Pela primeira vez, os Desbravadores dos Balcãs tiveram um campori só deles. De 21 a 27 de julho de 2025, cerca de 150 desbravadores, Guias Master e voluntários de oito países acamparam à margem do Lago Boračko, em Jezero, na Bósnia e Herzegovina, para o primeiro Campori Balcânico de Desbravadores, realizado sob o tema Faith on Fire — Fé em Chamas.
Sérvia, Bulgária, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro, Macedônia do Norte e Albânia enviaram representantes ao acampamento. O evento aconteceu no território da Divisão Transeuropeia, a região administrativa da Igreja Adventista que cobre boa parte do norte e do sudeste da Europa. As informações são da tedNEWS, o serviço de notícias da própria Divisão.
O primeiro campori regional dos Balcãs
Um campori é o maior acampamento do calendário dos Desbravadores: reúne clubes de uma região inteira por vários dias, com programação espiritual, competições, atividades de campo e cerimônias. No Brasil, os desbravadores estão acostumados a camporis de associação, de união e, de tempos em tempos, aos grandes camporis da Divisão Sul-Americana. Nos Balcãs, porém, os clubes estavam distribuídos por países pequenos e por várias fronteiras — e nunca haviam tido um encontro só deles.
Foi essa lacuna que o Campori Balcânico veio preencher. Segundo a tedNEWS, a semana de 21 a 27 de julho de 2025 juntou pela primeira vez, em um só acampamento, os Desbravadores de oito nações que compartilham geografia, história e desafios parecidos. Para muitos dos participantes, foi a primeira vez acampando ao lado de desbravadores de outros idiomas e culturas.
A escolha do local ajudou a dar o tom. O Lago Boračko, na região de Konjic, é um dos lagos glaciais mais conhecidos da Bósnia e Herzegovina, cercado de montanhas — um cenário natural que combinou com a proposta de um acampamento voltado à vida ao ar livre e à convivência.
Fé em Chamas: o tema da semana
O lema escolhido para o encontro foi Faith on Fire, ou Fé em Chamas. A oradora principal, a pastora Eleonora Vrag, conduziu os participantes pela história do profeta Daniel, usada como exemplo do que significa manter uma fé firme mesmo diante de pressão e adversidade, informou a tedNEWS.
A abertura ficou a cargo de Kevin Johns, diretor associado do Ministério Jovem da Divisão Transeuropeia. Ao falar aos presentes, ele reconheceu o esforço que havia por trás daquele primeiro encontro. "Organizar um campori balcânico não é uma coisa fácil", disse Johns, segundo a divisão, acrescentando que dificuldades fariam parte da experiência.
Para aproximar as mensagens do público — em boa parte crianças e adolescentes de 11 a 15 anos —, a organização costurou os temas espirituais com elementos do jogo Minecraft, uma linguagem familiar para a faixa etária. Entre os cultos e as reflexões, houve momentos de louvor, cânticos folclóricos e danças típicas dos países presentes, misturando o espiritual e o cultural.
Um batismo no sábado
O ponto alto da semana veio no sábado, 26 de julho. Durante a programação do dia, o desbravador Luka Pozhgaj foi batizado nas águas do próprio Lago Boračko. De acordo com a tedNEWS, a cerimônia foi conduzida por Zlatko Musija, presidente da União Adriática.
O jovem explicou o motivo da escolha. Ele contou ter decidido se batizar ali por ser, para ele, o último acampamento como desbravador, e por considerar aquele primeiro campori dos Balcãs algo especial, conforme registrou a divisão. Momentos como esse ajudam a entender por que um campori vai além do lazer: para muitos desbravadores, é no acampamento que decisões espirituais amadurecem.
O batismo é uma decisão pessoal e voluntária dentro da fé adventista, geralmente tomada quando o jovem já compreende o passo que está dando. No caso de Luka, ela aconteceu diante de colegas de oito países — o que, segundo o relato da organização, deu à cena um peso simbólico ainda maior.
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Fora da programação espiritual, a semana foi de atividade intensa. Segundo a tedNEWS, os participantes praticaram canoagem no lago, encararam um percurso de cordas em um parque de aventura e fizeram uma caminhada noturna ao redor da água. Oficinas de arte e atividades esportivas completaram o dia a dia do acampamento.
Como em qualquer campori, houve também espaço para especialidades — os cursos temáticos que os desbravadores cumprem para ganhar distintivos. A divisão informou que o encontro ofereceu, entre outras, as especialidades de Observador de Perigos (Hazard Observer), Amigos dos Balcãs (Friends of the Balkans) e Tingimento de Tecidos (Fabric Colouring), esta última especialmente ligada ao clima de troca cultural da semana.
Essa mistura é a essência do movimento: aventura ao ar livre, aprendizado prático e vida em equipe, tudo dentro de um ambiente de fé. Para os desbravadores brasileiros, a rotina do campori balcânico soa familiar, mesmo do outro lado do mundo — a diferença estava nas oito bandeiras e nos vários idiomas dividindo o mesmo acampamento.
Muitos países, muitos organizadores
Reunir oito nações exigiu uma coordenação que atravessou fronteiras. Entre os nomes à frente da organização, a tedNEWS citou Alan Pozhgaj, diretor do acampamento, e diretores de Desbravadores de vários campos: Marko Virtic, da União Adriática; Alen Hadzhievic, da Croácia; David Shiley, da Sérvia; Vladimir Krumov, da União Búlgara; além de Alma Bosnic, líder de clube em Montenegro.
Essa lista dá a dimensão do esforço logístico. Diferentemente de um campori nacional, no qual todos respondem à mesma associação, aqui foi preciso alinhar clubes de administrações eclesiásticas distintas, com calendários, línguas e recursos próprios, para que todos chegassem à mesma margem de lago na mesma semana.
A Divisão Transeuropeia, à qual pertencem esses campos, é uma das treze divisões mundiais da Igreja Adventista. Ela abrange países do norte e do sudeste europeu, e é nesse contexto — de comunidades adventistas muitas vezes pequenas e dispersas — que um encontro regional ganha importância: junta quem, no dia a dia, raramente se vê.
O que o encontro representa para os Desbravadores
Realizar um primeiro campori regional é, em geral, um sinal de amadurecimento do movimento em uma área. Significa que há clubes suficientes, líderes dispostos e estrutura para reunir centenas de pessoas por uma semana inteira. Nos Balcãs, onde as comunidades adventistas são minoritárias, dar esse passo tem um valor especial.
Pelo relato da divisão, o saldo foi de novas amizades entre desbravadores de países diferentes, decisões espirituais como a de Luka e a expectativa de que o encontro se repita. Para o leitor desbravador brasileiro, a notícia é um lembrete de que o mesmo uniforme, os mesmos ideais e o mesmo espírito de aventura ligam clubes de continentes distantes — do Lago Boračko aos campos do Brasil.
Como toda cobertura de um evento internacional, os detalhes aqui reunidos seguem o que foi divulgado pelos canais oficiais da Divisão Transeuropeia. Números e nomes podem ser complementados em relatos posteriores dos próprios campos envolvidos.