Centenas de desbravadores de toda a Nova Zelândia se reuniram no Tui Ridge Park, na Ilha Norte do país, entre 28 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026, para o campori nacional "About Turn" — expressão militar que se traduz como "meia-volta". Durante a semana, onze jovens foram batizados, informou a Adventist Record, publicação oficial da Igreja Adventista no Pacífico Sul.

O evento foi organizado em conjunto pelas duas Associações que administram a obra no país — a North New Zealand Conference (NNZC) e a South New Zealand Conference (SNZC) — e marcou a passagem do ano para as centenas de crianças, adolescentes e líderes reunidos no acampamento. O tema, segundo a Adventist Record, foi inspirado na transformação de Saulo em Paulo, o perseguidor que muda completamente de direção depois do encontro na estrada de Damasco.

Uma semana nacional na virada do ano

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Enquanto muitos clubes do Hemisfério Norte encerram o ano de atividades no frio de dezembro, na Nova Zelândia dezembro e janeiro caem no auge do verão — e é justamente nesse período que o país realiza seu grande encontro de desbravadores. O campori "About Turn" ocupou o Tui Ridge Park, um parque de acampamento na Ilha Norte, durante seis dias, informou a Adventist Record.

Reunir "centenas de desbravadores de toda a Nova Zelândia", como descreveu a publicação, tem um peso próprio em um país pequeno e alongado, dividido em duas ilhas principais. Levar clubes das duas ilhas para um mesmo terreno exige planejamento de transporte, hospedagem em barracas e uma programação capaz de acomodar diferentes idades ao mesmo tempo. Não é um acampamento de fim de semana: é a principal mobilização nacional do Ministério de Desbravadores por ali.

A programação combinou os elementos clássicos de um campori — vida ao ar livre, atividades em equipe e cultos noturnos — com o objetivo declarado de começar o ano "juntos, focados em fé e compromisso", nas palavras de uma das líderes citadas pela reportagem. Para muitos dos participantes, foi a forma de virar 2026 dentro do acampamento, e não em casa.

Chuva e alagamento que não pararam o campori

A semana não foi de céu aberto. Segundo a Adventist Record, o acampamento enfrentou chuva persistente e alagamentos ocasionais no terreno ao longo dos dias. Ainda assim, os organizadores afirmaram que o clima não diminuiu a experiência dos participantes.

Para quem já acampou com um clube, a cena é familiar: barracas encharcadas, trilhas viradas em lama e programação que precisa se adaptar a cada aguaceiro. Enfrentar isso em grupo costuma ser, na prática, parte da formação — a chamada "vida de acampamento" que ensina resistência, cuidado com o próximo e improviso. A reportagem registrou o mau tempo justamente para mostrar que ele não interrompeu o que importava naquela semana.

As mensagens noturnas ficaram a cargo da pastora Caitlin Nelson, de Brisbane, na Austrália, informou a publicação. De acordo com a Adventist Record, as pregações convidaram os jovens a refletir sobre o propósito de Deus para a vida deles e sobre a possibilidade real de mudança — o fio que amarrava toda a semana ao tema do campori.

Por que 'Meia-Volta'? O tema e a conversão de Paulo

"About turn" é um comando militar de marcha: à ordem, a tropa gira cento e oitenta graus e passa a caminhar no sentido oposto. É essa a imagem que o campori escolheu para falar de conversão. Segundo a Adventist Record, o tema foi inspirado na transformação de Saulo em Paulo, narrada no livro de Atos.

A história é uma das mais conhecidas da Bíblia: Saulo perseguia os primeiros cristãos até o encontro com Jesus na estrada para Damasco, episódio a partir do qual muda de nome, de causa e de direção — de perseguidor a um dos maiores nomes da igreja primitiva. Para um público adolescente, é uma metáfora direta: ninguém está longe demais para dar meia-volta.

