Mais de 7 mil pessoas se reuniram entre os dias 20 e 23 de novembro de 2025 no Parque de Eventos de Gravataí, no Rio Grande do Sul, para o Campori Herdeiros. Segundo a Notícias Adventistas, portal oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o encontro reuniu 208 clubes de Desbravadores gaúchos, organizados em dez frentes simultâneas, e teve um motivo a mais para acontecer: marcar os 50 anos do primeiro campori realizado no Brasil.

Aquele primeiro encontro aconteceu em 1975, em Santo Antônio da Patrulha, também no Rio Grande do Sul, e reuniu 450 desbravadores de 14 clubes. Meio século depois, um de seus organizadores, o pastor Jason McCracken, hoje com 71 anos, voltou ao estado para participar da celebração — desta vez diante de um movimento que, de acordo com as fontes oficiais, cresceu para mais de 243 mil jovens em oito países.

O que foi o Campori Herdeiros

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De acordo com a Notícias Adventistas, o Campori Herdeiros foi realizado de 20 a 23 de novembro de 2025, no Parque de Eventos de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. O encontro reuniu mais de 7 mil participantes — desbravadores, líderes e voluntários — vindos de diferentes cidades do Rio Grande do Sul.

Ao todo, informou o portal oficial, 208 clubes gaúchos estiveram no local, distribuídos em dez frentes de atividades simultâneas. A programação incluiu atividades ao ar livre, competições, apresentações musicais, palestras e ações de solidariedade, segundo a cobertura da imprensa adventista e de veículos locais como o Jornal O Sul.

Um campori é o grande acampamento que reúne vários clubes de Desbravadores ao mesmo tempo — uma espécie de encontro-máximo do movimento, com dias de vida em barracas, provas, cerimônias e programação espiritual. É nesse formato que os clubes de uma região, de um estado ou de um país inteiro se encontram, e foi exatamente esse tipo de evento que completou meio século de história no Brasil.

1975: o primeiro campori do Brasil

O motivo da celebração está em 1975. Segundo a Notícias Adventistas, o primeiro campori realizado no Brasil aconteceu de 14 a 16 de novembro de 1975, em Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul. Reuniu 450 desbravadores distribuídos em 14 clubes.

De acordo com a Revista Adventista, foi nesse período que os grandes acampamentos de clubes no país passaram oficialmente a receber o nome de "campori", inspirado no modelo norte-americano. Alguns clubes percorreram longas distâncias para chegar: a mesma publicação relata que uma das agremiações veio de Uruguaiana, na fronteira oeste, atravessando mais de 700 quilômetros até o local do encontro.

A organização daquele primeiro campori coube ao pastor José Maria Barbosa Silva e ao então jovem missionário norte-americano Jason McCracken, que apoiava a iniciativa. Cinquenta anos depois, esse mesmo nome voltaria a aparecer no Rio Grande do Sul — agora como convidado de honra.

O retorno de Jason McCracken

O ponto simbólico do Campori Herdeiros foi o retorno de Jason McCracken, hoje com 71 anos, que voltou ao Rio Grande do Sul cinco décadas depois de ajudar a coordenar o campori de 1975. Segundo a Notícias Adventistas, ele participou do encontro de 2025 como um dos preletores, compartilhando memórias daquele começo.

Segundo relato publicado pela Revista Adventista, McCracken descreveu como um privilégio ter organizado, ao lado do pastor José Maria Barbosa, o primeiro campori do país, e afirmou ter sido extraordinário voltar meio século depois e ver a força que o ministério alcançou. Ele destacou ainda que a Divisão Sul-Americana abriga hoje, segundo suas palavras, o maior exército de Desbravadores do mundo.

O reencontro deu ao evento o tom que seu nome já anunciava: "Herdeiros". A ideia central, segundo a organização, era a de que os desbravadores de hoje são os herdeiros de uma missão iniciada por gerações anteriores — e McCracken, presente no palco, era a ponte viva entre 1975 e 2025.

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De 450 a mais de 243 mil

O contraste de números resume o que mudou em cinquenta anos. Em 1975, segundo as fontes oficiais, o programa reunia 450 membros em 14 clubes no Rio Grande do Sul. Em 2025, informou a Notícias Adventistas, o movimento dos Desbravadores já abrange mais de 243 mil crianças, adolescentes e jovens em oito países da América do Sul.

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O Clube de Desbravadores é um movimento mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, voltado à formação e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, em geral a partir dos 10 anos. As atividades unem vida ao ar livre, especialidades, ordem unida, estudo bíblico e serviço comunitário — e a coordenação regional na América do Sul cabe à Divisão Sul-Americana, ou DSA, braço administrativo da igreja que reúne os oito países mencionados.

Foi essa dimensão continental que McCracken disse não ter imaginado em 1975. O que começou como um acampamento de poucas centenas de jovens em uma cidade gaúcha tornou-se, segundo a igreja, um dos maiores movimentos juvenis do território adventista mundial.

Estrutura de cidade e ação solidária

Reunir milhares de pessoas por quatro dias exigiu uma operação do porte de uma pequena cidade temporária. De acordo com a Notícias Adventistas e o Jornal O Sul, a estrutura montada em Gravataí incluiu reservatórios de água, cerca de 200 chuveiros quentes e 200 banheiros químicos, além de posto médico, ambulâncias e equipes de segurança para o atendimento dos participantes.

O campori também teve um componente de solidariedade. Segundo os veículos que cobriram o evento, a ADRA — a agência humanitária adventista — coordenou ações voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade em Gravataí, com desbravadores envolvidos no preparo de kits de alimentos para doação.

Esse tipo de iniciativa é parte da identidade dos camporis: além das provas e da programação espiritual, os grandes encontros costumam incluir projetos de impacto na comunidade que os recebe, deixando um saldo social na cidade-sede.

Por que este campori importa

Para além dos números, o Campori Herdeiros funcionou como um marco de memória. Ao colocar no mesmo espaço o fundador do primeiro encontro e milhares de jovens que ainda nem eram nascidos em 1975, o evento tornou concreta a ideia de continuidade que dá nome ao movimento.

Camporis regionais como o de Gravataí acontecem periodicamente e servem de preparação e mobilização para os grandes encontros nacionais e de divisão. Para as famílias e os clubes, são também um dos momentos mais aguardados do calendário — meses de treino em ordem unida, especialidades e acampamento que desembocam em poucos dias de encontro.

A efeméride dos 50 anos, nesse sentido, ofereceu uma oportunidade rara: ouvir de quem esteve no início o que aquele acampamento de 1975 representou, e medir, em pessoas e países, o caminho percorrido desde então. Como resumiu a própria organização, os desbravadores de hoje são os herdeiros dessa história.