Quase tudo o que existe hoje sobre como cadastrar no SGC está em vídeo. Ótimo para quem tem tempo e fone de ouvido, péssimo para quem está com a secretaria aberta às 22h de uma terça-feira e só precisa saber uma coisa: o que vem primeiro. Este guia é a versão escrita disso, na ordem em que os cadastros realmente dependem uns dos outros.

O SGC — o Sistema de Gerenciamento de Clubes da Divisão Sul-Americana — é o lugar oficial onde o seu clube existe perante a igreja. A DSA descreve com todas as letras que os clubes são responsáveis diretos por inserir no sistema os cadastros de membros, fichas médicas, Classes, Especialidades, Unidades, patrimônio, agenda, documentos, tesouraria, Seguro Anual, relatórios on-line e inscrições em eventos. Aqui vamos cobrir os cinco primeiros, que são o coração da secretaria.

Se você ainda não tem acesso ao sistema, comece pelo guia do SGC: o que é e como entrar. Se já tem login e senha, siga em frente — e tenha em mãos a lista de membros do ano.

Por onde começar: qual é a ordem certa dos cadastros?

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O erro clássico de quem abre o SGC pela primeira vez é começar pelo fim — lançar especialidades antes de existir membro ativo, ou criar unidade antes de ter gente para colocar dentro dela. A lógica do sistema é de camadas: primeiro o clube existe, depois as pessoas, depois os grupos, depois o que essas pessoas conquistaram.

Vale guardar esta sequência num papel colado no caderno da secretaria. Ela não muda quando o sistema muda de layout — e o SGC ganhou uma versão reformulada, apresentada pela DSA em dezembro de 2024, com telas diferentes das que aparecem em tutoriais mais antigos.

OrdemCadastroMínimo obrigatórioQuem costuma fazer
1Dados do clubeInformações atualizadas, principalmente coordenadas de geolocalização e texto do históricoDiretor ou secretário
2MembrosNome completo, data de nascimento, e-mail e situação ativa, com função compatível com a idadeSecretário
3Ficha médicaPreenchimento pelos pais ou responsáveis, com atualização dentro de 12 mesesSecretário, a partir do que a família informa
4UnidadesDe 6 a 8 desbravadores por unidade, com conselheiro definidoDiretores associados
5ClassesNo mínimo 1 classe por membro ativo (liderança não conta)Instrutores e secretaria
6EspecialidadesMínimo de 5 especialidades por membro ativoInstrutores e secretaria

O que é norma e o que é escolha do clube: os mínimos das colunas acima vêm de documentos oficiais — o Manual Administrativo do Clube de Desbravadores e os critérios públicos de classificação de clubes da DSA. Já os nomes exatos dos menus, a ordem dos botões e alguns campos extras podem variar por versão do sistema e por orientação da sua Associação ou Missão. Se a tela não bater com o que você lê aqui, o conteúdo continua valendo: mudou a embalagem, não a exigência.

Como cadastrar um membro novo no SGC?

Existem dois caminhos, e a maioria dos clubes usa os dois no mesmo ano. O primeiro é a pré-matrícula on-line, em que a própria família preenche os dados. O segundo é o cadastro digitado direto pela secretaria, para quem chegou no meio do ano ou não tem internet em casa.

No caminho da pré-matrícula, o roteiro é este:

  1. O clube gera o código de matrícula. É um código curto, gerado por clube (não por membro) dentro do SGC, e pode ser renovado quantas vezes for necessário.
  2. A família abre a página pública do clube no portal Encontre um Clube e escolhe iniciar o pré-registro de membro. Sem o código, o formulário não abre.
  3. O responsável preenche os dados — nome completo e data de nascimento entre eles — e aceita os termos, que ficam embutidos na própria tela de matrícula.
  4. O clube confirma ou recusa. O que chega é uma pré-matrícula: ela só vira membro depois que a diretoria aceita dentro do SGC.

Nota de transparência sobre esta seção: o detalhamento do fluxo de pré-matrícula acima vem de um comunicado da DSA de 01/12/2022, assinado pelo webmaster do SGC, que circula reproduzido em blogs do movimento — não é uma página oficial aberta. O comprimento exato do código e a disposição dos campos podem ter mudado com a nova versão do sistema. O que é estável é a lógica: o código é do clube, o preenchimento é da família, e a confirmação é da diretoria dentro do SGC.

