Mais de 60 pessoas foram batizadas na Igreja Adventista em Kiribati, um arquipélago do Pacífico Central, em julho de 2021. Entre elas havia alunos da Kauma Adventist High School, escola adventista do país. A informação foi divulgada pelo Adventist Record, publicação da Igreja Adventista na região do Pacífico Sul.

Segundo o veículo, o resultado não veio de uma única semana de pregação, mas de um trabalho de longo prazo que combinou três frentes: o evangelismo de amizade conduzido pelos próprios membros, o acompanhamento de ouvintes da Rádio Esperança (Hope Radio) e a retomada de estudos bíblicos com interessados de campanhas anteriores. Os batismos foram divulgados como parte da visão de colheita da Missão da União Trans-Pacífico.

O que aconteceu na lagoa azul

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De acordo com o Adventist Record, mais de 60 pessoas desceram às águas do batismo em Kiribati em julho de 2021. Parte das cerimônias aconteceu nas lagoas de águas claras que cercam os atóis do país — a imagem que dá título à reportagem original, "um sinal de vida eterna na lagoa azul".

Entre os batizados estavam alunos da Kauma Adventist High School, escola mantida pela Igreja no arquipélago. A notícia não detalha quantos foram estudantes, mas registra que a escola foi um dos pontos onde o trabalho deu fruto — um dado que interessa de perto a quem acompanha o Ministério de Desbravadores, acostumado a ver adolescentes darem os primeiros passos na fé dentro de instituições adventistas.

O número, para o tamanho do país, não é pequeno. Kiribati tem população estimada em pouco mais de 120 mil habitantes espalhados por dezenas de ilhas, e a presença adventista ali cresce em ritmo de missão de fronteira, com poucos obreiros para muitas comunidades.

A estratégia: amizade que abre a porta

O eixo do trabalho foi o evangelismo de amizade — a prática de construir relações de confiança antes de qualquer convite formal. Em vez de começar por uma série de conferências, os membros investiram tempo em conhecer vizinhos, ouvir suas histórias e acompanhar seu dia a dia, deixando que o interesse pela mensagem surgisse dessa convivência.

Segundo o Adventist Record, o presidente da Missão de Kiribati, pastor Taabua Rokeatau, descreveu a abordagem como o casamento do evangelismo de amizade com uma iniciativa ligada ao ciclo agrícola das comunidades, sustentada pelo compromisso dos membros da igreja e por programas integrados de missão. A ideia é simples e antiga: presença constante e serviço concreto abrem portas que o discurso sozinho não abre.

Para o leitor desbravador, é um método familiar. O clube funciona, no fundo, com a mesma lógica: relação primeiro, mensagem depois. Amizade, exemplo e serviço são o terreno em que a fé é semeada — dentro da unidade, na reunião de sábado à tarde ou no acampamento.

O papel da Rádio Esperança

A segunda frente foi a Rádio Esperança de Kiribati (Hope Radio), emissora adventista que se tornou um dos principais canais de contato da Igreja com a população das ilhas. Muitos dos que chegaram ao batismo eram ouvintes da programação, acompanhados depois, um a um, por membros e obreiros.

A rádio é uma iniciativa da Missão da União Trans-Pacífico, com sede em Suva, nas Ilhas Fiji, e vinha ganhando alcance no país. Ainda em 2021, mais de 300 pessoas participaram das comemorações do terceiro aniversário da emissora, que se firmava como plataforma de evangelismo além de informar e entreter, segundo o Adventist News Network.

Em um território de ilhas dispersas, onde a distância física é o maior obstáculo da missão, o rádio faz o que nenhum obreiro isolado conseguiria: chega a lares que ninguém alcançaria a pé ou de barco. O batismo, nesse arranjo, é o ponto de encontro entre a voz que atravessa o mar e a mão do membro que acompanha de perto.

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Poucos pastores, muitas ilhas

Os batismos não se limitaram à ilha principal. Segundo o Adventist Record, cerimônias também aconteceram em ilhas exteriores, conduzidas por dois pastores sênior — uma solução direta para um problema real: o número reduzido de pastores ordenados em Kiribati.

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Um deles, o pastor Taraitoi Uriam, resumiu a surpresa de encontrar mais trabalho do que esperava. "Pensei que tinha vindo apenas para conduzir o batismo, sem saber que há pessoas aqui que também precisam de estudos bíblicos", afirmou, conforme a reportagem.

O próprio pastor Taabua Rokeatau reforçou que a colheita está longe de terminar. De acordo com o Adventist Record, ele apontou que há muitos interessados ainda precisando de estudos bíblicos depois de ouvir a Rádio Esperança — sinal de que a demanda por acompanhamento cresce mais rápido do que o número de obreiros disponíveis.

Onde fica Kiribati e o que é a Trans-Pacífico

Kiribati é uma nação insular do Pacífico Central, formada por 33 atóis e ilhas de recife espalhados por uma enorme área de oceano, sobre a linha do Equador. É um dos países mais remotos e menos populosos do mundo, com comunidades separadas por centenas de quilômetros de mar aberto — o que torna cada deslocamento de obreiro uma pequena expedição.

Na estrutura da Igreja Adventista, o país é atendido pela Missão de Kiribati, ligada à Missão da União Trans-Pacífico, com sede em Suva, nas Ilhas Fiji. Uma "união" é a instância administrativa que reúne várias missões e associações de uma região; a Trans-Pacífico cobre um conjunto de nações insulares do Pacífico e responde, por sua vez, à Divisão Sul do Pacífico.

Foi nessa moldura que os batismos foram divulgados: segundo o Adventist Record, aconteceram em linha com a visão de colheita da Missão da União Trans-Pacífico, o esforço que reúne os campos da união em torno de metas de crescimento. Os batismos de Kiribati foram apresentados como parte desse movimento maior, e não como um episódio isolado.

Por que isso fala ao desbravador

À primeira vista, um batismo em ilhas do Pacífico parece distante da rotina de um clube no Brasil ou em qualquer parte da Divisão Sul-Americana. Mas a lógica é a mesma que sustenta o Ministério de Desbravadores em todo lugar: alcançar pessoas — em especial os jovens — pela amizade, pelo exemplo e pelo serviço constante.

A presença de alunos da Kauma Adventist High School entre os batizados lembra que a escola e o clube caminham juntos nesse propósito. E a história dos dois pastores que percorreram ilhas exteriores ecoa algo que todo diretor conhece: quase sempre há mais campo do que gente para trabalhá-lo, e é o envolvimento dos membros — não só dos obreiros — que faz a diferença.

Kiribati mostra, em pequena escala e num cenário extremo, o que o desbravador ouve desde a primeira classe: a missão não espera estrutura perfeita. Ela avança com o que há — uma rádio, uma amizade e a disposição de atravessar o mar.