Kelsey Ryan, diretora associada dos Ministérios de Desbravadores, Aventureiros e da Criança da North New Zealand Conference, resumiu o sentido da semana. "A semana nos lembrou de que Deus nos encontra onde estamos e tem o poder de mudar completamente nossa direção", disse ela, em declaração reproduzida pela Adventist Record. Sobre o momento do ano, acrescentou: "Começar o ano juntos, focados em fé e compromisso, foi uma experiência poderosa para muitos dos nossos jovens."

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Onze batismos encerram a semana

O ponto alto espiritual do campori foram os batismos. Onze jovens foram batizados durante a semana, informou a Adventist Record. Segundo a publicação, as decisões refletiram o foco espiritual do encontro, com muitos participantes assumindo compromissos pessoais ao longo das programações noturnas.

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No contexto adventista, o batismo por imersão é uma decisão pública e voluntária — não um requisito automático das classes de desbravadores, mas uma escolha de fé que muitos adolescentes tomam justamente em momentos como um campori, cercados por amigos, líderes e pela emoção de uma semana intensa. Para o leitor brasileiro, é o mesmo sentido dos batismos que costumam encerrar grandes camporis por aqui.

A reportagem não detalhou nomes nem números de investiduras, mas deixou claro que os onze batismos foram o desfecho de uma semana pensada, do tema à pregação, para provocar exatamente esse tipo de decisão. O campori terminou em 2 de janeiro, com os participantes marcando juntos, no próprio acampamento, a entrada no novo ano.

Duas Associações e o apoio de Sanitarium e ADRA

O "About Turn" foi um esforço conjunto. De acordo com a Adventist Record, o campori foi realizado em parceria pela North New Zealand Conference (NNZC) e pela South New Zealand Conference (SNZC), as duas Associações que respondem pela obra adventista no país. Juntar as duas em um único acampamento nacional reforça a ideia de um Ministério de Desbravadores que cruza fronteiras internas.

O evento contou ainda com o apoio da Sanitarium e da ADRA, informou a publicação. A Sanitarium é uma empresa de alimentos ligada à Igreja Adventista, tradicional na Austrália e na Nova Zelândia; a ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) é o braço humanitário da denominação, presente também no Brasil. A presença das duas em um campori é comum na região e ajuda a viabilizar alimentação e estrutura para centenas de acampados.

Na estrutura administrativa adventista, a Nova Zelândia integra a Divisão do Pacífico Sul, que reúne países da Oceania — o equivalente, na nossa região, à Divisão Sul-Americana (DSA), responsável pelo Brasil e por outros países da América do Sul. São realidades distintas, mas o programa de desbravadores compartilha a mesma raiz mundial, com uniforme, classes e especialidades reconhecíveis de um país a outro.

O que é um campori — e por que isso interessa ao desbravador brasileiro

Campori é o nome dado aos grandes acampamentos de desbravadores, que podem ser de clube, de região, de Associação, de União, de Divisão ou até internacionais. A palavra virou parte do vocabulário do movimento em todo o mundo, e o formato é sempre parecido: barracas, programação espiritual à noite, atividades e a convivência de muitos clubes ao mesmo tempo. O "About Turn" foi, nesse mapa, um campori de nível nacional.

Para o desbravador brasileiro, acostumado a camporis de campo com dezenas de milhares de participantes, os números da Nova Zelândia parecem modestos — mas a proporção conta outra história. São "centenas" de acampados vindos de um país com menos de seis milhões de habitantes, o que faz do "About Turn" um encontro expressivo para a realidade local.

Acompanhar o que acontece com os desbravadores de outros países ajuda a enxergar o tamanho do movimento e o quanto ele se repete, com o mesmo espírito, em contextos muito diferentes. Um campori embaixo de chuva no verão da Ilha Norte da Nova Zelândia e um campori no calor do Brasil dividem mais do que o nome: dividem a proposta de reunir jovens em torno da fé e, no fim da semana, celebrar decisões como os onze batismos de janeiro. As informações desta reportagem foram apuradas nas publicações oficiais da Igreja Adventista listadas ao final.