A Juventude Adventista de Portugal reuniu milhares de jovens de todo o país no III Camporee Nacional, realizado de 28 a 31 de março de 2024, no Parque Municipal de Campismo da Praia de Mira. Segundo a organização, divulgada no site oficial do evento, o encontro esperava reunir cerca de 2.500 a 3.000 participantes de todas as idades da Juventude Adventista.

Foi o terceiro Camporee Nacional da história da Juventude Adventista em Portugal, um marco para um movimento que, no país, é numericamente pequeno frente aos grandes campóris da América do Sul. O acampamento teve como lema "O Amor de Cristo nos constrange" e como convidado espiritual o Pr. Andrés Peralta, líder mundial dos Desbravadores na Conferência Geral, na sua primeira visita ao país.

Quatro dias de acampamento na Praia de Mira

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O III Camporee Nacional decorreu ao longo de quatro dias, de quinta-feira a domingo, no Parque Municipal de Campismo da Praia de Mira, no litoral do centro de Portugal. O parque, na Avenida da Barrinha, foi montado como cidade de acampamento para receber jovens vindos dos núcleos da Juventude Adventista de todo o território português.

De acordo com o material de divulgação publicado no site oficial do evento, a programação combinou momentos espirituais com atividades de evangelismo jovem — saúde, música e mímica —, desporto e serviço social e comunitário. O acampamento é, por definição, um encontro em que os clubes deixam a rotina semanal da igreja e passam alguns dias juntos ao ar livre, com o programa concentrado em pouco tempo.

A organização previu a participação de cerca de 2.500 a 3.000 jovens. O número, para o contexto português, é expressivo: a comunidade adventista no país é pequena, e um encontro dessa dimensão exige a mobilização coordenada dos núcleos locais.

O lema e a figura de David

O encontro girou em torno do lema "O Amor de Cristo nos constrange", expressão tirada da carta do apóstolo Paulo aos Coríntios e tradicionalmente associada à ideia de que o amor de Cristo move o cristão ao serviço.

O personagem bíblico central da programação foi David. Segundo a divulgação oficial da Juventude Adventista, David foi apresentado como exemplo para todos os que ouvem o chamado de Deus e decidem segui-Lo e servi-Lo — do pastor de ovelhas ao rei de Israel. A escolha conversa diretamente com o público do evento: adolescentes e jovens que, como o David das Escrituras, começam cedo a assumir responsabilidades.

O tema atravessou a programação musical e espiritual do acampamento, incluindo um momento pensado para que os jovens pudessem assumir publicamente um compromisso de fé.

O líder mundial dos Desbravadores em Portugal

O grande destaque do III Camporee foi a presença do Pr. Andrés Peralta, diretor mundial dos Desbravadores na Conferência Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi a primeira visita do líder mundial dos Desbravadores a Portugal, o que deu ao encontro um peso simbólico para além das fronteiras do país.

Peralta assumiu a liderança mundial dos Desbravadores depois de atuar no ministério jovem nos Estados Unidos. O cargo que ocupa coordena, a partir da Conferência Geral, as orientações gerais do clube em todo o mundo — dos campóris de grande porte na América do Sul às pequenas unidades espalhadas pela Europa.

O acampamento contou ainda com o Pr. Jonathan Tejel, diretor do Departamento de Jovens da Divisão Intereuropeia, a região administrativa da Igreja Adventista que abrange Portugal. A presença dos dois convidados ligou o encontro nacional às estruturas regional e mundial do movimento.

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Todas as idades da Juventude Adventista

Diferentemente de um campori exclusivo de Desbravadores, o III Camporee Nacional foi um encontro de toda a Juventude Adventista portuguesa, com as suas várias faixas etárias representadas.

Em Portugal, o programa de classes progressivas organiza os jovens em grupos por idade, com nomes próprios: Rebentos, Tições, Exploradores, Companheiros e Embaixadores. Cada classe tem a sua identificação e o seu conjunto de requisitos, num sistema herdado das classes progressivas que estruturam o movimento adventista jovem desde a primeira metade do século XX. O acampamento reuniu essas classes e também os chamados Projetos JA.

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Para o leitor Desbravador do Brasil, vale a comparação: onde a Divisão Sul-Americana fala em Amigo, Companheiro, Pesquisador, Pioneiro, Excursionista e Guia, a estrutura portuguesa usa a nomenclatura própria da União Portuguesa. Muda o nome; a lógica de formar por etapas, unindo aventura ao ar livre e vida cristã, é a mesma.

Um marco para uma comunidade pequena

Chamar o encontro de III Camporee Nacional não é detalhe menor: significa que Portugal só reuniu a sua juventude adventista em acampamento nacional três vezes na história. Num país onde os adventistas são poucos, cada encontro dessa escala pede planejamento e mobilização que atravessam anos.

A Juventude Adventista de Portugal está organizada sob a União Portuguesa, ligada à Divisão Intereuropeia — o mesmo bloco administrativo que reúne países como Espanha, França, Itália, Alemanha e Suíça. É um contexto bem distinto do brasileiro, em que campóris estaduais e de união chegam a somar dezenas de milhares de participantes.

Por isso a presença do líder mundial dos Desbravadores em solo português teve leitura dupla: reconhecimento do trabalho local e sinal de que o movimento acompanha também as suas comunidades menores, longe dos grandes números.

Desbravadores em Portugal e no Brasil

O clube de Desbravadores nasceu nos Estados Unidos em meados do século XX e se espalhou pelo mundo pela mesma matriz: uniforme, lenço, classes progressivas, especialidades e investiduras. Em Portugal, o movimento cresceu dentro da Juventude Adventista da União Portuguesa; no Brasil, sob a Divisão Sul-Americana, tornou-se um fenômeno de massa.

As diferenças de escala e de nomenclatura não apagam a origem comum. Um encontro como o da Praia de Mira, com o líder mundial presente, ajuda a lembrar que o Desbravador de Lisboa e o de São Paulo pertencem à mesma rede internacional — e caminham sob os mesmos princípios.

Encontros como o da Praia de Mira cumprem, na Europa, o mesmo papel que os grandes campóris cumprem na América do Sul: juntar quem costuma se reunir em pequenos grupos, reforçar a identidade do movimento e dar aos mais jovens a experiência de pertencer a algo maior do que o próprio clube. A escala é outra, a vivência é parecida.

Para acompanhar como o movimento se organiza no Brasil, veja o guia sobre qual classe fazer em cada idade e o que é a cerimônia de investidura.