Mais de 8 mil desbravadores se reuniram em Rivadavia, na província argentina de Mendoza, entre os dias 14 e 18 de fevereiro de 2024, no II Campori Nacional de Desbravadores da União Argentina. Realizado no Parque Desportivo de Rivadavia sob o lema "Tripulantes: Misión Asignada" ("Tripulantes: Missão Designada"), o encontro foi descrito pela organização como o maior campori nacional já promovido no país.
De acordo com a Notícias Adventistas, o portal oficial de comunicação da Igreja Adventista na América do Sul, o evento terminou com 110 batismos e 648 investiduras em classes de desbravadores. Além do saldo espiritual, o campori teve reconhecimento do poder público: o senado da província de Mendoza declarou a atividade de interesse provincial, e a cerimônia de abertura contou com a presença do governador Alfredo Cornejo e da vice-governadora Hebe Casado.
O maior campori nacional já feito na Argentina
O número que resume o evento é o de inscritos: mais de 8 mil desbravadores, vindos de diferentes regiões da Argentina e com participação de convidados de outros países. Segundo a Notícias Adventistas, foi o maior campori nacional realizado pela União Argentina até então — um salto em relação à primeira edição e um marco para o Ministério de Desbravadores no país.
Antes de seguir, vale explicar o termo para quem está começando. Um campori é um grande acampamento que reúne vários clubes de desbravadores ao mesmo tempo, com dias de programação em torno de acampamento, atividades ao ar livre, competições, música e momentos espirituais. Quando é nacional, junta clubes de todo um país sob a coordenação de uma União — no caso, a União Argentina, uma das administrações que compõem a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista.
A sede foi o Parque Desportivo de Rivadavia, no leste da província de Mendoza. Durante os cinco dias, os desbravadores cumpriram uma agenda diária que, conforme a cobertura oficial, incluiu jogos, especialidades e serviço comunitário, entre outras atividades típicas do movimento.
"Tripulantes": o tema por trás do lema
Todo campori gira em torno de um lema, que dá o tom da programação, da identidade visual e das mensagens espirituais. O escolhido para esta edição foi "Tripulantes: Misión Asignada" — em português, "Tripulantes: Missão Designada".
A ideia de tripulação conversa diretamente com o espírito do movimento. Ser desbravador, na proposta do programa, não é assistir a um acampamento, e sim assumir uma função dentro de uma equipe com um destino comum. O lema serviu de fio condutor para as pregações e para as ações práticas do evento, especialmente as voltadas à comunidade de Rivadavia.
Estiveram à frente da programação líderes de diferentes níveis do Ministério de Desbravadores. Segundo a Notícias Adventistas, participaram o pastor Nicolás Luna, diretor de Desbravadores da União Argentina; o pastor Andrés Peralta, líder mundial do ministério; e o pastor Udolcy Zukowski, coordenador do Ministério de Desbravadores para os oito países da Divisão Sul-Americana. Também esteve presente o pastor Darío Caviglione, presidente da Igreja Adventista na Argentina.
110 batismos e 648 investiduras
Para além da estrutura, o campori tem um objetivo espiritual, e é nele que ficam os números mais expressivos da edição. De acordo com a Notícias Adventistas, foram 110 batismos ao longo do evento — decisões de fé tomadas por participantes durante os dias de programação.
Houve ainda 648 investiduras. A investidura é a cerimônia em que o desbravador é reconhecido oficialmente por ter concluído os requisitos de uma classe — o conjunto de estudos, especialidades e atividades correspondente à sua faixa etária. Investir centenas de desbravadores em um único evento indica um trabalho de meses feito antes nos clubes, que o campori apenas coroa em cerimônia coletiva.
Batismo e investidura são coisas distintas: o primeiro é uma decisão religiosa pessoal; a segunda, o reconhecimento de um percurso dentro do programa de classes. Realizados no mesmo evento, os dois números ajudam a explicar por que a organização tratou esta edição como um marco.
Leia tambémCampori Amados reúne 14 mil no maior acampamento hispânicoServiço à comunidade de Rivadavia
Coerente com o lema de "missão designada", parte da programação saiu do parque e foi para as ruas da cidade. Segundo a Notícias Adventistas, os desbravadores realizaram ações comunitárias em bairros de Rivadavia, com distribuição de literatura e coleta de material escolar, além de recolhimento de garrafas plásticas em iniciativas de cuidado com o ambiente.
Esse componente comunitário é uma marca dos grandes eventos de desbravadores. A lógica é simples: um acampamento com milhares de adolescentes pode deixar uma contribuição concreta no lugar que o recebe, e não apenas movimento. Para o desbravador, é a oportunidade de colocar em prática, diante da própria comunidade, os valores trabalhados no clube ao longo do ano.
Declarado de interesse provincial
O reconhecimento oficial veio de duas frentes. O senado da província de Mendoza declarou o campori atividade de interesse provincial — um selo formal que sinaliza a relevância do evento para a região. E a cerimônia de abertura reuniu autoridades do governo provincial.
Segundo o governo de Mendoza e a Notícias Adventistas, estiveram presentes o governador Alfredo Cornejo, a vice-governadora Hebe Casado e o ministro da Educação, Culturas, Infâncias e DGE, Tadeo García Zalazar, além de prefeitos de municípios da região. Na avaliação divulgada pelo governo provincial, o governador destacou o caráter social positivo de encontros como aquele. "O Governo da Província está presente para dar testemunho de que nos comprometemos com atividades deste tipo", afirmou Cornejo, conforme a comunicação oficial do governo de Mendoza.
De acordo com o governo provincial, além dos participantes argentinos, o campori recebeu convidados internacionais — de países como Brasil, Paraguai, Chile e Estados Unidos —, o que reforçou o alcance do encontro para além das fronteiras nacionais.
O que o campori diz sobre o movimento na Argentina
Para o leitor desbravador de outros países, o dado ajuda a dimensionar o movimento no país vizinho. De acordo com o governo de Mendoza, o Clube de Desbravadores reúne mais de 13 mil membros na Argentina e mais de 2 milhões de participantes no mundo — números que colocam uma reunião de 8 mil inscritos em perspectiva.
Vale lembrar como a estrutura se organiza. Os clubes se agrupam em Associações e Missões (os Campos), que se reúnem em Uniões — a Argentina é uma delas —, e as Uniões formam Divisões. A Divisão Sul-Americana abrange oito países, entre eles Brasil e Argentina, sob a coordenação regional que, no caso dos desbravadores, é representada pelo pastor Udolcy Zukowski, citado na cobertura do evento.
Camporis nacionais como o de Mendoza costumam anteceder e alimentar encontros ainda maiores, de nível regional. Para os clubes argentinos, uma edição recorde, com centenas de batismos e investiduras e reconhecimento do poder público, funciona como vitrine e como estímulo para o ciclo seguinte.