O que não pode faltar no cadastro: nome completo, data de nascimento (é ela que define a classe da idade e a ala), e-mail e a marcação de ativo. O e-mail parece detalhe, mas não é: o acesso do membro ao cartão virtual usa o código do clube, o e-mail cadastrado e a data de nascimento — todos preenchidos pelo clube no sistema. Cadastro sem e-mail é membro sem cartão virtual.

Um cuidado que evita dor de cabeça no fim do ano: quem saiu do clube precisa ser inativado, não apagado da memória. Membro parado como ativo continua entrando na conta do Seguro Anual e derruba os percentuais dos critérios que exigem 100% dos ativos em dia. Vale a mesma lógica na direção contrária: quem entrou em agosto precisa ser cadastrado em agosto, e não em dezembro. Se a secretaria do seu clube ainda funciona no caderno, vale ler o guia da secretaria do clube antes de migrar tudo de uma vez.

O que varia: a lista de documentos em papel que o clube exige na inscrição (ficha impressa, cópia de documento, comprovante de endereço, autorização de saída) é definida pelo próprio clube e pelas orientações do seu Campo. O que é comum a todos é o registro no sistema — esse não é opcional.

Ficha médica: por que ela vence todo ano?

Porque a orientação oficial da DSA para diretores diz isso com clareza: a ficha médica tem validade de 12 meses. E há um detalhe que quase todo secretário descobre tarde — mesmo que nada tenha mudado na saúde do desbravador, a ficha precisa ser confirmada e atualizada no SGC, para que a data de atualização fique sempre dentro dos 12 meses. O momento natural para fazer isso é o reinício das atividades do clube.

No ranking oficial dos clubes, a ficha médica vale até 75 pontos, e o critério exige 100% dos membros ativos com a respectiva ficha atualizada. Não é meio termo: é o percentual de membros em dia que define a pontuação.

O porquê educativo: a ficha médica não existe para pontuar. Ela existe para o dia em que o clube estiver a três horas de casa, num acampamento, e alguém precisar saber se aquele desbravador tem alergia a algum medicamento ou faz uso contínuo de alguma coisa. Preencher por preencher não protege ninguém — vale sentar com os pais uma vez por ano e revisar de verdade. É a mesma lógica de cuidado que sustenta todas as normas de proteção do menor dentro do clube.

Leia tambémFicha médica do desbravador

Como cadastrar unidades — e o que a norma exige?

Aqui a norma é bem específica, e ela vem do Manual Administrativo do Clube de Desbravadores: todos os desbravadores devem ser divididos em unidades, agrupados por sexo e faixa etária aproximada, e cada unidade deve ter de 6 a 8 desbravadores — o número que o manual considera apropriado para o programa funcionar. Cada unidade é coordenada por um conselheiro e, no máximo, um conselheiro associado.

O passo a passo no sistema segue essa estrutura:

  1. Crie a unidade com nome, ala (feminina ou masculina) e o conselheiro responsável já cadastrado como membro — por isso o cadastro de pessoas vem antes.
  2. Vincule os membros à unidade, respeitando a faixa etária aproximada e o limite de 6 a 8.
  3. Registre os cargos internos. Capitão e secretário de unidade são eleitos pelos próprios membros na primeira reunião do ano, com mandato de três meses a um ano, conforme decisão da Comissão Executiva do clube.
  4. Mantenha o relatório do Cantinho da Unidade em dia — vale até 150 pontos, empatado com o Seguro Anual e o Ranking do Campo como critério de maior peso, e exige 100% dos membros ativos com os dados preenchidos. Atenção a um detalhe que confunde muita gente: pelo critério oficial, esse relatório não é preenchido no cadastro do SGC — o acesso é do conselheiro, pelo portal Encontre um Clube. É mais um motivo para a unidade existir no sistema antes de dezembro.

O que varia: o nome da unidade, o bandeirim, o grito e a identidade visual são escolha do clube — nenhuma norma manda usar animal, planta ou estrela. Quem decide é a diretoria junto com a própria unidade. Se quiser entender a lógica por trás de tudo isso antes de digitar qualquer coisa, vale ler o artigo sobre o sistema de unidades.

O porquê: a unidade não é uma gaveta administrativa, é o núcleo pedagógico do clube. Uma unidade de 15 desbravadores não é uma unidade grande — é uma unidade que não funciona, porque o conselheiro deixa de conhecer cada um. O limite de 6 a 8 existe para proteger a relação, não para complicar o cadastro.

Classes e especialidades: quem registra e quem aprova?

