Cerca de 5 mil desbravadores de mais de vinte países acamparam de 13 a 19 de abril de 2025 em Glen City, nos arredores de Harare, capital do Zimbábue, para o 4º Campori da Divisão Sul-Africana e do Oceano Índico (SID). Sob o tema Saved to Serve — "Salvos para Servir" —, o encontro de uma semana foi organizado pelo Ministério Jovem Adventista da divisão e reuniu delegações de dentro e de fora do território africano.
De acordo com a Echo Magazine, publicação oficial da SID, e o Ministério Jovem Adventista da divisão, o campori foi descrito como uma semana de adoração, comunhão e serviço, com programação que passou por especialidades, atividades ao ar livre, ordem unida e cultos coletivos.
O que aconteceu em Glen City
Entre 13 e 19 de abril de 2025, o acampamento de Glen City, na periferia de Harare, virou uma pequena cidade de barracas. Segundo o Ministério Jovem Adventista da SID e a Echo Magazine, cerca de 5 mil desbravadores participaram do 4º Campori da divisão, número que faz do encontro um dos maiores já realizados pelo movimento na região.
O tema oficial foi Saved to Serve, traduzido para o português como Salvos para Servir — uma síntese da ideia adventista de que a experiência da fé se completa no serviço ao próximo. A programação, informou a divisão, distribuiu-se por uma semana e combinou cultos, momentos de louvor, oficinas de especialidades, atividades físicas e de campo, e as tradicionais apresentações de ordem unida entre as unidades.
A escolha do Zimbábue como sede colocou o país no centro do calendário adventista juvenil daquele abril. A imprensa local acompanhou a chegada das delegações, e o encontro mobilizou estrutura de acampamento, alimentação e logística para milhares de participantes ao longo de sete dias.
O que é um campori
Para quem chega agora ao universo dos Desbravadores, vale explicar o termo. Campori é o nome dado aos grandes acampamentos que reúnem vários Clubes de Desbravadores ao mesmo tempo, quase sempre organizados por uma instância regional da Igreja Adventista — uma associação, uma união ou, como neste caso, uma divisão inteira.
É no campori que os clubes montam suas barracas, competem em provas de habilidades como nós, pioneirias e primeiros socorros, participam de cultos coletivos e desfilam em ordem unida, a marcha coordenada que é uma das marcas visuais do movimento. Quanto mais alto o nível organizador, maior o evento: um campori de divisão, como o da SID, junta desbravadores de vários países de uma só vez.
Os Desbravadores são o ministério da Igreja Adventista do Sétimo Dia voltado a meninos e meninas de 10 a 15 anos, com foco em natureza, vida cristã, disciplina e serviço comunitário. O movimento reúne cerca de 2 milhões de desbravadores em clubes espalhados pelas treze divisões mundiais da Igreja Adventista, e encontros como o do Zimbábue funcionam como pontos altos do calendário, quando o clube local se descobre parte de algo muito maior.
O que é a Divisão SID
A sigla SID vem de Southern Africa-Indian Ocean Division, a Divisão Sul-Africana e do Oceano Índico. As divisões são as grandes regiões administrativas em que a Igreja Adventista organiza o mundo — a mesma lógica pela qual o Brasil pertence à Divisão Sul-Americana (DSA).
Com sede em Pretória, na África do Sul, a SID coordena a igreja em uma faixa que reúne países como Zimbábue, Moçambique, Zâmbia, Botsuana, Angola, Malawi, Namíbia e nações insulares do Oceano Índico, como Madagascar, Maurício e Seychelles. Segundo dados da própria divisão, o território abriga mais de 3,9 milhões de membros adventistas, o que dá a dimensão da base a partir da qual o campori foi convocado.
Entender essa geografia ajuda a ler o número de 5 mil participantes: eles não vieram de uma única cidade ou país, mas de dezenas de campos espalhados pelo sul do continente africano e por ilhas do Índico — além dos convidados internacionais que atravessaram o oceano para estar lá.
