Os nós de salvamento são poucos, e cada um tem uma tarefa: envolver uma pessoa sem apertar, formar um assento, alcançar algo de longe ou ancorar a corda que vai até a vítima. O Manual de Especialidades da Divisão Sul-Americana (DSA) marca quatro deles com a palavra salvamento, e a especialidade de Resgate básico pede outros para unir, encurtar e lançar corda. Aqui estão os 14 nós desse kit, com o uso, o limite e o teste de cada um, e link para o vídeo no catálogo. Nó nenhum muda o limite: resgate real é do Corpo de Bombeiros, pelo 193.
O que são nós de salvamento, e até onde vai o desbravador?
Nó de salvamento é o que segura uma pessoa em perigo ou a corda que chega até ela. No Manual de Especialidades da DSA, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, a lista da especialidade de Nós e Amarras marca quatro como salvamento: lais de guia, lais de guia duplo, lais de guia de correr e cadeira de bombeiro. Do primeiro, o Manual diz que a corda não aperta o ventre da vítima.
A especialidade de Resgate básico completa o kit com nós para juntar cordas, um para encurtar, um para usar ao redor de alguém e o arremesso de corda de 15 metros. Os cenários de retirada estão no guia da especialidade de Resgate básico; aqui ficam os nós.
O desbravador aprende esses nós para treino e avaliação. No mesmo cartão de Resgate básico, o Manual lista como primeiro cuidado que a vida de quem resgata não pode estar em perigo ("melhor uma vítima do que duas") e manda avaliar se é melhor enviar um profissional. Resgate de verdade é do Corpo de Bombeiros (193) e do SAMU (192, gratuito, 24 horas).
Quais nós de salvamento o desbravador precisa conhecer?
A tabela reúne os 14 nós na ordem do texto, com a dificuldade do catálogo de nós e amarras do site, onde cada um tem vídeo e passo a passo. Para os primeiros passos, comece pelos nós e amarras essenciais do desbravador.
Os números ABOK vêm do The Ashley Book of Knots, publicado em 1944 pelo marinheiro e artista americano Clifford W. Ashley, com 3.857 entradas numeradas. O número mostra quando dois nomes falam do mesmo nó.
| Nó | Para que serve aqui | Dificuldade |
|---|---|---|
| Lais de guia | Alça fixa que não aperta o corpo | Médio |
| Lais de guia com uma mão | Autossalvamento, feito com uma só mão | Médio |
| Lais de guia pelo seio | Duas alças fixas no meio da corda | Médio |
| Lais de guia espanhol | Assento de duas alças das equipes de resgate | Difícil |
| Nó de algema | Base da cadeira de bombeiro; nunca em colega | Médio |
| Cadeirinha improvisada | Assento de emergência; não substitui a certificada | Médio |
| Aduchar corda solta | Corda pronta para sair sem embolar | Fácil |
| Nó de retinida | Peso na ponta para o arremesso | Médio |
| Lais de guia de correr | Laçar objeto à distância, nunca pessoa | Médio |
| Nó de escota | Emendar cordas de grossuras diferentes | Fácil |
| Nó de pescador duplo | Emenda firme entre duas cordas | Médio |
| Catau | Encurtar a corda sem cortar | Médio |
| Laço borboleta alpina | Alça fixa no meio da corda | Médio |
| Volta sem tensão | Ancorar a corda numa árvore | Fácil |
Dificuldade: catálogo de nós e amarras do site. Usos: Manual de Especialidades (DSA), apostila do CBMES (2026) e Animated Knots.
Lais de guia e nó de autossalvamento: por que a alça fixa vem primeiro?
O lais de guia (ABOK #1010) forma na ponta da corda uma alça que não corre: em volta do corpo, segura sem estrangular. A apostila de Salvamento em Altura do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES), de 2026, o chama de nó tradicional, fácil de fazer e de soltar, com perda de 33% da resistência da corda.
O ponto fraco: o Animated Knots, referência internacional de nós, avisa que ele se solta quando fica sem carga e é fácil de amarrar errado. Na apostila, ele leva arremate, um nó extra no chicote, e a alça preferida dos bombeiros é a azelha em oito, mais fácil de conferir a olho.
O lais de guia com uma mão é o nó de autossalvamento: a mesma alça, feita quando a outra mão está ocupada ou machucada. O Animated Knots alerta que um puxão repentino pode prender o pulso e recomenda fazer a volta em torno da mão.
Quando não usar: em rapel, escalada ou qualquer atividade com os pés fora do chão. Ali quem liga a pessoa à corda é a cadeirinha certificada, conferida por instrutor credenciado, como mostra o guia de rapel e tirolesa no clube.
Cadeira de bombeiro, nó de algema e lais de guia espanhol: para que servem os assentos de corda?
Quatro nós da lista transformam corda em assento. O lais de guia pelo seio (ABOK #1080) faz duas alças fixas no meio da corda, e o Animated Knots registra seu uso como cadeira de emergência, com ressalvas ao conforto. É a ideia que o Manual aplica ao lais de guia duplo, que chama de cadeira de salvamento ajustável.
O lais de guia espanhol (ABOK #1087) é o mais difícil do grupo. Ashley descreve uma alça em cada perna, com a pessoa consciente segurando a corda, e avisa que a corda de uma alça pode correr para a outra se o nó não estiver bem apertado.
