Cerca de 4 mil desbravadores, líderes e voluntários de 26 países se reuniram entre 30 de julho e 5 de agosto de 2019 no South of England Showground, em Ardingly, no Reino Unido, para o campori da Divisão Transeuropeia (TED) da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Segundo a divisão, foi o maior evento do gênero já realizado na região.

O encontro girou em torno do tema Êxodo — a saída do povo de Israel do Egito narrada na Bíblia — e teve cenografia inspirada no antigo Egito, hasteamento de bandeiras e apresentações culturais na noite de abertura. De acordo com a tedNEWS, serviço de notícias da divisão, participaram os 22 países da própria TED, somados a grupos visitantes de Israel, França, Rússia e Tanzânia.

O maior campori da Divisão Transeuropeia até então

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Ardingly, no condado de Sussex Ocidental, ao sul de Londres, recebeu entre 30 de julho e 5 de agosto de 2019 uma das maiores concentrações de desbravadores já vistas na Europa. O South of England Showground, um amplo parque de exposições, virou por uma semana uma cidade de barracas para cerca de 4 mil pessoas entre desbravadores, líderes e voluntários.

De acordo com a tedNEWS, serviço de notícias da Divisão Transeuropeia, o encontro foi descrito como o maior evento do gênero já realizado pela divisão até aquele momento. Para uma região onde a Igreja Adventista tem presença numericamente menor do que em outras partes do mundo, reunir milhares de jovens em um só campo teve peso simbólico.

Ron Whitehead, coordenador de camporis internacionais citado pela tedNEWS, resumiu a impressão diante do público e do clima do evento. Segundo ele, o encontro "é um bom sinal para o futuro da igreja na Europa". A frase, dita diante de milhares de jovens uniformizados, sintetizou o tom do campori.

26 países sob a mesma bandeira

O número que mais chamou atenção foi a diversidade. Segundo a divisão, estiveram representados 26 países: os 22 que compõem a própria Divisão Transeuropeia, mais quatro grupos visitantes vindos de Israel, França, Rússia e Tanzânia.

Vale explicar o mapa para o leitor brasileiro. A TED é uma das divisões mundiais da Igreja Adventista e abrange majoritariamente países do norte da Europa, além de territórios no Oriente Médio. É uma realidade diferente da Divisão Sul-Americana (DSA), à qual o Brasil pertence e que concentra o maior número de desbravadores do planeta. Reunir 26 nacionalidades em um campori de porte europeu, portanto, envolveu somar clubes de contextos culturais e linguísticos muito distintos.

Essa mistura apareceu já na cerimônia de abertura, com o desfile e o hasteamento de bandeiras dos países participantes e apresentações culturais dos diferentes grupos — um retrato de como o movimento dos desbravadores funciona como linguagem comum entre jovens de origens diversas.

250 voluntários contra a chuva e o vendaval

Montar um campo para milhares de pessoas nunca é simples, e em 2019 o clima britânico cobrou seu preço. Segundo o serviço de notícias adventista do Reino Unido, uma equipe de cerca de 250 voluntários ergueu a estrutura do evento enfrentando um dia de chuva e ventos fortes, que chegaram a derrubar tendas já montadas.

Apesar das condições, a organização conseguiu colocar o campo de pé a tempo. De acordo com a mesma fonte, todos os cerca de 4 mil participantes foram alimentados antes do início do programa de abertura, na noite de 30 de julho — um desafio logístico que, sozinho, dá a medida do porte do evento.

Cozinha, refeitório, segurança, montagem e limpeza em um campori dependem quase inteiramente de trabalho voluntário. É o mesmo modelo que sustenta os grandes camporis no Brasil, onde diretores, pais e líderes se revezam em funções de bastidor para que a programação aconteça. Em Ardingly, esse esforço invisível foi o que garantiu que a chuva não adiasse a abertura.

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Abertura com tambores, gaita de foles e o Egito no palco

A noite de abertura reuniu os elementos clássicos de um campori com a identidade visual do tema. O palco recebeu cenografia inspirada no antigo Egito, em referência direta ao Êxodo, e a programação combinou apresentação de tambores, a cerimônia de hasteamento de bandeiras e canto congregacional, segundo a tedNEWS.

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Houve também um toque local: os participantes foram recebidos ao som de uma gaita de foles escocesa, detalhe que ancorou o evento no território britânico que o sediava. A mensagem da noite, conforme a divisão, ficou a cargo da pastora norueguesa Melissa Myklebust, que abordou temas como a Criação, a Queda e a busca por Deus.

Nos dias seguintes, o campo teve a rotina típica desse tipo de encontro: atividades de especialidades, projetos comunitários, esportes, construções de pioneiria e momentos de adoração. A programação noturna foi transmitida ao vivo pela internet, permitindo que familiares e clubes de fora acompanhassem à distância.

O que é um campori — e por que ele importa

Para quem está chegando ao movimento, vale a explicação. Um campori é um grande acampamento que reúne vários clubes de desbravadores em um mesmo local por alguns dias, com programação de espiritualidade, atividades ao ar livre, competições, especialidades e cerimônias. Ele pode ser de clube, regional, de campo, de união, de divisão ou internacional — quanto mais alto o nível, maior o número de participantes e de países envolvidos.

Os desbravadores formam o ministério da Igreja Adventista voltado a crianças e adolescentes de 10 a 15 anos, organizado em clubes que trabalham valores, natureza, serviço comunitário e vida espiritual. O evento de Ardingly foi um campori de divisão — um degrau acima dos camporis nacionais —, o que explica a presença de dezenas de nacionalidades e o tamanho da estrutura.

Camporis dessa escala costumam marcar a memória de quem participa. Além da programação, eles funcionam como ponto de encontro entre clubes distantes, ocasião de batismos e de investiduras, e momento em que jovens de realidades diferentes descobrem que fazem parte de um mesmo movimento mundial.

O que isso diz a um desbravador brasileiro

Para o desbravador brasileiro, acostumado a camporis com dezenas de milhares de participantes, um evento de 4 mil pessoas pode parecer modesto. O contexto, porém, muda a leitura: na Europa, onde os clubes são menores e mais espalhados, reunir esse público em um só campo representou um marco — daí a divisão tê-lo classificado como o maior do gênero até então.

A comparação ajuda a enxergar a dimensão global do movimento. O mesmo uniforme, as mesmas especialidades e a mesma estrutura de clubes que existem no Brasil aparecem também em Ardingly, com adaptações locais. Um campori da Divisão Transeuropeia e um campori no Brasil compartilham a mesma raiz, ainda que em escalas e paisagens distintas.

O recado que Ardingly deixou — resumido na fala de que o encontro era "um bom sinal para o futuro da igreja na Europa" — vale como lembrete de que o trabalho com desbravadores é medido menos pelo tamanho do campo e mais pelo número de jovens envolvidos. Foi essa leitura que orientou a cobertura do evento pela imprensa adventista.