O maior campori de desbravadores já realizado no Equador terminou no dia 4 de novembro de 2024 com um saldo inédito: 222 batismos. Sob o tema Valientes ("Corajosos", em espanhol), o encontro reuniu mais de 7 mil crianças e adolescentes de 244 clubes de todas as províncias do país, em Santo Domingo de los Tsáchilas, entre 31 de outubro e 4 de novembro.
Segundo a Notícias Adventistas, portal oficial da Igreja Adventista na América do Sul, foi o maior evento do gênero na história do país e reuniu o número mais alto de batismos já registrado em um campori equatoriano. Entre os presentes estava uma delegação vinda das Ilhas Galápagos, que cruzou cerca de mil quilômetros de oceano para participar.
O que é um campori — e por que este entrou para a história
Campori é o maior tipo de encontro do movimento de desbravadores: um acampamento de vários dias que junta muitos clubes em um só lugar, com competições, atividades de campo, cerimônias, cultos e apresentações. A palavra nasce da junção de "camp" (acampamento) com "jamboree", o grande encontro escoteiro, e virou marca registrada do programa adventista para crianças e adolescentes de 10 a 15 anos.
No Equador, esses encontros costumam ocorrer por associação ou por região. O que aconteceu em Santo Domingo foi diferente em escala: um campori nacional, com clubes de todas as províncias reunidos ao mesmo tempo. De acordo com a Notícias Adventistas, foi o maior evento do tipo já realizado no país.
Para quem acompanha o movimento no Brasil, a comparação ajuda a dimensionar: reunir mais de 7 mil desbravadores em um único acampamento é um número expressivo para um país do porte do Equador, que tem uma estrutura adventista bem menor que a brasileira.
Os números do encontro
Os dados divulgados pela Notícias Adventistas ao fim do evento dão a medida do encontro:
| Indicador | Número |
|---|---|
| Desbravadores presentes | Mais de 7 mil |
| Clubes participantes | 244, de todas as províncias |
| Batismos | 222 (recorde no país) |
| Novos líderes investidos | 208 |
| Bolsas de sangue doadas | 361 |
| Duração | 31 de outubro a 4 de novembro de 2024 |
O dado que mais se destacou na cobertura foi o dos batismos. Os 222 registrados durante os cinco dias representam, segundo o portal adventista, o maior número já alcançado em um campori equatoriano — um marco para um movimento cuja missão declarada combina formação de caráter com decisão religiosa.
A delegação que veio de Galápagos
Entre os 244 clubes, um grupo chamou atenção pela distância percorrida: a delegação das Ilhas Galápagos, o arquipélago equatoriano no Oceano Pacífico conhecido mundialmente pela biodiversidade que inspirou os estudos de Charles Darwin.
As ilhas ficam a cerca de mil quilômetros do continente, o que torna a participação em um encontro no interior do país uma viagem de logística considerável — envolvendo travessia marítima ou aérea antes mesmo do deslocamento terrestre até Santo Domingo. A presença desse grupo foi lembrada pela organização como símbolo do alcance nacional do campori, que reuniu desde a costa e a serra até as ilhas.
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Além da programação religiosa e recreativa, o campori incluiu uma ação de impacto social direto: uma campanha de doação de sangue que resultou em 361 bolsas coletadas, informou a Notícias Adventistas.
Campanhas de doação são frequentes em grandes eventos de desbravadores, que costumam associar o encontro a algum retorno para a comunidade que os recebe. Reunir centenas de doações em poucos dias reforça a lógica do movimento de que a formação dos jovens deve se traduzir em serviço a quem está fora do clube — um ponto que conecta diretamente o desbravador equatoriano ao brasileiro, já que a doação de sangue é uma bandeira comum em camporis de toda a Divisão Sul-Americana.
208 novos líderes e a presença sul-americana
O encontro também marcou a investidura de 208 novos líderes. Investidura é a cerimônia oficial em que o desbravador ou o aspirante a líder recebe o reconhecimento por ter concluído os requisitos de uma classe — no caso da liderança, um conjunto de exigências que inclui idade mínima, formação e serviço no clube. É o momento em que o distintivo e o lenço da nova classe são entregues, em geral diante de toda a assembleia.
Formar mais de duzentos líderes de uma vez tem peso estratégico: são eles que voltam para os clubes de origem para conduzir as unidades, ensinar especialidades e sustentar o funcionamento local ao longo do ano. O campori, nesse sentido, não é só celebração — é também renovação da estrutura que mantém o movimento de pé.
O evento contou com a presença de Udolcy Zukowski, líder do Ministério de Desbravadores da Divisão Sul-Americana, a região administrativa da Igreja Adventista que reúne oito países da América do Sul, entre eles o Equador e o Brasil. A participação de uma liderança desse nível em um campori nacional sinaliza a relevância que o encontro teve dentro da divisão.
O Equador no mapa dos desbravadores
O movimento de desbravadores no Equador é coordenado pela União Equatoriana, uma das uniões que compõem a Divisão Sul-Americana. Diferente do Brasil, onde os clubes se contam aos milhares e os camporis regionais já reúnem dezenas de milhares de participantes, o Equador tem uma base menor — o que ajuda a explicar por que reunir 244 clubes e mais de 7 mil desbravadores em um só lugar foi tratado como marco histórico.
Encontros nacionais como o "Valientes" cumprem um papel de coesão: aproximam clubes distantes entre si, padronizam práticas e dão aos desbravadores de cidades pequenas a experiência de pertencer a algo maior. Para o leitor desbravador brasileiro, o episódio equatoriano é um lembrete de que o mesmo uniforme, as mesmas classes e os mesmos ideais movem crianças e adolescentes por todo o continente — das ilhas Galápagos ao interior do país vizinho.
Os números deste campori foram divulgados pela Notícias Adventistas na cobertura oficial do evento. Não há, até o fechamento desta matéria, confirmação de quando o Equador realizará seu próximo campori nacional nesta escala.