Mais de 4.500 desbravadores de seis territórios do Pacífico Sul se reuniram perto de Honiara, capital das Ilhas Salomão, para o Campori da Trans Pacific Union Mission (TPUM), realizado de 16 a 20 de dezembro de 2019. O encontro fechou com 278 batismos — número muito acima dos 19 inicialmente previstos na programação, segundo a Adventist Record, publicação oficial da Divisão Sul-Pacífico da Igreja Adventista.

Com o tema "Hear the Call" ("Ouça o Chamado"), o Campori juntou 119 clubes de desbravadores em um terreno da Missão das Ilhas Salomão, às margens do rio Lunga, onde os batismos foram realizados. As Ilhas Salomão formaram o maior contingente, com mais de 2.000 participantes.

O que aconteceu

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O Campori da Trans Pacific Union Mission é o grande encontro regional dos clubes de desbravadores dessa parte do Pacífico Sul. A edição de 2019 aconteceu no fim do ano, aproveitando as férias escolares do hemisfério sul, e se estendeu de 16 a 20 de dezembro em um terreno da Missão das Ilhas Salomão, perto de Honiara.

De acordo com a Adventist Record, o local reunia estrutura para receber a multidão de acampantes, incluindo um salão (o Maranatha Hall) e um espaço central onde os clubes se reuniam à noite, e ficava ao lado do rio Lunga — detalhe que se tornaria central na história do evento, já que foi ali que os batismos aconteceram.

Reportagem do jornal local Solomon Star registrou a cerimônia de abertura, marcada por desfiles coloridos dos clubes. Para um leitor brasileiro acostumado aos camporis da Divisão Sul-Americana, a cena é familiar: barracas alinhadas, bandeiras, uniformes e uma agenda cheia de atividades espirituais, físicas e de campo ao longo de vários dias.

Os números do encontro

Os totais divulgados dão a dimensão do evento. Foram mais de 4.500 desbravadores, distribuídos em 119 clubes, segundo a Adventist Record. As Ilhas Salomão, país-sede, levaram o maior número de participantes: mais de 2.000, quase metade do total.

O restante veio de outros cinco territórios da região: Fiji, Tonga, Vanuatu, Samoa Americana e Papua-Nova Guiné. São nações espalhadas por um oceano imenso, o que transforma um encontro como esse em uma operação logística de viagens longas, muitas delas por via marítima ou aérea entre ilhas.

DadoNúmero
Desbravadores presentesMais de 4.500
Clubes participantes119
Territórios representados6
Participantes das Ilhas SalomãoMais de 2.000
Batismos previstos inicialmente19
Batismos realizados278

De 19 para 278 batismos

O ponto alto do Campori foi espiritual. A programação previa 19 batismos, mas, ao longo dos dias de mensagens e atividades, esse número cresceu de forma expressiva. Ao final, 278 pessoas desceram às águas do rio Lunga para o batismo, segundo a Adventist Record.

A publicação relata que a experiência tocou até parte da equipe de comunicação que cobria o evento: quatro integrantes da equipe de mídia estavam entre os batizados naquele dia. É o tipo de detalhe que ajuda a explicar por que os camporis, além das provas e competições, são tratados pela Igreja Adventista como oportunidades de decisão pessoal.

O tema escolhido para a edição, "Hear the Call" — em português, "Ouça o Chamado" —, resume a proposta: as reuniões noturnas foram conduzidas com foco em convite e decisão, e não apenas em programação recreativa.

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Quem organizou e quem abriu

A organização envolveu líderes de diferentes níveis da estrutura adventista da região. À frente da coordenação estavam o pastor Steve Aquila, diretor de jovens da Missão das Ilhas Salomão, e o pastor Charlie Jimmy, diretor de jovens da Trans Pacific Union Mission, conforme a Adventist Record.

A abertura oficial teve peso institucional e político. Segundo o Solomon Star, quem declarou o Campori aberto foi o então primeiro-ministro das Ilhas Salomão, Manasseh Sogavare. Também participaram autoridades da Igreja, como o presidente da Missão das Ilhas Salomão e representantes da Divisão Sul-Pacífico e da sede mundial da obra de desbravadores.

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Em declaração citada pela Adventist Record, o pastor Steve Aquila resumiu o sentimento da equipe organizadora ao ver a resposta do público. "The success of the camporee is another evidence of God's existence", afirmou — em tradução livre, "o sucesso do Campori é mais uma evidência da existência de Deus".

O que é um Campori — e por que ele importa

Para quem está chegando agora ao movimento, vale o contexto. Um Campori é um grande acampamento que reúne vários clubes de desbravadores de uma mesma área — pode ser de uma região, de um campo (Associação ou Missão), de uma União ou, como no caso das Ilhas Salomão, de uma União inteira que abrange vários países.

Nesses encontros, os clubes acampam juntos por alguns dias e participam de uma agenda que costuma misturar cerimônias, mensagens espirituais, provas de habilidades, atividades de campo, ordem unida e momentos de confraternização. É também onde muitos desbravadores tomam decisões de fé, como o batismo.

No Brasil, o desbravador conhece bem esse formato: a Divisão Sul-Americana realiza camporis em todos os níveis, até os grandes encontros de União com dezenas de milhares de participantes. O Campori da TPUM é o equivalente do Pacífico Sul — a mesma ideia, em outra ponta do planeta.

Onde fica a Trans Pacific Union Mission

A Trans Pacific Union Mission é uma das Uniões da Divisão Sul-Pacífico da Igreja Adventista, com sede em Fiji. Ela reúne o trabalho da Igreja em um conjunto de nações insulares do Pacífico, entre elas as próprias Ilhas Salomão, Fiji, Tonga, Vanuatu, Kiribati e territórios vizinhos.

As Ilhas Salomão, país que sediou o Campori, formam um arquipélago a leste da Papua-Nova Guiné, com centenas de ilhas e uma população que tem forte presença cristã. Honiara, onde o evento aconteceu, é a capital do país.

Comparar as distâncias ajuda a entender o esforço por trás do encontro: enquanto um campori brasileiro costuma reunir clubes que chegam por estrada, o Campori da TPUM depende de deslocamentos entre ilhas separadas por milhares de quilômetros de mar aberto — o que torna a marca de 4.500 participantes ainda mais expressiva para a realidade local.

Guardadas as distâncias e as diferenças de tamanho, o retrato é o mesmo que o desbravador brasileiro reconhece: crianças e adolescentes uniformizados, um chamado espiritual no centro da programação e a água como símbolo de decisão. Muda o oceano; a proposta do Clube de Desbravadores segue a mesma.