O nó de algema forma duas alças ajustáveis; com uma meia-volta travando cada uma, vira a cadeira de bombeiro. É o alerta mais sério deste guia: segundo o Animated Knots, equipes de busca e resgate evitam esse nó pelo risco de ferir a vítima, e puxar alguém pelos membros com ele pode causar trauma. Como as alças correm, ele se treina só em objeto, nunca no braço ou na perna de alguém.
A cadeirinha improvisada monta um assento de emergência com fita ou corda, e o Animated Knots exige reforçar com meias-voltas o nó direito que a fecha. Ela não substitui a cadeirinha certificada: o CBMES cita os assentos de corda sem ensiná-los, usa o cinto de três pontos e pede soluções simples e seguras, sem improvisações.
Quais nós ajudam a lançar a corda sem entrar na água?
Na água, a cadeia de sobrevivência da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) manda pedir que alguém chame socorro pelo 193, oferecer algo que flutue, tentar ajudar sem entrar na água e usar uma vara ou uma corda. Entrar só se for seguro para quem socorre e com material flutuante; para o desbravador sem curso, a regra é jogar, nunca pular. O guia de Salvamento de Afogados trata da parte que exige curso credenciado.
Aduchar a corda solta é enrolá-la em roscas regulares, sem cocas, as torções que o CBMES manda desfazer passando o cabo pelas mãos. Corda aduchada sai da mão em sequência, e é assim que se prepara o arremesso de 15 metros do Resgate básico.
O nó de retinida (ABOK #538) põe peso na ponta de um cabo leve para ele chegar mais longe; é o nó da retinida, o cabo jogado na atracação de um barco.
O lais de guia de correr (ABOK #1117) é um laço que corre e aperta em volta do que laça, sem travar. O Manual o marca como salvamento, mas o Animated Knots o indica para recuperar objetos, como peças que caíram de um barco. Em volta de uma pessoa, nunca: para gente, a alça certa é a fixa do lais de guia.
Quais nós de resgate unem, encurtam e ancoram a corda?
O nó de escota (ABOK #1431) emenda cordas de grossuras diferentes, uso que o Manual registra. O CBMES ressalva que é rápido, mas pouco estável, com perda de 35% da resistência; quando as bitolas diferem muito, o Animated Knots indica a escota dupla, com uma volta a mais.
O nó de pescador duplo (ABOK #294) é a emenda de confiança, com perda em torno de 25% segundo o CBMES, e depois de carregado aperta tanto que fica praticamente soldado, avisa o Animated Knots. Escota, escota dupla e pescador duplo podem cumprir as três emendas do Resgate básico.
Para encurtar, o Manual indica o catau (ABOK #1152), que também tira da carga um trecho danificado. Serve para a avaliação, mas não para corda que segure gente: o Animated Knots mostra um catau bem feito falhando sob carga moderada em corda sintética.
O laço borboleta alpina (ABOK #1053) é, para o Manual, o melhor nó para uma volta que não corre no meio da corda, e aguenta carga em três direções. Mesmo podendo isolar um trecho gasto, vale a regra do CBMES: capa deformada ou com falha, corda descartada. O guia de como cuidar de uma corda ensina a inspeção.
A volta sem tensão ancora a corda com voltas num tronco, e a força fica nas voltas, não no nó. O CBMES pede no mínimo cinco voltas; o Animated Knots quer um tronco de pelo menos oito vezes o diâmetro da corda.
Quanto um nó enfraquece a corda, e como testar antes de confiar?
A apostila do CBMES trata os nós como um mal necessário, porque danificam a corda sob carga, e pede que um nó de salvamento seja seguro, estável, forte, fácil de aprender, fácil de conferir e fácil de desfazer. Para a sobra, cita a NBR 15595: dez vezes o diâmetro da corda, ou 10 centímetros numa corda de 10 milímetros. No clube, cada nó é conferido por outra pessoa.
| Teste | Como fazer no clube | O que reprova |
|---|---|---|
| Desenho | Outra pessoa compara com o vídeo do catálogo | Alça que corre quando devia ser fixa |
| Sobra | Medir o chicote: 10 vezes o diâmetro | Ponta curta |
| Arremate | Conferir o nó extra no lais de guia | Lais de guia sem arremate |
| Carga no chão | Esticar aos poucos com mochila ou tora | Nó que desliza ou muda de forma |
Critérios de um bom nó e sobra da NBR 15595, segundo a apostila do CBMES (2026).
Como treinar nós de salvamento no clube com segurança?
Para o Conselheiro ou o Instrutor, uma sequência de quatro reuniões funciona: alças; emendas e encurtamento; arremesso no gramado; e, por último, assentos montados em mochila ou tora. Vários destes nós, como lais de guia, catau, escota, pescador duplo e borboleta, estão na lista de onde a especialidade de Nós e Amarras pede 20 nós de memória, como mostra o guia dos requisitos de Nós e Amarras.
Duas regras valem em todas as reuniões: ninguém sai do chão com nó de treino, e todo encontro termina relembrando o 193 e o 192. Eclesiastes usa a corda para falar de companhia, e resgate também é trabalho de equipe: quem treina bem aprende, antes de tudo, a não agir sozinho.
o cordão de três dobras não se rebenta com facilidadeEclesiastes 4:12, Almeida Revista e Atualizada (ARA)