Mais de 12 mil desbravadores se reuniram em Mohuveto, no distrito de Bena, em Papua-Nova Guiné, para um campori da Missão Terras Altas Orientais-Simbu (EHSM, na sigla em inglês) realizado de 23 a 29 de junho de 2024. Segundo a Adventist News Network (ANN), o serviço de notícias oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, os jovens vieram das províncias de Simbu e das Terras Altas Orientais e passaram a semana acampados sob o tema "Crescendo em Cristo".

O ponto alto veio no último dia: de acordo com a ANN, 66 desbravadores foram conduzidos até um rio para o batismo, diante de milhares de pessoas, incluindo os próprios familiares. O evento integra a estrutura de desbravadores da Divisão do Pacífico Sul (SPD), que administra a obra adventista na Oceania.

O que foi o campori de Mohuveto

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Um campori é o maior acampamento do programa dos desbravadores: por alguns dias, clubes de uma mesma região montam suas barracas lado a lado e vivem uma rotina intensa de atividades ao ar livre, cultos, ordem unida, provas de habilidade e cerimônias. Reunir mais de 12 mil desbravadores em um só campo, como aconteceu em Mohuveto, coloca esse encontro entre os grandes acampamentos regionais do movimento no mundo.

Segundo a Adventist News Network, os participantes vieram das províncias de Simbu e das Terras Altas Orientais, na região montanhosa do interior de Papua-Nova Guiné. A programação, realizada de 23 a 29 de junho de 2024, girou em torno do tema "Crescendo em Cristo", com o objetivo declarado de aproximar os jovens da Bíblia e incentivá-los, nas palavras usadas pela organização, a estarem "enraizados em Jesus".

Para o leitor que acompanha os desbravadores no Brasil, a mecânica é familiar: barracas, uniforme, atividades por unidade e uma cerimônia de encerramento. O que muda é a escala e o cenário — um campo aberto nas terras altas da Oceania, a milhares de quilômetros da Divisão Sul-Americana (DSA), à qual pertencem os clubes brasileiros.

66 batismos no rio encerram a semana

O desfecho do campori foi um batismo coletivo. De acordo com a Adventist News Network, no último dia do evento 66 desbravadores foram acompanhados até um rio próximo ao campo, onde foram batizados diante de milhares de espectadores — entre eles familiares dos jovens e visitantes das igrejas da região.

No contexto adventista, o batismo por imersão marca a decisão pública de a pessoa seguir a fé e ser recebida como membro da igreja. Que ele aconteça durante um campori não é detalhe menor: mostra que o acampamento funcionou também como um momento de decisão espiritual, e não apenas como uma semana de acampamento e competições.

A própria ANN registra que o encontro atraiu, ao longo dos dias, visitantes das cerca de mil igrejas organizadas no território da EHSM, incluindo pessoas batizadas na grande campanha evangelística que o país havia vivido semanas antes. O campori, portanto, se somou a um momento de forte movimentação religiosa em Papua-Nova Guiné.

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Onde isso se encaixa: a Divisão do Pacífico Sul

Para situar o leitor: a Igreja Adventista organiza sua obra mundial em Divisões, grandes blocos administrativos que reúnem vários países. Os clubes brasileiros ficam na Divisão Sul-Americana (DSA). Já Papua-Nova Guiné está na Divisão do Pacífico Sul (South Pacific Division, ou SPD), que responde pela Oceania — Austrália, Nova Zelândia e nações insulares do Pacífico.

Dentro dessa estrutura, a Missão Terras Altas Orientais-Simbu é uma administração regional que cuida das igrejas e clubes daquela parte do país. É ela quem organizou o campori. Cada Divisão adapta o programa dos desbravadores à sua realidade, mas os elementos centrais — classes por idade, especialidades, uniforme e acampamentos — são reconhecíveis em qualquer lugar do mundo.

Papua-Nova Guiné tem enorme relevância para a Igreja Adventista: é um dos países onde a denominação mais cresce, com uma população jovem e uma presença adventista expressiva no interior montanhoso. Um campori com 12 mil desbravadores em uma única missão dá a dimensão desse peso.

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O pano de fundo: um ano de crescimento acelerado no país

O campori de junho não foi um evento isolado. Ele aconteceu no mesmo ano de "PNG for Christ", uma grande iniciativa evangelística realizada em Papua-Nova Guiné no primeiro semestre de 2024. Segundo a imprensa adventista, incluindo a Adventist Review, a campanha reuniu milhares de programas simultâneos em dezenas de locais do país e resultou em mais de 260 mil batismos em poucas semanas.

É nesse cenário que a EHSM registrou, no seu campori, a participação de novos membros batizados naquela campanha. O acampamento dos desbravadores funcionou, assim, como uma continuidade natural daquele movimento: depois da decisão de fé de adultos e famílias, o foco se voltou para firmar os jovens.

Não se deve confundir os números: os 66 batismos citados pela ANN se referem especificamente aos desbravadores durante o campori, e não à campanha nacional. São eventos distintos, ligados pelo mesmo ambiente de crescimento vivido pelo país ao longo de 2024.

Por que um encontro na Oceania interessa ao desbravador brasileiro

À primeira vista, um campori em Papua-Nova Guiné parece distante da rotina de um clube no Brasil. Mas ele ajuda a enxergar algo importante: os desbravadores são um movimento mundial. O mesmo uniforme, a mesma lógica de unidades e classes, os mesmos ideais aparecem em campos tão diferentes quanto uma cidade brasileira e as terras altas da Oceania.

Encontros como esse também mostram a variedade de escalas do programa. No Brasil, a DSA promove desde acampamentos de clube até camporis de associação, união e divisão, alguns com dezenas de milhares de participantes. Ver um campori de 12 mil desbravadores em outra Divisão dá referência de comparação e reforça o alcance internacional do movimento.

Por fim, há o elemento que dá sentido a tudo: o objetivo espiritual. Seja em Mohuveto, seja em um clube brasileiro, a proposta de aproximar crianças e adolescentes da fé é a mesma. O batismo de 66 jovens no encerramento do campori de Papua-Nova Guiné é uma expressão local de um propósito que atravessa o programa em qualquer país.