Cerca de 3.000 Desbravadores de 22 países se reuniram em Lomé, capital do Togo, de 22 a 28 de agosto de 2004, no primeiro grande campori do movimento na região da África Centro-Ocidental. De acordo com a Adventist News Network (adventist.news), o encontro marcou uma virada para os clubes da região, ao juntar em um só acampamento jovens que até então participavam de programas dispersos e de menor porte.
Mais do que uma concentração recreativa, o campori foi montado como uma semana de formação e serviço. Segundo a divisão responsável pela região, o programa combinou seminários de liderança, oficinas temáticas, atividades de campo e ações comunitárias na cidade que os recebeu. Participaram do evento o líder mundial de Desbravadores da Igreja Adventista, Robert Holbrook, e o representante da sede mundial, pastor Matthew Bediako.
Uma semana que reuniu 22 países no Togo
O número por si só já explica o peso do encontro. Segundo a Adventist News Network, cerca de 3.000 jovens vindos de 22 países montaram acampamento em Lomé entre 22 e 28 de agosto de 2004, no que a organização descreveu como o primeiro campori de Desbravadores da região da África Centro-Ocidental.
Para quem acompanha o movimento, um campori é o grande acampamento periódico dos clubes de Desbravadores — geralmente reunindo várias unidades de uma mesma área para dias de atividades ao ar livre, competições, ordem unida, cultos e convivência. É o ponto alto do calendário de muitos clubes. Levar esse formato a uma escala regional, juntando delegações de mais de vinte países, era algo inédito para aquela parte da África.
A região citada corresponde ao território que a Igreja Adventista organiza como a Divisão da África Centro-Ocidental, que abrange dezenas de países do centro e do oeste do continente. Reunir clubes de contextos, línguas e culturas tão diferentes em um só campo exigiu uma logística de acampamento, alimentação e programação incomum para a época — e é justamente essa diversidade que deu ao evento o caráter de marco.
Muito além do acampamento: formação e liderança
De acordo com a divisão responsável pela região, o campori não foi pensado apenas como lazer. Boa parte da semana foi dedicada à formação, com seminários voltados ao preparo de líderes e à qualificação dos clubes.
Entre os temas trabalhados nas oficinas estavam evangelismo, saúde, oração, finanças, comunicação e educação — um repertório que ia do desenvolvimento espiritual às habilidades práticas de organizar e conduzir um clube. Houve também seminários específicos de liderança, voltados ao planejamento cuidadoso de programas e ao acompanhamento dos Desbravadores, segundo a Adventist News Network.
Esse desenho conversa diretamente com a proposta do movimento de Desbravadores, que combina vida ao ar livre, estudo, serviço e crescimento pessoal. Para os clubes da região, a semana funcionou como uma espécie de capacitação intensiva: líderes que atuavam isolados em seus países puderam trocar experiências e voltar para casa com repertório novo.
O líder mundial de Desbravadores da Igreja, Robert Holbrook, presente ao evento, resumiu a impressão que teve dos participantes. "The leaders here are very excited and thirsty for information" — "Os líderes aqui estão muito animados e sedentos por informação", afirmou, em declaração divulgada pela Adventist News Network.
Desbravadores a serviço da cidade
Um dos traços mais marcantes da semana foi o que aconteceu para fora do acampamento. Segundo a divisão, os Desbravadores não se limitaram a usar a estrutura de Lomé — eles retribuíram com trabalho comunitário à cidade que os recebeu.
Entre as ações relatadas pela Adventist News Network estão a doação de sangue, a distribuição de folhetos e o reparo de uma estrada que havia sido tomada por alagamento. Esse último mutirão contou com o apoio da ADRA-Togo, a representação local da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais, braço humanitário da Igreja.
O gesto tem valor simbólico para o movimento. O serviço ao próximo é um dos pilares do ideal do Desbravador, e ver milhares de jovens organizados para ajudar a comunidade anfitriã transforma o campori em algo que a população da cidade também sente de perto — não apenas um evento fechado para os participantes.
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A cerimônia de abertura teve presença de autoridades da cidade, o que reforçou a visibilidade pública do encontro. Segundo a Adventist News Network, o prefeito de Lomé, Komlan Valentin, participou do programa inaugural, ao lado de outras lideranças togolesas.
Também esteve presente o chefe tradicional Togbe Adjale, apontado como uma autoridade de referência local. As falas registradas pela divisão sugerem que a mobilização dos jovens causou boa impressão entre as lideranças da cidade, tanto pela organização quanto pelo tom de respeito à cultura e à comunidade.
A presença de autoridades civis e tradicionais em um evento adventista de juventude não é detalhe menor: em muitos contextos africanos, o reconhecimento de líderes locais confere legitimidade a iniciativas comunitárias — e ajuda a abrir portas para os clubes que seguirão atuando na região depois que o acampamento for desmontado.
Presença da liderança mundial do movimento
O campori de Lomé também colocou a região no mapa da liderança global do movimento. Robert Holbrook, então diretor mundial de Desbravadores da Igreja Adventista, acompanhou o evento de perto, assim como o pastor Matthew Bediako, representante da sede mundial da denominação.
Para Holbrook, o encontro sinalizava um novo patamar para os clubes da África Centro-Ocidental. Ele avaliou que a qualidade das perguntas feitas pelos líderes locais indicava que o movimento na região estava "entering a new level of excellence as a result of this camporee" — entrando em um novo nível de excelência como resultado do campori, conforme registrado pela Adventist News Network.
A avaliação positiva da cúpula mundial tem um significado prático. Eventos como esse costumam servir de vitrine para que a liderança global entenda as necessidades e o potencial de cada território — e, a partir daí, direcione apoio, treinamento e recursos. Ao reunir tantos países em uma só semana, Lomé ofereceu exatamente esse retrato.
Por que este campori entrou para a história do movimento
O que faz de Lomé 2004 um marco não é só o tamanho, mas o pioneirismo. Ao ser descrito como o primeiro campori de Desbravadores da região da África Centro-Ocidental, o encontro passou a funcionar como referência para os que vieram depois — um ponto de partida a partir do qual clubes de vários países passaram a se enxergar como parte de um movimento maior.
Para o Desbravador de hoje, a história ajuda a dimensionar o alcance do movimento. O programa que muita gente conhece pelas atividades do clube local é, na prática, uma rede mundial que se manifesta em acampamentos como esse em todos os continentes. Ver 3.000 jovens de 22 países acampando juntos em 2004 mostra como o ideal do Desbravador atravessa fronteiras, línguas e culturas.
Passadas mais de duas décadas, encontros regionais e internacionais seguem sendo peça central do calendário adventista de juventude. O campori de Lomé permanece como um dos capítulos que ajudaram a consolidar essa tradição na África — combinando, em uma só semana, formação, serviço e a experiência de pertencer a algo global.