Todo Desbravador descobre cedo que uma corda com alça resolve meio acampamento: pendura o lampião, prende a lona na estaca, vira ponto de apoio numa pioneiria. O nó de azelha é essa alça feita na própria corda. O que separa o nó bom do perigoso é o comportamento dela quando alguém puxa: se corre e fecha, é um laço de correr; se mantém o tamanho, é uma alça fixa, família a que pertence a azelha.

Cada nó citado tem página própria no catálogo de nós e amarras do site, com vídeo e passo a passo. Aqui eles aparecem em três situações (ponta da corda, meio da corda e duas alças), com quando usar, quando evitar e como conferir. O panorama geral está em nós e amarras essenciais.

O que é nó de azelha e de onde vem o nome?

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A palavra quer dizer, ao pé da letra, pequena asa, como a asa de uma xícara. Os dicionários Priberam e Michaelis registram só a grafia aselha, com s, para a alcinha de linha ou fita que prende botão na roupa, e apontam a origem no latim ansicula. Os requisitos da especialidade de Nós e Amarras escrevem azelha, com z.

O termo aparece no primeiro requisito da especialidade de Nós e Amarras, que pede para definir dez termos técnicos, entre eles a alça de azelha, ou laçada com nó. Uma compilação com respostas, o Manual de Especialidades de Desbravadores organizado por Gerson Boiko dos Santos e guardado no acervo Arquivos Adventistas, define a alça de azelha como "nó simples que forma uma alça". O material não é uma edição oficial da DSA. É a azelha simples: a ponta da corda dobrada e um nó simples nas duas pernadas. Os requisitos estão explicados no guia da especialidade de Nós e Amarras.

A azelha simples (ABOK #1009) é a alça mais rápida e tem um defeito sério: depois de receber carga, aperta tanto que às vezes só sai cortando a corda. Serve para pendurar uma lanterna, e não para carga de verdade. No extremo oposto fica o laço que corre e fecha sob tensão, que nunca deve passar em volta do corpo ou do pescoço de alguém.

Dica: quando o nome popular confunde, procure o número ABOK do nó, tirado do The Ashley Book of Knots (1944): ele identifica o nó sem ambiguidade, seja qual for o apelido na sua região.

Qual nó de azelha usar? Três situações e uma tabela

Para escolher, responda na ordem: a alça fica na ponta ou no meio da corda, quantas alças você precisa e o que o nó vai enfrentar depois (carga pesada, puxões de vários lados, desatar toda semana). A tabela reúne os 14 laços fixos deste guia.

No clube, pesa muito a conferência a olho. Um oito bem arrumado tem desenho simétrico, com os cordões paralelos em cada curva, e o erro salta aos olhos do Conselheiro.

NóPara que serve aquiDificuldade
Lais de GuiaAlça na ponta que não corre nem aperta e desata fácil depois da cargaMédio
Lais de Guia d'ÁguaLais de guia com um cote extra, mais firme quando a alça fica sem cargaMédio
Laço Dragão DuploAlça na ponta que se solta menos que o lais de guia em corda lisaMédio
Laço em Oito ReentranteAlça em oito refeita em volta de argola, mosquetão ou cadeirinha, fácil de conferirMédio
Laço em NoveParente do oito, mais volumoso e menos sujeito a travarMédio
Laço de RetençãoAlça com um botão de nó acima, onde se prende a alça de outra cordaFácil
Laço do CirurgiãoAlça rápida em linha fina e cordão, para ligar alça com alçaFácil
Laço Borboleta AlpinaAlça no meio da corda que aceita carga em três direçõesMédio
Laço do FazendeiroAlça no meio feita enrolando a corda na mãoMédio
Laço Direcional em OitoAlça no meio para puxar numa direção sóMédio
Lais de Guia pelo SeioDuas alças fixas no meio da corda, sem usar as pontasMédio
Laço Duplo em OitoDuas alças em oito que não roubam corda uma da outraMédio
Laço Borboleta Alpina DuploDuas alças independentes no meio da cordaDifícil
Costura de OlhalAlça permanente tecida no próprio caboDifícil

Dificuldade segundo o catálogo de nós e amarras do site; usos conferidos no Animated Knots e na Wikipédia (outubro de 2026).

Na ponta da corda: lais de guia ou azelha em oito?

O lais de guia (ABOK #1010) é a alça fixa mais famosa da marinharia; o nome inglês, bowline, vem da linha que segurava para a frente a borda de barlavento da vela quadrada. Sob carga, ele não escorrega nem aperta, e depois desata fácil. O ponto fraco aparece sem carga: balançando solto, o nó pode se desfazer sozinho, e ele não pode ser feito nem desfeito com a corda tensionada. Na escalada e em qualquer uso com pessoa, o Animated Knots considera essencial um nó de segurança, o arremate.

Duas variações atacam esse defeito. O lais de guia d'água (ABOK #1012) ganha um cote extra, que forma uma volta do fiel na base e segura melhor a ponta. O laço dragão duplo, ausente do livro de Ashley, é indicado pelo Animated Knots para cordas escorregadias como as de Dyneema, porque se solta menos que o lais de guia.

A azelha em oito é o nó em oito feito com a corda dobrada (ABOK #1047), que alguns chamam de aselha dobrada. Quando a alça precisa abraçar uma argola ou a cadeirinha, entra o laço em oito reentrante: o oito é refeito pelo mesmo caminho em volta do objeto. É o nó padrão de encordoamento na escalada; o centro de escalada da Universidade Cornell o exige a até 6 polegadas (cerca de 15 centímetros) da cadeirinha, com pelo menos 6 polegadas de sobra, e pede que escalador e segurança confiram o sistema juntos antes da subida. Depois de carga pesada, porém, o oito pode travar.

