Mais de 8.000 desbravadores e líderes de vários países se reuniram entre 24 e 30 de dezembro de 2023 no campus da Valley View University, em Oyibi, na área metropolitana de Accra, capital de Gana, para o 4º Campori da Divisão da África Centro-Ocidental (WAD). Ao longo da semana, mais de 100 desbravadores foram batizados — número que os organizadores apresentaram como um marco inédito na história do evento na região.

Segundo informaram a Adventist World e a Adventist Review, o encontro — batizado de Campori "Dream" ("Sonho", em inglês) e inspirado na trajetória bíblica de José — combinou acampamento, treinamento, atividades de campo e programação espiritual. O diretor de Jovens da WAD, Alfred Asiem, classificou os batismos como uma conquista notável e um recorde para o campori da divisão.

O que aconteceu, em uma frase

Publicidadeprevia

A Divisão da África Centro-Ocidental (conhecida pela sigla em inglês WAD, de West-Central Africa Division) reuniu mais de 8.000 desbravadores, aventureiros da liderança jovem e voluntários no seu 4º campori regional, realizado em Gana no fim de dezembro de 2023. O evento teve como sede o campus da Valley View University, instituição adventista situada em Oyibi, na região de Accra.

Além do número expressivo de participantes, o dado que ganhou destaque na cobertura da imprensa denominacional foi o de batismos: mais de 100 ao longo da semana. De acordo com a Adventist World, o diretor de Jovens da WAD, Alfred Asiem, descreveu o resultado como uma conquista notável e um recorde para o campori — um sinal, segundo ele, da ênfase em missão e crescimento espiritual que a divisão vem imprimindo em seus programas.

A programação espiritual do sábado, ponto alto de qualquer campori, contou com a mensagem do diretor mundial dos Ministérios Jovens da Igreja Adventista, o pastor Busi Khumalo, da sede da Associação Geral, que participou do encontro junto a outros líderes da divisão e da igreja mundial.

O que é um campori — e por que este importa

Para quem está chegando agora ao movimento, vale a explicação: um campori é o grande acampamento reunindo vários clubes de desbravadores de uma mesma área. Dependendo do nível, ele pode juntar clubes de uma região, de um campo (associação ou missão), de uma união, de uma divisão inteira — como neste caso — ou até do mundo todo. É o momento em que a rotina de reuniões semanais do clube ganha escala: milhares de jovens acampando juntos, competições de habilidades, ordem unida, atividades de natureza, música, e programação espiritual.

Um campori de divisão, como o da WAD, está entre os maiores eventos que um desbravador comum chega a viver, atrás apenas dos camporis mundiais. A Divisão da África Centro-Ocidental abrange mais de 20 países da África ocidental e central — de Gana e Nigéria a Camarões, Costa do Marfim, Togo, Senegal e vários outros —, o que dá a dimensão do esforço logístico de trazer 8.000 pessoas para um mesmo campus.

Para o desbravador brasileiro, acostumado aos grandes camporis da Divisão Sul-Americana, o evento de Gana é uma janela para perceber que o mesmo uniforme, o mesmo ideal e a mesma programação de classes existem em dezenas de países, em realidades bem diferentes da nossa.

Os batismos: um recorde para a divisão

Batismos durante camporis não são novidade — a cerimônia costuma ser um dos momentos mais aguardados, quando desbravadores que se prepararam ao longo do ano tomam a decisão de se batizar diante de milhares de colegas. O que chamou atenção em Gana foi a marca: mais de 100 batismos em um único campori regional, algo que, segundo os organizadores, não havia sido registrado antes nessa dimensão na divisão.

De acordo com a Adventist Review, o diretor de Jovens da WAD, Alfred Asiem, ligou o resultado ao foco missionário do evento. A cobertura também registrou que o campori foi pensado desde o início com forte ênfase em decisão espiritual, e não apenas em competição e recreação — uma orientação que aproxima o evento do propósito original do movimento de desbravadores, que nasceu como um programa da igreja para alcançar e formar a juventude.

É importante uma ressalva de apuração: o número divulgado — "mais de 100" — é o informado pela liderança da divisão e reproduzido pela imprensa adventista. Não há, nas fontes consultadas, um total exato fechado por país ou por clube.

Leia também5º Campori Interamericano reúne 10 mil na Jamaica

A caminhada de 250 km que virou símbolo do campori

Uma das histórias mais marcantes do evento não aconteceu no palco, mas na estrada. Segundo a Adventist News Network (adventist.news), três desbravadores caminharam mais de 155 milhas — cerca de 250 quilômetros — desde a cidade de Takoradi, no litoral oeste de Gana, até o campus da Valley View University, onde ocorria o campori.

Publicidadeprevia

A caminhada durou aproximadamente quatro dias, com partida em 21 de dezembro e chegada em 25 de dezembro de 2023, já com o campori em andamento. O objetivo, de acordo com a reportagem, era arrecadar fundos em favor de crianças órfãs da região — uma iniciativa de solidariedade que, segundo o relato, remonta a uma tradição iniciada anos antes por um dos caminhantes. Ao chegarem, os três foram recebidos com honras: escolta, banda e reconhecimento diante dos participantes.

Histórias assim ajudam a explicar por que o campori não é apenas um acampamento grande. Ele funciona como uma vitrine dos valores que o clube tenta ensinar o ano inteiro — serviço ao próximo, perseverança, trabalho em equipe — condensados em gestos que os jovens levam para casa.

Onde foi: Gana e a Valley View University

Gana é um país da África ocidental, de língua oficial inglesa, e um dos polos mais tradicionais do adventismo na região. A escolha da Valley View University como sede não é casual: fundada pela Igreja Adventista, ela é considerada a primeira universidade privada credenciada de Gana e oferece a estrutura de campus — alojamento, áreas abertas, auditórios — necessária para hospedar um evento de milhares de pessoas.

O campus principal fica em Oyibi, a nordeste de Accra, a capital. Para muitos dos desbravadores vindos de outros países da divisão, a viagem até lá envolveu longas travessias por terra, o que torna a marca de 8.000 participantes ainda mais significativa em termos de mobilização.

Por que isso interessa ao desbravador brasileiro

O movimento de desbravadores é o mesmo em todo o mundo, com pequenas variações locais de calendário, classes e uniforme. Um campori de divisão na África mostra, na prática, que o ideal do desbravador — "Pela graça de Deus, serei puro, bondoso e leal" — é repetido em dezenas de idiomas, e que os mesmos momentos que emocionam um clube no interior do Brasil (a fogueira, a ordem unida, o batismo no sábado) se repetem a milhares de quilômetros de distância.

Para líderes e diretores, eventos como o da WAD também servem de referência de programação: a decisão de colocar a ênfase espiritual e missionária no centro do campori, e não só a competição, é uma escolha pedagógica que dialoga diretamente com o que se discute nos clubes brasileiros. E, para o desbravador que sonha em participar de um campori internacional um dia, é um lembrete de que a família adventista de jovens é global.

Nos anos seguintes, a divisão sinalizou a continuidade dessa mobilização com novos encontros de juventude e a projeção de um próximo campori regional, mantendo o mesmo espírito de reunir milhares de desbravadores em torno de fé, serviço e amizade.