Imagine um homem que passou a adolescência inteira no mar. Aos quinze anos, Joseph Bates embarcou como grumete e virou marinheiro. Anos depois, já comandava o próprio navio, respeitado e com dinheiro no bolso. Um homem duro, acostumado a tempestades e a comandar homens durões.
Só que a vida mais importante de Bates começou quando ele desceu do navio. Ele largou o tabaco, largou a bebida, largou o chá e o café. Fundou uma das primeiras sociedades de temperança da América. E então descobriu uma verdade na Bíblia que iria mudar tudo: o sábado do sétimo dia.
Se você é Desbravador, guarda o sábado ou tem curiosidade sobre por que os adventistas guardam, esta história é para você. Bates não é só um nome numa lista de pioneiros. Ele é a prova de que uma pessoa comum, transformada por uma convicção, pode mudar o rumo de uma história inteira.
Quem foi o capitão Joseph Bates
Joseph Bates nasceu em 8 de julho de 1792, perto da velha cidade baleeira de New Bedford, em Massachusetts, nos Estados Unidos. Cresceu no lugar que hoje se chama Fairhaven, com o cheiro do mar sempre por perto. Não é surpresa que, aos quinze anos, ele já estivesse a bordo de um navio comercial.
Durante cerca de duas décadas ele viveu a vida dura do marinheiro. Enfrentou tempestades, foi capturado e ficou preso durante a guerra entre Estados Unidos e Inglaterra, e mesmo assim voltou ao mar. Por volta de 1820 já era capitão do próprio navio. Aos poucos juntou uma pequena fortuna e, por volta de 1827, deixou a vida de marinheiro para viver em terra firme.
Guarde essa imagem: um homem de fibra, líder nato, acostumado a dar ordens e a ser obedecido. Deus não escolhe apenas os tímidos e os quietos. Às vezes Ele chama justamente o capitão durão para uma missão que exige coragem. Bates ainda não sabia, mas a maior viagem da vida dele estava só começando.
O homem que largou tudo o que fazia mal
Antes mesmo de virar pregador, Bates já tinha um cuidado incomum com o corpo e a mente. Em 1821, ainda como capitão, largou o cigarro e o tabaco de mascar. Depois deixou o chá e o café. Em 1843 tornou-se vegetariano. Ele fazia essas escolhas por convicção, décadas antes de a saúde virar parte oficial da mensagem adventista.
O passo mais marcante veio em 1827. No dia do seu batismo, Bates pediu ajuda para organizar uma sociedade de temperança. Assim nasceu a Sociedade de Temperança de Fairhaven, considerada uma das primeiras do gênero na América, formada por cerca de doze membros, a maioria capitães de navio como ele. Poucos anos depois, ele via com alegria milhares de sociedades parecidas espalhadas pelos Estados Unidos.
Isso conversa direto com a vida do seu Clube. Quando você aprende a dizer não ao que faz mal ao corpo, você está andando pelo mesmo caminho que Bates abriu há quase duzentos anos. Se quiser ir mais fundo, vale conhecer a Especialidade de Temperança, que trata exatamente disso: cuidar do corpo como um presente de Deus.
Como um capitão descobriu o sábado
Por volta de 1845, Bates ouviu falar de um grupo de cristãos numa pequena cidade chamada Washington, em New Hampshire, que tinha começado a guardar o sétimo dia, o sábado, como dia de descanso e adoração. Essa ideia não surgiu do nada. Ela chegou àquele grupo por meio de Rachel Oakes, uma mulher que conhecia a verdade do sábado, e do pastor Frederick Wheeler, que passou a pregá-la.
Bates leu sobre o assunto num folheto e ficou intrigado. Ele foi verificar por conta própria, estudando a Bíblia. Encontrou o mandamento claro em Êxodo 20:8: "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar." Não era uma invenção humana; era um mandamento antigo, escrito pelo próprio dedo de Deus. Para um homem acostumado a conferir mapas e bússolas, aquilo fez sentido.
