O Clube de Aventureiros Soldados do Rei, da Igreja Adventista do Sétimo Dia da Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo (SP), celebrou 25 anos de organização oficial e é reconhecido como o primeiro clube de Aventureiros do Brasil. A comemoração ocorreu no sábado anterior a esta publicação, com o templo da igreja decorado para receber famílias, ex-membros e convidados.
De acordo com a Notícias Adventistas, portal oficial da Igreja Adventista na América do Sul, a história do clube começou antes mesmo de o programa de Aventureiros existir formalmente no país: nasceu em 1986 como um grupo informal para crianças pequenas e só foi organizado com estrutura oficial em 1991, quando chegaram o manual e os materiais do ministério.
Um marco na história dos Aventureiros no país
Poucos clubes conseguem apontar para uma data e dizer: começou aqui. O Soldados do Rei é um deles. Ao completar 25 anos de organização, o clube da Cidade Dutra não celebra apenas a própria história — celebra o ponto de partida de um ministério que hoje reúne milhares de crianças em clubes espalhados por todo o Brasil.
Segundo a Notícias Adventistas, o clube é tido como o primeiro Clube de Aventureiros oficialmente organizado no país. Para quem chega novo ao movimento, vale a distinção: enquanto os Desbravadores atendem crianças e adolescentes de 10 a 15 anos, os Aventureiros são o programa voltado aos menores, de 6 a 9 anos, sempre com forte participação dos pais nas atividades.
A comemoração dos 25 anos reuniu a comunidade da igreja em um sábado, dia de culto e de maior movimento nas congregações adventistas. O templo foi decorado para a ocasião, e a data serviu tanto para recordar os primeiros passos quanto para reconhecer o trabalho de quem manteve o clube ativo ao longo de duas décadas e meia.
1986: um grupo informal antes do programa existir
A história do clube antecede a própria chegada do programa de Aventureiros ao Brasil. De acordo com a Notícias Adventistas, tudo começou em 1986, a partir do incômodo de uma pessoa com um problema prático: Elizabete Cardoso, que colaborava com o Clube de Desbravadores da Cidade Dutra, ouvia com frequência os pais dos desbravadores perguntarem o que fazer com os filhos mais novos, que ainda não tinham idade para entrar no clube.
Em vez de deixar a pergunta sem resposta, Elizabete decidiu reunir essas crianças menores de 10 anos em um grupo próprio, com encontros e atividades pensados para a faixa etária. O grupo informal ficou conhecido à época como "Desbravadores Mirins" — uma solução caseira que, sem que ninguém soubesse, plantava a semente do que viria a ser o Ministério de Aventureiros no Brasil.
Anos depois, a fundadora resumiu à Notícias Adventistas o sentido daquele início: "Eu costumo dizer que essa ideia surgiu no coração de Deus, e Ele inspirou para nascer aqui nessa igreja o Clube de Aventureiros". Elizabete é lembrada como pioneira do ministério no país.
1991: a organização oficial e o manual do programa
O grupo funcionou de forma improvisada por alguns anos, até que o programa de Aventureiros ganhou reconhecimento mundial dentro da Igreja Adventista. Com isso, chegaram ao Brasil os primeiros materiais oficiais — o manual do clube e os itens que padronizavam a atividade em qualquer congregação.
Foi então, em 1991, que o Soldados do Rei se organizou oficialmente na Cidade Dutra, tornando-se o primeiro clube de Aventureiros do país a operar dentro da estrutura formal do ministério. A chegada do manual permitiu alinhar o que já era feito ali com o padrão do programa mundial, incluindo classes, ideais e identidade visual próprios.
O voto que os membros repetem ainda hoje traduz o espírito do clube: "Por amor a Jesus, farei sempre o meu melhor". Curto e feito para crianças, ele resume o objetivo do programa — formar hábitos, caráter e fé desde cedo, sempre em linguagem acessível à idade.
Leia tambémAustrália celebra 70 anos de Desbravadores com resgate históricoA celebração: memória e continuidade
Reunir 25 anos de história em uma única cerimônia é, também, reunir gerações. A comemoração misturou quem começou o clube e quem o conduz hoje, num encontro entre a memória e o presente.
À época da celebração, o clube era dirigido por André Andrade. Ao portal oficial da Igreja, o diretor destacou o peso de assumir um trabalho com essa trajetória: "É um privilégio continuar o trabalho de tantos outros diretores que passam por aqui, é uma benção". A fala aponta para uma marca dos clubes de longa duração — a passagem de bastão entre voluntários que, ao longo dos anos, mantêm o projeto de pé.
Mais do que uma festa de aniversário, a data funcionou como um momento de reconhecimento. Ver crianças de hoje vestindo o uniforme do mesmo clube que existia antes de elas nascerem é, para muitas famílias adventistas, a prova concreta de que o investimento em ministérios infantis atravessa gerações.
O que é um Clube de Aventureiros
Para o leitor que conhece os Desbravadores, mas nunca acompanhou de perto os Aventureiros, vale um mapa rápido. O Clube de Aventureiros é o programa da Igreja Adventista voltado às crianças de 6 a 9 anos — a etapa que antecede a entrada nos Desbravadores, aos 10.
Uma diferença central está na presença da família. Nos Aventureiros, os pais participam ativamente das atividades, o que faz do clube uma experiência compartilhada entre a criança e os responsáveis, e não apenas uma agenda infantil. As reuniões trabalham valores, natureza, histórias bíblicas, hábitos saudáveis e vida em grupo, tudo adaptado à faixa etária.
O programa é dividido em classes por idade, com nomes próprios voltados aos pequenos, e organiza as crianças em unidades, à semelhança do que ocorre nos Desbravadores. Assim como estes, o Aventureiros conta com investiduras, momentos em que a criança recebe o reconhecimento formal por concluir os requisitos da sua classe — celebrações que reforçam o senso de conquista e pertencimento.
De uma ideia local a um movimento nacional
O que nasceu na Cidade Dutra tem raízes internacionais. O ministério de Aventureiros surgiu nos Estados Unidos, na década de 1970, como uma tentativa da Igreja Adventista de criar um programa específico para crianças menores de 10 anos, faixa que até então não tinha estrutura própria. O programa foi ganhando forma até ser reconhecido oficialmente em nível mundial, no início dos anos 1990 — período em que também se organizou no Brasil.
Que essa oficialização mundial tenha coincidido com a organização do Soldados do Rei não é detalhe menor: mostra que a Cidade Dutra estava no compasso do que a Igreja fazia globalmente, e não atrás dele. O grupo informal de 1986 já vinha respondendo, na prática, à mesma necessidade que o programa mundial buscava atender.
Do primeiro clube saíram muitos outros. Ao longo dos anos seguintes à organização do Soldados do Rei, o Ministério de Aventureiros se espalhou pelas igrejas adventistas do Brasil e do restante da Divisão Sul-Americana — a região administrativa que reúne os oito países sul-americanos sob a Igreja Adventista. Hoje, o programa está presente em milhares de congregações, e cada uma dessas comunidades deve, de algum modo, ao passo que a Cidade Dutra deu primeiro.
É esse o significado maior dos 25 anos do Soldados do Rei. Mais do que celebrar a idade de um clube, a data marca o momento em que uma resposta simples a uma pergunta de pais preocupados se transformou em um ministério que continua acolhendo crianças pelo país inteiro.