Um Campori é o ponto alto da vida de um Desbravador: milhares de barracas lado a lado, uniformes de todas as cores, ordens unidas, fogueiras e cultos que ficam na memória para sempre. O Brasil, que reúne a maior parte dos Desbravadores da América do Sul, sediou alguns dos maiores encontros do mundo. Reunimos aqui os grandes Camporis brasileiros — os da Divisão Sul-Americana (DSA) e os de união — com os números que conseguimos confirmar em fontes oficiais adventistas. Onde os dados são estimados ou divergem entre as fontes, dizemos isso com honestidade.
O que é um Campori (e por que o Brasil pesa tanto)
Campori é a união das palavras 'camp' (acampamento) e 'jamboree'. Na prática, é um grande acampamento que reúne vários Clubes de Desbravadores ao mesmo tempo, com programação espiritual, atividades físicas, especialidades, ordens unidas e muita convivência. Eles acontecem em diferentes níveis: de clube, de região, de associação, de união e, no topo, o Campori da Divisão Sul-Americana (DSA), que junta Desbravadores de vários países.
Segundo a Igreja Adventista, os primeiros Clubes de Desbravadores do Brasil nasceram em 1959, em Santa Catarina e São Paulo, depois que o movimento foi oficializado mundialmente em 1950. De lá para cá, o Brasil se tornou o país com o maior número de Desbravadores da DSA — e é por isso que quase todos os megacamporis sul-americanos acontecem em território brasileiro.
Os Camporis Sul-Americanos: todos no Brasil
O Campori Sul-Americano é o maior de todos. Reúne Desbravadores de oito a nove países da DSA e, até hoje, todas as edições foram realizadas no Brasil. O crescimento ao longo das décadas é impressionante: começou com poucos milhares e chegou ao patamar de 100 mil participantes.
A primeira edição aconteceu na virada de 1983 para 1984, em Foz do Iguaçu (PR), com o tema 'Da Natureza ao Criador'. Depois vieram Ponta Grossa (1994) e Santa Helena (2005), ambas no Paraná. A partir de 2014, o evento se firmou em Barretos (SP), no Parque do Peão — estrutura usada normalmente para a maior festa de rodeio do país, capaz de abrigar uma 'cidade de barracas'.
"Encontro Marcado na Eternidade" e "A Melhor Aventura" estão entre os temas mais lembrados de uma geração inteira de Desbravadores.Temas dos Camporis DSA de 2014 e 2019, em Barretos
Barretos 2019: o megacampori 'A Melhor Aventura'
Se há um Campori que entrou para a história pelo tamanho, foi o V Campori Sul-Americano, realizado em janeiro de 2019 em Barretos. Para caber tanta gente, ele foi dividido em duas edições — Alfa (8 a 13 de janeiro) e Ômega (15 a 20 de janeiro) — somando cerca de 100 mil participantes de vários países da DSA, segundo a cobertura da imprensa adventista. Algumas fontes citam números um pouco diferentes para cada recorte (total geral, brasileiros, presentes simultâneos), então tratamos os 100 mil como o número amplamente divulgado para o conjunto do evento.
Com o tema 'A Melhor Aventura', a programação falou da jornada do adolescente como Desbravador, cidadão, cristão e missionário. Foi um daqueles eventos que viram referência: cinco anos depois, ainda é comum ouvir Desbravadores contando 'eu estive no Campori de 2019'.
Os grandes Camporis de união
Nem só de Sul-Americano vive o calendário. As uniões (que agrupam vários estados) realizam seus próprios megacamporis, e alguns são gigantescos por si só. Um exemplo marcante é o Campori da União Central Brasileira (UCB), que administra a Igreja no Estado de São Paulo: sua oitava edição, com tema 'Fé Invencível', reuniu cerca de 26 mil Desbravadores de aproximadamente 600 clubes em Barretos, de 12 a 16 de julho de 2023.
No Nordeste, o Campori 'Protagonistas' reuniu cerca de 19 mil Desbravadores em Parnamirim (RN), de 13 a 17 de novembro de 2024, com clubes de seis estados nordestinos. Já a União Sudeste Brasileira (USeB) levou cerca de 16 mil Desbravadores de Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais ao seu VII Campori, em Lavras (MG), em julho de 2023, com o tema 'Ele Vem'. São números que, em qualquer outro contexto, equivaleriam à população de cidades inteiras.
Por que esses números são tão grandes
Reunir dezenas de milhares de crianças e adolescentes em um só lugar exige uma estrutura que poucos eventos no país alcançam: milhares de barracas, dezenas de cozinhas, pontos de hidratação, segurança, equipes de saúde e centenas de voluntários. Nos megacamporis de Barretos, fala-se em verdadeiras 'cidades temporárias' montadas em poucos dias no Parque do Peão.
Esse porte explica por que o Brasil concentra os maiores eventos: o país tem a maior base de clubes da DSA, infraestrutura de grandes parques de eventos e uma cultura de Desbravadorismo muito forte. Para o leitor que nunca foi a um, vale o aviso: um Campori é, ao mesmo tempo, exaustivo e inesquecível.