Convencido, Bates começou a guardar o sábado. E aqui está uma lição para você: ele não aceitou porque alguém mandou, nem porque era moda. Ele estudou, comparou com a Bíblia e decidiu com convicção. É assim que uma fé fica firme, capaz de enfrentar qualquer tempestade.
Leia tambémWilliam Miller: o pregador que anunciou a volta de JesusO folheto de 1846 que mudou o rumo
Em 1846, Bates transformou o que estudou num tratado com um título comprido, ao estilo da época: "The Seventh Day Sabbath, a Perpetual Sign", ou seja, "O Sábado do Sétimo Dia, um Sinal Perpétuo". Nele, o antigo capitão reuniu os argumentos bíblicos que o tinham convencido de que o sábado continua valendo para os cristãos.
Esse folheto caiu nas mãos de um jovem casal recém-casado: Tiago White e Ellen White. Eles leram, estudaram e passaram a guardar o sábado. Repare no tamanho disso. Um único folheto, escrito por um ex-marinheiro, ajudou a moldar a fé de duas das pessoas mais importantes da história adventista.
É a velha verdade de que ninguém sabe onde uma boa mensagem vai parar. Quando você compartilha algo verdadeiro, seja um versículo, um convite ao Clube ou um gesto de bondade, você nunca sabe quantas pessoas serão alcançadas depois. Bates escreveu um folheto; o resultado atravessou séculos.
O elo entre os mileritas e a Igreja Adventista
Para entender o lugar de Bates na história, é preciso conhecer o pano de fundo. Nos anos 1840, muitos cristãos nos Estados Unidos, chamados mileritas, esperavam a volta de Jesus para uma data específica. Quando aquilo não aconteceu como imaginavam, o movimento se dispersou e muitos ficaram desanimados.
Foi nesse momento que um pequeno grupo, incluindo Bates, os White e outros, começou a estudar a Bíblia com mais cuidado. Eles não desistiram da fé. Redescobriram verdades como o sábado e a esperança do retorno de Jesus. Bates foi um dos três principais co-fundadores desse movimento, que anos depois recebeu o nome de Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Por isso ele é chamado de elo. Bates ajudou a ligar o antigo movimento milerita àquilo que viria a ser a Igreja Adventista. Ele pegou pedaços dispersos e ajudou a costurar uma esperança nova. Sem esse trabalho de ponte, a história que você vive hoje no Clube seria muito diferente.
O que a vida de Bates ensina ao seu Clube
A primeira lição é sobre estudar antes de acreditar. Bates não engoliu ideias prontas. Ele abriu a Bíblia, verificou e só então se comprometeu. No seu Clube, você é convidado a fazer o mesmo: perguntar, investigar e construir uma fé que seja sua de verdade, e não apenas herdada.
A segunda é sobre cuidar do corpo. Muito antes de existir uma Especialidade sobre isso, Bates já vivia a temperança. Ele mostra que cuidar da saúde não é regra chata, mas um jeito de honrar o corpo que Deus deu. Se quiser entender melhor por que os adventistas guardam esse dia especial, veja também por que guardamos o sábado.
A terceira é sobre coragem. Bates era um capitão durão, mas usou essa firmeza para o bem. Você não precisa esperar ficar adulto para fazer diferença. Um Desbravador de dez ou quinze anos que vive suas convicções com coragem, como Bates viveu, já está deixando uma marca no mundo à sua volta.
Dois versículos que guiaram o capitão
Toda a jornada de Bates girou em torno de um mandamento simples e antigo. Leia com calma o texto que o convenceu, em Êxodo 20:8-11 (ARA): "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus... porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra... e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou."
O outro versículo que marcou o movimento de Bates está no fim da Bíblia, em Apocalipse 14:12 (ARA): "Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." Para Bates e seus companheiros, esse texto unia duas coisas que eles amavam: fidelidade a Deus e confiança em Jesus.
Junte os dois e você tem o coração da história. Um mandamento antigo do começo da Bíblia, e uma promessa firme no fim dela. Foi essa ponte entre o começo e o fim que um velho capitão do mar decidiu atravessar, e que hoje chega até você.