A Missão União da Malásia (MAUM), da Igreja Adventista do Sétimo Dia, realizou de 7 a 11 de abril de 2024 o primeiro campori de desbravadores da sua história, em Dantai, no distrito de Kota Belud, estado de Sabah. Cerca de 2.300 campistas se inscreveram no evento, que reuniu quase 3.000 pessoas no acampamento somando visitantes e equipes de apoio, segundo a Adventist News Network (adventist.news).

Batizado de Pathfinder Camporee, o encontro foi organizado pelo Ministério Jovem da MAUM e recebeu delegações de cinco países além da própria Malásia. Para uma união administrativa criada há poucos anos, foi mais do que um acampamento: foi a estreia de uma tradição que os desbravadores brasileiros conhecem bem, agora chegando ao Sudeste Asiático em escala nacional.

O que aconteceu em Dantai

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O campori aconteceu na orla de Dantai, uma faixa de praia em Kota Belud, no norte de Sabah — o estado malaio na ilha de Bornéu. De acordo com a Adventist News Network, cerca de 2.300 campistas confirmaram inscrição, e o número de pessoas presentes chegou perto de 3.000 quando somados visitantes, familiares e equipes de organização.

A Missão Sabah, que sediou o evento, foi a que mais mobilizou desbravadores: sozinha, levou 1.700 participantes, mais de dois terços de todos os inscritos. O restante veio de outras regiões da Malásia e das delegações estrangeiras. A programação seguiu o formato clássico de um campori: acampamento sob barracas, atividades ao ar livre, cultos, apresentações de unidades e cerimônias — tudo concentrado em poucos dias de convivência intensa.

Segundo a Adventist News Network, a proposta do encontro foi formar líderes servos, aperfeiçoar as habilidades dos jovens e aprofundar a compreensão do caráter de Cristo — objetivos que ecoam os de qualquer campori adventista mundo afora.

Delegações de cinco países

Um campori inaugural raramente atrai visitantes de fora do país. Este atraiu. A Adventist News Network informou que o evento em Dantai recebeu delegações internacionais de Filipinas, Bangladesh, Índia, Singapura e Tailândia, além dos grupos vindos das várias regiões da Malásia.

Essa presença regional não é acaso. A Malásia integra a Divisão Sul-Asiática do Pacífico (SSD) da Igreja Adventista, que abrange boa parte do Sudeste Asiático. Reunir desbravadores de países vizinhos em um mesmo acampamento reforça laços entre igrejas que, em muitos casos, atuam como minorias religiosas em seus territórios. Para o desbravador brasileiro, acostumado a camporis com dezenas de milhares de participantes, o número pode parecer modesto — mas o alcance internacional de um primeiro evento diz muito sobre a ambição da nova união.

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Vinte e três batismos na praia

O momento mais marcante do campori foi religioso. Vinte e três pessoas foram batizadas durante o evento, na própria praia de Dantai, informaram a Adventist News Network e a Missão União da Malásia. O batismo por imersão, celebrado à beira-mar, é uma cena recorrente em grandes encontros adventistas e costuma coroar dias de estudo bíblico e decisões pessoais.

Para os desbravadores, a ligação entre acampar e a fé é parte do próprio programa. O clube não existe só para ensinar nós, natureza e liderança: ele acompanha o desenvolvimento espiritual do adolescente, e batismos durante camporis são a expressão pública desse trajeto. Em um país de maioria muçulmana, onde os adventistas são uma pequena fração da população, cada decisão de fé assumida publicamente carrega um peso adicional.

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Por que este campori é um marco

O evento não foi apenas o primeiro campori da Malásia — foi o primeiro campori de uma união administrativa recém-criada. Até pouco tempo atrás, a Malásia fazia parte da antiga Missão União do Sudeste Asiático (SAUM), que reunia sete países. Essa união foi reorganizada, e seu território deu origem a três entidades distintas, conforme a Adventist Review: a Conferência Adventista de Singapura, a Missão União do Sudeste Asiático (voltada a Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã) e a Missão União da Malásia (MAUM), responsável por Malásia e Brunei.

Com estrutura própria, a MAUM passou a organizar seus próprios eventos em escala nacional — e o campori de 2024 foi a demonstração mais visível dessa nova autonomia. Realizar um encontro com milhares de campistas e delegações estrangeiras logo nos primeiros anos de existência sinaliza que o Ministério Jovem da união quer consolidar os desbravadores como um pilar da igreja local, e não como uma atividade pontual.

O que é um campori, para quem chega agora

Se você está começando no clube, vale entender o que torna essa notícia relevante. Campori é o nome que os desbravadores dão a um grande acampamento que reúne vários clubes ao mesmo tempo. Diferente do acampamento comum de uma unidade, o campori junta dezenas, centenas ou até milhares de campistas de uma mesma região, campo ou país, com programação, provas, desfiles e cultos comuns.

É onde os clubes mostram o que treinaram durante o ano: montagem de acampamento, ordem unida, especialidades, resgate, culinária de campo e apresentações. E é também um momento espiritual forte — daí os batismos que costumam acontecer nesses encontros. No Brasil, os camporis reúnem multidões e viraram uma marca do movimento; ver a Malásia realizar o seu primeiro, com apoio de países vizinhos, mostra como a mesma ideia se repete em contextos muito diferentes.

Para o desbravador que sonha em participar de um campori internacional um dia, notícias como esta ampliam o mapa: o movimento que você vive no seu clube é o mesmo que reuniu 2.300 jovens numa praia de Bornéu.