Mais de 4.000 desbravadores de 195 clubes de Fiji e Rotuma se reuniram em Vatula, na localidade de Burelevu, no distrito de Ra, para o 11º Campori da Missão de Fiji. O encontro teve como tema "Coragem para Vencer" (Courage to Conquer) e, segundo a Adventist Record, publicação oficial da Igreja Adventista no Pacífico Sul, terminou com 138 desbravadores batizados.

O balanço espiritual foi o ponto alto do evento. De acordo com a Adventist Record, 173 jovens responderam ao apelo feito durante a programação, e desses, 138 desceram às águas do batismo. Ao longo do campori, 34 líderes foram investidos como Guias Maiores e dez pessoas receberam o Prêmio de Longo Serviço da Divisão do Pacífico Sul (SPD, na sigla em inglês).

Um campori que reuniu quase toda a ilha

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Reunir 4.000 desbravadores em um só acampamento é um número expressivo para qualquer país — e, no caso de Fiji, um arquipélago do Pacífico Sul com pouco mais de 900 mil habitantes, ele diz muito sobre o alcance do Clube de Desbravadores por lá. Os participantes vieram de 195 clubes espalhados por Fiji e por Rotuma, uma ilha vulcânica ao norte do arquipélago.

O encontro aconteceu em Vatula, na localidade de Burelevu, dentro do distrito de Ra, uma das divisões administrativas de Fiji. Foi a 11ª edição do Campori da Missão de Fiji, o encontro periódico que junta os clubes de todo o campo em um mesmo lugar.

Para o leitor desbravador do Brasil, a lógica é a mesma dos nossos camporis: um grande acampamento organizado por um campo da igreja, com desbravadores de muitos clubes vivendo juntos por alguns dias uma rotina de espiritualidade, atividades ao ar livre e vida em equipe. Muda a escala, a paisagem e o idioma; a essência do programa é a que os desbravadores de qualquer lugar reconhecem.

138 batismos e 173 decisões

O saldo espiritual do campori foi divulgado pela Adventist Record. Segundo a publicação, 173 jovens responderam ao apelo feito durante a programação, manifestando o desejo de seguir a Jesus. Desses, 138 desbravadores foram batizados ainda durante o encontro.

Um batismo é o ato pelo qual, na tradição adventista, a pessoa assume publicamente sua decisão de fé. Ver mais de uma centena de desbravadores tomando essa decisão em um único evento é o tipo de resultado que os organizadores costumam apontar como o verdadeiro objetivo de um campori — acima de qualquer atividade recreativa.

Uma das líderes presentes, Kesaia Vasutoga, resumiu a experiência do fim de semana em uma frase citada pela Adventist Record: "Verdadeiramente, o eu foi vencido e Cristo reinou". Ela mesma foi investida como Guia Maior durante o campori.

34 novos Guias Maiores e dez homenageados

Além dos batismos, o campori marcou a investidura de 34 líderes como Guias Maiores. A investidura é a cerimônia em que a igreja reconhece formalmente que a pessoa concluiu os requisitos de uma classe. O Guia Maior, no sistema mundial dos Desbravadores, é a principal classe de liderança adulta — equivale ao Master Guide em inglês — e exige o cumprimento de um conjunto de requisitos de liderança, especialidades e serviço.

No mesmo evento, dez pessoas receberam o Prêmio de Longo Serviço da Divisão do Pacífico Sul, distinção concedida a quem acumula anos de dedicação ao Ministério de Desbravadores. É o reconhecimento de uma trajetória, e não de uma classe concluída.

Os dois gestos — investir novos líderes e homenagear os veteranos — costumam caminhar juntos nos camporis, e mostram como o clube depende tanto de quem está chegando à liderança quanto de quem sustenta o trabalho há décadas.

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Quem organizou e conduziu o encontro

O campori foi promovido pela Missão de Fiji, campo local ligado à Missão da União Trans-Pacífico (Trans Pacific Union Mission, ou TPUM), que por sua vez integra a Divisão do Pacífico Sul da Igreja Adventista. Na estrutura mundial da igreja, uma Divisão é a maior instância regional; a do Pacífico Sul cobre a Austrália, a Nova Zelândia e um conjunto de nações insulares do Pacífico, entre elas Fiji.

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Segundo a Adventist Record, a abertura oficial foi feita pelo presidente da TPUM, pastor Maveni Kaufononga. As programações principais ficaram a cargo do pastor Faafetai Matai, diretor de Jovens da TPUM, e do dr. Nick Kross, diretor de Jovens da Divisão do Pacífico Sul.

A organização local do evento foi creditada ao pastor Fifita Vatulesi, cujo trabalho à frente da logística do campori foi destacado publicamente pela liderança da Missão de Fiji.

Mais do que uma acampada

Entre uma programação e outra, os desbravadores se dividiram nas atividades típicas de um grande acampamento. A Adventist Record menciona esportes aquáticos, provas de percurso e trilha e um vale de desafios, além de projetos de serviço à comunidade local, como pintura e ações de assistência.

Esse arranjo — devocional pela manhã, atividade de campo à tarde, ação social como pano de fundo — é a marca dos camporis em qualquer parte do mundo. A ideia é que o desbravador não apenas acampe, mas exercite na prática as competências que treina no clube durante o ano: trabalho em equipe, resistência física, cuidado com o próximo e disciplina espiritual.

Os projetos de serviço voltados às comunidades vizinhas, citados pela Adventist Record, reforçam esse ponto. Em vez de um acampamento fechado sobre si mesmo, o campori deixou algo para o entorno — um princípio que o Ministério de Desbravadores repete em suas orientações e que aparece, com formatos diferentes, tanto em Fiji quanto nos clubes brasileiros.

Do 'vencer' ao 'ir'

No encerramento, o presidente da Missão de Fiji, pastor Luke Narabe, propôs aos participantes um desdobramento do tema. Se o campori havia falado em "Coragem para Vencer", o desafio final, segundo a Adventist Record, foi por "Coragem para Ir" (Courage to Go) — um chamado para que os desbravadores levassem de volta aos seus clubes e comunidades aquilo que viveram no acampamento.

É um encerramento coerente com o espírito do movimento: o campori não é um fim em si mesmo, mas um ponto de partida. Para os mais de 4.000 desbravadores que voltaram de Vatula às suas ilhas, e para os 138 recém-batizados, a decisão tomada no acampamento é o começo de um caminho que continua no clube, semana após semana.

Para o desbravador brasileiro que acompanha de longe, fica o retrato de um movimento que fala a mesma língua em oceanos diferentes: uniformes, apitos, fogueiras, investiduras e apelos que se repetem, com sotaque próprio, do Ra fijiano ao interior do Brasil.