O laço em nove leva meia-volta a mais, gasta mais corda e trava menos que o oito. O laço de retenção junta a alça e, acima dela, um botão de nó, o mesmo que Brion Toss criou para uma manilha de corda; em veleiros, o botão serve de ponto de encaixe para escotas e adriças terminadas em alça. O laço do cirurgião é a alça rápida da pesca, para ligar alça com alça em linhas e cordões finos.

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No meio da corda: para que serve o nó borboleta?

Quando as pontas estão ocupadas ou longe, a alça nasce no meio da corda, e o campeão é o laço borboleta alpina (ABOK #1053), que na lista de Nós e Amarras aparece só como nó borboleta; a descrição da compilação, citada ao lado, combina com ele. Ele aceita carga em três direções: da alça para qualquer ponta, de uma ponta à outra com a alça solta, ou na alça com o peso dividido entre as pontas. Desata com razoável facilidade mesmo depois de muita carga e capota (vira e se deforma sob carga) menos que o lais de guia pelo seio e a alça em oito.

A borboleta também isola um trecho gasto da corda, que fica dentro da alça sem receber esforço até a troca.

O laço do fazendeiro (ABOK #1054) faz o mesmo trabalho com voltas dadas em torno da mão. Ashley o registra a partir de um folheto de curso de leitura da Universidade Cornell, de 1912, e elogia o método: depois de dominado, dificilmente se esquece. Para o Animated Knots, a borboleta cumpre a mesma função com vantagem, porque é mais compacta e mais fácil de fazer.

O laço direcional em oito é a alça de mão para tração numa direção só. Puxado pela ponta errada, capota e vira laço de correr, com a alça fechando sob carga. Se a força pode mudar de lado, o Animated Knots indica a borboleta.

o melhor nó para fazer uma volta que não corre, no meio da cordaManual de Especialidades de Desbravadores (compilação de Gerson Boiko dos Santos), comentário ao nó borboleta

O que é nó de azelha dupla, e quais nós fazem duas alças?

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O nome "azelha dupla" não tem definição única. Alguns chamam assim a azelha em oito, feita com a corda dobrada; outros usam o nome para nós de duas alças. Antes de amarrar, confira o desenho com o Instrutor. Para duas alças de verdade, há três opções.

O lais de guia pelo seio (ABOK #1080) faz duas alças fixas no meio da corda, sem usar as pontas. A lista oficial da classe Amigo, da Divisão Sul-Americana (DSA), pede o "laís de guia duplo" sem mostrar o desenho, e o nome se presta a confusão: Ashley chamou de double bowline (#1013) outro nó, o lais de guia com volta redonda, que forma uma alça só. Segundo testes de 2011 citados pela Wikipédia, o lais de guia pelo seio pode escorregar quando só uma alça recebe carga. O uso dos nós de duas alças como assento de resgate está no guia de nós de salvamento, e a lista de cada classe, em nós por classe.

O laço duplo em oito (ABOK #1085), apelidado de orelhas de coelho, forma duas alças estáveis: uma não cresce às custas da outra. O Animated Knots cita o uso como assento improvisado, tarefa de equipe treinada. Usá-lo para dividir carga entre duas ancoragens de escalada é hoje desaconselhado: se um ponto falha, a folga dá um tranco forte no outro.

O laço borboleta alpina duplo dá duas alças independentes que não colapsam. É o mais difícil do grupo, e firmá-lo fica mais fácil com várias mãos puxando as pontas e as alças ao mesmo tempo.

Quando a costura de alça é melhor que o nó?

Todo nó de azelha pode ser desfeito. Quando a alça vai ficar muito tempo montada ou receber carga crítica, como num cabo de amarração de barco, a costura de olhal (ABOK #2725) é a melhor escolha: você destorce a ponta e tece os cordões de volta no próprio cabo, formando uma alça permanente. Nos requisitos de Nós e Amarras, ela aparece como costura de alça, ao lado de outras costuras de corda, como mostra o guia dos requisitos da especialidade.

Ela funciona em corda torcida de três ou quatro cordões. Em corda sintética, escorregadia, o Animated Knots exige no mínimo cinco passadas completas de cada cordão e recomenda sete em cabos de amarração, de reboque e outros usos críticos. Para destorcer a ponta, conte cerca de três vezes o diâmetro por passada: numa corda de 12 milímetros com cinco passadas, uns 18 centímetros.

Costurar pede tempo e paciência, e rende um bom projeto de reunião com corda de sisal torcida.

Como testar um nó de azelha antes de confiar peso?

Teste em três tempos. Olhe se o nó está arrumado; no oito, cada trecho mostra dois cordões lado a lado. Puxe com as mãos, e com força, a alça contra a ponta fixa e veja se o nó assenta firme, sem correr. Confira a sobra, longa o bastante para não escapar quando o nó assentar.

Os erros mais comuns nas reuniões:

  • usar a azelha simples onde vai haver carga e depois ter de cortar a corda;
  • deixar o lais de guia sem arremate em corda sintética lisa;
  • puxar o laço direcional em oito pelo lado errado;
  • cortar a sobra rente ao nó;
  • confiar no nome popular sem conferir o desenho.

Alça que vai segurar uma pessoa é outra conversa. Em altura, na água ou em resgate, o nó é só uma peça de um sistema com corda e equipamento certificados e um adulto treinado no comando, como na especialidade de Escalada. O nó é o que o instrutor indicar, com sobra longa e conferência em dupla. Nunca improvise em altura nem pendure alguém numa alça só para testar.

Corda gasta ou vencida não segura gente. Os sinais de desgaste e a hora de aposentar a corda estão no guia de como cuidar de uma corda.

Atenção: nenhum texto ou vídeo substitui o treinamento presencial com instrutor habilitado quando há uma vida pendurada na corda.