheia o próprio cartão de classe ou costura uma nova especialidade no uniforme, a celebração do outro lado do mundo é um lembrete simples: a história que ele ajuda a escrever hoje é a mesma que, daqui a décadas, alguém vai projetar em uma tela para comemorar.