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O caráter internacional foi um dos traços do encontro. Conforme divulgado pelo Ministério Jovem Adventista da SID, participaram delegações de mais de vinte países, e a lista de visitantes ultrapassou as fronteiras da própria divisão: entre os grupos de fora do território africano estiveram representantes do Brasil, das Bahamas e da Jamaica.
A presença brasileira conecta o evento diretamente ao público de língua portuguesa. Embora o Brasil pertença a outra divisão — a Sul-Americana —, a ida de desbravadores brasileiros ao Zimbábue ilustra como o movimento cruza continentes: uniformes, lenços e bandeiras de clubes de origens muito diferentes dividiram o mesmo acampamento durante a semana.
Para os desbravadores locais, receber esses grupos teve peso adicional. A chegada de delegações internacionais a um acampamento africano é rara e transforma o campori em uma experiência de intercâmbio cultural, além de espiritual — algo que a organização destacou ao apresentar o evento como encontro de fé, serviço e amizade entre povos.
Uma semana de adoração e especialidades
A programação seguiu o formato consagrado dos grandes camporis. Segundo a divisão, os sete dias combinaram cultos matinais e noturnos, pregações voltadas ao público juvenil, louvor coletivo e o cumprimento de requisitos de especialidades — as insígnias que os desbravadores conquistam ao dominar uma habilidade, de astronomia a primeiros socorros.
As atividades ao ar livre e de campo, típicas do movimento, ocuparam boa parte dos dias, ao lado das apresentações de ordem unida, em que cada unidade demonstra disciplina e coordenação. O sábado, dia de guarda religiosa dos adventistas, concentrou o principal culto da semana, reunindo todos os acampados em um só serviço.
O tema Salvos para Servir foi o fio condutor: as mensagens buscaram ligar a experiência pessoal de fé ao compromisso com o serviço comunitário, uma das bandeiras históricas dos Desbravadores. Mais do que uma semana de competições, a organização apresentou o campori como um chamado à ação diante das comunidades de origem de cada clube.
Bastidores e liderança
O encontro mobilizou a alta liderança da Igreja Adventista. De acordo com registros da SID, esteve presente o pastor Busi Khumalo, diretor dos Ministérios Jovens da Associação Geral — a sede mundial da igreja —, e a organização foi conduzida pela liderança jovem da própria divisão, sob a presidência da SID.
A chegada das delegações teve até recepção protocolar. Segundo relatos divulgados sobre o evento, líderes e grupos foram recebidos no aeroporto internacional de Harare por uma guarda de honra formada por desbravadores uniformados da cidade, cena que deu o tom cerimonioso da semana que se iniciava.
Nos bastidores, um campori dessa escala exige meses de preparo: transporte, hospedagem em barracas, água, alimentação e segurança para milhares de crianças e adolescentes. A realização sem grandes incidentes, ao longo de sete dias, é ela própria parte do resultado que a organização celebrou ao encerramento.
O que fica do 4º Campori da SID
Encontros como o de Glen City deixam marcas que vão além da semana de acampamento. Para muitos dos 5 mil participantes, foi a primeira vez diante de uma multidão de desbravadores de tantas origens — a prova concreta de que o clube da esquina faz parte de um movimento mundial.
O 4º Campori também reforçou o Zimbábue e a Divisão SID no mapa dos grandes eventos adventistas juvenis, mostrando capacidade de sediar delegações internacionais. E consolidou, para uma nova geração, o lema que batizou o encontro: a ideia de que a fé se traduz em serviço.
No Brasil, a experiência conversa diretamente com a tradição de camporis da Divisão Sul-Americana, que reúne dezenas de milhares de desbravadores em seus próprios encontros. Ver colegas brasileiros no Zimbábue é lembrar que, apesar das distâncias, o uniforme, os ideais e a canção são os mesmos — de Harare a qualquer clube do país.