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Esta é a confusão mais cara do SGC, então vamos separar bem: o clube registra, mas não é o clube que aprova. O Manual Administrativo é direto ao dizer que é função privativa dos regionais — e dos distritais, quando autorizados por eles — avaliar o cumprimento das Classes, das Especialidades e dos requisitos para a admissão em lenço, além de aprovar o recebimento dos emblemas. O manual ainda orienta que essas avaliações aconteçam com, pelo menos, três semanas de antecedência da cerimônia de investidura ou de recebimento.

Na prática, isso significa que lançar tudo no sistema em cima da hora não acelera nada: sem avaliação, não há aprovação. E as classes regulares seguem a idade — Amigo (10 anos), Companheiro (11), Pesquisador (12), Pioneiro (13), Excursionista (14) e Guia (15), cada uma com a sua cor, além das seis classes avançadas correspondentes. Se a dúvida for qual classe cada desbravador cursa, o cartão de classe explica o funcionamento do registro.

CritérioO que o critério oficial exigePontos no ranking
Seguro anual100% dos membros ativos inseridos no seguro vigente dentro do SGC (a liderança não contabiliza: tem Seguro Integrado com o Ministério Jovem)até 150
Cantinho da Unidade100% dos membros ativos com dados preenchidos no Relatório do Cantinho da Unidade, acessado pelo conselheiro no portal Encontre um Clubeaté 150
Cartões de classes100% dos membros ativos (exceto liderança) com preenchimento, ainda que parcial, dos requisitos — também pelo Cantinho da Unidade, via conselheiroaté 100
Ficha médica100% dos membros ativos com ficha atualizadaaté 75
Atualização de cadastros100% dos membros ativos revisados e atualizados no ano vigenteaté 50
Termos de adesão100% dos membros ativos com autorização coletada pelo SGC, pelo portal Encontre um Clube e pelo Portal de Eventosaté 50
Acessos do secretárioSecretário ativo, com no mínimo 48 acessos por ano (média de 4 por mês)até 50
ClassesNo mínimo 1 classe por membro ativo (liderança não contabiliza)até 25
EspecialidadesNo mínimo 5 especialidades por membro ativoaté 25
Dados do clubeCadastro completo, com geolocalização e texto do histórico — critério de tudo ou nada0 ou 25

A tabela acima traz só os critérios ligados a cadastro. A classificação oficial tem 15 critérios e soma até 1.000 pontos — os demais são inventário de patrimônio, agenda de atividades, documentos, tesouraria e Ranking do Campo. Acima de 800 pontos o clube fica com 5 estrelas; de 500 a 799, 4 estrelas; de 300 a 499, 3 estrelas; de 150 a 299, 2 estrelas; abaixo disso, 1 estrela.

Classes de liderança seguem outra regra. Pela OMD 018/2022 — publicada em 31/05/2022 e listada oficialmente pela DSA como "Cadastro de Classes de Liderança" —, desde 1º de junho de 2022 as classes de liderança passaram a ser feitas pela ferramenta do cartão virtual, ligada ao SGC e ao portal Encontre um Clube. Na prática, o preenchimento e o acompanhamento do cartão de Líder, Máster e Máster Avançado acontecem na página do cartão virtual dentro do portal Encontre um Clube, com login pelo código do SGC. O fluxo oficial é: o diretor ou o secretário preenche um dos requisitos no SGC para liberar o cartão do candidato; o candidato envia os requisitos em arquivo (PDF para texto, JPG para fotos, sem passar de 2 MB); ao chegar a 100%, o cartão fica pendente para o diretor revisar e recomendar a investidura; depois vai ao Coordenador Regional, quando existe na estrutura, ou direto ao Campo. Aprovado pela última instância, a classe entra automaticamente no histórico do membro, sem procedimento adicional.

Vale lembrar ainda a OMD 015/2018, de 04/07/2018, que, segundo a própria DSA, versa sobre o cadastro de líderes, líderes máster e líderes máster avançado no território sul-americano. O PDF oficial dela está digitalizado como imagem e não é pesquisável, então aqui ficamos no que a DSA declara publicamente: existe um cadastro oficial de liderança, e ele é o que dá lastro documental à investidura. Resumos que circulam em blogs acrescentam prazos e quantidade de registros por nível; como não conseguimos ler o texto oficial, não repetimos esses números. Para o passo a passo de conquistar uma especialidade do zero, veja como conquistar uma especialidade.

