Imagine um lugar onde, por alguns dias, dezenas de milhares de barracas brotam lado a lado, fogueiras se acendem ao entardecer e uma multidão de jovens marcha, canta e ora junto. Esse é o Campori da Divisão Sul-Americana — o grande encontro que reúne os Clubes de Desbravadores de oito países da América do Sul. Mas nem sempre foi assim. Tudo começou pequeno, na virada de 1983 para 1984, num descampado em Foz do Iguaçu. Reunimos aqui o que as fontes oficiais adventistas registram sobre cada edição: as datas, os locais, os temas e o impressionante crescimento desse evento ao longo de mais de quatro décadas.
O que é o Campori da Divisão Sul-Americana
O Campori é o grande acampamento dos Clubes de Desbravadores: durante alguns dias, vários clubes se reúnem num só lugar para acampar, competir em provas, vivenciar a espiritualidade e celebrar a amizade. Os Camporis acontecem em vários níveis — de clube, de região, de associação, de união e de divisão. O Campori da Divisão Sul-Americana (DSA) é o maior deles na nossa parte do mundo: reúne Desbravadores de oito países (Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Equador).
Por ser o encontro de maior alcance da região, ele é realizado de tempos em tempos — não todos os anos —, sempre com um tema central, programação espiritual e provas oficiais. Cada edição vira um marco na memória de quem participa, e muitos Desbravadores guardam a vida inteira a lembrança do seu primeiro Campori sul-americano.
O I Campori (1983-1984): onde tudo começou 1983-1984
O marco da América do Sul aconteceu na virada de 1983 para 1984. De 28 de dezembro de 1983 a 4 de janeiro de 1984, a Divisão Sul-Americana realizou o seu I Campori dos Desbravadores em Foz do Iguaçu, no Paraná. A direção foi do Pr. Cláudio Belz, então líder ligado ao trabalho com a juventude na Divisão, e o tema escolhido foi "Da Natureza ao Criador" — um convite a olhar para a criação e enxergar Deus por trás dela.
Para a época, os números já impressionavam. Os registros históricos apontam a participação de aproximadamente 104 clubes e cerca de 3.500 Desbravadores, vindos de países como Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile. Naquele tempo, padronização era luxo: relatos contam que poucos clubes tinham barracas iguais — muitos improvisavam com lona preta ou material do exército. Era o começo de tudo.
Aquele encontro abriu caminho. Mais de uma década se passaria até a segunda edição, mas a semente estava plantada: a América do Sul descobriria o gosto por reunir seus Desbravadores em acampamentos cada vez maiores.
"Primeiro Campori dos Desbravadores da Divisão Sul-Americana, de 28 de Dezembro a 4 de Janeiro de 1984, Foz do Iguaçu, Brasil."Site oficial dos Desbravadores (adventistas.org)
Os anos de consolidação (1994 e 2005)
Depois do pioneiro de Foz do Iguaçu, vieram duas edições que consolidaram o evento. O II Campori aconteceu em janeiro de 1994, na cidade de Ponta Grossa (PR), sob a direção do Pr. José Maria Barbosa. As fontes apontam um salto expressivo de participação — da casa dos milhares para cerca de dez mil Desbravadores.
Onze anos depois, em janeiro de 2005, o III Campori foi realizado em Santa Helena (PR), dirigido pelo Pr. Erton Köhler — que mais tarde se tornaria um dos principais líderes mundiais da Igreja Adventista. Essa edição teria reunido por volta de vinte mil participantes, dobrando novamente o porte do encontro.
Quanto aos temas dessas duas edições, há uma observação honesta a fazer: o site oficial dos Desbravadores confirma datas, locais e diretores, mas não detalha os lemas. Enciclopédias colaborativas da comunidade registram "Na Trilha dos Pioneiros" para 1994 e "Fonte de Esperança" para 2005 — informações que circulam amplamente, mas que não localizamos confirmadas numa fonte oficial. Por isso, tratamos esses dois temas como prováveis, e não como certos.
A era de Barretos (2014 e 2019)
A partir da quarta edição, o Campori da DSA encontrou um novo lar: o Parque do Peão, em Barretos (SP), uma das maiores estruturas de eventos da América Latina. O IV Campori aconteceu em janeiro de 2014, dirigido pelo Pr. Udolcy Zukowski, e reuniu por volta de 35 mil Desbravadores. O tema registrado por fontes da comunidade é "Encontro Marcado na Eternidade".
O salto seguinte foi monumental. O V Campori, em 2019, também em Barretos e novamente sob direção do Pr. Udolcy Zukowski, teve como tema "A Melhor Aventura" e reuniu cerca de 100 mil participantes. Foi tão grande que precisou ser dividido em duas edições realizadas em semanas diferentes de janeiro — chamadas Alfa e Ômega —, porque nem mesmo o Parque do Peão comportaria todo mundo de uma vez só.
Em pouco mais de três décadas, o que começou com 3.500 Desbravadores num descampado de Foz do Iguaçu havia se transformado em um dos maiores acampamentos de jovens do mundo. O crescimento conta, por si, uma história de fé e de uma geração apaixonada pelo movimento.
O próximo capítulo: VI Campori (2027) 2027
A história não parou. O VI Campori Sul-Americano está marcado para janeiro de 2027, mais uma vez no Parque do Peão, em Barretos, com o tema "Sempre Desbravador". A organização espera reunir cerca de 120 mil crianças e adolescentes de toda a Divisão Sul-Americana, sob a direção do Pr. Jeferson Silva.
Seguindo o modelo que deu certo em 2019, o evento será novamente dividido em duas etapas: o acampamento Alfa, de 5 a 10 de janeiro, e o Ômega, de 12 a 17 de janeiro. Por se tratar de um evento futuro, datas e números podem sofrer ajustes — vale sempre conferir os canais oficiais para a informação mais atualizada.
Do tema "Da Natureza ao Criador", em 1983, ao "Sempre Desbravador", em 2027, há um fio que nunca se rompeu: a vontade de reunir os jovens, formar caráter e aproximá-los de Deus. É a mesma chama da primeira fogueira de Foz do Iguaçu, agora multiplicada por cem mil barracas.
"120 mil desbravadores de vários países são esperados no VI Campori Sul-Americano."Notícias Adventistas (noticias.adventistas.org)
Por que essa história importa
Acompanhar a trajetória dos Camporis da DSA é ver uma ideia simples ganhar o continente. Cada edição superou a anterior não apenas em número, mas em estrutura, em alcance e em sonho. E, no entanto, o propósito permaneceu intacto: dar aos Desbravadores uma experiência inesquecível de fé, amizade e serviço.
Da próxima vez que você ouvir falar de um Campori sul-americano, lembre-se de que aquilo nasceu pequeno — com pouco mais de cem clubes e barracas improvisadas. O que mudou foi o tamanho. O coração continua o mesmo de 1983.