Mais de 4.500 desbravadores acamparam no parque de Buperta, em Cibubur, Jacarta Oriental, entre os dias 26 de junho e 2 de julho de 2023, no 3º Campori de Desbravadores da Indonésia. Segundo a Adventist News Network (adventist.news) e a Adventist Review, dois canais oficiais da Igreja Adventista, foi o primeiro e maior encontro do gênero realizado no país desde a pandemia de COVID-19.

O campori foi organizado em conjunto pelas duas Uniões que administram o trabalho adventista no arquipélago: a União-Missão do Oeste da Indonésia (WIUM) e a União-Missão do Leste da Indonésia (EIUC). Alguns participantes viajaram longas distâncias — de regiões remotas como a Papua — para chegar à capital.

O maior encontro do país desde a pandemia

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Durante quase toda a semana, o parque de acampamento de Buperta, em Cibubur, virou uma cidade de barracas. De acordo com a Adventist News Network, mais de 4.500 pessoas se reuniram ali de 26 de junho a 2 de julho de 2023 para o 3º Campori de Desbravadores da Indonésia — número que fez do evento um marco para a juventude adventista do país.

O significado ia além do tamanho. Como informaram os veículos oficiais da Igreja, foi o primeiro grande campori nacional realizado na Indonésia depois dos anos de restrições impostas pela COVID-19. Para muitos desbravadores e líderes, era o reencontro de uma geração que havia passado boa parte da infância e da adolescência sem acampar em grupo.

A Indonésia é o maior arquipélago do mundo, com milhares de ilhas espalhadas por uma distância equivalente à da costa brasileira. Por isso, reunir participantes de pontos tão distantes quanto a Papua — no extremo leste do país — exigiu semanas de viagem e uma logística que envolveu as duas Uniões adventistas locais.

Duas Uniões, um só acampamento

O campori foi realizado em conjunto pela União-Missão do Oeste da Indonésia (WIUM) e pela União-Missão do Leste da Indonésia (EIUC), segundo a Adventist News Network. As Uniões são o nível administrativo da Igreja Adventista que reúne várias Associações e Missões de uma mesma região — no caso brasileiro, o equivalente às oito Uniões que compõem a Divisão Sul-Americana (DSA).

A Indonésia pertence à Divisão da Ásia-Pacífico Sul (SSD, na sigla em inglês), uma região da Igreja mundial diferente da nossa. Ainda assim, a estrutura do clube de desbravadores é a mesma que o desbravador brasileiro conhece: unidades, conselheiros, especialidades e classes progressivas, dentro de um ministério que existe em mais de 150 países.

Juntar duas Uniões em um único acampamento é uma decisão de peso. Multiplica o número de desbravadores, mas também exige alinhar calendários, transporte, alimentação e programação entre equipes que normalmente trabalham separadas. O resultado, relatado pelos canais oficiais, foi um dos maiores encontros já vistos pelo desbravarismo indonésio.

"Niscala" e o rinoceronte Badi

O evento teve como tema a palavra "Niscala", que, de acordo com a divulgação oficial, carrega o sentido de "calmo" e "firme" — uma escolha que conversava com a proposta de estabilidade depois dos anos difíceis da pandemia.

Como mascote, o campori adotou o rinoceronte-de-java, apelidado de "Badi", símbolo de força e resiliência. O rinoceronte-de-java é uma das espécies mais ameaçadas do planeta e sobrevive quase que exclusivamente em uma reserva no oeste da ilha de Java, na própria Indonésia — o que deu ao mascote um sentido local, ligado à natureza do país.

A identidade visual em torno de um animal nativo segue uma tradição comum aos grandes camporis: no Brasil e na América do Sul, os eventos regionais também costumam adotar mascotes e temas que aproximam o desbravador da cultura e da fauna de onde vive.

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Especialidades, serviço e as Olimpíadas de Desbravadores

A programação foi extensa. Segundo a Adventist News Network e a Adventist Review, os participantes conquistaram especialidades (as chamadas "Pathfinder Honors"), fizeram passeios pela cidade e se envolveram em projetos de serviço comunitário — uma marca do desbravarismo em qualquer parte do mundo.

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Um dos pontos altos foram as Olimpíadas de Desbravadores, apelidadas de "Pathlympics" pelos organizadores. As provas esportivas e de habilidades reuniram unidades de todo o arquipélago em uma disputa que, mais do que definir vencedores, serviu para integrar desbravadores que jamais tinham se encontrado antes.

Para o leitor desbravador brasileiro, a lógica é familiar: um campori é justamente esse acampamento de grande porte em que clubes se reúnem para acampar, cumprir requisitos, competir de forma saudável e viver a fé em comunidade. O nome do evento, aliás, nasce da junção das palavras inglesas camp (acampamento) e jamboree (grande encontro).

Batismos e investiduras no sábado

O centro espiritual do campori ficou para o sábado, dia de guarda religiosa dos adventistas. De acordo com a Adventist News Network, a programação incluiu o batismo de novos crentes, um momento de comunhão que uniu os presentes como "um só corpo de fé" e as cerimônias de investidura das classes.

A investidura é a cerimônia em que o desbravador, depois de cumprir todos os requisitos de uma classe, recebe oficialmente o lenço, o distintivo ou o certificado correspondente. É o reconhecimento público de meses de estudo, atividades de campo e vida em equipe — e um dos momentos mais aguardados de qualquer campori.

Ao reunir batismo, comunhão e investidura na mesma programação, o encontro indonésio seguiu o modelo que o desbravarismo pratica no mundo todo: a aventura ao ar livre andando junto com a decisão de fé. É a mesma combinação que o desbravador brasileiro reconhece nos grandes camporis da DSA.

Por que um campori na Ásia interessa ao desbravador brasileiro

À primeira vista, um acampamento em Jacarta pode parecer distante da realidade de quem é desbravador em Belém, Curitiba ou Assunção. Mas a notícia mostra algo que vale a pena guardar: o mesmo uniforme, as mesmas classes e as mesmas especialidades reúnem crianças e jovens em contextos culturais radicalmente diferentes.

Enquanto a América do Sul realiza seus próprios camporis regionais e de União, com dezenas de milhares de participantes, a Indonésia celebrava a volta dos grandes encontros com mais de 4.500 desbravadores. São números e paisagens distintos, mas o ideal é o mesmo — o que o Manual do clube resume como formar crianças e jovens no serviço a Deus e ao próximo.

Eventos como o campori indonésio ajudam a lembrar que o desbravarismo é uma rede global. Quando um clube brasileiro acampa, ele faz parte de um movimento que, na mesma época, colocava milhares de barracas de pé do outro lado do planeta.