Quais erros mais custam ponto no fim do ano?

Todo ano é a mesma história: dezembro chega, o clube corre e descobre que perdeu ponto por coisa pequena. A classificação oficial é fechada em 31 de dezembro, e a própria DSA recomenda preencher o ranking do seu Campo aos poucos, em vez de tudo de uma vez.

Erro comumO que aconteceComo resolver
Ex-membro continua como ativoEle entra na conta do Seguro Anual (que exige 100% dos ativos inseridos, sem contar a liderança) e derruba os demais critérios que exigem 100% dos ativosInativar assim que o desligamento acontecer, não em dezembro
Secretário só entra no sistema em novembroUm critério de até 50 pontos exige secretário ativo com no mínimo 48 acessos por anoEntrar toda semana, nem que seja para conferir — a média pedida é de 4 acessos por mês
Ficha médica vencidaPerde até 75 pontos e, pior, o clube viaja sem informação de saúde confiávelRevisar com as famílias no reinício das atividades, todo ano
Cadastro sem e-mailO membro não consegue acessar o cartão virtualColetar e-mail na inscrição, junto com o telefone do responsável
Membro sem unidadeFica de fora do Relatório do Cantinho da Unidade, o critério de 150 pontosDistribuir todo mundo em unidades de 6 a 8 logo na abertura do ano
Especialidade ensinada e não lançadaNão entra no histórico e o clube não alcança o mínimo de 5 por membro ativoLançar no mesmo mês em que a especialidade foi avaliada
Avaliação marcada em cima da horaSem avaliação do Regional não há aprovação, e a investidura fica sem lastroAgendar com pelo menos três semanas de antecedência da cerimônia
Dados do clube incompletosO critério é tudo ou nada: sem geolocalização e histórico, zero pontoConferir uma vez por ano, na primeira reunião de diretoria

Repare no padrão: quase nenhum desses erros é técnico. São erros de rotina. E a própria classificação assume isso: um dos critérios cobra literalmente presença do secretário no sistema — no mínimo 48 acessos por ano, cerca de um por semana. O clube que trata a secretaria como hábito semanal chega em dezembro sem sustos; o que deixa acumular passa o mês de novembro correndo atrás de ficha médica no grupo de WhatsApp. Se o Seguro Anual ainda é nebuloso para você, o artigo sobre o seguro anual do clube completa o quadro.

O que só o SGC resolve — e o que fica de fora?

Precisa ficar dito com todas as letras: o SGC é insubstituível e nenhuma outra ferramenta ocupa o lugar dele. O registro oficial do membro perante a igreja, o Seguro Anual, a classificação dos clubes, a transferência entre clubes da DSA, o cartão virtual e a validação para inscrição nos eventos oficiais acontecem lá — e só lá. Qualquer sistema que prometa substituir isso está prometendo o que não pode entregar.

O que a lista pública de funções do SGC não cobre é a semana entre uma reunião e outra: avisar os pais da mudança de horário, guardar as fotos do acampamento com autorização de imagem, revisar especialidade no telão com a unidade, organizar o evento de arrecadação. Esse pedaço, historicamente, vive em planilha, papel e grupo de mensagens — e é exatamente aí que o Desbravai, que é grátis, se propõe a ajudar, sem tocar em nada do que é oficial.

Necessidade do clubeSGC (oficial)Desbravai (dia a dia)
Cadastro oficial de membros e transferênciasSim — só no SGCNão substitui
Seguro Anual e classificação de clubesSim — só no SGCNão faz
Cartão virtual e histórico oficial de classesSim — só no SGCNão faz
Comunicação com pais e agenda da semanaNão aparece na lista pública de funçõesSim
Galeria de fotos com controle de consentimentoNão aparece na lista pública de funçõesSim
Quiz de especialidades na reuniãoNão aparece na lista pública de funçõesSim

Como ler esta tabela. A coluna do SGC foi montada sobre a lista de responsabilidades que a DSA publicou ao anunciar o sistema — um texto antigo, do lançamento — e sobre os critérios públicos de classificação, consultados em 12 de julho de 2026. Só que o SGC foi reconstruído em dezembro de 2024, com dezenas de recursos novos e uma área interna que é fechada por login. Ou seja: "não aparece na lista pública" não é o mesmo que "não existe no sistema". Se o seu Campo indicar que alguma dessas funções já está no SGC, o SGC vence — este comparativo descreve o que dá para confirmar de fora, não o que existe lá dentro.